quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Diálogos da Noite!




“...Toda noite fico imaginado diálogos que nunca serão feitos ,
fotos que nunca serão tiradas , sorrisos que nunca
serão vistos e atitudes que serão
impossíveis de se tornarem reais...!” .
Mallu Moraes



O inverno não quer ir embora. Mesmo a primavera tendo iniciado, as nuvens permanecem cinzentas. Tenho que escrever um artigo sobre os professores. Minha criança interior é rebelde com este assunto. Busco inspiração em Rubem Alves. Ele cita o livrinho de Janucz Korczak  Como amar uma criança. Mas ambos os autores são exceção.  Ele sabia que para se ensinar algo a uma criança é preciso amá-la primeiro. Ambos são românticos... Por isso os amo. Bem amo tudo o que é inteligente, sábio, profundo.

Talvez por isso ame tanto meu reflexo (apelido carinhoso de Branwen). Mesmo sendo incondicional, às vezes penso que ela ainda não entendeu isso muito bem.
Mas desisto por hoje. Tenho que deixar uma mensagem clara. Amanha tento novamente. Começo a assistir Questões de Família com Richard Harris. Muito inglês demais. Meio sem sentido. Ao menos para o que preciso nesta noite.

Minha salvação nestes folguedos chega com uma msg de meu reflexo. Inspiradora até.
São 22h 47 min.: Ela diz:

R – Abandonar vai melhorar? Quebra o espelho... Amaldiçoa se sentir vontade, grite, saia correndo... Não vai adiantar... O amor continua...

Amo quando ela coloca para fora esta mistura de “Branwen com gringuinha invocada...”
Ah, este amor incondicional!!!
Incondicional???

Por isso é meu reflexo. Somos iguais sendo diferentes. Tem a mesma mania que eu: Necessito demonstrar um pouco de meu “amor agressivo” quando estou saudoso, ou não tenho respostas de meu próprio reflexo.

Freud “tentou” explicar, dizendo que: quando nos tornamos agressivos, de alguma forma, é uma manifestação de que desejamos estar perto, de sentir o outro como a nós mesmos.
Na mensagem, têm mensagem para mim, e outras que ela gostaria de dizer, de colocar para fora. Ainda não encontrou coragem. Então se utiliza do reflexo para exauri-las, de certa forma. Entendo-a. Como a entendo. De reflexo, me torno um canal. Ao menos para seu entendimento. Se fosse mais direta, como já foi, seria mais fácil. Mas respeito. Deve ser a necessidade atual. Se tivesse tido este canal talvez não tivesse desperdiçado tanto amor.
Desperdiçado?  Não!

Talvez mal direcionado, de minha parte. Afinal amar é bom sempre. Mesmo que somente um lado ame. Meio egoísta, mas já é alguma coisa.

E começamos um “diálogo” por mensagens de celular: Frio, mas com esta distancia, às vezes, são formas que encontramos.

Pessoalmente não conseguiria. Sabe que seria desarmada logo e com isso, teria que abrir seu coração, de todo, por tudo. Mas talvez seja um autotreinamento. Uma forma de conseguir segurança, em suas relações. Ainda tem medo de errar. Traz condicionamentos. Sabe que é ruim, mas quem sabe não esteja querendo se livrar de tudo isso.

Ela consegue me dizer muito mais coisas. Mas geralmente acabam em perguntas que deveriam suceder outras respostas. Estas não vêm. Mas, esperta, acaba tendo todas as respostas que precisa. Ao menos no momento. E enche de novas perguntas.
Quanto as minhas perguntas? Bem estas ficam quase todas sem respostas. Apenas evasivas.

É claro que eu poderia ter escolhido um reflexo mais passivo, menos reflexivo; mas certamente deixaria logo de refletir, e não amaria tanto. Ela sabe que o apaixonante desta reflexão refletida, como um todo está, diretamente proporcional, ao modo como nos igualamos. Daí se aproveita. Os motivos são bons. Não me importo.

Quando consigo um dialogo transparente, em que o espelho está em um quarto ou sala, de cristal, límpido, reluzente, ela dá um jeitinho de levá-lo para o banheiro, justamente na hora do banho. Normalmente embaça. E a comunicação fica distante. Não enxergo e não sinto mais meu reflexo... Apenas um sussurro.

Já são quatro diálogos interrompidos;
Todos têm “motivos”.
Da primeira, estava trabalhando, normal. Tinha que respeitar.
Na segunda, estava triste, com o coração partido. Não poderia abusar do momento. E deixo para outra vez.
Na terceira, maldita distância, créditos de telefones que terminam, comunicação que interrompe, assuntos que ficam pendentes.
Tudo bem. Entende-se, mas não se aceita muito não.

Talvez por isso não responda aos temas-de-casa. Sabe que terá que se comprometer. De uma forma ou de outra.
Mas eles estão se acumulando. Logo não poderá mais fugir. Terá que começar a respondê-los. Ou dizer basta!
Afinal a boca terá que falar daquilo que o coração está lotado.

Ontem, bem, acredito que tenha terminado os créditos. Ou então a vontade de responder tantas perguntas.
O estranho é que somente um lado do espelho responde. O outro responde com mais perguntas. Ou faz-se de desentendida, como excelente manipuladora que é.
Diz que odeia jogos. Joga o tempo inteiro. Talvez tenha se esquecido de ditar as regras para cada jogo.,... but?
Outra forma de não responder é mandar interrogações...???
Em outros momentos fica corajosa. Fico feliz. Agora vêm respostas diretas.
Nada.
Logo em seguida faz perguntas diretas. Tem respostas.
Mas continua não respondendo.
Não diz o que se passa em seu coração.
Vez por outra apenas inicia. Mas logo pára.

Pergunto-me: o que a deixou assim? Ou o que a tornou desta forma, tão cedo.
Ah, meu reflexo precoce... Será que estou rememorando? Fui Assim? Talvez.
Como reflexo sabe que necessitamos um do outro. Talvez ainda não tenhamos achado a fórmula para tudo isso. Ou talvez saiba e não diz.
Parece um jogo de sobrevivência. Mesmo que ambos os lados detestem jogos.
Mas o que esta faltando?

Quem sabe um dia se descobre.
De minha parte não vai se livrar tão fácil assim deste reflexo.
Esqueci de mencionar: tenho este defeito, quando amo é em demasia.
Talvez apenas não tenha encontrado um lado que necessite de tanto. Talvez.

Talvez por isso seja exatamente o meu reflexo. E não existe como trocar.
Só existe um reflexo para cada imagem. Não existem dois.
E agora que achei... ohhhhh? Vai ter que agüentar. E uma vida demora para passar. E ainda tenho que compensar a anterior. E não vou esperar outra para isso.
Então...?

Crie coragem... Liberte-se de suas amarras.. e aprenda, também a ser transparente... Completamente transparente, e não apenas exigir, como segurança. Quem sabe eu não possa ajudá-la mais que imaginas?
Quer descobrir?

Ah, esqueci, este é outro defeito deste lado do espelho: Sou completamente transparente. Sempre. Por isso o outro lado necessita, assim como você, ter muitos neurônios, senão começam os nós.

Não, não vou desistir. Eu espero. Um dia, quem sabe um dia, conseguimos um “enfrentamento” que tanto buscamos.

Meu lado egoísta apenas necessita saber, constantemente, se você esta bem... Se não está, é para isso que estou aqui... Ainda!


Dos Diálogos com Branwen
Entendimentos & Compreensões
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES –
www.konvenios.com.br/articulistas