sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

#SOSEducacao:
 
Lacunas da Ideologia!
 
“...A violência comunista não foi
mera aberração da psique eslava,
mas sim algo diabolicamente inerente
à engenharia social marxista,
que, querendo reformar o homem pela
força, transforma os dissidentes
primeiro em inimigos,
                      e depois em vítimas...!” 
                                                                                   Roberto Campos.

 Em 1992, no auge do processo pro-impeachment, passeatas varreram as ruas das grandes cidades. No meio delas estavam os “caras pintadas”. É até possível que você fosse um deles.
Buscando progresso, apropriaram-se de tintas coloridas, os jovens renovaram um símbolo – Duas pinceladas paralelas – Pintaram o corpo de preto – Falaram de ideologia, descortinando o teatro da política vigente desta Pátria.
Progresso são exemplos de valores. Sua influência sobre a ação coletiva pode acontecer, por exemplo, na forma de resposta do povo em eleições ou no desencadear de um processo de impeachment presidencial.
A Ideologia é uma palavra criada por Destutt de Traci, em 1801, quando em seu livro Projeto de Elementos de Ideologia empregou-a como ciência que tem por objeto o estudo das ideias (fatos da consciência), Karl Marx e Friedrich Engels deram-lhe sentido político, em meados do século XIX.


No sentido pejorativo, ideologia corresponde a ideias que se encontram deslocadas em relação aos fatos reais; pode ser confundida com MENTIRA OU UTOPIA. Por isto o termo IDEÓLOGO referir-se a aquele que voa em seu pensamento. 
Já no doutrinário, é entendida como o conjunto de ideias que exerce influência sobre grupos sociais e legitima como formas de ação. Assim procura convencer para ganhar adeptos a doutrinas políticas, econômicas, filosóficas, religiosas, morais, que inspiram governos e partidos políticos, por exemplo, iniciando-se com muita sutileza.
Mais que ideias impostas, a ideologia tem uma dimensão prática, pois estas impulsionam os homens à ação e a própria ação altera as que não tem auto sustentação.
Surge, então, uma concepção de Pátria marcada por apropriações (alguns acham que são donos da Pátria); por manipulações (as ações são conduzidas pelos interesses dominantes); por interpretações (explicam-na de acordo com suas conveniências).
A ação resultante da ideologia atende a interesses oportunistas, seja em nome de defesa de possíveis inimigos, seja visando a projeção do desenvolvimento nacional, como vivemos há mais de uma década.
Generalizar ou universalizar o que é particular é uma das artimanhas da ideologia que oculta, assim, as especificidades do real. Ganham autonomia em relação aos indivíduos que as integram, segundo o filósofo Herbert Marcuse.


Essa independência, embora real, Não é Legítima, pois são poderes particulares que se encarregam de organizar as esferas do social, constituindo, assim, uma comunidade Ilusória. Sobrepõem-se às instituições ou a indivíduos a elas subordinados, fazendo-os porta-vozes das influências e interesses dominantes.
Assim, na função de presidente, senador, deputado, juiz, governador, prefeito, vereador, diretor, indivíduos se servem dessas entidades, agem como ‘representantes’ da Nação, do Partido, do Congresso, do Tribunal do Estado, do Município, da Empresa, da Escola.
As leis elaboradas, as nomeações efetuadas, os impostos cobrados, os salários fixados expressam, algumas vezes, a ação de lobbies - grupos com interesses próprios que, nas instâncias do poder, tentam impor suas reivindicações (que tanto podem ser a garantia de direitos ao trabalhador, quanto a defesa dos proprietários do capital).
Emergem das instituições em geral, para fins diversos, empresas, as quais estabelecem normas para as relações sociais. Por meio de agentes definidos – políticos, professores, patrões, pais, padres e pastores –, a ideologia manifesta seu discurso a funcionários, alunos, empregados, filhos e leigos. Fala sobre as coisas, as situações, interpretando-as como lhes convém e de acordo com a mentalidade do freguês.

