quinta-feira, 18 de julho de 2013

Civilidade!   




“... Mas qual a recompensa da virtude? E que recompensa foi prevista pela natureza para sacrifícios tão importantes como o da vida e o da fortuna, que frequentemente temos que fazer-lhe? Oh, filhos da terra! ignorais o valor dessa celestial amante...?”

David Hume – Ensaios Morais, Políticos e Literários – 1741  


 Não permitais que as injúrias e a violência dos homens, dizem os filósofos, vos façam agitar pela ira ou pelo ódio. Sentiríeis ódio do macaco por sua maldade, ou do tigre por sua ferocidade?  

Esta reflexão conduz-nos a uma opinião desfavorável da natureza humana, e tem como resultado a eliminação das aflições sociais. Tende, também, para extinguir todo remorso pelos crimes que cada um praticou, pois faz pensar que o vício é tão natural no gênero humano como os instintos, próprios, de cada espécie animal. Mas não é assim.  Eles vão adiante:

Todos os males derivam da ordem do universo, que é absolutamente prefeita. Ousaríeis perturbar ordem tão divina por causa de vosso próprio interesse pessoal?  
E Se os males que sofro provierem da maldade ou da opressão?
Mas os vícios e imperfeições dos homens também são abrangidos pela ordem do universo:

 A pretensão de querer criar uma discussão, de um ignorante ser, do inicio do século vinte e um, baseando-se nos textos de Plutarco, principalmente De Ira Cohibenda, não é mais nada do que pretensão. Porém, uma busca incessante de nosso próprio eu nos confins da natureza humana.

Num de seus mais importantes livros, Da Genealogia da Moral, Nietzsche insiste em como foi difícil e que custos teve, para o homem, a instauração da moral (ou mesmo, se quisermos de várias morais).

Em outras palavras, a moralidade não é um traço natural, nem legado da graça de Deus – ela foi adquirida por um processo de adestramento que terminou fazendo, do homem, um animal interessante, um ser previdente e previsível. Foi preciso que, pela dor, ele constituísse uma memória, mas não no sentido aparente de apenas não esquecer o passado: onde ela mais importa é quando se faz prospectiva, quando se torna como um programa de atuação – marcando o sujeito para lembrar, bem o que prometeu e o que disse, de modo a não o descumprir.

E Pierre Clastres, num artigo, chamado “Da Tortura nas Sociedades Primitivas”, retomou esta idéia, descrevendo os ritos de iniciação dos rapazes índios como sendo lições de memória futura, inscrição no corpo e na mente da lei da igualdade.

É desta maneira, também, que Norbert Elias em seu Processo Civilizador de 1939, pensa. Pode respeitar os costumes que se civilizaram (transparece até mesmo sua simpatia por eles), mas sempre tem em mente que o condicionamento foi e é caro.

Uma responsabilidade enorme vai pesando sobre o homem à medida que ele se civiliza. E isso tanto se entende à luz das torturas, físicas ou psíquicas, que Nietzsche havia identificado na origem da cultura, quanto à luz do que Freud diz, no fim da vida, sobre a própria civilização: quanto mais aumenta, mais acresce a infelicidade.

 Sabemos que este tema foi e tem sido bastante contestado. Em 1968, Marcuse, lança Eros e Civilização, Zahar Editores, 8ª edição 1981, que é justamente a primeira grande crítica dirigida à idéia de que o custo da Kultur está na infelicidade, no crescente recalcamento das pulsões cuja satisfação nos pode fazer felizes. É este um ponto a discutir, e sobre o qual duvido que haja resposta convincente, pelo menos por ora.

 Por enquanto, fica-se na assertiva de que Pensar não dói... E na resposta, a esta frase, uma amiga Psicanalista afirma: Mas as consequências do ato de pensar... Sim.
 Sempre é um novo tempo.
E, por favor, Sejam felizes.



Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES –
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