sexta-feira, 26 de junho de 2015


#FábulasDoCotidiano:

 

 “A Fábula da Fofoca!”


“... A calúnia é como uma moeda falsa: muitos que
gostariam de tê-la emitido, fazem-na
circular sem escrúpulos...!”

 

Diane de Poitiers –Maximes de La Vie,4.
Duquesa Francesa.

 

 

                           Embora associado a um hábito feminino, estatisticamente os homens são mais fofoqueiros. Em termos de conteúdo, pesquisa recente revelou apenas uma diferença significativa entre a fofoca masculina e feminina: os homens gastam muito mais tempo falando de si mesmos. Do tempo total dedicado à conversa sobre as relações sociais, os homens gastam dois terços falando sobre suas próprias relações, enquanto as mulheres só falam de si mesmos de um terço do tempo.


Porque estamos dissertando sobre isso:
Bem a tal de fofoca já causou desastres gigantescos: Guerras, falências de empresas – a mais conhecida no Brasil é a do Banco Sul Brasileiro, originada em um café na cidade de Porto Alegre, RS, -  espalhou-se rapidamente, fazendo com que todos os correntistas retirassem o dinheiro. O banco sem o famoso “lastro” foi a bancarrota. Descoberto mais tarde ter sido originado por bancos concorrentes.

A mais comum de todas as fofocas é relacionada a maridos e mulheres e suas relações, digamos não muito convencionais. historiador Bernard Capp, da Universidade de Warwick, no Reino Unido, afirma que: "a rainha inglesa Elizabeth I,” por exemplo, “foi intenso alvo de fofocas entre 1560 e 1570. (...) Ela tem um caso? Está grávida? Teve um filho ilegítimo?” Boatos assim eram muito comuns entre os ingleses. Há uma fábula que explica bem não só a fofoca como as consequências desta.
A confissão entre os cristãos é um ritual comum da religião. Foi muito mais forte até a metade do século passado.
Houve épocas em que a igreja ouvia a confissão diariamente de seus fieis. Quase uma forma de controle de uma população, ou dos próprios “fieis”.
Uma fábula envolvendo exatamente uma confissão nos dá uma ideia mais clara das consequências da fofoca e do fofoqueiro. Em uma confissão, o padre ouve, dentro do confessionário, além das palavras ritualísticas, a este momento, uma mulher.


Ela diz:

- Padre, fofoca é pecado?

- Depende minha filha! Responde o sacerdote.

- O que você contou as outras pessoas?

 A mulher narra um fato, fofoqueiro, obviamente, envolvendo pessoas da comunidade.

Ao final da confissão, o sacerdote, simplesmente, diz a fiel:

- Esta semana, ou antes, de uma grande tempestade, quero que você pegue uma faca, um travesseiro de penas e vá até o lugar mais alto que puder. Onde estiver o vento mais forte. Neste local você esfaqueia o travesseiro todo, fazendo com que as penas todas saiam do travesseiro.

A mulher não entendendo muito pergunta:

- Esta é minha penitência?

Ao qual o padre responde:

- Sim minha filha, faça isso! Depois volte e me conte como foi.

Assim foi. Em um dia de ventania, precedendo um temporal, a mulher subiu no alto de sua casa com um travesseiro e “esfaqueou-o” fazendo com que as penas todas fossem levadas pelo vento.

Satisfeita por ter cumprido a penitência e sentindo-se mais leve, retorna e dorme tranquilamente. Passada a tempestade, a mulher retorna ao confessionário.

- Fale minha filha! Diz o padre;

- Fiz a penitência que o senhor mandou. Peguei uma faca e cortei todo o travesseiro...

-E o que aconteceu, interrompe o padre...

- As penas voaram todas ligeiramente padre! Responde a Fiel.

A que o padre como derradeiro exemplo diz.

 - Agora quero que você busque todas as penas que o vento levou e coloque novamente no travesseiro.

A mulher espantada diz:

- Mas padre isso é impossível!

Ao que o padre conclui:


- Exatamente, é impossível recolher todas as penas que o vento levou. A fofoca é exatamente igual. Uma vez proferida é impossível buscar ela de “volta” de todos os lugares onde passou e da mente de todas as pessoas que a guardaram. Portanto pode não ser um pecado, mas é um ato tão vil como se o fosse. Pois espalhamos aos quatro ventos inverdades sobre um determinado fato ou pessoa. Após não conseguiremos mais corrigir o que foi feito.

- Obrigado Padre!

Foram as ultimas palavras da mulher levantando-se do Confessionário.
Assim o que sair de sua boca pode fazer o bem. Mas também pode causar tanto mal quanto um temporal devastador na vida de uma ou de muitas pessoas.
Pensar não dói... Já a fofoca pode causar dores atrozes em muitos seres. Em seus familiares, amigos e ao mundo... Tenha um dia alegre... Sem fofocas!

 

 

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Tesouros da Fraseologia Brasileira,  Rio de Janeiro –
Freitas Bastos – 1966
Arquivo da Sala de Protheus