domingo, 12 de maio de 2013


“Complicado... Eu?”




“... Qualquer um vê o que você aparente ser,
poucos conhecem o que você é de fato...!”.

dos pensamentos de Maquiavelli


Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não imaginam o quanto amo suas sabedorias.  Mas eles se “entregam”... Quando escrevem.
Ao escrever revelam a sabedoria que está em sua essência e, por sua vez, é recebida por palavras.
O texto abaixo, completamente, como foi escrito, transcrevo de um jovem de sabedoria “velha”. Foi-me remetido como se ele estivesse treinando. Oh, como os sábios se comportam em suas singelezas...
Vale a pena ser lido, inspirado, respirado, digerido, para entendimentos & compreensões de nós...  Simples mortais.

...E não havia mais nada, absolutamente nada para ser dito... Que já não o tivesse sido!
Quão nítida uma voz precisa ser, para poder ser ouvida... E compreendida? Quem sabe a pergunta esteja errada! Vou reformular: Quão alto precisa ser o som da voz, para que possamos ouvi-la, e, compreendê-la?  

Alguns de nós, passaremos a vida, sem ter a capacidade de ouvir... Compreender. Ouvir é muito mais que o som que entra pelo canal auricular, e, posteriormente, é processado pelo cérebro, fazendo do som, informação. Sim, de forma grosseira é assim que se da o “ouvir”.
Simples? Engano!
Ouvir é muito mais que permitir ao cérebro que processe o som. Vem do latim, “audire”, já escutar, vem do latim, “auscutare”, com atenção, é diferente de apenas ouvir. Quem ouve com atenção, compreende, capta, processa, e, por fim, entende.

Rubem Alves, divagando sobre Deus, ousou afirmar que: "Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.".

Sábio Alves. Quantas vozes, quantas vezes, brotam do mais absorto silêncio? Penso que as coisas mais importantes, intrínsecas da existência de uma pessoa, se dão no mais profundo silêncio. Quantas vezes, arrebatados pelo mais envolvente amor, o fazemos quietos, no silêncio? Apenas para nós, e, claro, para os que conseguem ouvir, a mais tênue e suave de todas as vozes, a que não se pode medir com um decibelímetro, ou captar com microfones, a voz do silêncio? Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

Quantas verdades o silêncio nos conta? Quanto segredo, dos mais profundos, um minuto de silêncio pode guardar? Chego à conclusão de que o silêncio aprendeu a falar muito mais que voz. Que ele pode guardar, reservar, separar, mais mistérios do que todas as vozes, proferidas nas mais de centenas de línguas, que se tenha conhecimento, sobre a face da terra. E quem escuta? Quem ouvirá? Quem estará disposto a ouvir, todos os segredos, que ele, o silêncio, nos tem a contar?

Amor, amizade, raiva, ódio, inveja, indiferença, tudo isso, e muito, muito mais, escondidos, acastelados, aprisionados no mais profundo silêncio.
Inteligência? Pertence àqueles que conseguirem ouvir, o que tem a dizer, ele, o misterioso, o silencioso, brando e calmo, silêncio. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

Ouvi certo dia, que sou uma pessoa complicada.
Tolice. Sou complexo, é diferente.
Complicado vem do latim “Complicare”, formado por COM, “junto”, mais “plicare”, “dobrar”. O que apresenta muitas dobras reunidas e pode ser difícil de desfazer.
Complexo vem do latim, “complexus”, “abrangente, aquele que rodeia”, particípio passado de “complecti”, “rodear, abarcar”. Este verbo é formado por “com”, “junto”, mais “plectere”, “tecer, urdir”.
 Complexo, não complicado! Abrangente, não superficial.
 Odeio águas rasas.
E, o ouvir? Eis ai a resposta!
Eu escutei... E você?



Da inteligência de meu amigo Patrick M. Renné
Carazinho – RS -
@PatrickmRene
www.epensarnaodoi.blogspot.com.br