terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Ana Beatriz Barbosa da Silva & Irvin David Yalon - Os Caminhos da Mente –






“... Ouçam-me! [...] Sobretudo não me confundam.
Retribui-se mal a um mestre,
continuando-se sempre apenas aluno...?”

Prólogos de Nietzsche


O título desta nossa prosa não é uma comparação. Por mais que pareça inevitável. Muito pelo contrário. O médico psiquiatra e escritor, octogenário, estadunidense, Irvin Yalon, professor emérito de Stanford, ficou conhecido no Brasil por suas obras contendo uma espécie de biografia romanceada de grandes pensadores como Nietzsche, Schopenhauer e Spinoza. Assim como provocou controvérsias nos meios dos profissionais da Psique - O termo grego psychein ("soprar"), é uma palavra ambígua que significava originalmente "alento" e posteriormente, "sopro". Dado que o alento é uma das características da vida, a expressão "psique" era utilizada como um sinônimo de vida e por fim, como sinônimo de alma, considerada o princípio da vida. A psique seria então a "alma das sombras" por oposição à "alma do corpo".
Independente de semântica, a partir de Freud virou, praticamente, mente, principalmente quando lançou no Brasil o livro Terapias & Terapeutas. Causou alvoroço entre os profissionais. Em sua grande maioria recém-saído das academias. Ou seja, algum conhecimento teórico e prática nenhuma. Grande parte deles behavioristas – ou comportamentais – Movimento ou linha da psicologia surgida nos Estados unidos no começo do século XX, mas mais discutidas após a guerra. Tornou-se sinônimo de psicologia comportamental.
                   
 Mas fui apresentado a uma grande profissional, pesquisadora, professora e pensadora da área há algum tempo, através de suas obras, é claro, por um grande amigo: Ana Beatriz Barbosa da Silva, médica psiquiatra, escritora, bem mais jovem e bonita que Irvin, não sendo sexista, por favor, conferencista de altíssimo nível e professora Honoris Causa pela UniFMU – SP. E entre suas obras, notáveis, diga-se de passagem, estão: Mentes Inquietas, Mentes Insaciáveis e – meu preferido – Mentes Perigosas, este ultimo pela editora Fontanar. Além de outros livros que ainda não os “devorei”.
                    
 O primeiro, estadunidense, ninguém discute. Só os que não aceitam seus pensamentos. Afinal “devoramos” tudo o que vem de fora. E muito bom, por sinal.
                    
Ela, Ana Beatriz, fabulosa. Como escritora. Não a conheço como terapeuta e nem pessoalmente, exceto através de suas obras. Eis alguém para se passar conversando alguns dias, direto. Daria outra obra fantástica. Agora, porém, sob os olhos leigos de nós ditos “pacientes”, porem não passivos, ao menos os mais normais. Não confundir com “normose”, termo de Jean Yves-Lelloup. Esta é prejudicial e nos encaminha a um automático usual. O primeiro dirigido aos dois lados, terapeutas e pacientes.

                       A autora brasilesa idem. Porem com uma linguagem singular e apropriada para que os “sedentos” de conhecimento dos intrincados caminhos da mente, possam se aventurar e tentar, por si próprios, desvendar, ao menos, parte destas complexidades do complexo ser humano.

                       Ela é fantástica em suas exposições. Facílimo de contextualizar e em o fazendo se colocar no papel dos avaliados e por sua vez, mais próximos das técnicas de quem faz avaliação. É inteligentíssima, o que deve proporcionar grande temor aos homens ao seu lado. Sim, homens, os latinos em grande parte não sabem lidar com mulheres em nível de inteligência superior. Eis um grande desafio para horas de conversa com esta brilhante profissional. Consegue trazer até ao leitor mediano e por sua vez ao profissional com a mesma classificação, informações e definições profundas e compreensíveis de como perceber, ao menos em nosso nível, estes intrincados caminhos que nossa mente segue. As normais. Já as psicopatológicas nos fornecem informações ao menos para que nossa percepção, agora avisada, aumenta a observação. Primeiro ao nosso redor. Família, amigos, colegas e em seguida em nosso grupo social mais abrangente. E nos fornece uma espécie de segurança para as relações – estas sim cada vez mais difíceis em sua manutenção.

                    Quando Irvin Yalon fala, em A Cura de Shopenhauer e cita-o, faz dessa maneira: A única forma de um homem se manter superior aos demais é mostrar que não depende deles.

                    Já Ana Beatriz Barbosa da Silva quando faz citações busca de suas próprias anotações, de suas vivências, terapias, observações cotidianas quando afirma: ...O corpo humano talvez seja a mais criativa e surpreendente invenção de todo o universo. Nosso corpo parece ter sido planejado para nos salvar e nos ajudar a lidar com todo tipo de perigo. Em pequenos fatos do cotidiano podemos ver o quanto essa máquina é programada para nos manter em equilíbrio...!”.
 Capitulo 1, Ansiedade e Medo: Duas faces da mesma moeda, da obra Mentes Ansiosas.

                   Como afirmou Jorge Luis Borges: “... Acho que o escritor deve escrever para a alegria do leitor...”. Ana Beatriz faz exatamente isso.

                   Assim deixo para o leitor, como eu, leigo, fazer suas percepções. Irvin Yalon para os estadunidenses.

                    Ana Maria Beatriz Barbosa da Silva e suas inteligências e percepções para nos brasileses. Ao menos os que querem aprender um pouco mais sobre si mesmos.

Afinal, ainda, Pensar não Dói!


Das Leituras & Pensamentos da Madrugada
Entendimentos & Compreensões
Publicado no Grupo Kasal – Konvenios em 15.02.2013
http://konvenios.com.br/info/Artigos.aspx?codAutor=117