quinta-feira, 30 de maio de 2013


" OS FRACASSADOS! "






“... Quando medito sobre a felicidade que desfrutei,
tal como faço com frequência, às vezes digo a mim
mesmo que, se me fosse dada a oportunidade,
eu procuraria reeditar do princípio ao fim, o mesmo
estilo de vida. Tudo que iria pedir seria o privilégio
de um autor para me corrigir, em uma segunda
edição, certos erros da primeira...!"

                        Dos pensamentos de Benjamin Franklin


                                A maioria de nós dissimila o próprio fracasso em público; disfarçamos o fracasso com muito mais sucesso de nós mesmos. Não é difícil ignorar o fato de que fazemos muito menos do que somos capazes de fazer, muito pouco do que planejamos mesmo modestamente realizar antes de atingirmos certa idade e nunca, provavelmente, tudo que um dia aspiramos.

A razão de nos iludirmos tão facilmente é que em algum lugar de nosso trajeto parecemos entrar numa espécie de acordo de cavalheiros silenciosos com nossos amigos e conhecidos. "Não mencione meu fracasso", imploramos de forma tácita, "e eu nunca deixarei sair de meus lábios qualquer alusão sobre não estar fazendo o que eu esperaria de você".

Este parágrafo foi retirado do livro Wake Up and Live - Acorde e Viva -  de Dorothea Brande, e foi publicado em 1936, durante os períodos mais terríveis da depressão. Serviu como preservador da vida para uma nação mergulhada no desespero e a mensagem que trouxe foi tão significativo que mudou o comportamento americano naqueles anos negros.

Ainda a despeito do dito acima, sabemos, pois, que este silêncio tático raramente é quebrado na juventude ou nos primeiros anos da meia idade.
Diz ainda Dorothea:, até aqui, convencionamos que a qualquer momento poderemos assentar a mão, um pouco mais de tempo se passa e o silêncio afrouxa. Chega o tempo em que é mais seguro sorrir com pesar a admitir que as esperanças com as quais saímos para enfrentar o mundo eram alta se otimistas demais, em especial as que dizem respeito ao nosso próprio desempenho. Aos 50 anos - e às vezes mais cedo - o mais seguro geralmente é conciliar e resmungar com certo senso de humor; afinal, poucas pessoas estão em condições de dizer: "Porque não começar agora?" E ainda assim, algumas das maiores obras do mundo, muitas delas obras primas, insubstituíveis, foram feitas por homens e mulheres que já haviam transposto o que consideramos de forma um tanto superficial, seus melhores anos.

Friedrich Nietzsche se debruçou mais seriamente sobre essa questão. Ele acreditava que todos os tipos de sofrimento e fracasso deveriam ser bem-vindos no caminho para o sucesso e vistos como desafios a serem superados, como os alpinistas fazem ao subir uma montanha.

Praticamente sozinho entre os filósofos considerava os infortúnios como algo vantajoso na vida. Ele escreveu: “A todos com quem realmente me importo desejo sofrimento, desolação, doença, maus-tratos, indignidades, o profundo desprezo por si, a tortura da falta de autoconfiança e a desgraça dos derrotados.”

Uma lição que a vida difícil ensinou a Nietzsche foi que toda conquista é fruto de luta e esforço constantes, embora imaginemos o sucesso como fácil e natural para algumas pessoas. Na visão de Nietzsche, não existe estrada reta até o topo. “Não falemos de dons ou talentos inatos”, escreveu. “Podemos listar muitas figuras importantes que não tinham talentos, mas conquistaram seu mérito e transformara-se em gênios. Elas fizeram isso superando dificuldades.”

Assim passamos despercebidos pelo mundo sem dar nossa contribuição, sem descobrir tudo o quer havia em nos para ser feito, sem usar cada fração de segundo de nossa capacidade, inata ou adquirida. Se conseguirmos um razoável conforto capaz de nos garantir algum respeito e admiração, um gosto de "um pouco de breve autoridade" e um pouco de amor, pensamos ter feito uma boa barganha, consentimos na vontade de fracassar.

Chegamos mesmo a sentir orgulho de nos mesmos em nossa esperteza, sem suspeitar do quanto fomos ludibriados, a ponto de optarmos pelas compensações da morte em lugar dos prêmios da vida.

Dedicado a quem nunca esmorece.
Não é óbvio?
Pode pensar... Não dói...


Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES –

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