terça-feira, 12 de março de 2013

" Mulheres Balzaquianas! - Ou a Idade da Lôba - "


"Mulheres Balzaquianas!" 

- Ou a Idade da Loba - 


"... Todas as mudanças mais desejadas têm a sua melancolia. 

Pois o que deixamos para trás é uma parte de nós mesmos.
Devemos morrer para uma vida antes de podermos entrar em outra....!"

Anatole France





O dia estava tranquilo. Daqueles em que se ouve até o leve sibilar das folhas. Mexendo em minhas anotações, o olhar fixou sobre uma pequena agenda. Nela estão os aniversários, registrados, de amigos muito amados. Não esqueço nunca. A Agendinha foi a forma de não perder estas datas. Verifiquei a data e nela estava escrito “Aniversário de..”.


Uma irmã de alma, muito admirada. Feliz. Peguei o telefone e preparei-me para deixar uma bela frase, com um pouco de impacto. Nem terminou o “alô”, do ouro lado da linha e já mencionei: Felicidades, linda balzaquiana... Além de outra frase de efeito, porém vindo do coração Notei uma espécie de silêncio do outro lado. Esperava a surpresa de ter lembrado. Enganei-me. Em seguido veio uma palavra com uma interrogação, mesmo invisível, gigantesca:

“Balzaquiana?”. Emudeci, pois o outro lado continuou.

Puxa, lembra-se do meu aniversário e me diz uma coisa dessas?

Ela além de linda é inteligente, mas não posso esperar que seja também uma literata. Pus-me a explicar o significado, mais para desfazer o mal entendido e ter o efeito pretendido de início.

À época da corte, no século dezoito, os nobres ao irem aos bailes, como fazem os adolescentes hoje, chegavam “chegando”, e procurando as “gatinhas” o que na época era até os vinte anos. Honoré de Balzac, ao contrário de seus amigos ia, digamos, “para o ouro lado” onde estavam mulheres mais maduras, acima dos 30 anos. Seus amigos zoavam dele por esta preferência. 


Ao que lhes respondia: 

Elas são emocionalmente amadurecidas, podem viver o amor com maior plenitude, em completa oposição as mocinhas românticas dos livros de literatura. E completava: Geralmente já passaram por uma relação e não foram completamente felizes (mesmo que este completamente seja uma ilusão – grifo meu -), estão estruturalmente completas, suas mentes mais rápidas, e sua inteligência mais completa. 

Eis o ideal de mulher. A partir dos 30 anos. Hoje, criamos um adjetivo diferençado e elevamos esta idade até os 40 e poucos anos, direcionando-as como a “idade da loba”. Ferozes para amar e serem amadas. Prontas para enfrentarem o que a juventude lhes negou.

O Escritor francês lançou um livro mais ou menos em 1832, chamado A Mulher de Trinta Anos – fazendo referência na obra também as mulheres de 40 anos.

Na obra Balzac fez uma apologia a estas mulheres de mais idade. Em comparação a moda da época, em que as jovens moçoilas eram cortejadas no máximo até os 20 anos. 

Sua personagem principal, Júlia d`Àiglemont, é o grande retrato da mulher mal casada, que após anos de infelicidade, ao chegar aos 30 consegue encontrar o amor nos braços de Carlos Vandenesse.

Ao terminar uma espécie de resumo, fazendo uma narrativa ao telefone, minha amiga do outro lado entendeu o elogio, visto já ter chegado a esta idade e agradeceu.

Hoje, cuido mais ao dar “elogios literatos” as minhas amigas. Fico no trivial. Caso contrário teria que andar com algumas centenas de livros embaixo do braço e distribuir após cada elogio. Assim fico no simplesinho. Feliz Aniversário Mulher.

Mas balzaquianas e lobas, continuem sendo o que são surpreendendo nossa primitividade e nossa ignorância ao imaginarmo-nos “superior”. Mas ao menos os que pensam, já sabem que isso é ótimo. Continuem superiores balzaquianas e lobas. Bem-vindas.

Quanto aos ditos “homens”, Pensem mais... Ainda, não dói!




Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES – em 08.03.2012
http://www.konvenios.com.br/info/Artigos.aspx?codAutor=117

quinta-feira, 7 de março de 2013

"... As Falsas Imagens - Nossas Máscaras - !"







“... O Mestre não é aquele que lhe diz,
mas aquele que o desperta...!”

A.    de Mello


                             E me transformei em Borboleta. Era uma larva e agora me sinto uma borboleta, não das mais bonitas e com belas cores, mas enfim borboleta, e sei que posso voar.
                         E pelo resto de minha vida serei grata ao mestre que me despertou que transformou o medo das chamas em confiança e esperança, e que me demonstrou que não sou nenhum verme.

