terça-feira, 15 de março de 2016


#SerieCidadania:
 “Parlamentarismo E
O Voto Distrital!”

“...O poder só emanara do povo
quando os mesmos
entenderem que consciência
política é uma
questão de sobrevivência...!”

                                                                                               Jr. Mesquista.


 A polarização partidária que ocorre no Brasil atual tem dividido a cidadania em duas categorias: os “coxinhas” e os “zés pobrinhos”.
Nas manifestações monstro do último final de semana como não tiveram a preocupação de pedir o “contracheque” dos manifestantes na chegada ao local do protesto, ou mesmo, como não fizeram medição estatística nas estações de embarque do Metrô, principalmente nas periferias, perdeu-se uma informação importante sobre as classes sociais dos seus participantes.
É o que se deduz pelos comentários dos defensores do Governo: a classe protestante nas ruas é majoritariamente da classe média. Nós os “coxinhas”.


Pois bem. Esse tipo de comentário revela além de contorcionismo mental, uma total ignorância das áreas periféricas de qualquer grande cidade brasileira. Nelas existe também uma estratificação social evidente, pois além da grande maioria proletária, ali residem pequenos e médios comerciantes, profissionais liberais da saúde, educação e prestação de serviços em geral, moradores estes de padrão social diferenciado, que se misturam à grande massa. Digo isso com conhecimento de causa, pois durante muitos anos fiz parte dessa “grande massa”.
Seja nos bairros de classe média, ou nos bairros populares a grande maioria é de assalariados e pequenos e médios empresários e a percepção que todos têm da “crise” redunda das dificuldades de manutenção de padrões de consumo e renda. Alguns podem cortar o supérfluo, mas a grande maioria corta “na boca”. A crise econômica fruto da irresponsabilidade política atingiu a todos indistintamente e daí o “grito social”.
Da mesma forma que ocorre nos estádios de futebol, quando o time começa a perder com frequência, a “torcida” grita pela troca de técnico e não é diferente na política. Os “estádios” já trovejaram “fora Getúlio”, “fora Juscelino”, “fora Jânio”, “fora Milicos”, “fora Sarney”, “fora Collor”, “fora FHC” e agora “fora Lula e Dilma”. Algum dia todos eles foram ameaçados de um “golpe”, mas um “golpe de misericórdia” para que se mantenham as grandes aspirações de “coxinhas” e “zé povinho”.


A “torcida” em raras manifestações deixa de gritar contra os “jogadores”. Esse é o nosso grande problema atual. Tanto o “técnico” como o “elenco de jogadores” têm sido os responsáveis pelo “rebaixamento constante”, que o Brasil tem sofrido nos campeonatos da Economia e dos Direitos Sociais e Políticos.
Ensaia-se em Brasília um “verdadeiro golpe” através do STF, que é o de validar pelo Congresso a possibilidade de se adotar o “regime parlamentarista” como forma de “contornar a grave crise” que assola o país. Ao que me lembre o Parlamentarismo foi rejeitado no Plesbicito de 21 de abril de 1993 pela cidadania, ao se defrontar na escolha do regime de governo. Como poderia o STF e o Congresso Nacional arrogarem-se em “eleitores privilegiados” para falar em nome da sociedade?
Os políticos brasileiros teimam permanentemente em “queimar pontes” ao fazerem proposições que os cidadãos comuns e aí me refiro a coxinhas e zés pobrinhos não têm o menor esclarecimento de que se constituem, como funcionam e no que representariam a solução final para o desenvolvimento político cidadão. Uma tentativa fracassada já aconteceu em setembro de 1961 e acontecerá novamente agora em 2016, pois é “puro acochambramento” constitucional.


Como entregar a escolha do “primeiro ministro” nas mãos dos Eduardos, Picciani e Ronan Calheiros? Como implantar um regime sem o necessário respaldo popular através do Voto Distrital onde todos os cidadãos estariam efetivamente representados? Como mudar o regime onde 45% dos Deputados pertencem às Regiões Nordeste, Norte e Centro Oeste num fragrante desrespeito à proporcionalidade dos Estados Federados?
Infelizmente, se tivessem feito uma enquete em todas as cidades entre os manifestantes de ontem com certeza 99% não saberiam responder algo sobre o Voto Distrital e o Parlamentarismo. E mais desgraçadamente ainda saberiam responder sobre o funcionamento do Presidencialismo e as prerrogativas de um Presidente. Está aí na imprensa de todo dia as ações de Dilma e Lula exercendo um “presidencialismo imperial”. Nem Dom Pedro I despoticamente utilizou-se do poder da mesma forma.
O “zé pobrinho” precisa acima de tudo saber quais são seus direitos constitucionais garantidos, para poder escolher entre uma “bolsa”, ou saúde, educação, transporte digno e emprego e renda. Mais principalmente Segurança, pois as estatísticas estão aí para mostrar onde se concentram a grande maioria das vítimas pretas, putas e pobres.
Já os “coxinhas” precisam aprender, que além dos direitos iguais aos que tem o “zé pobrinho”, o que o a imensa quantidade de impostos que paga deve retornar em qualidade de serviços públicos.
Ou o brasileiro aprende cidadania e faz valer o seu direito ou continuará a gritar “fora” e a bater panelas... Mas engolindo os mesmos políticos.


 


Das Percepções & Pensamentos Partilhados
Antônio Figueiredo - Escritor & Cronista –
São Paulo – SP -
Arquivos da Sala de  Protheus.

 
 Obs.:
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