sexta-feira, 8 de abril de 2016


#PensarNaoDoi:

O Ardor da Inveja!

“...A inveja vê sempre tudo com lentes de aumento  que transformam pequenas coisas
em grandiosas, anões em gigantes, indícios
em certezas...!”

Miguel de Cervantes

                                 Reportar um tema como a inveja confronta todo nosso viver e possivelmente muitos dirão – “Eu invejoso (a)? De modo algum!” Será que jamais sentimos inveja? A inveja é um sentimento pecaminoso, danoso e bem escondidinho, pois nunca se ouviu alguém dizer: “Eu sou uma pessoa invejosa”. Confessar-se invejoso, assumir que sente inveja é algo miraculoso.
                               Não seria exagero afirmar que existem pessoas que buscam conquistas, única e exclusivamente, para despertarem o sentimento da inveja. Elas querem ter ou ser para provocarem a pratica da maldade pelos indivíduos que o cercam! A inveja é tão cruel que o rei Salomão deixou-nos provérbios tais como: “Cruel é o furor, e impetuosa, a ira, mas quem pode resistir à inveja?”.
Em uma pesquisa feita recentemente, mostra-nos uma realidade bem diferente:
QUEM ASSUME? 1) 54% dos brasileiros acreditam ser invejados pelos outros, enquanto; 2) 46% admitem sentir inveja. E, as áreas mais invejadas são:

18% Carreira
16% Dinheiro
7% Inteligência
6% Relacionamentos afetivos
3% Beleza
2% Espiritualidade
2% Família
1% Casa/Decoração
.

                                      Derivada do idioma grego (phthónos), que significa emulação e cobiça, tem também o significado de inveja. O termo hebraico “qiná” significa originalmente, uma “queimadura; cor produzida no rosto por uma profunda emoção, ou seja, ardor, zelo, inveja”. 
Do latim “invidia”, Inveja significa: desgosto ou pesar pelo bem estar ou pela felicidade de outrem; desejo de possuir o bem alheio. Literalmente, o termo é assim traduzido: “olhar com intenção maliciosa”. 
Segundo a psicóloga Melanie Klein, a Inveja “é um sentimento que destrói; é um modo inadequado de lidar com a realidade. A pessoa não faz nada e ataca quem faz ou tem alguma coisa. É pura falta de competência”. 
A inveja tem inúmeros outros sentimentos consequentes, como críticas, ofensas, dominação, rejeição, difamação, agressões, rivalidade, vinganças
.

                                              Diante de tantas definições, como então ter um conceito fixo da “Inveja”? A definição que poderíamos usar é: “A inveja é uma das maiores demonstrações de mesquinharia humana. Os invejosos chegam a fazer campanhas de perseguição contra suas vítimas, as quais, na maioria das vezes, não têm qualquer culpa por haverem despertados tal sentimento nos invejosos. Geralmente os malsucedidos têm inveja dos bem-sucedidos. Essa é uma tentativa distorcida para compensar pelo fracasso, glorificando ao próprio “eu” e procurando enxovalhar a pessoa invejada.”. 
                                           Trata-se de um sentimento amargurado e qualificado como terreno, animalesco e demoníaco. Este tipo de inveja surge de pessoas que vivem querendo prevalecer ou fazer seus argumentos serem vitoriosos. Tais pessoas estarão predispostas a serem derrotadas e a sentirem inveja daqueles que as venceram.
                                              A inveja não é necessariamente querer para nós mesmos, mas simplesmente querer que seja tirado do outro. Santo Agostinho associa a inveja com a cobiça, proibida pelo 10º mandamento – “Não cobiçarás a casa do teu próximo...”. As nossas habilidades, talentos, realizações e trabalhos não devem ser produzidos pela inveja, pelo desejo de superar o outro, de ofuscá-lo ou ridicularizá-lo.
Ele mostra diferenças importantes entre o ciúme, cobiça e a inveja:
Ciúme – é o desejo desesperado de manter o que se tem;
Cobiça – é querer o que não tem;
Inveja – é não querer que o outro tenha.
E acrescenta: “A inveja é o desejo manifestado de forma destrutiva, de possuir o que é dos outros.”.


                                       Um dos exemplos mais conhecidos mundo afora é a História de José do Egito e os seus irmãos – O pai Israel amava mais a José dos que a todos os outros filhos, por ser filho de sua amada Raquel. Seus irmãos o odiavam, pois não conseguiam ser justos agradando ao seu pai tal qual José – eles sentiam inveja.
a. Percebe-se que eles não estavam perdendo algo que já tinham, ou seja, uma posição privilegiada (o que seria caracterizado como o ciúme).
b. O que fica claro, é que eles desejavam algo que não possuíam, ou seja, uma posição igual à de José, sem apresentarem mudanças de comportamentos (o que caracteriza a inveja). Neste caso, a inveja gerou o ódio. Tentaram tirar-lhe a vida (matar); vingaram e os fez prender o irmão e vendê-lo a mercadores.
Considerando o exemplo acima como um dos mais apropriados, cuidemos, somos seres humanos capazes de qualquer sentimento e ação como a Inveja que é considerada uma “disposição mental" reprovável, para praticarem cousas inconvenientes. Além de molestar suas vitimas, a inveja causa males àqueles que a sentem. 



Dos Entendimentos & Compreensões de:
Marilene Marques, Contabilista, Aposentada,
Mineira da Vila de Assaraí, Pocrane – MG.
Fontes:
VENTURA, Zuenir. Mal Secreto: Inveja. São Paulo: Editora Objetiva, 1998.
JORDÃO, C., RABELO V. A Inveja desvendada. Revista ISTOÉ, São Paulo: nº 2064, 03 jun 2009.
BARCLAY, William. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Vida Nova, 2000, p. 24.
KLEIN, Melanie. Inveja e gratidão e outros trabalhos. Rio de Janeiro, RJ: Imago Editora, 1991.
CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de bíblia, teologia e filosofia. 5. Ed. São Paulo: Hagnos, 2001, p. 355, v. 3.
AQUINO, Tomás de. Sobre o ensino. Os sete pecados capitais. 2ed São Paulo: Martins Fontes, 2004.
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