domingo, 13 de janeiro de 2013

"As Crianças Querem Nossa Criança!"




“... Criança é esse ser infeliz que os pais põem para dormir quando ainda está cheio de animação e arrancam da cama quando ainda está estremunhado de sono...!”

dos pensamentos de Millôr Fernandes


Nosso amado e saudoso “poetinha” – assim gostava de ser chamado, não por ser um poeta qualquer, mas por ele saber ser pequeno na estatura – Mário Quintana, afirmava: “Quando guri, eu tinha de me calar, à mesa: só as pessoas grandes falavam. Agora, depois de adulto, tenho de ficar calado para as crianças falarem.
Esta semana li a página da Rioeduca.net, sobre a família e uma receita maravilhosa da Professora Maria Delfina que faz-nos retornar aos tempos de criança, ou ainda de deixar sair, lá do fundinho a nossa própria criança.
A professora desfila uma enorme receita do que fazer com as crianças nas férias. Sim Uma professora, em tempo de férias, como se estivesse dizendo aos pais: “Por favor, cuidem bem delas enquanto estivermos fora..!”. Às vezes parece, os papeis estão invertidos. Os conceitos não. Há uma diferença enorme entre valores e disciplina.
A escola e a educação são disciplinas; O que passamos as crianças, nesta ou em casa, são valores. E a professora deixa isso claríssimo
Mas porque parecemos tão impressionados com o gesto natural desta professora? Simples: Nunca se falou ou discutiu tanto sobre a parte mais nobre na formação de um ser humano: A educação. Nunca cobramos e fomos tão cobrados pelo que deixamos de ser ou fazer por nossas crianças e ver o que se transformaram mais tarde. Políticos fazendo estupidez, bizarrices e outros seres que “apanharam” uma oportunidade utilizam, usam as pessoas. E uma enorme multidão fazendo audiência ao maior Big Bobos, que já se apresentou na TV Brasileira. Porque eles apresentam isso? Porque tem audiência. Mas porque uma baboseira idiotizada daquelas tem toda esta audiência? Aqui entra a professora Maria Delfina.
No Ensino Fundamental. Na origem de onde aprendemos e como aprendemos.  E se aprendemos. É lá que começamos a subir a escadinha da educação. Junto vem a língua portuguesa. É lá que juntado letrinhas, formamos palavras, que se tornam frases; e que de períodos e parágrafos se tornam orações e um belo texto que nos remete a um contexto. E tudo isso precisa de discernimento. E poucos têm e outros tantos não sabem o que significa. Assim a criança precisa, antes de tudo, de ser criança. E em suas “férias” que eles tanto esperam é que começa nosso trabalho de pais. Fazendo tudo o que eles querem. E pais eles não querem Disneylândia, coisas impossíveis ou caras. Não. A grande maioria quer brincar com os pais que estiveram “longe” deles o ano inteiro. Querem mostrar para os pais o que aprenderam as novas brincadeiras. Mas querem, sobretudo, que os pais mostrem a eles como brincavam. Esta é a descoberta maravilhosa de ter uma criança dentro de um adulto.
Bem de uma forma ou outra ainda me impressiona e surpreende, muito, o que as pessoas fazem com as pessoas.
Que graça e emoção ler a receita da professora Maria Delfina. Ela lembra o pensamento do escritor italiano, criador da Divina Comédia. Dizia Ele: “Sai da mão de Deus que a contempla, antes de criá-la, como uma criança, que chora e ri sem verdadeiro motivo,  a alma ingênua que tudo ignora,  exceto quando, movida pelo desejo de retornar a Ele,  segue de bom grado o que a diverte.
Pais, nestas férias, sejam crianças para suas crianças.
O prêmio que receberão ficará guardado eternamente. Em ambos os corações. Pensem país... Não dói...!”.

Das Leituras & Pensamentos da Madrugada

sábado, 12 de janeiro de 2013

"Não Há País Algum como Esse...!"




" Para que os homens deem um único passo para dominar a natureza por meio da arte da organização e da técnica, antes terão que avançar três em sua ética..."

