terça-feira, 30 de julho de 2013

“Politicamente Correto?”
– Para Quem? –


  
"...A onda de vigília politicamente correta que assola o país
diz que não gostar das pessoas é algo imperdoavelmente antissocial.
Mas e quem finge gostar?
Quer dizer que ser dissimulado é politicamente correto...?"

Dos pensamentos do Café com Bobagens



Uma grande parte de nosso pseudoaculturamento é estadunidense. Fazer o quê? Desproporcionais educacionalmente, rendemo-nos aos que julgamos um pouco melhores ou mais fortes que nós próprios.
A década de noventa foi pródiga, no surgimento do “tal” do politicamente correto.
Lembro-me da atuação de Robin Willian, no filme Reflexos de uma Amizade, em que ele fazia o papel de uma espécie de “retardado”. 
Calma! Já explico: para os adeptos desta mania hipócrita que está na escala acima de dez da mediocridade da dita evolução cultural.

No próprio filme, Robim através de seu personagem diz a certa altura:
- Não sou mais retardado. Fui até os anos oitenta Depois eles mudaram o nome para “excepcional”, hoje sou “portador de necessidades especiais”.
Comoveu-me a autocrítica americana, através do texto do filme.

E foi desta maneira que nos tornamos exógenos na linguagem como forma de sermos, de certa forma, corretos. Mas o que é correto.
Corretíssimo é a educação básica que aprende o que cada palavra significa e seu uso ou utilização se torne empregada com destinação certa sem agredir o coração do outro.

Sem abusar da semântica, proponho um exercício para que façam comigo e sintam em que grau de hipocrisia chegamos ao tentarmos utilizar a linguagem (que desconhecemos quase que totalmente) e se tratando de Língua Portuguesa Brasilesa, sem mencionar o tal de (des)Acordo Ortográfico,(termo criado por Ricardo Santana) que felizmente ainda não entrou em vigor. Sim, pois falar errado no Brasil é lei.
Pois nossa língua é uma lei. Portanto se você falar errado é crime.
Quem fiscalizará com nossa educação?
Não precisa se preocupar em responder.

Assim herdamos o “loiro” dos estadunidenses, como sinônimo de pessoa lerda, que não pensa... Burra (sem ofender o quadrúpede ruminante que nada tem a ver com isso).
Porque a cor dos cabelos podem ser LOUROS. Loiro é subjetividade de pessoa que não pensa.
Aquela iguaria, para os que gostam muito de bolos ou doces necessita ter certo cuidado. 
Antigamente era apenas “nega maluca”. Cuidado. Hoje isso é ofensivo até para o bolo.
O correto agora é: “saborear uma afrodescendente com problemas mentais”.
Gostou? Claro que pode dar conotação, visto ter feito uma denotação.

Claro que não. Mas eis a hipocrisia do tal de politicamente correto.
O melhor amigo de meu amado filho, com quem cresceu com uma amizade fraterna, era um negro. Sim pretíssimo. E não tinha nenhuma diferença entre o louro de meu filho e o negro de seu amigo que era considerado um filho de alma.

Tenho uma amiga, que a trato por Rainha de Ébano. (o termo vem da mitologia grega de Perséfone, filha de Zeus e Deméter).  A rainha é representada ao lado de seu marido, num trono de ébano, segurando um facho com fumos negros. 

Sim uma negra linda, de coração divino. Mas não enxergo sua cor. No fundo sua alma deve ser mais branca que a minha
E nos os ditos brancos somos o que?
Pálidos? Como chamavam os índios do norte da América? Caras pálidas?
Não, somos caucasianos.

No dicionário, que é apenas uma coletânea de palavras utilizadas o termo está designado desta fora:
Brancos ou caucasianos são termos que geralmente se referem aos seres humanos caracterizados, em certo grau, pelo fenótipo claro da pele. Em vez de uma simples descrição da cor da pele, o termo "branco" funciona como uma terminologia racial, muitas vezes referindo-se restritamente às pessoas que reivindicam ascendência exclusivamente europeia.

A definição de uma "pessoa branca" difere de acordo com o contexto geográfico e histórico, várias construções sociais de brancura tiveram implicações em termos de identidade nacional, consanguinidade, ordem pública, religião, estatísticas demográficas, segregação racial/ação afirmativa, eugenia, marginalização racial e cotas raciais. O conceito tem sido aplicado com diferentes graus de formalidade e de consistência interna em disciplinas como: sociologia, política, genética, biologia, medicina, biomedicina, linguagem, cultura e direito.

Uma definição comum de uma pessoa "branca" é uma pessoa principalmente, ou totalmente, de ascendência europeia. No entanto, o termo é usado às vezes de forma mais ampla, de modo que se torna semelhante ao conceito da raça branca ou de pessoas caucasoides, que incluem as pessoas com ascendência do Oriente Médio, Norte da África e partes da Ásia Central e Meridional, que compartilham certas características fisiológicas e genéticas com os europeus, além da cor da pele.

Já no Dicionário do Politicamente Correto de H. Beard e C. Cerf, da L&PM Editora, vamos um pouco mais longe.
O que há num nome?" pergunta Shakespeare em Romeu e Julieta. Muita coisa, segundo os adeptos do Politicamente Correto, cujo vocabulário é a seguir apresentado.  

(...) É um modo de falar que supostamente não fere os sentimentos de pessoas pertencentes a grupos marginalizados ou desavantajados. Surgiu nos Estados Unidos, um país que tem uma longa tradição de defesa dos direitos humanos e, paradoxalmente, uma longa tradição de preconceitos: o país de Thomas Jefferson, mas também o país da Ku Klux Klan. Durante muito tempo tais preconceitos se expressaram na linguagem: um negro era um "nigger", um judeu, um "kike". (...)

Como diz um grande amigo: Toda escala geralmente tem uma intensidade de um a dez. No caso da mediocridade o Brasiles (sim nosso gentílico correto), chegamos muitas vezes até a vigésima casa.
Poderíamos ficar, aqui, descrevendo muitas páginas sobre o tal de “politicamente correto”, mas somente mais um exemplo:

Outro termo estadunidense, Bullying, cuja origem vem do anglicismo, bullying, é um termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos. Muito conhecido em nossas escolas.
Antigamente chamaríamos de jovens marginaisinhos ou tremendamente mal educados,

Mas como estamos nesta dita fase... Fico pensando no Politicamente Correto dos mais de 500 parlamentares que vivem como “nababos” – sim seres que vivem com grande ostentação, geralmente à custa dos outros.

Como vamos mudar isso. Com uma profunda reforma educacional. Com valorização profunda de nossos mestres, professores. Que eles retornem a serem dignos. Como é de sua natureza.
Enquanto isso, vamos pensar que não dói... Já cuidado com os termos que utilizar.

Afinal chamar alguém de gordo, pode te levar a prisão: Assim utilize sinônimos como: Você não é gordo, apenas tem o tamanho ideal para suportar um cérebro tão inteligente. Pronto. Você o chama de gordo e ainda o elogia. Cinismo?
E o que somos educacionalmente como povo? Cínicos! Simples.
Em Tempo: Escrito por um manco ou the lame, se julgar mais bonitinho. Ponto.
Viu? Você pensou... E nem doeu!


Das Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES –