domingo, 17 de fevereiro de 2013

(Inter) Ações sem Comunicação! - Perdendo a Finura - "







“... A internet é a primeira coisa criada pela humanidade que a humanidade não entende, é o maior experimento anárquico que já se viu....!.

 dos pensamentos de Eric Schmidt


Um amigo, muito querido, me manda uma questão para discutirmos, a partir de suas próprias percepções e experiências. Pergunta ele:
            “Qual o real mistério que se esconde por trás dessas intricadas ações que, exercidas mutuamente entre duas ou mais pessoas, são capazes de as tornarem tão próximas, assim como são capazes de fazer surgir entre elas verdadeiros abismos que as afastam um pouco mais a cada dia?”

Aos poucos estamos perdendo nosso traquejo? Sim, nossa habilidade, prática, experiência. Nossa finura no proceder, em saber impor-se ao vivermos em grupo, em sociedade. E até com nossos pares.

A rede mundial de computadores é o melhor exemplo disso. Falamos com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo, e não nos mostramos. Ou melhor, temos essa impressão. No fundo nos mostramos mais do que realmente imaginamos.

É evidente que a linguagem não falada tem grande responsabilidade pelo desenvolvimento, ou não, da empatia com os outros.
Este meu amigo se refere a isso como sermos obras de arte em permanente exposição, e, assim como acontece quando visitamos qualquer acervo, existem obras que nos atraem pelas suas cores, formas, traços e técnicas, assim como tem as que nos trazem lembranças não tão agradáveis, ou são exageradamente realistas ou pragmáticas, causando-nos repulsa ou medo.

Algumas vezes somos demasiadamente orgulhosos. Acreditamos que somos a obra perfeita. Embora tenhamos plena consciência de que estamos disfarçando desbotamentos da pintura, ou rachaduras na moldura, utilizando-nos de efeitos de iluminação.

Que vida é tão importante a ponto de nos interessarmos por detalhes, na maioria das vezes sem nenhum sentido. Como alguém que antes de sair do “ar”, ou deixar de estar ligado em algum tipo de rede dita “social” deixa recados como: Vou dar uma saidinha, já volto! Ou então: Estou no banho! Ou ainda, Vou almoçar!. E... E nada. É assim que funciona essa dita comunicação na rede de computadores. Ou internet, se preferir.

G.B. Shaw afirmava: “O maior problema da comunicação é acreditar que ela acontece...!”.

Somos orgulhosos o bastante para admitir, que mesmo saudáveis, somos doentes socialmente? Dificilmente iremos admitir que possuímos rompantes de algo que afeta nossa emocionalidade e não sabemos como agir. Desta forma essa “transferência” pode ser obtida através da internet. Se formos feios, gordos, agitados ou qualquer outro “adjetivo” que nossa autoestima ainda permita, essa ferramenta parece ser tudo o que precisamos. Dessa forma nos tornamos grandes socialmente. E o numero dos tais “seguidores”, ou “visitantes”, todos “fantasmas”, parece preencher o vazio existencial a que estamos submetidos.

Quando não conseguimos reconhecer nem entender os pensamentos e sentimentos dos demais, acreditamos que são eles que não se fazem compreender. Quando somos incapazes de entender outros pontos de vista e nos tornamos inflexíveis e incapazes de negociar soluções de conflito, paranoicos que ficamos culpamos os demais por suas atitudes. E é simples, naquele momento, basta “desligar”, ficar “off”, ou então, deixar de “seguir” aquele outro, pois discordamos totalmente dele e, afinal, somos, ao menos nesse aspecto superior em alguma coisa.

Algumas vezes temos crises de ‘cegueira emocional’. Perdemos a consciência que nossos comportamentos se tornam ofensivos e insensíveis; não entendemos como nossos sentimentos impactam nos sentimentos alheios; não captamos os sinais de alerta que nosso comportamento é inadequado a situação; somos incapazes de prever o que se pode esperar dos demais e o que estes esperam de nós.

Isso ao vivo e em cores. Agora pense no que foi dito acima estando atrás de um monitor: Pense no “poder” que é autofornecido a este ego narcisista que pode simplesmente “deixar de seguir”, ou ainda, e mais forte, “desligar” o outro lado, do tipo: “ que está achando que eu sou? Sabe com quem está falando?” Bem, ficaria a pergunta se este ser, primeiro sabe quem ele é...

Quando estamos portadores dessas singelezas emocionais, de desequilíbrio para com o outro, a partir de nós mesmos, somos incapazes de interagirmos saudavelmente. Somos incapazes de praticar a empatia. “Lutamos” ou fugimos?

Na definição da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa da Silva empatia é a capacidade de considera e respeitar os sentimentos alheios. É a habilidade de se colocar no lugar do outro, ou seja, vivenciar o que a outra pessoa sentiria caso estivéssemos na situação e circunstancias experimentadas por ela
Só os capazes de compreender que cada indivíduo, embora com semelhantes funções e características, pensa, sente e reage de maneira muito particular, conseguem permanecer e estabelecer tais interações.

Mas como conseguir esse feito através de interações efetuadas, friamente, “escondidos” atrás de um monitor?

Eis nosso novo desafio. E dele, como consequência, resultará nossas relações de qualquer tipo ao vivo. Na Vida real.
O exercício da interação é mútuo, portanto, não espere que os demais te admirem se não consegue ao menos enxergá-los ou senti-los, mesmo através da linguagem escrita, como eles são.

E é precioso lembra que quem está “do outro lado” da tela, não é um número. É um ser partilhando algo que possui e é necessitado de algo que você tem para compartilhar. Assim nossos desafios se tornam melhores. E nossos valores não esmorecem por total ausência de significância e essência. Essa sim vem do coração e da razão: Nossa consciência.

Pode pensar. Não Dói... Já interagir...

Entendimentos & Compreensões
Das percepções do Cotidiano
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES –em 13.02.2013
http://konvenios.com.br/Index.aspx