                  Friedrich Leopold Von Hardenberg - Poeta alemão - 1772


A situação, no geral, em que se encontra nosso amado Brasil, atualmente, faz pensar para onde iremos, ou, onde queremos realmente ir.
O assunto é deveras desgastante, e necessitaria muita analise, e das mais profundas, e até históricas, sobre o porquê chegamos aqui. Mas, em vez disso, encontrou-se em arquivos uma espécie de comparação com o passado.
Na folha de São Paulo, em junho de 1879, o estudante de Direito, Clóvis Bevilacqua escreveu:
" Quando na solidão de meu gabinete contemplo o Brasil, que agoniza no leito das torturas que lhe armaram os desmandos do regime que nos rege; Quando escuto as invectivas indecorosas que mutuamente se assacam os bandos políticos que, como lobos famintos, disputam entre si as migalhas de um poder degenerado; Quando constato o estado de apatia coletiva que mais parece uma saliência de caráter nacional enquanto o povo contorce-se nas garras aduncas da miséria, da ignorância e do vilipêndio; Quando vejo a honra e o talento abatidos pela exaltação da mediocridade bem-sucedida dos charlatães e pusilânimes da causa pública e quando descortino o horizonte da impunidade e da desesperança - eu me pergunto:
Não haverá um único homem que, purificando o trabalho das instituições, sustenha a Pátria que resvala para o abismo no fundo do qual ira encontrar seu esfacelamento?
Como aterradora resposta, recolho o silêncio e o desânimo".
Um apelo feito ha mais de um século, que hoje se aninha no fundo do coração de milhares de brasileses de agora.
O cronista conclui sua matéria em termos: "...dai o meu apelo ` Divina Providência para que, em meio a essa democracia abaganhada que nos foi legada por um regime de força detestado, faça surgir desse atoleiro um homem.Um homem estatua capaz de, a exemplo da incumbência confiada a Moisés em relação ao povo hebreu, transformar este Brasil indigente em Terra da Promissão, onde haja realmente progresso, bem como respeito às leis divinas e humanas".
Deste pensamento, estupefato, recolhe-se o primordial, para que, ao raciocinar-se sobre os assuntos de agora, não se busque no tormento da ignorância primitiva a resposta para males que tortura nossa alma em nossa época.
O que mais necessitamos, não são, hoje, de homens estatuas, mas sim de homens com dignidade e muitíssimo caráter para que defendam os preceitos básicos, não somente das leis divinas, mas também das sociais, das quais, de todas necessitamos, para um convívio pacífico, harmonioso, inteligente, e de que, através destes, possamos buscar tudo aquilo, dos quais apregoamos sob o nome de modernidade, progresso, século vinte e um.
A disposição de nosso caráter para com assuntos que nos dizem respeito diretamente, esta por sua vez, diretamente ligada e proporcional às águes que buscamos para solucionar pequenos conflitos que nos causam grandessíssimos problemas.
Precisamos acabar de uma vez por todas, com os crimes que acontecem, contra a Pátria, contra o caráter destes povos aqui reunidos, contra nossos símbolos e principalmente contra a falta quase que total de patriotismo.
Obviamente, que não ha outro país como este, e certamente não haverá.
Trate-mo-lo bem. Ame-mo-lo mais ainda. Certamente descobriremos as soluções para intrigados problemas políticos e sociais de agora.
Obviamente, se assim concordares, execute-o. Em contrário, apenas cale-se, o que seria demasiado ruim. Obvio, não é mesmo?
Porém, pensar ainda não dói...

Das Leituras & Pensamentos da Madrugada

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

" Amor Sublimado!"




“... Aquele que ama bastante para desejar amar
um milhão de vezes mais só fica inferior em amor
àquele que ama mais do que desejaria...!”
by  La Bruyère – Caracteres – Séc. XVII


