terça-feira, 7 de maio de 2013



Individualidade Iluminada!




“... Na embriaguês o individuo perde a consciência
de sua individualidade; desabrocha naquela
excitada massa em festa, dilui-se com ela...!

- Nietzsche citando Latacz em A Tragédia Grega -


                                       Aqueles que conhecemos em nossa vida logo se tornam multidões. Amigos são poucos. Amigos estão conectados com nossa mais profunda relação conosco e consigo mesmos. Eles entendem as “loucuras” como se fossem uma espécie de reflexo apaixonante.
Tenho-os, e bem espalhados por este Brasil. Em cada um deles encontro o brilho necessário para refletir a vida com mais paixão
Eles são muito especiais. São eternos “namorados da alma”.  Amigos da alma não são convencionais estão além da hipocrisia. Amigos sábios, cúmplices, modelos. Identificados com a chama criativa, da paixão, exatamente como a que está em sua profundidade do ser. Aquilo que o pensador chamava de além-humano.
                                      Nietzsche, certamente, teria criado um personagem especial, em uma definição atual. Mas não é o caso dele. A magia de nossa relação conosco mesmo é que permanece um mistério, menos para amigos. Mas, parece, estamos dispostos a continuar assim. Por isso são amigos. Necessários e muito amados, além do simples amor convencional.

Vez por outra recebo recados. Neles estão pedidos de “socorro”. Envaidece-me, pois seus pedidos requerem um contato, uma presença. Esta é a solução procurada. Nada de carência sentida. Isso seria primitivo. Tem diferença com necessidade humana.

Quando não podem fazer isso, mandam-me recados. Os mais diferentes possíveis. Quase um divã de suas relações com as pessoas a sua volta, com o mundo.
                                      Uma destas amigas, muito amada, é Branwen. Sim, homenageio-a como a Rainha das Águas, da Mitologia Celta. Ela é assim. Uma espécie de sábia, naturalmente precoce.

Uma filósofa de profundidade extremada e difícil de ser encontrada. Sensibilidade tão aflorada que em nossas conversas, vez por outra sou surpreendido por alguma colocação tão profunda e inédita, como se ela já tivesse vivido 100 anos. Há algum tempo, recebi um recado de sua indignação.
Quando ela “reclama” de algo, geralmente, é uma espécie de sinopse de algum tratado de filosofia das relações.

O recado tinha título: Que Capa Você Veste? E começava assim:
“... Fascinante o encantamento que nos toma quando nos permitimos ser surpreendidos por vitrinas que despertam nosso desejo consumista. Nosso desejo de estar melhores, de nos sentirmos melhores (...).”

 É apenas a introdução. E é um recado pessoal, de amigo. Ela não tem este “espírito consumista”. Como a conheço, profundamente, certamente que era apenas uma espécie de “preparação” para o que vinha em seguida:
E a sequência continha:
“... Na verdade, todos são “vitrinas”, expostas a um público completamente desconhecido 'escancarados' à observação e avaliação daqueles que acreditam serem os “donos-da-verdade”, os sabedores da história, os conhecedores das 'ciências ocultas', com incrível poder de análise e eficiente formação de valores que podem ser amplamente divulgados e seguidos, cegamente, por seus pares...”.
                                            A maioria das pessoas, que conheço, iria direto ao ponto, chorariam suas mágoas, esbravejariam altíssimo por algo que lhes tenha acontecido, rogaria “pragas”, buscariam culpados, tudo como uma espécie de: “reconhecendo-se a culpa costuma-se tornar menor a pena”.  Meio agostiniano eu sei (Santo Agostinho, filósofo da igreja).

Mas para Branwen isso seria simplório, em demasia. Fugiria de seu contexto de “nobre”. Típico de sua alma iluminada e elevada. E ela vai mais longe:
“... Suas vidas são impulsionadas pelos meandros da fofoca, da maledicência, da preocupação incessante com os comportamentos alheios. Demonstram extrema necessidade de verem disseminadas suas inferências malévolas aos que, supostamente detém algum poder...”!

Afinal quando se fala é necessário explorar, com riqueza, o que se quer dizer. Não precisam ser argumentos aristotélicos de análise e síntese, porem enriquece os seres que convivem.
E Branwen continua:
“... E a quem estes bajulam e informam incessantemente, completamente providos dos interesses e objetivo de, simplesmente, terem opinião considerada e a possível situação de um 'linchamento' em praça pública de um de seus desafetos...”.

Poderia muito bem significar uma espécie de “recado” aos “politiqueiros”. Mas não se enganem. Não buscaria significado para hipocrisias baratas. Ela detesta explicações fáceis ou fortuitas. Até porque, deixa na continuação, sua marca:
“... É nobre salvar a pátria, zelar pelos bons costumes e pelo cumprimento de regras estabelecidas? Seria, se o “candidato” a “nobre” fosse pessoa de conduta Ilibada, sem resquícios de arrogância ou ignorância. Se um de seus desafetos veste-se com grandes doses de sentimentos nobres, com discretas aplicações de sarcasmo, antes de discutir...”.
                                           Assim fica o recado desta amiga, amada e sábia, sobre nossas próprias condutas. Fica o modelo de síntese do “que dizer e por que”, em cada contexto. Fica mais fácil ser contraditório quando não se sabe o que dizer. Por isso Branwen, quando deixa seu recado tem profundidade que nos ajudam a pensar sobre nossa própria conduta.
Ela encerra o “recadinho” assim:
“... Observe o que vestes, pois as traças do rancor, do desamor e da infelicidade podem ter roído toda a sua capa dourada de 'Nobre'...!”
'Nossa Conduta Revela o Nosso Caráter'.  Conclui Branwen.
Em tempo:
O recado não é para políticos não. Apenas o que Branwen capta, com sua sensibilidade, no dia-a-dia, e reparte conosco.
Pensar em quem somos como nos relacionamos com o outro e para que estejam aqui não dói e nos difere do primitivo, concluo eu!


Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado no Sitio da Kasal – Vitória – ES –
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