quarta-feira, 13 de julho de 2016

#Sentimentos:

A Paixão e o Amor!
"... O Amor? Como falar dele? 
Sem eliminá-lo dizer o que é? 
Se só existe quando me escapa, 
como retê-lo numa ou noutra definição?".

by Betty Milan 

Vive-se do encontro senão da sua busca. De tudo isso a Mitologia Grega ja tratou e muito bem.
A beleza de Narciso era esplendorosa, tão grande que segundo o profeta Tirésias, só viveria se não se a visse. Belissimo e amado por todos mas completamente indiferente à ninfa Eco, que como toda mulher desprezada, acaba morrendo de tristeza.
Narciso deve ser punido. A divina Nêmesis o induz a saciar a sede nas águas de um lindo e lago de águas espelhadas. É ali completamente louco pela beleza que vê em sí mesmo...Fica esquecido de comer e beber... Somente se admirando... Cria raizes e se transforma em uma flor. Completamente insensivel ao outro se consome na adoração de sí próprio.
Nao fosse o amor a vida nao vingaria, nós, entretanto o ignoramos a ponto de menosprezá-lo.
Desta forma não se torna ridicula a confissão pública de uma grande paixão?
Quem autorizou aos homens, quando entre eles, falar de algum amor que nao o físico? Apresentam-se como um ser a quem o outro fala? Em nenhum lugar do mundo. Somente na Mitologia.
Quantos seres sofrendo desta paixão ou deste "amor" agindo desta forma?
A grande maioria.. Poderia dizer você!
Sim! Seria a resposta mais adequada.
Quanto as mulheres, verdade que falam de amor como se fossem as proprietárias de tal poder e dele tudo conhecessem. Será que por agirem assim, não foi o motivo de serem tão "colocadas à margem" e como seres inferiores?
Depreciado, ridicularizado o amor é o grande banido. Valorizado só o sexo, aque a tal de modernidade "nos entregou" para neutralizar a tal de "paixão".
Só sexo, eis a forma de interditar o amor e fazer de nós puritanos em seus contrários.
Se a paixão é um tipo de amor e se torna indiferenciado, até certo ponto, cria-se aqui o enigma e nunca será entendido? Nao creio nesta opção, nos dias atuais com tanta informação sobre as emoções humanas.
Sei que se torna dificil saber por que alguem quer tanto e a tal ponto disso dependendo e por que ele ama ou é amado.
Ainda que consiga individualizar algo de especial, de encantamento, de cativante, no seu rosto, no corpo, na postura, no seu modo de sorrir ou falar, nenhum estes elementos é suficiente para explicar a razao do amor, que foge de uma forma ou outra.
Se assim for, então sou "tomado" e nao "escolho". E tudo se tranforma em uma ação inconsciente?
Esta bem. Sei que ele pode se impor a minha própria vontade, colocar-me, imediatamente, na posição do "objeto" - como diria Nietzsche - a ser amado e não no amor em si.
Mas se assumir posso me tornar-me sujeito desta ação.
Corneille - escritor francês do século dezessete - deixou dito: (...) que ama e é amado mas recusa esta amarra, declara odiar o amor e quer submeter a paixão a razao.
Aqui fica a tênue linha do... Eu te amo! Eu te odeio...
Afinal odiar em vez de amar é o que mais existe de normal... Esta tênue linha que parece separar os contrários que derivam da mesma fonte.
Se for assim vou chegar a conclusão que o ódio é irmão mais próximo do amor? É isso?
Creio meio melodramático e rotineiro para roteiros novelescos bem "mexicanos" (se diz novelas mexicanas por serem cheias de dramas baratos que não tem mais fim).
Desta forma não haveria outra maneira de analisar isto tudo:
Quer dizer que se a condição do outro é a mesma do meu ser... Se para existir depende-se do amor do outro? E se nao tiver, nao serei mais eu mesmo, e necesssito odiar, como forma de equilibrio de sentimentos?