                               A respeito das consequências de amar muito, apaixonar-se, recebi de uma irmã de alma, muito amada, certa vez o seguinte pensamento:
 "... O silêncio já se tornou para mim uma necessidade física espiritual. Inicialmente escolhi-o para aliviar-me da depressão. A seguir precisei de tempo para escrever. Após havê-lo praticado, por certo tempo, descobri, todavia, seu valor espiritual. E de repente dei conta de que eram esses momentos em que melhor podia comunicar-me com Deus. Agora sinto-me como se tivesse sido feito para o silêncio...!”.
Obviamente era a consequência do de algo que tinha sido amor, paixão.
Em Confissões, Agostinho, o filósofo da Igreja deixou escrito: “... os corpos nada mais desejam por seu peso do que a alma deseja por seu amor (...). Meu peso é o meu amor; é ele que me leva aonde quer que eu vá...”!
                                   A gravidade da alma, a essência de quem é alguém e o que, como tal, é impenetrável aos olhos humanos, manifesta-se nesse amor. Prova o que Jung sempre disse: Mitos e Arquétipos existem.
Às vezes penso que eles moram comigo, em meu quarto. Dia desses assisti a um casamento. Sim, o velho, antigo e por que não dizer primitivo ritual de acasalamento oficial. Sim, oficial, com aliança, contrato. Tudo.
Olhei por sobre o altar e além do sacerdote estavam os “guardas”. Sim. Irmãos, padrinhos, testemunhas. Pais na primeira fila e a “parentada”. Sim, aqueles que vêm para comer e “verificar” como andam àqueles a quem não viam há tempos e fazerem suas apostas sobre o tempo de duração, daquilo que estão presenciando.
Neste momento me ocorreu que este ritual “cerimônia de casamento”, é a cena final de um conto de fadas. Ninguém conta o que ocorre depois.
Que Cinderela irritava o príncipe com sua mania de limpeza, porque ficou desempregada. Não contam o que acontece depois, por que não há depois. O objetivo do amor romântico era casamento. Mas, isso nem sempre foi assim.
Lá pelo século XII falava-se em amor cortês, onde o amor não tinha nada a ver com casamento e sexo. Em muitos casos era uma paixão entre um cavalheiro e uma dama já casada. Então, eles nunca consumavam o amor. Eles tinham de sublimar o amor. Tipo “ir ao banheiro na frente um do outro” e buscavam algo mais... Divino.
Eles tiraram o sexo da equação e restou a comunhão de almas.
Agora, por favor, pensem nisso: Sexo era a relação fatal do amor.
Busquem na literatura da época: Lancelot e Guineviere (da trilogia do Rei Arthur, para os que não lembrarem), Tristão e Isolda. A consumação só levava a loucura, ao desespero ou a morte. Ou ainda, Romeu e Julieta, se preferirem. Médicos, professores e alguns amigos de cérebros privilegiados concordam que o verdadeiro amor tem dimensões pessoais, enquanto o amor romântico não passa de mentira, ilusão.
Nietzsche foi enfadonho quanto a isso. Um mito moderno, uma manipulação desalmada. Notem bem: Sem alma! E falando em manipulação, vamos ao cinema, vemos os amantes se beijando na tela.
Ouvimos a música e concordamos com isso, certo?
Agora se minha namorada me beija e não ouço uma filarmônica, eu a mando embora? Mas a questão é: Por que acreditamos nisso?
Acreditamos porque sendo mito, ou manipulação, todos queremos nos apaixonar?  Por quê? Porque essa experiência nos faz sentirmos vivos.
Nossos sentidos ficam aguçados, as emoções crescem, nosso dia a dia desaparece e ficamos nas alturas.
Pode demorar uma hora, uma tarde ou uma estação, mas não tem menos valor. Guardamos estas lembranças pelo resto de nossas vidas.
Li, em algum lugar, há algum tempo, que diz que quando nos apaixonamos é como se ouvíssemos Puccini (compositor clássico italiano). Gostei, talvez porque a musica dele expressa o desejo da paixão em nossas vidas e do amor romântico. “E, enquanto, ouvimos, “La Boheme” ou “Turandot”, ou lemos clássicos como “E o Vento Levou”, ou assistimos “ Ghost “ um pouco desse amor vive em nós.
Então a questão final é: Por que queremos nos apaixonar se pode durar tão pouco? E ser tão doloroso? Porque precisamos propagar a espécie?
Porque necessitamos nos conectar a alguém? Pelo condicionamento cultural? Hum... Boas tentativas de respostas.
Mas, intelectuais demais. Ao menos para mim. Penso que é por quê... Como muitos de vocês já devem saber: Enquanto dura é bom pra caramba! É por isso. Bem, ao menos pensar sobre isso não dói...
Concordam?

 Das Leituras & Pensamentos da Madrugada
profeborto@gmail.com

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Ah, Ser Humano!



