quinta-feira, 10 de outubro de 2013


Dia dos Espíritos!



“... O espírito é aquilo que foi pensado com frequência,
mas que ainda não foi expresso tão bem...!”

 S. Johnson – 1765 - em Cowley –
Vida dos Poetas Ingleses.


                     Desperto na manhã, de domingo, em meio a uma algazarra: o espírito da preguiça, em seu melhor dia, esbravejava ao espírito de domingo. Um queria a cama acolhedora, quentinha, aconchegante para aquele dia que deveria começar mais tarde um pouco, chuva fininha e teimosa. A primavera, no Sul, faz tudo isso. De todas as estações traz um pouco.

O espírito de domingo, louco para sair à rua, apreciar o dia de nada fazer – fazendo tudo – e aproveitar.

Enquanto espreguiçava-me, notei o espírito da saudade, confabulando com o espírito do amor, este que andava longe (mas só geograficamente). Perguntava quando ia aparecer. Era, por sua vez, confortado, pelo espírito da amizade. Afinal, se um não está o outro toma o seu lugar.

Deixei-os ali, e junto ao espírito de criança nos entregamos felizes, aos exercícios na manhã. Logo chegou o espírito esportivo, trazendo consigo o espírito de luta, de combatividade. Triste em um canto, desta vez, ficou o espírito derrotista, sozinho.

Quem tentou chegar perto foi o espírito de porco, sempre cínico e zombeteiro. O espírito de criança não ligava e riamos até não aguentar.

È neste momento que o espírito da lembrança traz Ly. Sim apenas Ly. com suas risadas incríveis. Lembrança e saudade, estes dois estão sempre juntos.

Durante os exercícios o espírito da complacência lembrava que o espírito do amor, por certo, queria nos dizer algo, já que apareceu tão cedo.

Puxa! Parece que esqueci o espírito da camaradagem e não o ouvi. Eis que surge o espírito da conciliação, como para recordar que o espírito da contemplação tudo vê e nada esquece.

O espírito destrutivo sempre aparece nestas ocasiões, mas não o vi. Penso que o espírito combativo deve tê-lo censurado.

Assim ficou somente o espírito esportivo, em dupla, com o espírito de luta. Ambos adoravam o espírito de criança.

Logo o espírito do consumo lembrava o horário – meio dia – e o espírito aproveitador fez festa, imaginando aperitivos e um almoço tradicional.

Deixei-os lá. Acompanhava-me o espírito da complacência e do amor. Logo atrás, correndo para alcançar o espírito da saudade.

O quarteto seguia, na tarde ensolarada, em busca de mais integrantes.
Juntaram-se o espírito da amizade e o espírito aventureiro.

De passada, sorrateiramente, lançando olhares zombeteiros, o espírito de porco. Por certo, dirigindo-se a um futebol.

Mas era domingo e a noite chegava. Desta vez aconchego-me com o espírito da consciência e do equilíbrio. Fico, no pensamento, com o que gostava de dizer Machado de Assis: mudei eu ou os espíritos é que andam irreconhecíveis.

Enfim, terminei o domingo tendo certeza que Pensar Não Dói...!
Já a saudade...


Entendimentos & Compreensões
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES –
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