Viram com a razão jamais vai entender as emoções humanas? Principalmente as que se dizem derivar do amor... Da paixão... Exatamente por elas nao serem racionais.
Nao estou aqui, afirmando, que se deva amar racionalmente... Porém se de outra forma é sofrimento já comprovado pela história da humanidade... O que me custa tentar? Quem disse que nao posso amar pela razão? Quem disse que um relacionamento não pode ser sério, maduro, único sem as soberbas egoistas da tal "paixão"... E quem sem esta nao existe amor?
Creio que fomos submissos a ideias e ideais de amor sempre "colocadas" dentro de nós por outros.. E que no fundo não pensamos, conosco mesmo, do que realmente precisamos... Do que queremos... Pois o amor já nasce conosco... Desde a amamentação já somos, literalmente, "treinados" para amarmos e sermos amados. Por que fazemos o contrário? Por mediocridade e alimentação de uma hipocrisia social?
Sim. Afirmo. Precisamos, a grande maioria mostrar primeiro aos outros, e se sobrar algo... Será para nós. Triste pensamento de quem é dependente em tudo. Ate na forma de pensar.
Nietzsche meu pensador preferido deixou registrado em sua obra, A Gaia Ciência, sobre o amor ou posse?
Disse ele:
O nosso «amor pelo próximo» não será o desejo imperioso de uma nova propriedade? E não sucede o mesmo com o nosso amor pela ciência, pela verdade? E, mais geralmente, com todos os desejos de novidade? Cansamo-nos pouco a pouco do antigo, do que possuímos com certeza, temos ainda necessidade de estender as mãos; mesmo a mais bela paisagem, quando vivemos diante dela mais de três meses, deixa de nos poder agradar, qualquer margem distante nos atrai mais: geralmente uma posse reduz-se com o uso. O prazer que tiramos a nós próprios procura manter-se, transformando sempre qualquer nova coisa em nós próprios; é precisamente a isso que se chama possuir." 
Cansar-se de uma posse é cansar-se de si próprio. (Pode-se também sofrer com o excesso; à necessidade de deitar fora, pode assim atribuir-se o nome lisonjeiro de «amor). Quando vemos sofrer uma pessoa aproveitamos de bom grado essa ocasião que se oferece de nos apoderarmos dela; é o que faz o homem caridoso, o indivíduo complacente; chama também «amor» a este desejo de uma nova posse que despertou na sua alma e tem prazer nisso como diante do apelo de uma nova conquista. Mas é o amor de sexo para sexo que se revela mais nitidamente como um desejo de posse: aquele que ama quer ser possuidor exclusivo da pessoa que deseja, quer ter um poder absoluto tanto sobre a sua alma como sobre o seu corpo, quer ser amado unicamente, instalar-se e reinar na outra alma como o mais alto e o mais desejável. 
Creiam-me o amor é sublime e cruel, ao mesmo tempo. O que estranho é que tenham feito dele uma espécie de "cordeirinho" do bom pastor.
Eis o que somos e do que somos feito. Nao dependemos do outro. Podemos precisar do outro para amar aquilo que nos "derrama" do coração, incondicionalmente... 
Se não aprendermos isso... Sofreremos sempre em nome do tal amor, disfarçado, incólume de "paixão"... Grande mentira da humanidade para ela mesma.
Pensar não dói... Já amar e nao sofrer depende do que você mesmo quer para você...
Simples assim... O resto foram ideias jogadas na sua cabeça e que você acreditou.



Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Fontes:
A Gaia Ciência - Nietzsche
Mitologia Grega - A Fábula de Narciso.
Vários autores.
E nos pensamentos de Betty Milan 
Publicado Originalmente no Grupo Kasal - Konvenios - Vitória - ES.
http://www.konvenios.com.br/info/verArtigo.aspx?a-id=27948
Arquivos da Sala de Protheus
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