                                                Gosto de ver. E rir. Vez por outra circulam textos na internet, em que, alguém, com pouca ou nenhuma estima per si, mas muita criatividade transpira através de sua oralidade escrita algumas preciosidades.
O ultimo que recebi, dizia que era de Christian Prior, e o que ele pensa dos relacionamentos.  O autor, de fato, deveria se valorizar mais. Mesmo que não tenha sido através de suas experienciações, muito faz sentido. Senão vamos analisar juntos:
                                                   Sempre penso que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida.  É-me ruim, quando escuto: 'Ah, terminei o namoro...'. 'Nossa quanto tempo?' 'Cinco anos... Mas não deu certo... Acabou’.  É não deu...' Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Hoje, no alto dos meus anos, vividos, e tiozão, não acredito muito nos 'opostos se atraem'. É outra crendice que nos “enfiaram goela abaixo”. Mentira. Porque sempre uma parte vai ceder muito e se adaptar demais.
E sempre esta é a parte mais insatisfeita.  Acredito mais em quem tem interesses e comum. Quanto mais igual melhor.
Se você adora dançar valsas, melhor namorar quem também gosta; se você gosta de cultura italiana, melhor alguém que também goste.
 Frequentar lugares que você gosta ajuda a encontrar pessoas com interesses parecidos com os teus.
 A extrovertida e o caretão antissocial (sim, agora sem hífen e dobra a consoante), é complicado e depois, entra naquela questão de 'um querer mudar o outro, aiii... '. Pessoas mudam quando querem. E porque querem. E pronto. E demora! Cama é essencial! Se vocês estiverem muito cansados, sim.  Aliás, pele é fundamental. E têm gente que é mais sexual, outras que são mais tranquilas. (sem trema, por favor).
 O garanhão insaciável e donzela sensível acham um pouco estranho. O contrário, bem, da mesma forma. Isto causa muitas frustrações e dá-lhe livros de autoajuda (agora sem hífen) sobre sexo. E, é claro, nada de essência. Assim como outras coisas, cada um tem um perfil sexual. Cheiro, fantasias, beijo, manias, quanto mais sintonia, melhor.
Difícil acreditar “em pessoas que ‘se complementam”. Acredito em pessoas que se somam. Se necessitar de complemento, obviamente ta faltando algo.  Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, Como, então, cobrar cem por cento do outro?  E não temos esta coisa completa. Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.
 Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.  Às vezes ele é malhado, mas não é sensível.
 Tudo nós não temos. Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele. Pele é um bicho traiçoeiro.
 Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.  E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...  Acho que o beijo é importante... E se o beijo bate... Joga-se... Senão bate... Mais um Martini, por favor... E vá dar uma volta. Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.  O outro tem o direito de não te querer.  Não lute, não ligue, não dê show. Tem maneiras mais barata de chamar a atenção. Se a pessoa tem dúvidas, problema dela caberá a você esperar ou não.
 Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. É um falso iludir-se. (redundante, mas somente assim alguns seres compreendem).  O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos Mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Mesmo que não acredite em retomada. É outra ilusão. Acabou o encantamento, acabou tudo. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, pressão de família, choros, socos na porta do banheiro?  O legal é alguém que está com você e por você. Assim, como você é.  E vice-versa.  Não fique com alguém por “peninha” também. Isso é sadismo. E da pior espécie. Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.  Tem gente que pula de um romance para o outro.  Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói.  Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração.
Faz parte. Você namora outro ser, outro mundo e outro universo.  E nem sempre as coisas saem como você quer...  A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.  Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta.  Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias.  E nem todo sexo bom é para namorar.  Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.  Nem todo beijo é para romancear.  Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar. Enfim... Quem disse que ser adulto é fácil?
E pensar... Isso sim, não dói. Acredite.

 Inspirado em Heloisa - Branwen - Gambin - TOO - PR.
Das experienciações e percepções de Protheus.

Ah, Esse (des)Educado Brasiles!


  
“... Eu quero desaprender para aprender de novo.
Raspar as tintas com que me pintaram.
Desencaixotar emoções, recuperar sentidos...!”
Rubem Alves 

