terça-feira, 26 de abril de 2016

#SerieCidadania

Movimento E Mudanças!
“A política no Brasil só se movimenta,
mas não muda...”

                                 O Brasil cumpriu no último 21 de abril 30 anos de prática de regime democrático, sem a ocorrência de golpes ou intervenções militares. Neste período, “como nunca dantes na história deste país”, a caserna entregou integralmente nas mãos civis a condução política da nação sem aplicar-lhes “corretivos políticos” e a partir de então o Brasil assistiu à uma intensa movimentação política entre correntes, quer ao centro e à esquerda, pois à direita nunca nenhum partido político teve coragem suficiente para assumir suas diretrizes e é dessa “direita de ofício”, que o país sempre se ressentiu a ausência. A Direita Conservadora.
                            Bem, a rigor a sociedade brasileira nunca se posicionou nem como conservadora e nem tampouco como progressista, ou ainda liberal. Nos falta tempo de história para que isso ocorra e isso se reflete principalmente na formação ideológica de nossos partidos políticos, na expressão da nossa cultura popular comum e no comportamento cidadão de convivência. A “colcha de retalhos” étnica da nossa formação ainda levará algum tempo para se tornar um tecido harmônico e comum.
                                 Muito se tem falado sobre a importância da Educação para a formação da cidadania, pois é através dela que conceitos são aprendidos para a correta compreensão dos aspectos políticos, culturais, comportamentais e dos próprios direitos fundamentais do cidadão. Se este mesmo cidadão não consegue se encontrar dentro desses parâmetros básicos, como poderá se atrever a fazer política? Essa é a razão principal do atual estado de coisas no Brasil de hoje. Cidadãos desinformados ou formados de forma deturpada ditam regras e normas de atuação política.
                              Mistura-se “direita” com conservadorismo e “esquerda” com progressismo, esquecendo-se que o perfil individual de qualquer cidadão pode ostentar uma parte conservadora, outra progressista e ainda outra liberal. Nada impede que um cidadão, que defenda a tradição e os bons costumes, (conservador), seja favorável à ampliação dos direitos sociais dos mais necessitados, (progressista) e seja de “mente aberta”, (liberal), no tocante ao comportamento social moderno. Um progressista, ou conservador, ou liberal 100% seria uma “aberração social”.
                                        Na realidade no atual momento político brasileiro o nivelamento pelo “mínimo classificador comum” corresponde a um emburrecimento proposital com a finalidade de criar seitas e falanges e com isso fazer com que periodicamente ocorra uma “movimentação” em uma ou outra direção com encastelamentos radicais, que é o componente mais forte a impedir um consenso social e com isso as “mudanças necessárias”.
                                           
A história de uma pessoa ou de um país é a cronologia dos seus erros e acertos e dos seus avanços e retrocessos e como desses fatos se construiu uma vivência e desta se elaborou um leque de escolhas para o futuro. O “conto da carochinha” representado pela História Oficial ensinada nas escolas compreendendo a Inconfidência Mineira, a Independência e a República e mais recentemente a divinização de Getúlio Vargas e a demonização dos Governos Militares nos privam da matéria prima mais importante, que é o aprendizado histórico.
                                           
Infelizmente as últimas grandes mudanças ocorridas no Brasil foram de 1940 a 1985 sob a ótica desenvolvimentista industrial e geopolítica e com isso nos colocamos entre as 10 maiores economias do mundo. Algum aprimoramento de gestão pública ocorreu entre os anos 1994 e 2000, mas depois disso o Brasil se deixou envolver numa polarização burra e alienante e com isso perdemos muito da influência internacional tão arduamente construída ao longo do sec. XX.
                                                       Um dos meus propósitos ao escrever o livro VOTO DISTRITAL – ESTE ME REPRESENTA foi o de resgatar a importância da organização política a partir da base da sua pirâmide, que é o distrito. É ele por suas características étnicas, culturais, econômicas e sociais, que determina pela média dos seus habitantes sua personalidade cidadã e comportamental, além da influência que exerce ou sofre no seu eixo gravitacional regional. É assim que se organiza e exerce influência ou é influenciada toda e qualquer sociedade definida pelos seus matizes, quer políticos, sociais, culturais e econômicos.
                                                      Será muito difícil, que pelo amalgamamento de todas as características específicas dos vários distritos, municipalidades, estados e federação como um todo se tenha uma representação de qualquer natureza, que não expresse os valores básicos tanto políticos, como sociais, econômicos e culturais, que venham a discrepar do todo nacional. É assim que se constrói a nacionalidade e a cidadania, onde todos os cidadãos nela se veem representados.

                                                             É assim que por extensão os partidos políticos e seus candidatos para bem representar deverão espelhar essa sociedade. O problema dos partidos políticos no Brasil é que sempre mostraram um “ideário ideal” e não um “ideário necessário”, que represente as verdadeiras aspirações e necessidades dos eleitores. Sempre se organizaram de “cima para baixo” e desta maneira sempre apresentaram a opinião de algum figurão, que sempre se arrogou em escolher o que é bom para o povo.
Vamos deixar que o povo diga o que quer e necessita ...
Isto é mudança.


Das Percepções de um Brasil Atual do
Escritor e Articulista 
Antônio Figueiredo – São Paulo – SP –

Obs.:
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O Editor