sábado, 6 de fevereiro de 2016

#SOSEducacao:
                       O Carnaval de Rua
é uma Imensa Charge!
“...Passado o carnaval todos colocam             as máscaras...!”                                                                                                                  Aline França.


 O carnaval de hoje não é melhor nem pior do que o de antigamente. É certamente diferente. Já vivi o suficiente para me atrever a comparações. Cada um deles tem as suas especificidades e o seu brilho.
Há muitos anos a imprensa divulga que o carnaval de rua morreu. Aliás, morre todos os anos, num fenômeno que não sei explicar. De ressurreição em ressurreição a animação dos paulistas, baianos, pernambucanos e cariocas sobrevivem, sobretudo nos bairros mais populares.


Tivemos os tempos gloriosos dos fantasiados de pierrô e colombina, que passeavam pelas ruas do bairro da Lapa, por exemplo, jogando confete e lança-perfume (na época, um ato inocente). Lembro de um lanterninha do cinema Arte Palácio, na Avenida São João, que fazia dos três dias de Momo o seu período de glória. Saía fantasiado de Carmen Miranda, com castanholas e tudo, colorido a mais não poder, encantando o bairro com o seu passeio bem-humorado.
Com o passar do tempo, o carnaval de rua ganhou outras características, com a valorização do fato político. Segundo Mário de Andrade, são certas deformações que rolam, mas isso é parte da dinâmica da cultura. Hoje é muito mais comum encontrar-se pelas ruas, com o bom humor tradicional dos cariocas, os que, a seu modo, criticam usos e costumes de políticos
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O carnaval de rua é uma imensa charge, executada pelo povo na sua simplicidade e no seu desejo de participação. E isso não se exaure nunca, pois a despeito de uma ideia de descrença generalizada, o que sinto não é bem isso. Os blocos sujos, as fantasias originais, a alegria solitária dos que saem às ruas contando apenas com a sua criatividade - tudo isso dá vida ao carnaval, enriquecendo a festa principalmente em regiões onde, de outra forma, o povo não teria o que comemorar. E isso, felizmente, não morre nunca.
Os excessos cometidos em alguns veículos de comunicação, chama a atenção para: Televisão e Família. É oportuno que se fale sobre isso quando já se está vivendo o período carnavalesco.


É certo que a televisão pode enriquecer a família, mas é indiscutível, pela sua força, que pode também destruí-la, ao difundir valores ligados a comportamentos lamentáveis: pornografia e imagens de violência brutal, assim como informações manipuladas, publicidade exploradora e falsas visões de vida. Há um mau-gosto enorme na cobertura dos bailes carnavalescos, onde se pratica a máxima do “quanto pior, melhor”.
A desculpa da concorrência não pode servir de biombo para as cenas de Sodoma e Gomorra revividas por algumas das nossas televisões. Isso não se justifica de nenhuma forma.


Entendimentos & Compreensões
Professor Universitário,
Jornalista e Escritor Nelson Valente
– Blumenau – SC - 

 

Obs.:
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O Editor
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