Consegui ser um feliz infeliz em um só dia. Perdão o paradoxo. Explico:
Dia desses, acordei com Eça de Queiroz, ainda ecoando em minha mente. Na noite anterior havia concluído a leitura de Os Brasileiros (Língua Geral) lançada em 2008, em terras tupiniquins. Claríssimo que essa foi à parte feliz.
A parte infeliz foi acordar, e ao ver as noticias culturais: leio:
 – Brasil sobe um degrauzinho no IDH – Índice de Desenvolvimento Humano - medido pela ONU. Não esquecendo que estamos no segundo nível, ou seja, nos países considerados elevados. Pois nos muito elevados que compõem a categoria inicial, perdemos feio. Sim, muito feio. Para Argentina e Chile, ambos na primeira categoria. E os demais países sul-americanos, todos na nossa categoria, porém disparados à frente de nosso Brasil.
 O Uruguai, o país, abaixo de nós, no mapa, menor que o Rio Grande do Sul, está, exatos, 40 lugares a nossa frente.
Na expectativa de vida, ficamos atrás das Seychelles. Sim, aquele conjunto de ilhas que o Presidente Collor ia “festia” (previsto na nova ortografia.)
Em escolaridade estamos pior que o Irã. Claro que esse país, do Oriente, leva vantagem, já que conta somente o sexo masculino. Lá a mulher está em segundo plano, para tudo.
Em renda estamos abaixo da Sérvia. Sim um dos pequenos países formados com a extinção da União Soviética e que já passou por guerras e mais guerras.
Junto, pois fazia parte desse conjunto de matérias, estava logo abaixo, a indignação do ex-presidente Lula. Sim, depois de ter curado, rapidinho, um câncer no hospital privado mais caro do País (ele não confiaria isso na saúde pública nunca). SUS, nem pensar. Ele queira ir a ONU discursar sobre esse disparate  efetuado com a educação no Brasil.
Fiquei estupefato, uma ida ao hospital e um câncer devem ter alertado mais neurônios naquele alfabetizado funcional, pois utilizou duas palavras, sozinho, - sem necessitar da assessoria – discursar e disparate.
Era para ser este ano. Não será mais a entrada em vigor o Decreto 6.583,  com a Nova Ortografia (do grego orthós = correto, graphia = escrita), ou como gosta de dizer Ricardo Santana “desacordo” que depois se transformará em Lei e substituirá a atual. Por isso escrevi acima, festia, que pode ser utilizado agora tanto como festar. O verbo poderá alterar-se de acordo com o regionalismo que faz parte do novo acordo. Mas somente algumas palavras. Ou seja, terá que aprender a língua toda, novamente, se não quiser errar.
Para o filólogo (especialista em línguas e história da gramática, linguística, estilística) Evanildo Bechara, em entrevista à Folha de São Paulo, logo após a divulgação do acordo comentou: “... dizer que o Acordo é perfeito, não é... podem vir mais mudanças para corrigir um ou outro problema que a prática e o uso da língua indicarem...!”. Para a escritora paranaense Norma Carta Winter, (...) a língua é um elemento vivo; evolui, altera-se, naturalmente, regida pela “lei do menor esforço”, lei que determina todas as ações do ser humano.
É, sempre, a busca da acomodação e da simplificação fonética, a oralidade da língua, que acaba provocando novas mudanças, e consequentemente, (sem o trema. Ele não existe mais na nova ortografia) novas grafias.
Mas e Eça de Queiroz, que me deixou feliz?
Concluo com ele, ou o que absorvi de sua obra. Esse português era um consumado ironista. Essa característica avulta dessa seleção de textos sobre o Brasil (país onde o autor nunca esteve), alguns deles escritos com o jornalista Ramalho Ortigão, seu parceiro na publicação mensal As Farpas. O autor de Os Maias tinha um olhar crítico para as precariedades do Brasil. E estamos falando de antes de 1900, por favor, atente para isso. O descaso brasiles com a educação é denunciado em uma crônica que comenta a verba que o governo destinou à compra de crucifixos para as salas de aula – verba que seria bem aplicada, dizem Eça e Ortigão, na compra de palmatórias. (Para quem não sabe, palmatória é uma peça de madeira, com cabo, usada para bater nas mãos da pessoa que deveria ser castigada. As mais "avançadas" tinham furos no meio, de modo que o impacto fosse ainda maior). O que hoje seria, tranquilamente, tachado de bullying, (termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo).
Mas tudo bem, Eça de Queiroz é muito antigo, antes de 1900, e a Nova ortografia só entra em vigor em alguns anos. Temos “coisas” muito mais importantes para nos preocupar: Corrupção? 
Não! Copa do mundo.
Pão e circo e octogésimo quinto lugar no IDH, na segunda colocação de países, os elevados. Porque, por enquanto, parece que pensar dói...


Do original publicado no Bahia em  2011.
profeborto@gmail.com
Passo Fundo - RS 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Educação que não Educa!




 "... O homem procura um principio em nome do qual possa desprezar o homem. Inventa outro mundo para poder caluniar e sujar este; de fato só capta o nada e faz desse nada um Deus, uma Verdade, chamados a julgar e condenar esta existência...!"

