quinta-feira, 7 de julho de 2016

#DosSentimentos:

“Perdão & Gratidão! ”
“.... Devemos perdoar a nós mesmos. 

Não haverá condição de perdão para o outro, 
senão limpar o caminho que está dentro 
de você. Quando você perdoa o outro e não 
perdoa a si pelos erros cometidos, esses se 
transformam em culpa e o caminho continua 
fechado para todas as pessoas envolvidas, 
principalmente para você...! ”


Rubem Alves
                 

A grande maioria de nossa geração (hoje 2 gerações atrás – na casa dos cinquentões) aprendeu que devemos perdoar tudo e todos. De qualquer maneira e por tudo. Claro que esta educação passada de pai para filho, veio de uma inserção de subliminariedade da educação Cristã, presentíssima em todas as escolas até os anos 70. E geralmente perdão significava submissão. Demoramos para entender. A vida teve que nos mostrar exatamente qual era o conceito, significado e suas significâncias em vários momentos. E fomos aprendendo a, definitivamente, nos libertar. 
Sim, perdoar é uma autoliberdade conquistada quando compreendida profundamente.
Perdão origina-se de nossa língua mãe o Latim – perdonare, de per-. “total, completo”, mais donare, “dar, entregar, doar.
Se você pensou, por um momento em algo como “perda da razão” enganou-se completamente.
A paulista e paulistana Marisa Cruz sempre afirma que (...) Piedade se doa sempre... Perdão tem que merecer...! ”. 
Ela tem razão.


                       Quando nos acontece algo ou estamos em meio a acontecimentos em que, de certa forma, somos vítimas de algo, é contumaz que o outro diga: Perdoe-me... No sentido de pedir desculpas. Isto é uma coisa. É outra forma de manutenção de nossos, digamos, diálogos civilizados. Já o ato de perdoar incide, geralmente, em atos e fatos muito mais graves. Facílimo dizer “da boca para fora”: Eu te perdoo...! ”

Mentira. Lá no fundo. Em nosso intimo mais profundo, guardamos. Não perdoamos nada. E isso, cedo ou tarde acaba por psicossomatizar. 

                            Psicossoma, originariamente, exprime o conceito aristotélico de (matéria= corpo, forma = alma) que é o homem. Ou seja, tudo o que nossa mente guarde tem um limite. Chegada uma hora a mente precisa liberar “espaço”, do que não serve mais e, como não tem saída joga para o corpo. Desta forma acontece o aparecimento de doenças.

                              Sabe-se, pela ciência, hoje, que 76% dos cânceres tanto uterinos quanto mamários, nas mulheres, obviamente, são de origem nervosa. Ou seja, de psicossomatização.
                          Esta “da boca para fora” ação de perdoar, acaba gerando grandes problemas para o indivíduo que não aprendeu ou não sabe o ato de perdoar como algo divinizado, de evolução do ser, de “passar por cima” de qualquer coisa que, talvez tenha ofendido “seu orgulho”. Nada mais do que isso.

                                Assim o ato de não perdoar gera mais efeitos negativos em quem não perdoou do que em quem não foi perdoado. Geralmente o segundo sujeito afasta-se e acaba esquecendo. O primeiro guarda.

                                O ato de perdoar confunde-se muito com humilhação. Outra palavra de nossa amada língua que nos foi “incutida” e não ensinada como forma de “ficarmos por baixo” e não de simplicidade, de aceitação. Que é a origem etimológica da palavra. Assim temos uma dificuldade enorme em perdoar.

                                    A escritora Joan Borysenko deixou dito: “.... Se não nos perdoamos por nossos erros, e aos outros pelos sofrimentos que nos infligiram, terminamos debilitados pela culpa. A alma não consegue crescer sob um cobertor de culpa, porque a culpa é isoladora, enquanto o crescimento é um processo gradual de reconexão com nós mesmos, com outras pessoas, e com um todo maior...! ”.
E disso tudo deriva a auto gratidão. A gratidão em si mesmo. Para nós.

                     A gratidão é o ato de reconhecimento de uma pessoa por alguém que lhe prestou um benefício, um auxílio, um favor...

Em um sentido mais amplo, pode ser explicada também como recognição (reconhecimento do estado de uma pessoa, da qualidade de uma coisa) abrangente pelas situações e dádivas que a vida lhe proporcionou e ainda proporciona.

                     Assim quando descobrimos que perdoamos, literalmente, somos “banhados por uma imensa e gigantesca onda” de paz interior. Este é o resultado mais perfeito de que você perdoou alguém.

Simplesmente ver, ou pensar, no outro como qualquer outro sem nenhum sentimento negativo ou rancoroso.
Creiam: é resultado de longos exercícios de autodescobertas, de cuidados conosco mesmo, de diálogos internos em que todos deveriam ter. Ao menos uma vez por mês, para não ser tão exagerado.
             Aquele momento em que você faz uma espécie de “contabilidade” interna de todos os seus sentimentos. Em relação a você e ao outro.... Ou aos outros.
O presidente estadunidense John F. Kennedy, por algum motivo deixou escrito:
“... O que temos de mais básico em comum é que todos habitamos este planeta, respiramos o mesmo ar, valorizamos o futuro de nossos filhos e somos todos mortais...! ”.
                   A partir deste pensamento que parece simples, mas é de uma profundidade estrondosa, podemos perceber que o “ser igual ao outro”, não é na aparência, nos direitos e deveres, mas sim como habitantes do mesmo planeta e da mesma espécie. De outra forma somos únicos, totalmente diferentes de todos os quase ou mais de 7 bilhões de habitantes do Planeta Terra.

                       Por isso o exercício do perdão é algo como gratidão a si próprio. É agradecer sua evolução, seus entendimentos e suas compreensões, consequentemente, seu discernimento de ser e de mundo a sua volta.

É uma compreensão de vida para a vida. A sua... E a dos outros...

Pensar não dói... Já perdoar e agradecer é um pouco mais difícil. Creiam-me:

Perdoa mais... E agradeça muito!




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Publicado originalmente no Grupo Kasal - 
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