sábado, 11 de maio de 2013


“Mãe! Abrace-a!”
- Devolva um pouco –




“...Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos,
quero a essência, minha alma tem pressa...!”

Rubem Alves


À tarde de sábado, aqui no sul, começou com um sol majestoso. Um pouco para compensar os 13 graus e as noites frias destes primeiros dias de maio.

Colocando a correspondência em dia, recebi mensagem de nova postagem de meu amigo, mestre e ser especial Américo Rolin, escritor de Goiás, e do sitio http://cronicaeseresta.blogspot.com.br.

Um ser sábio, de alma generosa, como convém aos homens que encontraram uma superioridade em suas próprias almas.

Em sua ultima postagem ele fez uma homenagem contextualizada para o dia das mães.

Confesso: Não sou muito tolerante com datas comerciais, a sua grande maioria lotada de hipocrisia e apenas “alvo” para compras desenfreadas, como para justificar sermos filhos e tentar “compensar” o incompensável. O amor de uma mãe.

Encheu-me os olhos. Obvio lembrei-me de minha mãe. Não a tenho mais comigo. Mas apenas fisicamente.

No jardim, ao lado de casa, que ainda mantenho e cultivo com carinho, por ser ela a criar, nesta semana, crisântemos abriram-se maravilhosamente, como se dissessem: “
Estamos lindos, leve-nos... Faça-nos ser mais que simples flores... Faça de nós uma homenagem...!”.

Assim o fiz: Colhi-os com delicadeza e os levei ao túmulo de minha amada mãe Iolanda. Sim, ela adorava a canção de Chico Buarque, principalmente, interpretada por Simone.

Com dois enormes ramalhetes, com vermelhos escuros e brancos, enchi um enorme vaso. Acendi um incenso e sentei-me ao lado do túmulo, ao qual meu irmão colocou um banco. Sim, destes de praça.

Assim como que conversando com seu espírito, olhando as flores que ela tanto cultivava. Senti-me pequeno. Sim. Deveria ter agradecido mais. Ter beijado e abraçado-a muito mais do que fiz. Sai cedo de casa. Convivi pouquíssimo com ela.

Porém dias inteiros de seus últimos quatro anos, até o ultimo suspiro. Seu último olhar levarei comigo até encontra-la novamente. De alguma forma sei que isso acontecerá, por mais ilógico que possa parecer. Mas os sentimentos não foram feitos para serem lógicos, foram feitos para serem sentidos. Em sua essência.

Ao ler e emocionar-me com Américo Rolin, senti a necessidade, assim como estivesse vendo o sorriso largo que soltava quando uma amiga lhe gracejava. Hoje tenho muitas mães.

 Todas as suas amigas, quando me encontram me abraçam e dizem: Saudades de Iolanda. E eu levo o abraço. Eu sou abraçado pelo que este ser foi, enquanto esteve aqui. Neste domingo não terei uma mãe física para abraçar. Mas, certamente, que poderei sentir e tocar seu espírito, sua forma original e mais pura e... Ao menos poder dizer. Obrigado!

Não estou sozinho. Sem mãe. Agora tenho uma luz chamada mãe que preenche todo o vazio que pode ter ficado com a sua ausência.

Ela não era de muitos discursos. Suas falas eram curtas e diretas. Mas elas me lembram de sempre oque diz o mestre das palavras que tanto amo e admiro Rubem Alves, sinto como ele, quando afirma: Quando você encontrar a outra metade da sua alma, você vai entender porque todos os outros amores deixaram você ir. Quando você encontrar a pessoa que realmente merece o seu coração, você vai entender porque as coisas não funcionaram com todos os outros...
O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “Se eu fosse você”. A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta.

É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção.

Para você que tem mãe, dê o melhor dos presentes que uma mãe pode esperar. Abrace-a muito e diga que a ama.
Pode fazer, não dói. Ao contrário afasta todas as outras dores.
Dedicado a todas as mães que fazem um mundo diferente e puro.


Inspirado em meu mestre e amigo Marcos Rolin de Goiás.


Entendimentos & Compreensões