Friedrich Nietzsche


O Mundo terminou? Claro que não. Ou, talvez, da forma como o conhecíamos, sim. Senão vamos pensar um pouquinho na educação. Hoje, agora. Filas de doutores (sim, aqueles com doutorado, e não o que conhecemos como médicos). De PHDs, sim, os pós-doutorados. Mestres? Exigência básica do tal MEC – tenho dúvidas até hoje do real significado destas três letrinhas em forma de sigla -  Pós-graduados? Aos montes. Graduados? Ora, é apenas um colegial melhorado. Concursos Públicos com centenas de milhares de vagas – tudo para ter garantido o “seu” ao final do mês - . ENEM? Nova mania para acabar com outra mania que tinha se transformado em indústria. O vestibular. Que ainda não morreu. Está ai, sobrevivendo. O novo sistema para entrar na faculdade. Simples. Centenas de milhares de jovens, se “atracam” literalmente em 10 ou 12 horas de provas. Hércules ficaria ruborizado com isso! 
Parece que nossas “crianças” já estão nascendo assim. Com esta mentalidade. Estão, assim, mais para “esqueçam o amor por aprender mais”. Agora estão do tipo: “vou fazer uma faculdade e pronto”. Sim o ápice de um sistema educacional falido. Nem aprender a ler, nem aprender a escrever. Para os brasileses ao menos mais uma folguinha: a novo acordo ortográfico ou como já vi na rede virtual “desacordo" ortográfico, utilizado por Ricardo Santana, não entrou em vigor. Podem continuar a escrever errado e falar... Bem isso não é importante.
Tirar notas altas não é igual a aprender. Sintomaticamente antagônico. Mas o que temos aqui, seja no ENEM, nos moribundos vestibulares ou os chamados “concurseiros” – aqueles que só estudam para passar em concurso público -  Se tornam “mestres” em passar nas provas. Passam? Sim, mas não aprendem. É memorização. Acabam esquecendo tudo após a prova. E em terminando-as, termina a competição. Bem esta cultura não é típica do brasiles, mas faz parte de todo um sistema chamado de “educação”.
Porém, como tudo, começa em casa, com os pais, a tão difundida e propagandeada família: o pai e hoje, mais ainda, a mãe, retornam de seus trabalhos  - afinal tem que ganharem para sustentarem a família – e o assunto é como venceram aquele dia com suas capacidades gigantescas e deixaram para trás outros “colegas” no trabalho. Sim, cada um explora todas as chances que aparecem.
E a criança? Ora, ela escuta. Grava. E leva com ela.
Nossa dita sociedade adora “marcar” uma espécie de pontuação. Até no congresso é assim: O poder judiciário acaba sendo o juiz e declarando os “vencedores de quem rouba mais”. Depois de declarados? Ora, voltam ao congresso. Simples.
E a criança? Esta assistindo tudo. E gravando. E levando com ela.
Está ai. No nosso dito “grupo social”, na família. Como não estar na escola?
Cadê, começando com os pais, continuando com os professores... Os livres pensadores... Os inovadores... Os idealistas?
Em que tempo ficaram: honestidade, integridade, caráter? Bem, ninguém sabe.
Ora bolas, e quem precisa disso? Diriam alguns.
E em meio a tudo isso fica uma geração de adolescentes e pós-adolescentes entregues a um quadro em que o bom senso parece ser um monstro terrível... Ás vezes!
E nossa juventude... Está ficando adoentada. Cada vez mais o percentual de estresse vai subindo enquanto a idade, por sua vez, baixa. A depressão, ao menos em alguns lugares, já esta sendo tratada como saúde pública. Sim, a faixa já está nos 14 anos. Exatamente, adolescentes com depressão. Necessitando entrar na lista de remédios que jamais pensaríamos a apenas algum tempo. E a faixa de suicídio ou outros transtornos, oriundos de uma psique posta a prova, por tudo, estão aumentando na mesma proporção que a faixa de idade está  baixando.
Até acredito no capitalismo. Ele abastece este “nosso lado” competitivo. É a força vital da economia. Mas, por outro lado, pode trazer algumas das nossas tendências mais odiosas.
Como salientou meu amigo Patrick Renee, em sua crônica: “ está faltando habilidade e sensibilidade”... De todos nós. Pais e educadores. Estamos nos tornando cada vez mais inábeis e insensíveis. O preço? Nossos jovens deixando de ser jovens e se tornando velhos e doentes aos vinte e poucos anos. Emocionalmente despreparados. Intelectualmente medíocres e aprendizes de sociopatas.
Parece  que pensar, cada vez mais, está causando dor...
E pensar não dói!

  Dos Pensamentos & Leituras da Madrugada

domingo, 6 de janeiro de 2013

" Verdade - Eterna Preocupação Humana!






“... Que a reputação do teu semelhante
seja tão estimada por ti quanto a lua...!”.

