domingo, 13 de outubro de 2013


"ENSAIOS ACERCA DO ENTENDIMENTO "




                                                                    
"...Ora, eles agem fora de todo bom senso, buscando
apenas o comodismo imediato e, unindo-se a seus semelhantes, 
cheios de aversão pelos outros, deixam-se guiar
sobretudo por suas antipatias..."

      Dialogo de Sócrates e o
 Estrangeiro - Platão


                           O grande pensador da Idade Média, o Filósofo John Locke, disse em 1661: "Os homens não se encontram em tantos erros como se imagina". Mas sabemos nós, baseados no pensamento de Locke, que não obstante, quanto ao grande barulho que é feito no mundo com respeito aos erros e opiniões, deve-se fazer justiça aos homens ao dizer: "... Não há tantos homens no erro e com opiniões errôneas como é realmente suposto...".

                          Não que se pense que eles adotam a verdade, mas porque, no que diz respeito a estas doutrinas, eles se mantiveram em tal movimento que não tem pensado, não têm, em absoluto, opinião. Eles estão resolvidos a aferrar-se a um partido que a educação ou o interesse os tem engajado, e lá, como os soldados de um exército, mostram sua "coragem e entusiasmo" de acordo com a orientação de interesse das "lideranças", sem jamais examinar ou conhecer a causa pela qual combatem.

Deste modo, os homens tornam-se professores e combatentes, destas opiniões de que nunca estiveram convencidos nem são prosélitos, nem jamais as tiveram flutuando em suas cabeças; e, apesar de não se poder dizer que há menos opiniões errôneas ou improváveis no mundo do que se pensa, ainda assim, isto é certo: há poucos que realmente aquiescem com elas, e as confundem com verdades, como se imagina.

                           É interessante lógico e belo, a maneira como Jean-Jacques Rousseau, inicia o seu capítulo VIII do Contrato Social, com o título de "Do Povo" em 1757: "...Assim como antes, de erguer um grande edifício, o arquiteto observa e sonda o solo para verificar se sustentará o peso da construção, o legislador, não começa por redigir leis boas em si mesmas, mas antes examina se o povo a que se destinam mostra-se apto a recebê-las. Por esse motivo Platão recusou das leis aos árcades e aos cirênios, pois sabia serem ricos esses dois povos e não poderem admitir a igualdade; por isso, também houve em Creta boas leis e homens ruins, pois Minos havia simplesmente disciplinado um povo cheio de vícios..."
                
         Obviamente brilharam na terra inúmeras nações que jamais poderiam viver só leis boas e mesmo aquelas que poderiam durante a sua existência não dispuseram, para tanto, senão de um período muito curto. A maioria dos povos, como dos homens, só são dóceis na juventude; envelhecendo, tornam-se incorrigíveis. Desde que estabelecem os costumes e se enraízam os preconceitos, constitui empresas perigosas e pura perda de tempo querer reformá-los. O povo nem sequer admite que se toque em seus males para destruí-los, como aqueles doentes, tolos e sem coragem, que tremem com a presença do médico.
                          
Obviamente, é um bom argumento, para exercitar o córtex do cérebro.

 Afinal... Pensar Não Dói.


Entendimentos & Compreensões
Leituras &  Pensamentos da Madrugada
Publicado no Site  do Grupo Kasal - Vitória - ES -