                        É assim que Jose-Vicente Bonet,  em sua obra Autoestima -   O que é e como se faz-, pela editora Loyola,  lançado em 2003, da obra original espanhola de 2000 – Teologia del gusano – Autoestima y evangelio - faz análise da autoestima, buscando em Eric Fromm, este mais profundamente, mesmo citando vários outros autores, uma análise profunda do que temos hoje, em demasia, em uma espécie de necessidade de mascararmo-nos a todo momento, em todos os lugares, para todos os seres. A rede mundial de computadores que o diga. Fotos são colocadas – os chamados avatares - que no fundo pouco dizem de nós mesmos. Geralmente são fotos buscadas ou reformuladas. Imagens que gostaríamos que nos visualizassem dessa forma e não da que somos realmente.

O Autor diz mais: A pessoa que se autoestima de forma autêntica, em toda a sua realidade individual e social, prefere a vida a morte, o gozo ao sofrimento. E também esta disposta a sacrificar-se por uma pessoa ou causa que se identifique.

O ser humano nasce egoísta. O bebê pega tudo o que está ao seu alcance, mas a autoestima e uma arte que precisa ser aprendida não só para o bem do individuo mas para toda a sociedade.
Só o eu individual plenamente desenvolvido pode desapegar-se do Ego. Nas palavras de Eric Fromm (O criador da análise transacional).
Narcisismo é um amor a si mesmo desvinculado do amor ao próximo.
Narcisista é a pessoa, que tal como o Narciso do mito, se apaixona por sua imagem ao ponto de esquecer-se dos vínculos profundos que as une aos ouros mortais.

O narcisista busca a autorrealização, mas se detém na periferia de si mesmo, no gosto, no  estilo, na imagem que projeta no exterior, pois se revela demasiadamente incomodo para ele aprofundar-se em seu interior por medo do que possa descobrir. O narcisista  “sempre carente de autoestima”... A partir de seu vazio interior olha ao seu redor e busca pontos de referência.

Em Assim Falava Zaratustra, Nietzsche escreveu: Quero dizer uma coisa aos que desprezam o corpo: desprezam aquilo a que devem a sua estima. Quem criou a estima e o menosprezo e o valor e a vontade?
O próprio ser criador criou a sua estima e o seu menosprezo, criou a sua alegria e a sua dor. O corpo criador criou a si mesmo o espírito como emanação da sua vontade.
Diz um pouco mais no capítulo Das Alegrias e das Paixões: Seja a tua virtude demasiado alta para a familiaridade de denominações; e se necessitas falar dela não te envergonhes de balbuciar.

Fala e balbucia assim: “Este é o meu bem, o que amo; só assim me agrada inteiramente; só assim é que quero bem!”
Neste tempo de construirmos falsas imagens para abastecermos uma pseudo autoestima, precisamos nos colocar, primeiro conosco mesmo, nos descobrirmos. O outro não existe se não existirmos nós, primeiro e antes de tudo.

Não somos mais bebês, não conseguiríamos mais “querer” e “pegar” tudo o que quisermos. Mas podemos esforçar-nos, um pouco mais, e conquistar, sendo nós mesmos.
Só isso.

E pode Pensar. Ainda não dói...


Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
          Transpirado de Veneno Luar
          Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES – em 06.03



segunda-feira, 4 de março de 2013

" A República dos Insatisfeitos - II -!"








"... Discrição é saber dissimular o
que não se pode remediar..!."
                   Provérbio Espanhol



Com fundamentadas razões históricas e sociológicas, os analistas estrangeiros veem os momentos democráticos entre nós como meros desvios ocasionais de uma constante trajetória autoritária.

Eles terão razão se não redobrarmos nossas condições republicanas e não fizermos da lucidez nosso principal exercício. Todos os administradores do capital, as lideranças sindicais tem que se convencer, tal como ocorreu até onde se solidificam as repúblicas democráticas, de que devem perfilhar um "possessivismo patriótico".

Se todos quiserem pensar e defender seus episódicos momentos de poder, seus lucros imediatistas, seus salários, de um ponto de vista meramente corporativo, é certo que se arriscam todos, igualmente, a perder tudo.

A pátria é como a família: se um perde, todos perdem; se um ganhar, todos ganham. Para que interessa ter esse pode se esse poder leva ao terrorismo? De que interessa ter o lucro desmesurado, se isto leva a desestruturação da atividade produtiva? De que interessa ter aumentos salariais momentâneos, se isto leva ao caos e a desorganização social? Raciocínio aparentemente simples, mas que, na verdade, dá consistência aos fundamentos de qualquer nação viável.