Talmude (obra hebraica pós-bíblica) aboth, II,15



 Nos pensamentos de Fedro, um fabulista latino, do século I d C, em suas fábulas IV, 10 1-5 ele deixou registrado: “... Júpiter colocou sobre dós dois alforjes (sacolas de couro que colocado sobre o lombo do cavalo, ou colocada sobre a cabeça com uma sacola às costas e outra a frente) sobre nossas costas, aquele carregado com os nossos defeitos; e, na frente, sobre o nosso peito, aquele com os defeitos dos outros; Por isso não podemos distinguir nossos defeitos, mas basta que os outros errem, para estarmos prontos a criticá-los...!”
Li de um ser muito amigo, de consciência tranquila, de coração vivenciado, de mente irrequieta e alma iluminadissima pelos obstáculos que a vida lhe impôs uma sugestão direta, que obviamente saiu como defesa: “Sugiro que fique só com o que ficou de bom de tudo isso – que pelo visto, foi muito. A vida passa muito rápido. Penso que tudo deve fluir para o caminho da alegria no sentido da vida. O resto... que fique para trás. Sei que há pessoas diferentes. Fazer o quê?...”. Eis aqui a sua percepção de verdade.
 Um dos conceitos mais fundamentados, obviamente mais antigos, formatados pelo homem, a verdade, está na filosofia: Na Metafísica é a que procura penetrar no que está “além” ou “ por detrás” do que nos é dado pela experiência imediata. Já no Método, cuja origem está no grego, significa “caminho para algo”. É todo um conjunto de processos e regras. Uma espécie de manual de viver em grupos. Deste originou-se o método experimental. Não é importante aqui. Porém, destes grupos sociais, veio uma adjetivação: A Moral. E em nossa origem latina significa apenas, costumes, hábitos, maneiras habituais de proceder. Por sua vez pode ser entendido como um conjunto de princípios, normas, valores de caráter vigentes em grupos e aceitos pelos seus membros, antes de qualquer reflexão sobre o seu significado, a sua importância ou necessidade.
E isso aplicamos as relações. Em todos os sentidos. Para nós é verdade. Tenha sido ela imposta por educação ou a cultura que é a vivência ou experiência nos grupos em determinado tempo. Assim como a resposta utilizada acima. Mas ela diz mais, um pouco adiante.
“... Eu, enquanto Lua – Só para matar a curiosidade de quem quiser conhecer quem escreve com a cabeça na lua e os pés fincados no chão. Eu, e minha veia lunar num dia azul, por que se dependesse de mim, além da lua, o mundo seria também assim: Iluminado por um sol azul...!”.
Sinta através destas palavras, ditas poeticamente, um eterno posicionamento de verdade que está em nossa memória genética. E isso levamos para nossas relações. Sejam elas de que tipo for: Amizade, familiares, profissionais, amorosas e com nosso próprio coração. Eis aí algo que se torna sofredor facilmente imposto por verdades, geralmente alheias, até que conseguimos conceituar nosso próprio fundamento. E isso leva tempo. E isso deixa marcas, cicatrizes. E isso nos afasta, na maioria das vezes do convívio dito “social”. Nos exilamos? Não. Não é isso. Mas estamos cada vez mais vivendo em um mundo em que a proximidade se torna mais “próxima” e ao mesmo tempo longínqua. Falo das comunicações e sua velocidade estrondosa. Arrumamos amigos virtualmente com tanta facilidade, que no conforto de nossa cadeira esbaldada pelo conforto e segurança de nossa própria “caverna” nos comunicamos com o mundo todo. E julgamos estar suprindo carências e até solidão. Desta forma formamos “amigos”, e nos “apaixonamos” virtualmente. Não necessitamos mais de contato. Afinal se não der certo, basta desligar o aparelho. Bem nessa verdade esta inserida uma mentira típica de uma ausência de convívio, para começar conosco próprios. Nesta busca de “verdades” que muito mais nos é incutida do que realmente uma realidade plausível,  surgem outras necessidades. Afeição.
Uma longa conversa e muita gente consegue levar às relações mais intimizadas, esses “bate-papos” eletrônicos, ainda ficam dependentes do afeto. Como dar e sentir um abraço virtual? Como através de um sinal de satélite, seja via computador ou telefone, substituir nossas necessidades mais básicas? E estas não nos difere dos outros animais. Esses são afetuosos por natureza, mas conosco parece, estamos perdendo isso em nome de tal velocidade de pseudos conhecimentos e uma comunicação que de comum nada mais reserva.
Às vezes as pessoas que amamos nos magoam, e nada podemos fazer Senão
continuar  nossa jornada com nosso coração machucado.
E isso acontece na vida real tanto quanto na virtual. Muitos já estão descobrindo isso. 
Às vezes nos falta esperança, mas alguém aparece para nos confortar.
Às vezes o amor nos machuca profundamente, e vamos nos recuperando muito lentamente dessa ferida tão dolorosa.
Às vezes perdemos nossa fé, então descobrimos que precisamos acreditar,
tanto quanto precisamos respirar, é nossa razão de existir.
Às vezes estamos sem rumo, mas alguém entra em nossa vida, e se torna o  nosso destino.
Às vezes estamos no meio de centenas de pessoas, e a solidão aperta nosso
coração pela falta de uma única pessoa.
Mas veja como é fácil: Entramos na net, encontramos milhares de seguidores e dentre eles, aparece alguém para ouvir nossas lamúrias e já o tornamos “favorito”. Pronto aí está alguém para confiar.
Mas no fundo, o que esta acontecendo com o dito ser humano?
Bem, no fundo ele ainda não sabe. Parece fazer parte da conjuntura social atual e seus meios rapidíssimos de pseudacomunicação.
O que importa é que ele acredita. E isso se torna uma verdade. Ou realidade.
Até que se descubra outra.
Às vezes a dor nos faz chorar, nos faz sofrer, nos faz querer parar de viver,
até que algo toque nosso coração, algo simples como a beleza de um por do
sol, a magnitude de uma noite estrelada, a simplicidade de uma brisa
batendo em   nosso rosto, é a força da natureza nos chamando para a vida. Ou como prefere esse ser a lua. Fica entre o lado iluminado e o escuro. Fica entre o que se pode ver mostrar para determinadas pessoas e o que se deve esconder, ou guardar para alguma ocasião muito especial. Ou ainda para alguém muito especial. Míngua e cresce se torna nova e enche-se, completamente de vida.
Nesse contexto seja virtual ou real, tenha a certeza, nada substitui o toque, o afeto, um ombro e um olhar que penetra em qualquer escuridão. E a palavra que vem em seguida sai do coração e não de um teclado frio.  Estamos digitalizados, mas no fundo, primitivamente ou não, originais ou não de todo, somos de fato, ainda analógicos. E este é mecânico, elétrico. Precisa ser tocado, sentido, percebido, verificado...
Tentamos no fundo, de uma forma ou outra esclarecer o porquê que assim somos e antes de sermos assim o que éramos e porquê deixamos de ser o que éramos, para ser o que somos...
A felicidade pode demorar a chegar, mas o importante é que ela venha para
ficar e não esteja apenas de passagem, como acontece com muitas pessoas que cruzam nosso caminho. Virtualmente ou real.
Afinal, pensar ainda não dói...


