domingo, 8 de maio de 2016

#PensarNaoDoi:

“Família - Origem de Tudo...! ”
“...Toda a doutrina social que visa 
destruir a família é má, e para mais 
inaplicável. Quando se decompõe 
uma sociedade, o que se acha como 
resíduo final não é o indivíduo, 
mas sim a família...!”

Victor Hugo
  
                                Se eu perguntasse a você o que é família, certamente a resposta seria fácil e de acordo com o pensamento geral que se tem dela.
                                      A família é a unidade básica da sociedade, formada  por indivíduos com ancestrais em comum e ligados por laços afetivos.
Viu? Simples. Será?
                                         O que estamos experimentando no Brasil atual é consequência de nossa vida familiar. Sim a primeira célula de uma comunidade, que gera uma cidade, que por sua vez compõem um estado e uma união como um todo. Como uma gigantesca família. Muitos irmãos diferentes, parentes que se misturaram com outras raças e formaram primos, tios de várias tonalidades, mas sempre com a significação mais profunda. A união do sangue. A união divina.
                                    Estas duas últimas, parece, nos últimos tempos foi diluindo-se aos poucos... os irmãos de sangue foram dispersando-se... Ficando mais longe uns dos outros.... Os pais foram morrendo... E a impressão que fica é que a família foi desaparecendo... E a parte divina também se dilui.
                                 Ao divino referi-me a espiritualidade e não a religião discutível em todos os gêneros e tipos. Esta primazia do ser humano que ao juntar-se, em pequenos grupos em seus primórdios foi buscando significação através de muita simbologia para tudo o que ele não tinha explicação.
Começou adorando e sendo grato aos elementos da natureza:
                          O Fogo, A água, o Ar e a Terra. Os quatro principais. Deles fez de sua imaginação uma criativa seleção que hoje temos como base a religião. Ou todas elas. Todas com o mesmo princípio com nomes e rituais diferençados. A busca do Divino... Aquela centelha de Deus presente em cada espirito, enquanto aqui com esta roupagem dita humana.
                            Falando com um ser muito especial, nestes dias, por obviedade da grande divulgação nacional, veio à tona o assunto dos discursos dos deputados na votação do impedimento presidencial na Câmara dos Deputados em Brasília – Nosso Distrito Federal – Nossa capital brasilesa.
                               Ela chamou-me a atenção que independente das vaidades de estar sendo mostrados em rede nacional, o que todos proferiam de certa forma uníssonos era: Em nome de minha família.... De meus filhos.... De meus pais.... De minha mulher... Claro que junto a esta família veio outros congêneres que aqui não interessa fazer nenhuma conotação. Pois delas surgiriam denotações. Estas, agora, desnecessárias.
Do outro lado da linha, este ser especial, antevendo minha reação, por tratar-se de uma demagogia política antecipou-se a uma possível argumentação, conhecendo-me, continuou:
- Não importa em que momento estejamos vivendo.... Não importa a maneira que cada parlamentar falou, se foi da mulher ou da amante.... Porem quase todos deixaram como que em um registro, que em seus íntimos o que estavam fazendo tinha a representatividade daquilo que eles julgavam de mais caro; A família.
Confesso: Prendeu-me a atenção.
Continuou este ser especial:
 - Veja bem (tem uma maneira única de se referir a mim, do qual permitam-me manter esta privacidade, tão cara.) Mesmo em momentos tão delicados que passa todo o País: Corrupção, ausência e educação, cultura destruída, ao menos a recente, violência generalizada e uma ausência de segurança da própria família, em um momento decisivo para uma nação, Eles – os parlamentares – primeiro, antes do voto diziam: Em nome de meus filho... Em nome de minha família... Por minha família... Será que no fundo esta carência e esta necessidade de valorizarmos nossa célula mais importante não está reascendendo em nosso pais, em um momento em que tudo está sendo discutido?
Confesso: Este ser deixou-me pensativo e fez-me rever posições, algumas radicais de análise em todos os aspectos.
                        Ela citou-me o exemplo do Papa Francisco, que mesmo não sendo diretamente para o Brasil, generalizou a necessidade de manutenção de uma força gigantesca e divina que somente a família possui.... Que o novo Presidente Argentino Mauricio Macri, em um de seus discursos junto ao Papa Francisco – seu conterrâneo – no Vaticano, começa, antes de tudo valorizando a família...
Mas família é muito mais.
