quinta-feira, 6 de junho de 2013

  

"Confessar que se sabe um segredo é
atraiçoá-lo pela metade e, às vezes, expô-lo por inteiro."

Stéphanie Félicité Ducrest de St-Albin

Às vezes a gente precisa se confessar! Ao mesmo tempo em que batemos no peito a nossa independência, o fato de não precisarmos dar satisfação de nossas vidas a ninguém, temos uma vontade imensurável de compartilhar, principalmente nossos sentimentos, mas temos vergonha. Hoje em dia não pega bem essa exposição de sentimentalismo. Precisamos ser mais “fortes”, demonstrar suficiência, resistência, e, até frieza. – Nada de ficar com muito “mi-mi-mi”.
Mas o fato é que desejamos ansiosos, esperamos absorto o momento de podermos nos confessar, compartilhar, explanar sobre nossos sentimentos com alguém especial, disposto a ouvir, compreender, mimar, e depois, com um sorriso no rosto, dar um afago compreensivo, mesmo que não tenha compreendido, mesmo que não tenha concordado, mas que, escute.
O problema é que desaprendemos a ouvir! Não temos mais esse “dom” de escutar… Mas como nossa necessidade de sermos “ouvidos” persiste, buscamos de forma desesperada os ouvidos de analistas, psicólogos, psiquiatras, e quem mais julgarmos ter a quase obrigação de ouvir. Quando todas as tentativas de for escutadas são frustradas, ai então, adoecemos, e, como não temos quem nos escute, tomamos remédios para não falar, e, ainda assim, suprir nossa necessidade de sermos “ouvidos”. – Não seria mais fácil falar? Sim! Mas para isso, também precisaríamos ouvir!
Um abraço só é abraço de verdade quando duas pessoas estendem os braços para “abraçar”. Não existe abraço “monólogo”. Ou é mútuo, ou não é abraço. Tão difícil achar braços estendidos hoje em dia. Mas é muito fácil achar quem procure por esses braços estendidos. – Mas então se tem quem procure por abraços, não seria mais fácil abraçar? Sim! Mas ai teríamos que abraçar também.
Hoje eu queria dar um abraço, mas não pude! Então engoli a tristeza que apertava fundo meu peito, guardei a dor, desliguei a música que tocava e dormi. Não pude falar! Não pude abraçar! Então escrevi. – Adiantou? Não! Mas se o texto render um único abraço, terá valido a pena escreve-lo.
Quer ouvir? Quer falar? Quer um abraço, ou abraçar? Entendeu? Eu sim!
Para meu amigo Patrick confessar e pensar... Não Dói!

Dos Entendimentos & Compreensões de meu amado amigo
  Patrick René