sábado, 6 de julho de 2013

Sempre Me Afasto do Nefasto!




“... Nefasto este meu desejo pelo teatral romantismo.
Quase um suicídio da alma.
É jogar-me de um abismo e procurar a calma...
No fundo, no chão....!”.

Isabella Blanco


Estamos vivendo um tempo de velocidade. De rapidez. Tudo parece ser líquido. Aliás, título de best-seller. Parece que nada mais é sólido. Não temos mais rituais. E somos seres de ritos. Precisamos disso. Desde uma simples amizade, na profissão com nossos colegas e muito, mas muito mais nas relações que poderão ser mais complexas. Sim eu disse complexas, não complicadas. Como o amor, como um namoro, como um casamento...

Hoje existe o “ficar” e logo, muito logo não “ficam” mais. Até amigos estão mais para “ficar” do que para serem amigos. Esquecemos os ritos. As formas de indo nos conhecendo, pouco a pouco, descobrindo as similaridades, aquilo da essência do outro que mais nos atrai. Pois de resto nos trai.

Discutindo isso tudo com a amiga Priscila, há algum tempo, ela utilizou o que transformei em título: Sempre Me Afasto do Nefasto!
Fez-me pensar. E muito.

Jelson Roberto de Oliveira, em uma dissertação, citando o grande mestre Nietzsche resumiu: “... a importância da amizade no âmbito da reflexão sobre a incompreensibilidade da riqueza vital experimentada como vivência mais própria e como Nietzsche chega, pela relação amical, à formulação de uma nova aurora do pensar, agora situado no campo das vivências cuja tradução foge dos sistemas da compreensibilidade. Nesse cenário, a amizade aparece como arena para mal entendidos porque fomenta a possibilidade de uma relação traduzida pelo pronome plural nós – um signo da relação que se efetiva como impavidez, liberdade e afirmação individual, com vistas à constante autossuperação de si...!”.

E nefasto é algo de teor rui; de péssimo agouro; funesto.
E não gostamos disso, principalmente, em uma amizade. Nem vamos pensar em outros tipos de relações. Ficaríamos irritados só de pensar.

Outro pensador, da mesma época de Nietzsche, Arthur Schopenhauer afirmou: A Amizade Verdadeira e Genuína do mesmo modo que o papel-moeda circula no lugar da prata, também no mundo, no lugar da estima verdadeira e da amizade autêntica, circulam as suas demonstrações exteriores e os seus gestos imitados do modo mais natural possível. Por outro lado, poder-se-ia perguntar se há pessoas que de fato merecem essa estima e essa amizade. Em todo o caso, dou mais valor aos abanos de cauda de um cão leal do que a cem daquelas demonstrações e gestos. 

É disso que minha amiga Priscila falava. Estamos tão virtuais, tão globalizados que o quantitativo esta dando lugar ao qualitativo.

E precisamos cada vez mais de essência... Daquele sentimento puro.. Do que vem direto do coração. Seja isso por escrito ou oral. Seja em um olhar ou em um gesto. Até mesmo em um texto.
Era isso que Priscila buscava ao afirmar isso com tanto sentimento.
Não estava sendo negativa e simplesmente desistindo. Não.

Ela estava buscando o que de puro pode existir em uma pessoa. Sua essência.
Era disso que ela falava e que cada vez mais, está difícil de encontrar.
E Priscila, assim como todos nós precisamos disso, dessa matéria que vem da alma e que nos transforma em melhores. Evoluímos e nosso espírito se torna mais luminoso, mais presente e tocamos, levemente, mais no coração das outras pessoas.

Preferimos conviver com nosso eu, mais sozinho, do que com aquilo que é ruim. Que é nefasto.
Priscila já aprendeu, através de seu coração e de sua mente genial, que Pensar Não Dói...
E você?


*Transpirado de Priscila
Entendimentos & Compreensões
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES –

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