sexta-feira, 1 de julho de 2016

#PensarNaoDoi:

Os Enganos da História do Brasil!
"...As convicções são inimigas mais 
perigosas da verdade 
do que as mentiras."

Friedrich Nietzsche

                           Em tópicos, a partir de assuntos opinativos da história do Brasil, na rede mundial de computadores - Twitter - O professor catarinense e Mestre em Semiótica, Nelson Valente, faz uma rápida incursão na história do Brasil.
O que você aprendeu que não é verdade, e sim "historinha contada".
Eis alguns tópicos discutidos na rede e que fazem parte do "Brasil que Não Conhece o Brasil"!
O professor Nelson nos diz:
A princesa regente Leopoldina – é a responsável direta pela Independência do Brasil.
Muitas pessoas contribuíram para a emancipação política do Brasil. Destaque especial deve ser dado à princesa regente Leopoldina e ao ministro José Bonifácio.
Dois de Julho
A Independência do Brasil na Bahia, 2 de julho de 1823.
Se o 7 de setembro de 1822 é a data magna do país referente ao 
Grito do Ipiranga”, 
“o 2 de julho de 1823 representa, de fato, a consolidação da independência política do Brasil, com a expulsão definitiva das tropas portuguesas da Bahia.
O Corneteiro de Pirajá:
Sofrendo uma forte investida portuguesa, José de Barros, major pernambucano, mandou tocar a retirada, mas o corneteiro Luís Lopes tocou “avançar cavalaria à degola”. O toque amedrontou os portugueses, que fugiram. Os brasileiros venceram a Batalha de Pirajá.
A "Joana D´Arc" Brasilesa:
                           Diante da resistência do pai em aceitar que Maria Quitéria se alistasse como militar na guerra da independência da Bahia, ela disse:
“É verdade que não tendes filho, meu pai. Mas lembrai-vos que manejo as armas e que a caça não é mais nobre que a defesa da pátria. O coração me abrasa. Deixai-me ir disfarçada para tão justa guerra".
Respondeu-lhe o pai: ‘Mulheres fiam, tecem e bordam; não vão à guerra’.”
Quitéria desobedeceu a seu pai, vestiu o uniforme militar de seu cunhado e foi lutar no batalhão de Cachoeira pela independência do Brasil. Pelo seu ato de bravura, foi posteriormente agraciada pelo próprio imperador Pedro I.
Leopoldina assumiu a regência durante a viagem de Pedro a São Paulo. Diante das exigências de Portugal para que o casal real retornasse a Lisboa, convocou sessão extraordinária do Conselho de Estado no dia 2 de setembro de 1822 e decidiu, junto aos ministros, pela separação definitiva entre Brasil e Portugal.
Enviou, então, o mensageiro Paulo Bregaro com uma carta a Pedro em que reforçou sua posição pela independência do Brasil.
                               Imagine a situação de Pedro ao ler a missiva de sua esposa Leopoldina: contrariado ou não,bebeu todas a que tinha direito. E no lombo de um burro, subiu a serra (inverno rigoroso, local inóspito, neblina, serração). Sentiu-se mal: vomitando e com diarreia. A cada “moita” uma correria. É óbvio, que chegando ao riacho do Ipiranga, foi banhar-se...e não houve nenhum grito, a não ser: diarreia.
                              Num tempo em que o Brasil se inventava como nação, surgiu na boca da cena e assumiu o papel principal o rapaz de 22 anos, malcriado e irresponsável, mulherengo, farrista, briguento e fanfarrão que, como disse um visitante estrangeiro, tinha os modos de um moço de estrebaria. Era o príncipe americano, fascinado por Bonaparte, influenciado pelo palavreado político liberal da Revolução Francesa. (...)
Mas a ousadia com que mandou de volta as naus portuguesas repletas de soldados; a energia com que desafiou as Cortes portuguesas, que tentavam reduzir o Brasil ao estágio de colônia; e a determinação com que enfrentou os portugueses na Bahia foram fundamentais para os destinos do Brasil independente.
                          A princesa-regente Leopoldina preside a Sessão do Conselho de Estado, em 2 de setembro de 1822, na qual assina a declaração de Independência do Brasil.
Trecho da Ata da Sessão do Conselho de Estado:
SESSÃO Nº 13 – A 2 de Setembro de 1822.
“Reunidos os Conselheiros, e presidida a Sessão por Sua Alteza Real a Sereníssima Senhora Princesa Real, leu-se a Ata da Sessão antecedente, que foi aprovada. O Conselheiro Obes leu um discurso, análogo às últimas notícias recebidas de Portugal, pelas quais não só constava do projeto de enviar novas tropas ao Brasil, como dos insultos dirigidos ao Nosso Augusto Defensor: terminava este discurso dizendo ‘que se não perdesse tempo: que as Cortes tinham tirado a máscara exigindo de Sua Alteza Real uma obediência a mais humilhante, e do Brasil uma humilhação como nunca se exigira dos nossos Maiores’.
Resolveu o Conselho que se procedesse imediatamente a um embargo dos fundos da Companhia dos Vinhos Douro a título de represália. Que se tomassem todas as medidas necessárias de segurança, e defesa; que cada um dos Conselheiros apresentasse os seus planos na próxima Sessão; e que os Conselheiros Militares de acordo com os Ministros da Guerra e Marinha fizessem o seu projeto de Campanha. Levantou-se a Sessão, nada havendo mais que tratar.
Rio de Janeiro, 2 de setembro de 1822
Joaquim Gonçalves Ledo, Secretário.”