A alternativa para o prosseguimento da transição rumo a uma verdadeira república democrática não é a revolução, como parecem desejar alguns, ou um novo surto de autoritarismo. A primeira alternativa não conta com nenhum requisito histórico realmente palpável e identificável. A segunda devido ao seu incalculável custo político e econômico, simplesmente mergulharia o País no caos.
Que República deve ser essa. Antes de qualquer coisa, ele deverá ser tudo que não foi até agora.
Deve ser tudo aquilo que o passado já registrou, informou, de geração a geração, e servido ao presente, para se preparar a tão sonhada modernidade, isto se ela já não passou correndo e assustada por aqui.

Deve ser um centro social de homens com cabeças livres, pensantes, de acordo com as necessidades que temos, e principalmente, vendo longinquamente à frente, todas as que teremos.

Deve ser a República, ou dê-se o nome que preferir de homens decentes e conscientes de seus deveres e responsabilidades, principalmente no tocante a direção equilibrada, justa e fraterna e reta do estado.

O fraterno, aqui, não se entende, por distribuição de lucros conseguidos através do povo, para o paternalismo e a subserviência própria.

Deve ser o país, que aprendemos a amar novamente, que aprendemos a respeitar, e nossos símbolos usados com amor, com paixão, e não simplesmente para enfeitar paredes militares, e na maioria das vezes demagogos.

Deve ser o país do respeito mútuo, principalmente do respeito a vida, das crianças, das pessoas mais idosas, dos doentes, dos sistemas que estão tão abalados atualmente.

Deve ser o país dos nossos sonhos. Só que precisamos trabalhar, trabalhar, trabalhar, e muito trabalhar, para realizarmos estes planos.

Caso contrario, obviamente, permanecera como um grande e eterno sonho.
Só que não realizado.
Óbvio, não?
Bem, Pensar... Ainda não dói!


Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES – em 01.03.2013

sábado, 2 de março de 2013

" A República dos Insatisfeitos - I - !"







"... Não existe esperança nas coisas.
Mesmo assim, é preciso
estar decidido a mudá-las...!"

                          Francis Scott Fitzgerald
                                



Leo Wallace Cochrane Júnior,  dissertou, certa vez, sobre o assunto acima, com grande mestria, que nos baseamos em sua obra, para a abordagem exata:

A República Brasileira já está com mais de cem anos. Para todos os que se identificam com objetivos e valores, regras e métodos da sociedade moderna democrática, cabe a pergunta: que República é essa? Não é difícil a resposta: essa tem sido a República dos Insatisfeitos e dos Incomodados.

Na cidade um golpe, sua primeira e curta fase caracterizou-se pela dominação das armas, a chamada "República da Espada" (1889-1894). A fase seguinte, que só terminaria em 1930, esteve sob a égide do controle civil. No entanto, ficaram bem conhecidos os expedientes utilizados pela oligarquia que assumiu o poder: "Fraude, eleitoral, mandonismo, coronelismo, filhotismo", decisões de bolso de colete", etc. A jovem República tornou-se velha ao ser derrubada por outro golpe: a revolução de 30. Entre 1930 e 1937 o País experimentou seus primeiros ensaios nos chamados tempos modernos: surgiram as matrizes da vida partidária em âmbito nacional, a cena política entrou em compasso com o debate ideológico contemporâneo, a atividade estatal encorpou-se com a centralização, a diversificação das fungues governamentais. Em 1937, um outro golpe desfez a experiência democrática iniciada sete anos antes, inaugurando a primeira etapa abertamente em nossa história republicana.

Entre 1945 e 1964, o Brasil conviveu com uma democracia. Quatro presidentes foram eleitos pelo voto direto, mas somente dois conseguiram cumprir normalmente seus mandatos. Um suicidou-se, outro renunciou. Dois vice-presidentes, cumprindo preceitos constitucionais assumiram seus cargos mas acabaram sendo depostos. Nascido de um golpe militar, o regime de 46 seria superado por outro movimento de força, o de 31 de março de 1964.

A partir de março de 1964, e por 21 anos, o País ficou sob rígido controle militar. Atos institucionais, atos complementares, Constituição imposta (a de 1967), emenda constitucional outorgada (a de 1969), casuísmo pacotes autoritários desfiguraram qualquer indicio da vida republicana e democrática.

