segunda-feira, 7 de março de 2016


#SOSEducacao:
Assassinos da Língua Pátria!

“... Os estudantes podem ser comparados a quatro objetos caseiros: Uns são como a esponja: absorvem tudo. Outros são como funis: Recebem tudo por uma extremidade e perdem pela outra. Outros são como a peneira: guardam a farinha grossa e deixam a fina. Os últimos são como o filtro: deixam o vinho passar e retêm a espuma...!”

                                                                                                       Provérbio Idiche


Um dos livros mais antigos e lidos no mundo deixa registrado: “o que guarda a boca e a língua guarda a sua alma das angústias”. (Provérbios 21.23). O senhor nos concedeu um órgão capaz de dar vida ou de levar à morte: a língua.
Recebo, no início da semana que passou um material de uma professora acadêmica, amicíssima, do Rio de Janeiro. Nela, em seu início diz ela somente:
Gaúcho quer mais uma “barbaridade” – como sempre dizes -? Ai vai...
Tal de nova proposta da Base Nacional Curricular Comum – BNCC – (até hoje não explicaram porque gostam tanto de siglas e acrósticos no que se refere a educação que deveria ser como o título “comum”.) vai excluir Camões, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa e outros clássicos da literatura brasilesa e mundial.


Esta coisa chamada de Ministério da Educação – MEC – Está eliminando a obrigatoriedade deste estudo e até o próximo mês, concluída, devendo ser colocado em prática até junho.
Considerada por grupos de educadores brasileses como "política" e "populista", faz parte de uma série de propostas, que inclui mudanças nos currículos de Língua Portuguesa e de História certamente vão gerar um grande “debate”, entre ninguém. Exceto pela divulgação de poucos que conhecem e entendem e logo será esquecida. Tal qual o Acordo Ortográfico.
Autores como Luís Vaz de Camões, Gil Vicente, Fernando Pessoa, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Almeida Garrett ou José Saramago deixam de ser obrigatórios. Numa prova do ano passado de acesso à Universidade de São Paulo, a mais bem colocada do país nos rankings internacionais, era exigida a leitura de clássicos como Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett, e A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós
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"A proposta beira o absurdo (...) como se pode apagar Portugal e a Europa de nossas origens? Tirando do mapa? Será que mais uma vez a seleção de conteúdos foi contaminada por um viés político e ideológico anacrónico? (...) Já que Portugal teria sido uma metrópole colonialista europeia que explorou as riquezas de suas colónias e escravizou populações negras e indígenas na América e em África, agora seria a vez de dar voz à cultura dos oprimidos, em detrimento da Europa elitista e opressora?", perguntaram-se em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo dois professores universitários brasileiros, Flora Bender Garcia e José Ruy Lozano, indignados com a decisão.
Segundo minha amiga e professora o tal de MEC ficou de dar uma explicação e demorou, ao menos para os veículos mais sérios, quase uma semana, e dizendo que não teve tempo suficiente para elaborar uma resposta para a questão. Deram ênfase, no entanto, que não é definitiva e que está em processo de discussão.
A professora também me mandou a entrevista que saiu em um Jornal paulista por José Ruy Lozano, que critica esse processo de discussão por ser possível apenas através de comentários no site do MEC e não via um fórum mais formal e abrangente e sublinha a "importância da literatura portuguesa na memória e na vivência dos brasileiros". Refere o professor universitário que não se podem estudar traços essenciais da cultura e da literatura do país sul-americano sem entender primeiro as raízes europeia, ibérica e portuguesa dessa mesma literatura.


Esta coisa chamada - BNCC – Base Nacional Curricular Comum - foi criada no ano passado, na gestão do ministro da Educação Renato Janine Ribeiro, entretanto substituído por Aloizio Mercadante, para estabelecer um grupo de conhecimentos e habilidades de que todos os estudantes brasileiros devem dispor na educação básica. Logo que foi conhecida do público gerou controvérsias: inicialmente, não tanto por causa da literatura portuguesa, mas sim por questões ligadas à história e à gramática.
As críticas surgiram em virtude da pouca relevância dada à história mundial, ignorando pontos considerados por educadores como de conhecimento básico, para dar ênfase às histórias indígena e africana. Outra área que mereceu reparos foi a da ausência da gramática no ensino geral de linguística.
O tal de MEC, porém, decidiu incluir nos últimos dias algumas das sugestões nestas áreas - história e linguística - e rever os pontos mais controversos da Base Nacional Curricular Comum, após receber mais de dez milhões de contribuições no sitio construído para o efeito.


Contribuições? De quem? De socialistazinhas de quinta categoria?
E o tal de MEC ainda disse: "Para os componentes de história e geografia, o processo de revisão tem sido no sentido de mostrar as formas de integração entre o Brasil e os processos históricos globais".
Por favor: Parem de ofender a inteligência dos Brasileses.
O governo do PT, é acusado de populismo e de agir de forma ideológica, ao querer privilegiar a cultura indígena e ao ser mais permissivo em relação a questões gramaticais já desde 2011, quando causou choque na classe educadora que num manual escolar distribuído pelo MEC fosse considerada "inadequada e passível de preconceito", mas não errada" a expressão, sem concordância, "nós pega o peixe".
Pobre língua de Camões...
O pior não é isso: O pior é colunistas de renome nacional fazendo referência a isso tudo assim: 


O colunista de O Globo Ricardo Noblat defendeu na ocasião que era o mesmo que dizer que "dois mais dois são cinco", (jargão jornalístico do final dos anos 70) enquanto o jornalista da Folha de S. Paulo Clóvis Rossi sublinhava que "a questão é exclusivamente linguística, alguns esquerdistas de botequim tentam politizá-la com o argumento de que a língua é um instrumento de dominação. Se fosse, deveríamos voltar a falar tupi-guarani".
Eis tudo o que a “tal” de grande imprensa brasilesa sabe dizer sobre o assunto. Paupérrimo.
E, é claro, foi tudo o que disseram.
E aguardemos. Vêm mais barbaridades por ai...
Mas levarão chumbo antes de acabarem com a “última flor do Lácio, inculta e bela”... Imortalizada nos versos de Camões. Defendidíssima por Eça de Queiroz, e amante incondicional dos escritos de Fernando Pessoa.
Mexam em nossa língua pátria, e acabarão com o que existe de essência do Povo Brasilês.
Aos assassinos de nossa língua a força da lei, e o martírio dos presídios.



 

Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Fonte:
Recebido da Professora doutora J.G.
USRJ – RJ.
Fevereiro/2016
Arquivos da Sala de Protheus
www.epensarnaodoi.blogspot.com.br
Publicado em:
http://www.konvenios.com.br/info/verArtigo.aspx?a-id=27512