quinta-feira, 20 de junho de 2013

“ A IRRELEVÂNCIA DO EGO ! “





“Parece que, para adquirir o que é denominado de ciência do mundo, 
o indivíduo tem, em primeiro lugar, de procurar conhecer os homens 
como eles são em geral e,  em seguida, obter conhecimento particular 
daqueles com quem tem que conviver, isto é, conhecimento de duas 
inclinações e boas e más opiniões, de suas virtudes e de seus defeitos.”

Norbert Elias  - O Processo Civilizador – 1939 –


Quem inventou o método Kaizen (melhoria contínua) simplesmente se baseou no ser humano. O mesmo ser humano que busca a perfeição. Que corre incessantemente atrás do “Santo Graal“. O mesmo ser humano que tenta equilibrar seu lado bom e seu lado ruim. Se o segundo existe, deve ser baseado em critérios. Se existem critérios, óbvio, alguém os criou e a maioria dos seres os aprova.

Jean-Jacques Rousseau escreveu em 1778: “Se quisermos formar algo duradouro, não pensemos, pois, em torná-lo eterno. Para ser bem sucedido não é preciso tentar o impossível, nem se iludir com dar à obra dos homens uma solidez que as coisas humanas não comportam". Escolho o pensamento do franco-suíço pensador da época do iluminismo, para tentar entender um pouco mais o ser humano. Principalmente sobre a ótica da irrelevância
(que não é relevante – que não tem importância).

Em uma crônica - Crítica & Autocrítica, do sábio Pastor Victor Penner, chamou, sobremaneira, a atenção sobre o problema. Após contar uma espécie de parábola, o mestre Victor, fez a autocrítica de sua igreja, ou de seu sistema social. Impossível não buscar o inteligente exemplo, na pretensiosa tentativa de analisar nossos sistemas, meios, entidades, organizações sociais, clubes, sindicatos, associações e toda a sorte de congêneres.

No fundo eles se comportam exacerbadamente iguais à parábola da “Irrelevância”. Querem mais, simplesmente porque querem. Nem eles próprios sabem o verdadeiro sentido ou motivo. Ao menos que contenha um pouco de relevância. Que se torne importante para os grupos, dos quais as grandes maiorias de nós pertenceram. Mas, no fundo o que estamos analisando com todo o respeito de Freud, é o Ego.

 Aquele sentido intrínseco que forma a parte intermediária entre o íd e o mundo exterior. (Se a psicanalise que socorresse, teria sido bem melhor). No fundo, ou no popular a forma mais fácil de projetar e conquistar poder. Muito Poder. Ao menos sob os “olhos destes cérebros de segunda classe...!” (parafraseando D.H. Lawrence).

 Parece vazio? Então pense na entidade, clube, sindicato, associação,  que esteja mais perto de você? Se quiser poderá pensar em instituições maiores. Algumas estão por aí, perdidas, em meio aos perdidos.

 Lembrou? Agora, por favor, releia a parábola da “Irrelevância”? Agora faça mais um esforço, por favor, e tente dizer alto, mas com convicção:
 O porquê de o ser humano, através de desculpas esfarrapadas, busca algo que geralmente é muito maior do que o seu próprio tamanho? Ego? De novo? Puxa quanto serviço para as psicanalistas de plantão! 

Para encerrar, e com a permissão de mestre Victor,  coloco sua última frase: “Devemos ressaltar que a única relevância que realmente importa é a relevância para as necessidades profundas das pessoas, é a relevância para os lugares de suas vidas em que elas sofrem e esperam, praguejam e oram, tem fome de sentido e sede de relacionamentos significativos.” 

Realmente, “Pensar não dói...” 

Mas as consequências de atos impensados, são terríveis.


Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES –

www.konvenios.com.br/articulistas