A presente fase de transição pela qual ainda atravessa-se, assinala a primeira etapa de nossa vida republicana, que, não tendo sido resultado de um golpe, não foi superada por outro golpe. Ao contrário, foi consequência gradual e penoso processo de integração entre a cúpula da corporação militar e as elites políticas civis que souberam interpretar os legítimos anseios republicanos da sociedade civil. Tal interação, por certo, muitas vezes foi áspera e tortuosa, mas nos levou ao atual estagio de  liberdade de opinião pública e a promulgação de uma nova constituição. No entanto, sabe-se que os militares se retiraram do governo como formuladores em última instância continua interessados na normalidade do processo de mudança política.

Uma rápida reflexão como esta já basta para demonstrar porque essa é a república dos incomodados e dos insatisfeitos. E também porque a opinião internacional pública nos trata com tanto menosprezo, nos aproximando muito mais das bananas republicas do que das grandes democracias ocidentais.

Será que não é óbvio? 
Se for, continuaremos o assunto da próxima vez.


Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado no Grupo Kasal –Vitória – ES -  em 27.02.2013


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

" Santa Maria - Bagunçando a Tua Casa - !"






"...Os espíritos ainda não encontraram 
uma palavra para definir
 a dor de um coração de mãe 
quando perde um filho...!"
Chico Xavier


“Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores”.

Santa Maria, hoje se completam trinta dias. E, rogamos, tenha a companhia de duzentos e trinta e nove inocentes, iluminadissimos, agora anjos ou que nome tenha ao teu lado. Mas que estejam felizes, sorrindo e mandando energias para os que ficaram. Para os que ainda estão sofrendo a ausência de cada um deles.

Santa Maria rogai por nós, omissos em proteger Teu Filho, também omissos na vida dos nossos, permitimos que fiquem à mercê da ambição estúpida da raça humana.

Santa Maria rogai por nós, impotentes perante nossa própria ignorância no que teríamos muito que falar, mas só ouvimos daqueles que nos escutariam.

Santa Maria rogai por nós, indiferentes às oportunidades perdidas de mostrar o quanto amamos as pessoas, enquanto mostramos a estranhos o quanto alegre somos atrás de um monitor.

Santa Maria, Mãezinha Querida, rogai por nós, mal-educados, sem avisar, aprecemos com tanta gente, bagunçando Tua Casa.

Afinal, Santa Maria, rodeados de morros ou no calor dos teus braços, nossos filhos estarão, desde sempre...

Santa Maria... Perdoe-nos e ilumine nossa ignorância!



Oração pelos 30 dias de #SantaMaria.
Da bondade de meu amigo com nome de anjo Michael
Entendimentos & Compreensões

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

" Os Desencantos de Annita - Desilusão Política - !"







“... O sufrágio universal, a mais monstruosa e 
a mais iníqua das tiranias, pois a força do 
número é a mais brutal das forças não 
tendo ao seu lado nem a audácia, 
nem o talento...!”

P. Bourget – Escritor Frances em
Le Disciple – 1852 – 1935

O pensamento de Miguel Torga parece emergir em meio às turbulentas ondas que assolam o “mar’ político do Brasil, nos últimos tempos. Afirma ele: “... É um fenômeno curioso; O país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado; come, bebe e diverte-se indignado; mas não passa disso. Falta-lhe o romantismo cívico da agressão. Somos socialmente, uma sociedade, uma coletividade pacífica de revoltados...!”. Ambiguidade? Não. Realidade.
Dia desses recebi de uma amiga uma espécie de desabafo na tarde. Chamo-lhe, simplesmente Annita.

Assim como Miguel, Annita esta se desiludindo, desencantando-se, politicamente, com o que esta acontecendo no País.
Dizia-me ela:

Sem ser provada, a paciência dura. O exemplo de uma Nação deve começar pelos seus governantes. No Brasil isto não está acontecendo
Há honestos, mas a grande maioria é só por alianças políticas e por interesses. Houve um tempo que não era assim.
Houve o tempo do fio de bigode, da palavra e da honra. Hoje dão de um lado e tiram do outro. Aquele tempo deixa saudades

Às vezes penso nas vidas de todas as pessoas. Passo de um lugar para o outro com extrema facilidade.
Há os que não têm vergonha, não tem coragem, os fúteis e os inúteis. E há pessoas normais. O mundo não deveria funcionar só na esperteza.
Prefiro ser o que sou nem famosa nem notória, graças a Deus.

Aquele tempo deixa saudades, hoje estou bem triste e cansada. As pessoas carecem de caráter. Eu sou do tudo ou nada
Pode ser que uma hora eu sinta que a missão acabou e que não adianta mais lutar contra o destino que não foi eu que escolhi.
Eu pensava que houvesse uma chance, mas não há.