 
Como uma máscara, a ideologia encobre o conhecimento, retardando-o, não deixando ver a realidade como é de fato. Vivemos mergulhados em ideologias e não nos damos conta disso. Ora acatamos, ora resistimos a aceitar. A partir dela participamos, embora nem sempre pensemos sobre ela, integra o nosso caos do dia a dia.
Por isso, é comum ouvirmos as expressões “Sabe com quem está falando?” ou “É assim mesmo, este País não tem jeito...”, “Vai acabar em pizza”, “Desisto...”! Como um código de interpretação do mundo, a ideologia lê a trama dos interesses em jogo, dando-nos sua visão do conjunto das relações sociais. 
A ideologia é, pois, um processo de embaralhar o conhecimento. Opera de modo contraditório. Atua no sentido do conhecer e do desconhecer. Jamais explica tudo, apenas pretende que nos contentemos com meias verdades. 
Os argumentos da ideologia são envolventes e convincentes, mas cheios de vazios. Esse discurso com lacunas não fornece as explicações verdadeiras. Permanece na constatação dos fatos, não analisa as suas causas e camufla as intenções predominantes em determinadas situações, como a “ideologia do gênero”.
Valendo-se de explicações dos dominadores, a ideologia reduz as experiências históricas dos dominadores, dos grupos sociais subalternos, minimizando suas conquistas e dificultando a busca de alternativas. É tudo que estamos vivendo!
Sem deixar que os sujeitos envolvidos nas ações se manifestem espontaneamente, abafa a essência dos acontecimentos (discurso das coisas), valorizando a aparência dos acontecimentos e interpretação (discurso sobre as coisas).


Por exemplo, quando se trata de educação, a ideologia pode não dar vez ao discurso dos alunos, às suas reivindicações. Mas, pode dar voz ao mestre, que veiculam o discurso sobre a pedagogia, a teoria e o método de ensinar. Esse é o pensamento do filósofo Claude Lefort, para quem a ideologia toma o lugar do verdadeiro saber
Ela produz representações do real e sugere normas para o agir, no sentido conselheiro do ‘deve ser assim’, como a nefasta cartilha do “Gênero” que bem conhecemos. O discurso da ideologia é um perigosíssimo conjunto lógico de prescrições coercitivas do saber e do agir sociais, cuja coerência está, justamente, em suas lacunas, pois não explica tudo e esconde as intenções.
Em sua leitura da realidade, omite a maneira de os homens se associarem para sobreviver. Aí está a origem da ideologia: nas relações básicas para obter a subsistência. Na sociedade capitalista, ela nasce no “chão-fábrica”, uma expressão cunhada pelo sociólogo inglês Michael Burawoy.
O que induz o cidadão brasileiro a resistir em demonstrar sua revolta, quando o equivalente a milhões e milhões de dólares são subtraídos dos cofres públicos utilizados para atender a interesses e caprichos particulares?
Há uma resposta que dá fundamento a essa indagação e indignação: A Ideologia – um NÃO SABER, fruto da falta de informações completas verdadeiras, do desinteresse de lutar, que nos leva a identificar o social como uma realidade pasteurizada da dominação, dos conflitos e das contradições.
Se, por um lado ela escamoteia a realidade dos fatos, por outro, pode, também, revelar as armadilhas da dominação social. A ideologia não se impõe de modo absoluto, pois, imponente, em seu movimento, provoca a nossa capacidade de crítica e reconhecimento.
É preciso aprender a linguagem e a lógica da ideologia!


Que fazer para não permitir que ela nos seduza como o flautista de Hamelim aos ratos? Há uma saída: desenvolver o espírito crítico. Deixar clara nossa posição diante de fatos, analisá-la em suas causas e princípios, desconfiar de explicações parciais, bem ao gosto da ideologia. 
Possuir espírito crítico significa reconhecer as contradições, denunciar a desigualdade e a aparência de unidade das relações sociais que nos envolvem e, ao mesmo tempo, devolver o sentido verdadeiro do conhecimento.
A ideologia alia ideia e prática em uma lógica dissimuladora. Para enfrentá-la é preciso desenvolver o espírito crítico.
Atentemos aos símbolos e ídolos, pois em seu discurso, ela preserva a imagem de certas personalidades, ao superestimar seis feitios pessoais nos acontecimentos da história. 
Tal como o agasalho que usamos no inverno, ela é a capa com a qual recobrimos a dura realidade em que vivemos. Permanecemos na aparência, na sensação de bem estar e, infelizmente , com frio dado ao rigoroso inverno.
 
                                                   Dos Entendimentos & Compreensões de
                                              Marilene Marques, Contabilista Aposentada,
                                                  Mineira da Vila de Assaraí, Pocrane – MG
                                                                   Arquivos da Sala de Protheus.
 

 Obs.:
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O Editor!