domingo, 3 de julho de 2016


A Cruzada do Voto... Distrital!
“Constituída paralelamente à Cruzada dos Nobres durante os preparativos da Primeira Cruzada (1096-99), a Cruzada dos Mendigos teve uma história desastrosa. Sem planejamento, ordem e liderança adequada, este movimento causou imensos transtornos por onde passou e foi arrasado antes mesmo da chegada da Cruzada dos Nobres aos domínios turcos”.

A desastrosa Cruzada dos Mendigos – Eudes Bezerra

                          Em 1096 Pedro o Eremita inflamado pelo discurso do Papa Urbano II durante o Concílio de Clermont (1095) e em conjunto com o cavaleiro Galtério Sem Haveres partiu em uma “cruzada desesperada” rumo à Terra Santa como a primeira das tentativas de resgate para os cristãos dos locais sagrados do Cristianismo.
                              Pois bem, isso me faz lembrar a atual cruzada popular dos brasileiros pela Reforma Política. Tal qual na “horda” de Pedro o Eremita somos uma sociedade desorganizada e sem um “líder pragmático” a nos conduzir. E isso se deve a uma razão muito simples. Não é do interesse da classe política ser fiel partidariamente, que o país seja organizado em distritos onde essa classe política tenham residência e vida socioeconômica organizada e se submeta a uma Cláusula de Barreira.
                           Uma constatação na composição da Câmara dos Deputados é que a grande maioria é oriunda das Capitais e grandes cidades do interior dos seus estados e por se beneficiarem do “garimpo eleitoral” propiciado pelo Voto Proporcional e pela ligação com as cúpulas partidárias não têm o menor interesse em serem colocados nos “cercadinhos dos distritos”. Evidentemente, preferem a facilidade das campanhas nos grandes centros e “arrebanhar votos pingados” nos “currais eleitorais” das coligações.
                                Nos tempos atuais sob império do voto proporcional, mesmo que um deputado seja eleito com o voto preponderante de uma região ou distrito, caso venha a assumir uma secretária ou autarquia estadual e/ou um cargo público ou ministério federal, seu substituto, face as regras vigentes, poderá ser alguém totalmente alheio e desconhecido do “distrito dono do mandato”.
Entenderam?
                  Tenho ouvido como contra argumentação ao estabelecimento de Distritos, que estes favorecem a criação de “currais eleitorais” e ao “abuso do poder econômico” nas regiões mais afastadas. Só não consigo entender como isto não é visto no atual sistema. O que existe hoje com certeza irá continuar até que a “inclusão social plena” ocorra com Educação, Saúde, Saneamento Básico e conscientização política quanto aos “direitos constitucionais do cidadão”.
Não existe “inclusão social plena” mais expressiva do que dar a “voz do voto” a essas comunidades marginalizadas na representatividade.
                       No meu livro VOTO DISTRITAL – ESTE ME REPRESENTA conto das minhas experiências vivendo nas periferias paulistanas nos anos 60. Agora na vida adulta em minhas andanças profissionais pelos rincões mais distantes do país constato que nada mudou mesmo 50 anos decorridos.
                   A minha Vila Maria e Arthur Alvim daqueles tempos, por força da expansão da Pauliceia Desvairada hoje são bairros de classe média assistidos pelos benefícios da civilização. Já as modernas Vila Maria e Arthur Alvim pela distância dos polos de desenvolvimento estarão condenadas para sempre ao “nada”.
                     Lembro-me de uma palestra em uma Loja Maçônica lá pelos anos 90 do século passado sobre o crime organizado no Rio de Janeiro, em que afirmava, que o que ocorre ali nada mais é que uma “guerra civil” não reconhecida. Mal poderia imaginar que viriam a seguir organizações como MST e MTST. Tanto o crime organizado como esses ditos movimentos sociais aproveitam-se do desamparo social para fazer prevalecer os “seus objetivos”.
              Dizia na época que crescendo esse “movimento revolucionário”, que seria a classe média que pagaria essa conta, pois os bens a serem reclamados seriam os seus, visto que os pertencentes aos poderosos, ainda que ocupados momentaneamente, passada a “revolução” seriam devolvidos ou regiamente indenizados. Já os tomados à classe média estariam definitivamente perdidos.
                    Essa é a razão pela qual somos nós a promover o processo de mudança, pois ainda que por razões egoístas, estaremos nos protegendo e mediante a nossa luta, abrindo os espaços que nossa geração um dia teve, mas que a grande maioria da população estará condenada a usufruí-lo.
                 Um processo de mudança social verdadeiro é como uma mola apoiada firmemente ao solo, (base da pirâmide social), empurrando tudo para cima. No momento atual a “mola brasileira” está firmemente apoiada no “teto”, (classes privilegiadas), empurrando “tudo para baixo”.
Pense nisso, cidadão !!!
Boa leitura.




Entendimentos & Compreensões
De Antonio Figueiredo
Esritor paulista autor da obra 
Recém lançada Voto Distrital - Este Me Representa.
Editora Garcia Edizione - 2016 - SP
#PEDIDOS http://tonifigo1945.com 
Arquivos da Sala de Protheus
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