Desejo tudo de melhor para todos nós, que mesmo sem nos seguirmos acabamos compartilhando nossas aflições.

Saudosismo? Não. O que minha amiga Annita quis dizer com tudo isso, os pensadores modernos como o inglês John Locke e o francês Jean Jacques Rousseau o fizeram de duas formas.

O primeiro, Locke, se tornou a base principal, por exemplo, da Constituição dos Estados Unidos da América. Ela foi centrada em seus pensamentos. Com um detalhe: É a mesma até hoje.

John Locke e Jean Jacques Rousseau são dois dos pensadores mais representativos da Teoria Política Moderna. Locke destaca-se por defender as liberdades negativas e a representação político-parlamentar, a democracia representativa, enquanto Rousseau se notabiliza por ser contrário à representação política e propor a democracia participativa, direta. Ambos fazem parte da vertente contratualista da Teoria Política Moderna, pela qual a passagem do estado de natureza para o estado civil ocorre mediante a celebração de um pacto social entre os integrantes da sociedade, com a finalidade de solucionar conflitos e minimizar os inconvenientes e a insegurança presentes no estado de natureza. A comparação das Constituições resumo somente em um ponto: Procure em nossa Constituição, nos índices Direitos e Deveres. Vá até a página e depois procure por deveres.

Eu deixo o tempo que você quiser para achar.
Mas o que é um pacto social.
Simplesmente um acordo celebrado entre o governo e representantes de toda a sociedade civil. Ou seja, nós. Nesse caso através do voto (mesmo que obrigatório no Brasil), visando à resolução de problemas. Ponto. Isso acontece aqui? Legalmente sim. Moralmente, há controvérsias. Por quê? Só temos dúvidas.

Temos uma “cordilheira” de “ditos partidos” (mais que montanha, obviamente). Número, quantidade. Nada de qualidade. Mas não temos oposição. Logo, por lógica, só temos situação. O Congresso nos expõe e impõe isso diariamente. Longos discursos. Falácia. Mais nada. Na prática, sentimos um povo todo desiludido ou ludibriado, enganado através de fantasia como “pão e circo”, utilizando a frase romana que ficou famosa.
E o que fazer?

Deixarmos de ser uma sociedade pacífica revoltada. Agressão, em referência ao autor citado, não é violência de qualquer tipo. Mas sairmos da passividade. Grande diferença de paciência com os acontecimentos.
Assim Annita, ao ser saudosista, relembra momentos em que nossos homens públicos eram dignos, retos, justos, fraternos, literalmente representantes. E em nos representando eram nossa própria essência. Hoje estão longe disso. Independente dos escândalos e roubalheira. E o restante? Inertes, assoberbados em seus próprios interesses. Exclusivamente.

Tanto Miguel como Annita, veem nosso momento da mesma forma, porém de ângulos diferentes.
E nós? 
Vamos Pensar... Não Dói! 
Já as consequências de não fazermos isso, poderão ser muito trágicas.


 Inspirado e transpirado de minha amiga Annita
Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado no grupo Kasal – Vitória – ES – em 22.02.2013
http://www.konvenios.com.br/info/Articulistas.aspx

domingo, 24 de fevereiro de 2013

" Inacabados & Insafisfeitos!"





“... Nossos pensamentos tem apenas a energia
que tem nossas palavras...”
Protheus!


Declaro, a partir de agora, para todos os fins, que estarei, constantemente, muito insatisfeito com o meu desempenho. Em todos os níveis. Principalmente como Ser.  Também com os resultados, daqueles que precisam e dependem de mim, necessitam ter.
Sim, não estou equivocado!
Insatisfeito!

Compartilho, assim, o belíssimo texto de Cortella, por sua vez citando Guimarães Rosa, no qual inspirou minha meta:
A insatisfação.

“... O animal satisfeito dorme. Por trás dessa aparente obviedade está um dos mais fundos alertas contra o risco de cairmos na monotonia existencial, na redundância afetiva e na indigência intelectual...”!

O que o escritor tão bem percebeu é que a condição humana perde substância e energia vital e confortável com a maneira como as coisas já estão rendendo-se à sedução do repouso e imobilizando-se na acomodação.

A advertência é preciosíssima:
Não esquecer que a satisfação conclui, encerra, termina; a satisfação não deixa margem para a continuidade, para o prosseguimento, para a persistência, para o desdobramento. A satisfação acalma, limita amortece.

Por isso, quando alguém diz: “fiquei muito satisfeito com o teu trabalho”, é assustador.
O que se quer dizer com isso? Que nada mais de mim se deseja?
 Que o ponto atual é meu limite e, portanto, minha possibilidade?
Que de mim nada mais além se pode esperar? Que está bom como está?
Assim seria apavorante; passaria a idéia de que desse jeito já basta.