                              Quanto ao tipo de relações pessoais que se apresentam numa família, o grande autor Lévi-Strauss refere três tipos de relação. São elas, a de aliança (casal), a de filiação (pais e filhos) e a de consanguinidade (irmãos). É nesta relação de parentesco, de pessoas que se vinculam pelo casamento ou por uniões sexuais, que se geram os filhos.
                                   Outro autor, Atkinson e Murray, a família é um sistema social uno, composto por um grupo de indivíduos, cada um com um papel atribuído, e embora diferenciados, consubstanciam o funcionamento do sistema como um todo. O conceito de família, ao ser abordado, evoca obrigatoriamente, os conceitos de papéis e funções, como se têm vindo a verificar.
Bonito a forma com que a literatura mostra e define a família.
Mas no mosaico chamado Brasil família é isso mesmo?
                                  A família tem como função primordial a de proteção, tendo sobretudo, potencialidades para dar apoio emocional para a resolução de problemas e conflitos, podendo formar uma barreira defensiva contra agressões externas. Outros autores reforçam ainda que, a família ajuda a manter a saúde física e mental do indivíduo, por constituir o maior recurso natural para lidar com situações potenciadoras de estresse associadas à vida na comunidade.
                            Relativamente à criança, a necessidade mais básica da mesma, remete-se para a figura materna, que a alimenta, protege e ensina, (aqui entra a educação mais elementar de todas) assim como cria um apego individual seguro, contribuindo para um bom desenvolvimento da família e consequentemente para um bom desenvolvimento da criança. A família é então, para a criança, um grupo significativo de pessoas, de apoio, como os pais, os pais adoptivos, os tutores, os irmãos, entre outros. Assim, a criança assume um lugar relevante na unidade familiar, onde se sente segura. Em nível do processo de socialização a família assume, igualmente, um papel muito importante, já que é ela que modela e programa o comportamento e o sentido de identidade da criança. Ao crescerem juntas, família e criança, promovem a acomodação da família às necessidades da criança, delimitando áreas de autonomia, que a criança experiência como separação.
Mas e nosso país? Não cresceu junto, ao todo, entre nós, entre todos? O que nos faltou? Um “pai e uma mãe” como representantes da Nação?
Sim. Exatamente isto. Precisamos, para aprender, que o exemplo venha de cima. É através dele que aprendemos e criamos a nossa personalidade, seja ela particular, familiar ou comunitária e nesse caso nacional.
                               Na última década nos tornamos, literalmente, órfãos de um pai e uma mãe nacional. Nossos irmãos brigaram por “migalhas”, outros foram “comprados”, outros “revoltaram-se”, mas a grande maioria continuou, tal qual “soldado de Branca Leone”, lutando sozinho... Muito aos poucos, nestes últimos dez anos, os outros “irmãos”, foram aparecendo, foram juntando-se a estes, e como se por memória genética, houve uma lembrança de Pátria – família -. Muitos comoveram-se... Muitos arrependeram-se... Muitos engajaram-se... E, talvez.... Apenas talvez, tenhamos sobrevivido até hoje, exatamente por causa desta memória familiar. Que nos é tão cara. Tão necessária.
Talvez cada Brasilês tenha que buscar dentro... E não fora o que tem de tão necessário para ser FAMILIA.
                               Nosso amado Rubem Alves deixou escrito: “.... Quem tenta ajudar uma borboleta a sair do casulo a mata. Quem tenta ajudar um broto a sair da semente o destrói. Há certas coisas que não podem ser ajudadas. Tem que acontecer de dentro para fora...! ”
Mas não podemos esquecer nunca: fomos o que nos fizeram...
 Em família.... Em amor incondicional.
Ou como disse Nietzsche, em sua obra Humano, Demasiado Humano: “...O que o pai calou aparece na boca do filho, e muitas vezes descobri que o filho era o segredo revelado do pai...! ”
Vamos voltar a ser e conviver como família?
Vamos voltar a ser Brasil... Uma Nação.... Muitos irmãos.
Pensar não dói... Ausência de uma família/nação dói muito...



Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
De diálogos com Seres Especiais
Fontes pesquisadas:
LÉVI-STRAUSS (cit. por PINHEIRO, 1999
ATKINSON e MURRAY (cit. por VARA, 1996),
ALVES, José Carlos Moreira. Direito Romano. Rio: Forense, 1977.
MINUCHIN, Salvador – Famílias: Funcionamento & Tratamento. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990. p. 25-69.
SARACENO, Chiara – Sociologia da Família, Lisboa: Estampa, 1997.
Publicado originalmente no Grupo Kasal – Vitória – E.S.
http://konvenios.com.br/info/verArtigo.aspx?a-id=27752#.Vy-r1fkrLNM
Arquivos da Sala de Protheus.
www.epensarnaodoi.blogspot.com.br