Leopoldina - Maria Leopoldina Josefa Carolina de Habsburgo-Lorena (1797—1826): Pertencente a uma das famílias reais mais importantes da Europa, Leopoldina teve uma esmerada educação e, aos 20 anos, casou-se com o futuro imperador D. Pedro I, com quem teve 7 filhos, entre os quais o futuro Imperador Pedro II. Trouxe consigo da Áustria importantes missões artísticas e científicas que contribuíram para o estudo da biodiversidade brasileira.
                           Leopoldina era uma mulher “forte e determinada", com posicionamentos políticos definidos e disposta a pagar o preço por eles, tornando-se, antes mesmo da adesão definitiva do marido, ativista do movimento da independência. Exerceu o poder indiretamente – como consorte do soberano – , chegando a exercê-lo diretamente, ao assumir, em substituição ao príncipe regente ausente, o Governo, pela primeira vez em mãos femininas.
“Senhor, o dado está lançado: de Portugal não temos a esperar senão escuridão e horrores.”
José Bonifácio, em comentário com Pedro.
Texto de Leopoldina a Pedro:
“Meu querido e muito amado esposo! (...) é preciso que volte com a maior brevidade, esteja persuadido que não é o Amor, Amizade que me faz desejar, mais que nunca sua pronta presença, mas sim as críticas circunstâncias em que se acha o amado Brasil; só a sua presença, muita energia e rigor pode salvá-lo da ruína.”
Leopoldina
Nos livros didáticos de história, a reprodução do quadro de Pedro Américo é bastante presente e faz-nos pensar que a Independência do Brasil se deu por um ato isolado do príncipe-regente Pedro que bradou “Independência ou Morte!”, nas margens do Ipiranga, em São Paulo.
A História não é bem essa. O que de fato ocorreu?
Mito:
A independência do Brasil concretiza-se com a proclamação de D. Pedro às margens do Ipiranga, em 7 de setembro de 1822.
Fato:
A independência de nosso país não se restringe a uma data no calendário. Trata-se de um processo que começa com a vinda da família real portuguesa para o Brasil, prolonga-se pelo governo joanino — que resultou no fim do pacto colonial — e desdobra-se na regência de D. Pedro — que, com apoio das elites políticas locais, desobedeceu às Cortes de Lisboa, permaneceu no Brasil e rompeu com os laços que nos prendiam à metrópole portuguesa.
Mito:
A independência do País não passa de um acordo diplomático estabelecido entre D. João VI, quando retornou a Portugal, e seu filho Pedro, que permaneceu no Brasil.
Fato:
Muitas pessoas contribuíram para a emancipação política do Brasil. Destaque especial deve ser dado à princesa regente Leopoldina e ao ministro José Bonifácio.
Mito:
Os fatos que levaram à nossa emancipação política ocorreram na região centro-sul do País.
Fato:
A independência do Brasil não ficou restrita aos acontecimentos que ocorriam na corte do Rio de Janeiro. O processo de separação de Portugal mobilizou todo o País.
Mito:
O processo de nossa independência se deu de forma conciliatória e pacífica. Não houve lutas internas nem derramamento de sangue.
Fato:
Houve guerra entre portugueses e brasileiros nas províncias do Grão-Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Cisplatina e, principalmente, na Bahia.
“A Guerra da Independência brasileira deve ter custado a vida de 2.000 a 3.000 vítimas, somados os conflitos de todas as regiões” 
Mito:
A data de 7 de setembro sempre foi comemorada como o dia da independência do Brasil.
Fato: 
Durante o século XIX, várias datas celebravam o processo de independência brasileira, como 12 de outubro, data da Aclamação de D. Pedro I; 1º de dezembro, data de sua coroação; e 25 de março, outorga da primeira Constituição.
No dia 8 de fevereiro de 1822 o príncipe D. Pedro I recebeu a bordo da fragata União o general português Jorge Avilez e seu Estado- Maior, intimando-o a seguir para a Europa com sua tropa lusitana. Apontando para um canhão, brada-lhe:
“Se não partirem logo faço lhes fogo, e o primeiro tiro quem o dispara sou eu!”
“A independência não foi arranjo de família nem complô de elites. Houve uma guerra literária em torno das opções que iam surgindo, uma guerra que se acoplou à guerra das ruas, como no caso do Fico, da guerra da independência da Bahia, Pará, Pernambuco, Cisplatina. Embora limitada às principais províncias, o movimento da independência foi o primeiro esboço, embora precário, de um movimento nacional.”
“Nenhum estado brasileiro comemora a Independência do Brasil com tanto entusiasmo quanto a Bahia. (...) A verdadeira festa acontece no dia 2 de julho, data da expulsão das tropas portuguesas de Salvador em 1823. E só perde em grandiosidade para o Carnaval.”
Pensar não dói.. Conhecer a verdade da história de seu país tambem não.


Entendimentos & Compreensões
Da Sabedoria de Nelson Valente
Professor Universitário, Jornalista e Escritor
Santa Catarina - SC.
Fontes:
Isabel Lustosa. D. Pedro I - um herói sem nenhum caráter.
 SP: Cia. das Letras, 2006
Viviane Tessitore. Projeto “A Imperatriz
Histórica (SBPH). Anais da XIX Reunião, Curitiba, 1999. p. 128
Leopoldina”: um personagem em três dimensões.
 In: Sociedade Brasileira de Pesquisa
José Murilo de Carvalho. Guerra Literária – Panfletos da
Independência. Editora UFMG, 2015
Laurentino Gomes. 1822. Rio de Janeiro: 
Nova Fronteira, 2010.
Arquivos da Sala de Protheus
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