Ora, o agradável é quando alguém diz:
“... Teu trabalho, ou carinho, comida, ou aula, ou texto ou música é bom, fiquei muito insatisfeito e, portanto, quero mais, quero continuar, quero conhecer outras coisas...!”.

Um bom livro não é aquele que, quando termina deixamos um pouco apoiado no colo, absortos e distantes, pensando que não poderia terminar?

Com a vida de cada um também ter de ser assim; afinal de contas, não nascemos prontos e acabados. Ainda bem, pois estar satisfeito consigo mesmo é considerar-se terminado e constrangido ao possível da condição do momento.

É fundamental não nascermos sabendo, nem prontos; o ser que nasce sabendo não terá novidades, só reiterações. Somos seres de insatisfação e precisamos ter nisso alguma dose de ambição, todavia, ambição é diferente de ganância, dado que o ambicioso quer mais e melhor, enquanto que o ganancioso quer somente para si próprio.

Nascer sabendo é uma limitação porque obriga a apenas repetir e nunca a criar, inovar, refazer, modificar.
Quanto mais se nasce pronto, mais refém do que já se sabe e, portanto, do passado; aprender sempre é o que mais impede que nos tornemos prisioneiros de situações que, por serem inéditas, não saberíamos enfrentar.

Diante dessa realidade, é absurdo acreditar na idéia de que uma pessoa que quanto mais vive, mais velha fica; para que alguém quanto mais vivesse mais velha ficasse, teria de ter nascido pronto e ir se gastando...

Isso não ocorre com a gente, e sim com fogão, sapato, geladeira. Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta, e vai se fazendo.
Por isso, a partir de agora, sou a minha mais nova edição (revista e, ás vezes, um pouco ampliada); o mais velho de mim (se é o tempo a medida) está no meu passado e não no presente.

Espero que mais seres sintam-se insatisfeitos e inacabados. Para que o nosso melhor aconteça sempre...!

Afinal, ao menos, Pensar não dói...!




Baseado em Carta da Fonoaudióloga, amiga
 e Prof.ª Andréa Schiavetto -
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES-
Em 20.02.2013
http://www.konvenios.com.br/info/Articulistas.aspx


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Ana Beatriz Barbosa da Silva & Irvin David Yalon - Os Caminhos da Mente –






“... Ouçam-me! [...] Sobretudo não me confundam.
Retribui-se mal a um mestre,
continuando-se sempre apenas aluno...?”

Prólogos de Nietzsche


O título desta nossa prosa não é uma comparação. Por mais que pareça inevitável. Muito pelo contrário. O médico psiquiatra e escritor, octogenário, estadunidense, Irvin Yalon, professor emérito de Stanford, ficou conhecido no Brasil por suas obras contendo uma espécie de biografia romanceada de grandes pensadores como Nietzsche, Schopenhauer e Spinoza. Assim como provocou controvérsias nos meios dos profissionais da Psique - O termo grego psychein ("soprar"), é uma palavra ambígua que significava originalmente "alento" e posteriormente, "sopro". Dado que o alento é uma das características da vida, a expressão "psique" era utilizada como um sinônimo de vida e por fim, como sinônimo de alma, considerada o princípio da vida. A psique seria então a "alma das sombras" por oposição à "alma do corpo".
Independente de semântica, a partir de Freud virou, praticamente, mente, principalmente quando lançou no Brasil o livro Terapias & Terapeutas. Causou alvoroço entre os profissionais. Em sua grande maioria recém-saído das academias. Ou seja, algum conhecimento teórico e prática nenhuma. Grande parte deles behavioristas – ou comportamentais – Movimento ou linha da psicologia surgida nos Estados unidos no começo do século XX, mas mais discutidas após a guerra. Tornou-se sinônimo de psicologia comportamental.
                   
 Mas fui apresentado a uma grande profissional, pesquisadora, professora e pensadora da área há algum tempo, através de suas obras, é claro, por um grande amigo: Ana Beatriz Barbosa da Silva, médica psiquiatra, escritora, bem mais jovem e bonita que Irvin, não sendo sexista, por favor, conferencista de altíssimo nível e professora Honoris Causa pela UniFMU – SP. E entre suas obras, notáveis, diga-se de passagem, estão: Mentes Inquietas, Mentes Insaciáveis e – meu preferido – Mentes Perigosas, este ultimo pela editora Fontanar. Além de outros livros que ainda não os “devorei”.
                    