Dos Pensamentos & Leituras da Madrugada
Inspirado no Urso da Lua.
Verão chuvoso de 2013
Passo Fundo – RS –

sábado, 5 de janeiro de 2013

Imprensa Marrom

Eu ia voltar a escrever a coluna apenas no próximo ano, mas não pude resistir a fazer, ainda que pequenos, mas alguns comentários, no que diz respeito à imprensa marrom que tem se destacado em todo Brasil. 
Os leitores, principalmente de jornais e revistas, e aqui mesmo do mundo digital, devem estar atentos a alguns sinais notórios dessa corja que infesta grande parte da imprensa escrita. 

Causa asco, repugnância, a forma com que algumas editorias mudam diante das transformações políticas que acontecem, naturalmente, após as eleições municipais. Veículos de comunicação que antes praticamente faziam parte da “bancada de situação” de um determinado governo, agora se tornaram os opositores mais ferrenhos a este. São como o barco, impelido pelos ventos, mudando de rumo a todo o momento. 

Outros vão ainda mais longe em seu cinismo, presumidamente querem governar através das páginas de jornais e revistas. Não emitem opinião sobre fatos, não, buscam a criação das mais variadas intrigas entre A e B. Buscam desestabilizar, a fim de por seus intentos maquiavélicos em prática. 

Isso não me causa espanto, pois, teriam como fazer diferente? Claro que não. Alguns veículos já se acostumaram a viver por conta pública, a maquinarem nos porões da mediocridade, ciladas, emboscadas, e toda espécie de coisas sórdidas que se possa imaginar a fim de interferirem nos poderes constituídos. 

Mas esse tipo de gente, que faz esse estilo de imprensa suja, está com dos dias contados. Com o acesso à informação cada vez mais facilitado, as mentiras tendem a cair por terra, e o que antes estava escondido nas trevas será exposto a luz. 

Teve muito veículo de imprensa por ai, que canta sua suposta ética aos quatro ventos, sua credibilidade, que fez doação de campanha a político condenado pela justiça. É preciso ter cautela, nobre leitor. 

Deixo aqui, uma frase de Joaquim Nabuco, que diz: “Uma das maiores burlas dos nossos tempos terá sido o prestígio da imprensa. Atrás do jornal, não vemos os escritores, compondo a sós o seu artigo. Vemos as massas que o vão ler e que, por compartilhar dessa ilusão, o repetirão como se fosse o seu próprio oráculo”.

Feliz Ano Novo! 

Por: Patrick René