sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016


#PensarNaoDoi:


 “F´!”

“ Quid superbit homo, cujus conceptio, culpa
Nasci poena, labor vita, necesser mori!”

Do Original de Schopenhauer –
Pagerga e Paralipomena – Aceca da Ética - § 109 –


 (Por que há de se orgulhar do homem? Sua
concepção é uma culpa, o nascimento, um castigo,
 a vida uma labuta, a morte, uma necessidade)

                             Nestes dias conturbados, politicamente falando, um amigo inquiriu-me acerca da fé. Direcionou-me não um questionamento, mas quase uma afirmação: De que eu não era religioso devido aos meus conceitos de crenças.
                          Jamais vou entrar em uma discussão destas em rede mundial de computadores; esta é uma discussão para olho no olho. E sim: religião, tanto como político ou qualquer outro assunto se discute sim. Principalmente nesta segunda década do século 21.
                         A única resposta que dirigi ao questionador foi escrever como no título em epígrafe, e remeter para ele solicitando que respondesse o que estava escrito: Acredito que no “embalo” de que nas redes você pode escrever tudo pela metade ou faltando, ou mesmo com erro, ele me respondeu Fé!
Continuei só até esta parte o diálogo dizendo que não tinha escrito fé. Mas ele viu, mesmo não vendo.


Exatamente este é o ponto.
                       Quando o pensador, em epigrafe, chamado de pessimista entre os filósofos da época, questionou alguns valores religiosos foi, como ficou claríssimo, muitíssimo mal interpretado. Muitos continuam interpretando-o erroneamente até hoje.
Disse Ele:
(...) Que o mundo possui apenas uma significação física, e nenhuma moral, constitui o maior, o mais condenável, e o mais fundamental erro, a própria perversidade da mentalidade, e provavelmente forma no fundo aquilo que a fé personificou como o anticristo (...).”
Contudo, e a despeito de todas as religiões, que em sua totalidade afirmam o contrário, o que procuram fundamentar à sua maneira mítica, este erro fundamental nunca desaparece inteiramente do mundo, mas de tempos em tempos, sempre ergue novamente sua cabeça até que esta é novamente forçada a se encobrir pela indignação geral.
                          Costumo, nestes casos, buscar exemplos no berço da humanidade: Nossa irmã África, que para muitos parou no tempo: Para mim apenas parou para esperar que nossa espiritualidade conseguisse, ao menos chegar próxima a ela.
Gosto do modo pelo qual um escritor húngaro explicou a existência de Deus:
Para tanto ele conta uma historinha tendo o ventre como metáfora do todo e de tudo.


No ventre de uma mãe havia dois bebês. Um perguntou ao outro:
- "Você acredita em vida após o parto?"
- "É claro. Tem que haver algo após o parto. Talvez nós estamos aqui para nos preparar para o que virá mais tarde."
- "Bobagem", "Não há vida após o parto. Que tipo de vida seria esta?"

- "Eu não sei, mas haverá mais luz do aqui. Talvez nós vamos poder andar com as nossas próprias pernas e comer com nossas bocas. Talvez teremos outros sentidos que não podemos entender agora."
- "Isto é um absurdo. Andar é impossível. E comer com a boca!? Ridículo! O cordão umbilical nos fornece nutrição e tudo o mais de que precisamos. O cordão umbilical é muito curto. A vida após o parto está fora de cogitação."
- "Bem, eu acho que há alguma coisa e talvez seja diferente do que é aqui. Talvez a gente não vá mais precisar deste tubo físico."
- "Bobagem, e além disso, se há realmente vida após o parto, então, por que ninguém jamais voltou de lá? O parto é o fim da vida e no pós-parto não há nada além de escuridão e silêncio e esquecimento. Ele não nos levará a lugar nenhum."
- "Bem, eu não sei", " mas certamente vamos encontrar a Mamãe e ela vai cuidar de nós."

- " Mamãe, você realmente acredita em Mamãe? Isto é ridículo. Se a Mamãe existe, então, onde ela está agora?"
- "Ela está ao nosso redor. Estamos cercados por ela. Nós somos dela. É nela que vivemos. Sem ela este mundo não seria e não poderia existir."
- Bem, eu não posso vê-la, então, é lógico que ela não existe."

- " Às vezes, quando você está em silêncio, se você se concentrar e realmente ouvir, você poderá perceber a presença dela e ouvir sua voz amorosa lá de cima."
(...)


Por isto desejou o filósofo, em oposição à forma referida do principio moral kantiano estabelecer a seguinte regra: com cada pessoa com que tenhamos contato, não empreendamos uma valorização objetiva da mesma conforme valor e dignidade; não consideremos, portanto a maldade da sua vontade, nem a limitação do seu entendimento, e a incorreção dos seus conceitos; porque o primeiro poderia facilmente ocasionar ódio, e a ultima, desprezo; mas observemos somente seus sofrimentos, suas necessidades, seu medo, suas dores. Assim, sempre teremos com ela parentesco, simpatia, e, em lugar do ódio ou do desprezo, aquela compaixão que unicamente forma a ágape, (ágape) pregada pelo evangelho. Para não permitir o ódio e o desprezo contra a pessoa, a única adequada não é a busca de sua pretensa “dignidade”, mas, ao contrário, a posição da compaixão.
Religião se discute sim. Mesmo as que não religam nada a lugar nenhum. Já Fé, é invisível, não tangente, não palpável; abstrata mas, sentida, vivida dentro de nossa mais profunda essência.
Simples assim...
Pensar não dói. Fé também não!

 

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