 O primeiro, estadunidense, ninguém discute. Só os que não aceitam seus pensamentos. Afinal “devoramos” tudo o que vem de fora. E muito bom, por sinal.
                    
Ela, Ana Beatriz, fabulosa. Como escritora. Não a conheço como terapeuta e nem pessoalmente, exceto através de suas obras. Eis alguém para se passar conversando alguns dias, direto. Daria outra obra fantástica. Agora, porém, sob os olhos leigos de nós ditos “pacientes”, porem não passivos, ao menos os mais normais. Não confundir com “normose”, termo de Jean Yves-Lelloup. Esta é prejudicial e nos encaminha a um automático usual. O primeiro dirigido aos dois lados, terapeutas e pacientes.

                       A autora brasilesa idem. Porem com uma linguagem singular e apropriada para que os “sedentos” de conhecimento dos intrincados caminhos da mente, possam se aventurar e tentar, por si próprios, desvendar, ao menos, parte destas complexidades do complexo ser humano.

                       Ela é fantástica em suas exposições. Facílimo de contextualizar e em o fazendo se colocar no papel dos avaliados e por sua vez, mais próximos das técnicas de quem faz avaliação. É inteligentíssima, o que deve proporcionar grande temor aos homens ao seu lado. Sim, homens, os latinos em grande parte não sabem lidar com mulheres em nível de inteligência superior. Eis um grande desafio para horas de conversa com esta brilhante profissional. Consegue trazer até ao leitor mediano e por sua vez ao profissional com a mesma classificação, informações e definições profundas e compreensíveis de como perceber, ao menos em nosso nível, estes intrincados caminhos que nossa mente segue. As normais. Já as psicopatológicas nos fornecem informações ao menos para que nossa percepção, agora avisada, aumenta a observação. Primeiro ao nosso redor. Família, amigos, colegas e em seguida em nosso grupo social mais abrangente. E nos fornece uma espécie de segurança para as relações – estas sim cada vez mais difíceis em sua manutenção.

                    Quando Irvin Yalon fala, em A Cura de Shopenhauer e cita-o, faz dessa maneira: A única forma de um homem se manter superior aos demais é mostrar que não depende deles.

                    Já Ana Beatriz Barbosa da Silva quando faz citações busca de suas próprias anotações, de suas vivências, terapias, observações cotidianas quando afirma: ...O corpo humano talvez seja a mais criativa e surpreendente invenção de todo o universo. Nosso corpo parece ter sido planejado para nos salvar e nos ajudar a lidar com todo tipo de perigo. Em pequenos fatos do cotidiano podemos ver o quanto essa máquina é programada para nos manter em equilíbrio...!”.
 Capitulo 1, Ansiedade e Medo: Duas faces da mesma moeda, da obra Mentes Ansiosas.

                   Como afirmou Jorge Luis Borges: “... Acho que o escritor deve escrever para a alegria do leitor...”. Ana Beatriz faz exatamente isso.

                   Assim deixo para o leitor, como eu, leigo, fazer suas percepções. Irvin Yalon para os estadunidenses.

                    Ana Maria Beatriz Barbosa da Silva e suas inteligências e percepções para nos brasileses. Ao menos os que querem aprender um pouco mais sobre si mesmos.

Afinal, ainda, Pensar não Dói!


Das Leituras & Pensamentos da Madrugada
Entendimentos & Compreensões
Publicado no Grupo Kasal – Konvenios em 15.02.2013
http://konvenios.com.br/info/Artigos.aspx?codAutor=117

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

" Você Fala Guarapuavês? - A cidade mais bem-humorada do Brasil - "





“... Guarapuava tem a festa do ki-suco - etimologia - ki = qui, suco = água com sabor. Este ano será realizado a MMXXIII festa do KI-SUCO (expoguá). Origem: Realizada pela primeira vez em 1234 A/C pelos habitantes da mesopotâmia (que antes ficava em Guarapuava, antes da separação dos continentes). A festa é realizada no centro de eventos do terreno baldiu do lado do Guarapuava Esporte Clube e ao lado da "vila dos aflitos". Diversos tipos de KI-SUCO são servidos, sendo o preferido aquele de groselha....!”


