sexta-feira, 22 de julho de 2016

#ContosDaVidaReal:

Armando!


"... Te peço perdão pelo meu erro, 
sei que perdi sua confiança e talvez 
seu amor. Mas irei te reconquistar e 
nada mais vai nos separar...!"

Autor desconhecido!

Éramos trinta pessoas a participar de um seleto grupo de estudos, dentre elas, Armando que se destacou por seu comportamento, histórias, um tanto quanto relevantes, a começar pelo significado do nome.
Bem, o nome parece dizer tudo. E, em se tratando do Armando, nem sempre o ar lhe era tão lindo. Cultivou a bondade, a solicitude, companheirismo, fidelidade, coragem. Considerava-se um homem de firmes atitudes! Sempre nos punha a par de sua vida pessoal, muitas vezes cômica, devido à peculiar narrativa. Até mesmo quando falava de seu amor, sua doce Flor, a conotação não deixava de nos fazer conter uma enorme vontade de retrucar e rir muito. Coisas de amor são sérias e ele não conseguia se declarar. 
Quando chegava a casa, eu ria até sozinha, de tanto assunto interessante que Armando tinha a reportar. Ora cheio de melodramas, ora racional, ou cheio de melindres. 
Armando é um substantivo masculino e sinônimo de alimento em forma de mingau que se destina a dar apetite e força aos cavalos debilitados (Eu desanimaria logo com o substantivo)! Nome de origem Teutônico, significando Homem do Exército. Dentre outros, conquistam facilmente a todos e costumam ser o centro das atenções. 

De porte simples, meio que dobrado ao meio devido ao encurvamento dorsal, sem beleza expressiva, estatura nada avantajada, Armando parecia mais uma pessoa extremamente frágil, carente de toda sorte de amor, atenção e cuidados.
Ao contrário de sua aparência, Armando passou mesmo a ser o centro de nossas atenções conquistando a todos com a sua sinceridade, o que fez jus ao nome. Em minha casa todos o conhecia por meio de meus relatos. Ele sempre tinha novidades, mesmo quando gemia de dor, devido aquele tumor não maligno em sua coluna (como ele dizia), que o fazia emborcar seu corpo, com um notável esforço nestas horas.
Extremamente compadecido com os problemas alheios, eis que encontra um jovem que conheceu desde criança e sem abrigo. Jamais Armando o deixaria ao relento. E foi assim que começou mais uma faceta de sua vida.
Problemático em relação a uma paixão, o jovem entrou em depressão circunstancial. Não conseguindo reciprocidade de seus sentimentos, ou seja, levou um baita fora, resolve tomar toda a medicação de Armando, achando que assim, conseguiria dormir e dormir, esquecer e esquecer. O resultado foi bem diferente. Ficou com aqueles olhos esbugalhados, andando pela casa afora, dia e noite sem parar. 


Armando percebeu que seu hóspede havia mexido em suas coisas, usado toda a sua medicação, vindo a ralhar com o mesmo. Como resposta, Arlindo teve um surto psicótico de ‘bravura’, quebrando os utensílios da casa. Por pouco não seriam também quebrados os ossos de Armando, que conseguiu sair vivo e pedir socorro, ficando Arlindo em coma. Armando, por longo tempo, usou seus óculos escuros bem grandes, com o objetivo de esconder os olhos arroxeados pelos tantos hematomas. 
Armando chegou cabisbaixo, decepcionado, com nada de lindo no ar e nos colocou a par de detalhes, o que muito nos comoveu devido à sua expressão facial. O amigo lhe pediu perdão, arrependeu dizendo que jamais poderia ter feito isto... Dramática situação, mas Armando tinha novidades.
Sua vizinha, diante do ocorrido indicou um suposto médico médium. Ligou marcando uma consulta e já relatando a vida de Armando, seus problemas (só mais tarde soube desses pormenores) e marcou o atendimento no Centro da cidade. Armando nos relatou que, ao adentrar o consultório, de cabeça baixa, disse o médico: - “E este tumor ai na sua coluna? E aquela sua tia que não lhe dá sossego?”. 


Maravilhado com a revelação de seu estado de saúde, por meio do sobrenatural, ali recebeu as devidas instruções. Deveria ir servir à dita tia adoentada e ficaria livre de seu tenebroso passado, do período da Idade Média, recebendo a tão ansiada cura. 
Despediu-se de todos nós, esmiuçando todos os detalhes e decisões, deixando o endereço do médico a duas colegas do grupo e manifestando a saudade que sentiria do grupo. Sabia que não seria fácil cumprir a missão a que lhe foi proposta, mas iria, porque também seria curado por meio de tão grande obra. 
Lá se foi o nosso amigo para a casa da tia Dita, ajudar a cuidar de seu estado achacado, mancando daqui e dali. Sempre gentil, solícito com a tia, Armando cumpria então a sua missão. 
Piorando, Armando volta para a sua casa ao perceber que a sua tia, a Dita, a dona Benedita armava mais do que qualquer outra pessoa que conhecera nesta vida. E, numa tarde, novamente nos encontrou no pátio, um tanto quanto amargurado. 


Não podíamos deixar nosso amigo sozinho neste difícil momento. Cada um lhe ofereceu seus préstimos, solidariedade, palavras animadoras e até que se revelasse a mulher que tanto amava, fazendo com que ele voltasse feliz para a sua casa. 
Assim, partiu para a sua casa deixando um sorriso afável, agradecido, um olhar brilhante, a certeza de ânimo, de coragem. Desanimar jamais! Ia se declarar à sua Flor. 
Ele nunca voltou para nos contar sobre a sua Flor, mesmo sendo Armando, um homem de decisões!


Entendimentos & Compreensões de:

Marilene Marques é mineira da Vila de Assaraí, 
Município de Pocrane. MG. 
Contabilista Aposentada, ex-professora. Também trabalhou na Cia. Aços Especiais de Itabira ACESITA, atual APERAM.
Apaixonada e trabalhando com o voluntariado social. 
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