terça-feira, 16 de fevereiro de 2016


#SerieGrandesObras:

Por Que Escrever Um Livro...

"... Não existem livros morais ou imorais.
Os livros são bem ou mal escritos...!"

                                                                                                      Oscar Wilde

                                     Diz-se que José Marti, o grande poeta cubano e pai da independência de seu país, dizia que todo homem em sua vida deveria “plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro”. Sempre procurei interpretar esse conselho a partir da minha visão de mundo, que acho ser a das pessoas, “que se importam” e por isso tem por sentido de vida: “contribuir”. Olhar ao redor não é uma prática nos dias de hoje e nem tampouco uma consciência coletiva. Vivemos tempos do “eu”.
                                  Fico imaginando se todos plantassem a sua árvore, o quão verde as nossas cidades seriam e o quanto influenciariam no ecossistema. Acho que o poeta falava da nossa consciente responsabilidade retributiva à Natureza, essa mãe de tetas fartas, que nos presenteia sempre, ainda que permanentemente maltratada e espoliada.
                                 Já ter um filho representaria muito mais que transmitir uma linhagem de sangue. Seria a transmissão de uma saga familiar com sua história de vida, afim de que os descendentes pensassem constantemente na contribuição de seu grupo dentro do universo maior, que é a humanidade. Sua contribuição particular para a construção de uma “humanidade melhor”.
                                  Já escrever um livro? ...ah, escrever um livro! Muitos veem nos filhos páginas de continuação da própria vida e tentam “escrever” nelas seus sonhos e frustrações irrealizados, em vez de “páginas virgens” em busca de uma história pessoal a ser escrita de acordo com essa nova personagem e personalidade. Não residiria aí o “pomo do choque de gerações”? Seja pelo egoísmo ou alienação paterna aos novos tempos e realidades.
Bem, cheguei ao meu livro VOTO DISTRITAL – Este me representa. Por que o escrevi?
                                   Como afirmei anteriormente, minha visão de mundo é a das pessoas, “que se importam” e que a vida só tem sentido, se for o de “contribuir”. Cheguei a isso não espontaneamente, mas por força de uma educação familiar e escolar, que desde a minha mais tenra infância influiu no meu interesse pela política e no livro escrevo um pouco dessa formação e orientação pessoal.
                                     Um tempo histórico é sempre essencial para forjar uma personalidade em suas características e interesses e foi naqueles anos 50, do “Petróleo é nosso” e do nacionalismo varguista, seguido da construção da Nova Capital, que certamente influenciou a muitos na sua concepção de Nação e dos seus deveres para com a Pátria, pelos benefícios e oportunidades, que ela os brindou. Esta certamente é a razão maior desse livro: “contribuir com quem muito contribuiu” para a construção de um caráter.
                                       Talvez, nestes “tempos bicudos” de 2016 em que é muito difícil se falar em “direitos e obrigações cidadãs”, face à quantidade de escândalos e desvios das autoridades públicas e ao total descompasso entre os anseios da sociedade e o comportamento dos políticos representantes, pensar-se em “valores da cidadania”. Contudo, jamais devemos nos esquecer, que os políticos são transitórios e a cidadania é permanente.
                                      Desde o processo de impeachment de Fernando Collor, por força da atuação e pressão da sociedade, muita coisa tem mudado não só na política, como também na atuação do Ministério Público e Justiça Federais, ainda que não na velocidade por nós desejada, mas indubitavelmente isso tem ocorrido. Pontue-se aqui a manifestação nas ruas e nas redes sociais nos anos de 2014, 2015 e 2016, pois é sempre a manifestação social a pedra de toque em qualquer processo de mudança.
                                    Todavia, a manifestação social é uma mera expressão da necessidade de uma mudança genérica e ela somente estará garantida em seus objetivos, caso o “rumo destinado” estiver explicitamente caracterizado. É neste contexto e objetivos almejados, que está baseado o livro. Como queremos escolher e como devem estar regulados os nossos representantes.
                                  A observação por 50 anos de como os partidos se organizam, os políticos se filiam e o eleitorado escolhe seus representantes foi extremamente reveladora de como se articulam, partidos e políticos, para fraudar a vontade popular. Seja através do voto proporcional e da permissão das coligações, as mais estapafúrdias, onde o eleitor vota e o eleito é alguém de quem jamais o eleitor ouviu falar, mas que certamente está “abduzido” pelo sistema.
                                 À fidelidade partidária infiel e ao domicílio eleitoral ignorado soma-se a “anistia” para a troca de partidos de acordo com a conveniência da formação de “maiorias compradas” com cargos e verbas. Afinal, foram eleitos para assumir “boquinhas” ou a nossa representação? Não nos perguntam nada sobre nosso “de acordo”. A partir do momento que assumem o mandato estão liberados para agir no interesse próprio, esquecendo o compromisso assumido nas urnas junto ao eleitor.
                               De nada adianta se fazer uma “revolução”, se não existe um objetivo definido do que se pretende obter com ela. Se nossos políticos não se sentirem diretamente alvejados por nossos pleitos, nos agradecerão eternamente, pois na visão deles o “problema são sempre os outros”. É atrás dos tantos problemas e desprestígio, que sofre o Executivo, que se escondem os Renans e Cunhas do Legislativo, isentando-se da responsabilidade sobre seus atos espúrios e do compromisso representativo assumido nas urnas.
                                É tempo de fazê-los “ajoelhar no milho” e tomar suas mãos à palmatória. A dos deputados, para que efetivamente nos representem, sejam como situacionistas ou oposicionistas e a dos senadores para que representem os reais interesses dos seus estados. É para isso que os pagamos regiamente. Muito mais que deveríamos.
                                Um potro largado solto no pasto sem cercas, acaba por se tornar um “potro selvagem”... Indomável! Precisamos reacostumá-los aos “freios democráticos”. 

  

       Das Percepções & Pensamentos Partilhados
Antônio Figueiredo - Escritor & Cronista –
Baseado em livro – Inédito –
VOTO DISTRITAL – Este me representa.
Ainda sem data de lançamento
São Paulo – SP -




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