das frases típicas guarapuavenses



Hoje é o “dia dos mortos”. Calma. Somente em Guarapuava. Cidade do centro-sul do estado do Paraná. Exatamente em meio ao caminho de Curitiba à Cascavel.
Esta cidade, aliás, parecidíssima com a minha Passo Fundo, RS, em população, em tamanho, em economia. Ponto.
Porém há algo de superior em Guarapuava. O Humor guarapuavano, sim, este é outro gentílico atribuído a quem nasce ou vive nesta cidade de humor impecável.
O tal de “dia dos mortos”, é a segunda-feira. Parece ser uma frase cotidiana nesse dia. Pois surgindo a pergunta: Como está você? A resposta do guarapuavano é automática: “To morto”!
A tarde ou noitinha, após ter feito a digestão eles vão “na casinha” (banheiro) “desalmoçar”.
Em uma tentativa leiga de tradução, significa retirar o excesso ficado no “estômego”. Não busque erros gramaticais, pois estou tentando ficar no guarapuavês, língua única no mundo e sendo estudada, inclusive por mestres linguísticos escandinavos ou mesopotâmicos, a verdadeira origem da cidade.

Homens barrigudos são chamados de “arvore de cemitério”. O significado é intrínseco e não necessita de tradução. Ao menos nesse caso específico.
 Outro sinônimo para “casinha” é “patente”,  - mesmo se morar em um apartamento de luxo - por favor não confundir com o registro de marcas ou imagens.
Quando você faz algum tipo de pegadinha o guarapuavano fica “sisperto”: Uma espécie de desconfiado, misturado com esperto e atento. A tarde as mulheres preferem chá de DAÍ-ME. Não consegui a significação desta expressão. Talvez por ser unicamente feminina.
O guarapuavano é considerado o povo mais “tucura” do Paraná. Também sem tradução exceto na disciclopedia da cidade que depois deixo o endereço para comprovar que tudo aqui não é invencionice não.
Guarapuava tem cerca de um (1) milhão de Habitantes, sendo cerca de 180 mil vivos.

E a foto de inicio é para comprovar o respeito da população pelas leis de trânsito na cidade.

Quando você perguntar pelas Zonas da cidade a resposta é esta: Um dos pontos positivos da cidade, é a quantidade de zonas que a cidade possui, é uma diversificação com qualidade, andando pela grande cidade, pode-se identificar uma zona a cada esquina, uma das mais famosas é o |Bar da Fia|, frequentada pela alta elite social guarapuavana. Também surgiu a pouco tempo atrás o famosa zona "Contro los migos", que ao contrário do Bar da Fia, é frequentado pelos indivíduos que estão no "bico do corvo" já! Não podemos esquecer a Rua Padre Chagas.

Mas as gírias guarapuavanas e algumas palavras que poderíamos colocar no g~enero de regionalismo não servem pois elas são únicas e somente compreendidas por eles mesmos, ou se você tiver um intérprete da cidade.
Por exemplo: "você veio de carro? Não vim andandinho, passeandinho, olhandinho umas vitrines" ou ainda: "se alguém te conta alguma coisa que você desconfia, logo solta um: "Há de ser, capaiz?"
"Ou as tias conversando: "Calcule, loca do céu..." no lugar de:"imagine!".
Acarcar! Usado na frase: Não acaRRRRque minha caneta! E com o R bem carregado!
E se você ouvir algo do gênero, por favor, não “intica”. Eles detestam serem “inticados” (provável tradução – provocar - ).
Quer mais: Guarapuavano nunca fica na posição de cócoras, guarapuavano fica de cróque, ou acrocado!
"Pare de atiça, por que depois você carpe o gato" atiça=provoca, cape o gato=sair fora.

Minha colega de cursos a especialista em linguagem e também paranaense Andrea Schiavetto, é uma das amigas que vai adorar isso. Ela diz que o regionalismo é a maior riqueza de um povo. Pois ele consegue ser diferente de todos, mesmo sendo igual.

No caso específico de Guarapuava, eis algo nobre. Somente seres muito inteligentes possui um senso de humor apurado.
Assim até o Twitter agora tem a Twittoterapia, com alguns habitantes de Guarapuava e outros que estão “intrando” na tribo para rir até se “estribuchar” (possível tradução, doer tanto a barriga que não aguenta mais de tanto rir) Ou ainda, as piadas em Guarapuava para serem risíveis precisam atingir o “centro do bucho, do estômego da  barriga”, literalmente bem no centro do estômago.

Mas se vocês estão achando tudo isso uma “invencionice”, por favor consulte a página na internet com este endereço:

Mas uma prevenção: Se você não estiver preparado para rir muito, por favor não acesse: http://desciclopedia.ws/wiki/Guarapuava
Pensar, o guarapuavense já descobriu que não dói, mas as piadas e o senso de humor deste povo lindo, bem... Isso com certeza vão doer... O “estômego”.
Divirtam-se!

Inspirado em Joci Branda
Das Leituras & Pensamentos da Madrugada
Entendimentos & Compreensões