quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A Mestra em Língua Portuguesa Brasilesa
e Mineira Claudia Carvalho – é a convidada de hoje
da Sala Protheus




No Limiar do Ser!


"... A lucidez só deve chegar ao limiar da alma.
 Nas próprias antecâmeras do sentimento 
é proibido ser explícito...!"

Fernando Pessoa


Estava olhando alguns livros que havia muito não lia. Quando de repente um deles cai ao chão e a frase em destaque é a seguinte: “Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”, era uma tese de Oscar Wilde.

Aquele pequena frase me levou a uma espécie de tempestade de pensamentos. Coloquei-me como objeto daquela frase. Será que minha existência pode ser considerada uma vida, no seu sentido mais pleno e profundo!

Meus pensamentos vagam e sinto que estou sempre no limiar entre o existir e o viver! Sou aquela que vai embora antes do melhor da festa. Bem no instante em que algo mágico poderia acontecer.
 Algo me diz: vá embora, saia daqui!

Como se corresse risco de morte e não chance de vida. E sem pestanejar, nem ao menos refletir vou-me embora. Assim, eu driblo qualquer expectativa e aquele tudo que poderia acontecer, mas que de repente poderia se frustrar, continua existindo como uma possibilidade para quando eu quiser!

E não é uma escolha da qual eu me arrependa!
Ao mesmo tempo em que me poupo me abstenho de que poderia ter sido!
È como se eu me poupasse do mundo e ao mesmo livrasse o mundo de mim.
Distração? Egoísmo?
Não sei que nome dar a isso. Só sei que as vezes me encuca.
Porque sou assim?

Assusta-me a rapidez com que me canso e me desfaço das coisas, das pessoas, das pessoas coisificadas. Não tenho muitos amigos e nem possuo objetos de que goste e me orgulhe. Só gosto e cultivo amor por coisas e pessoas das quais não espero nada!
Assim não me decepciono.

Quando me apaixono sinto certo frenesi, uma espécie de culto pela minha própria paixão! Acho belo meu amor, minha entrega, minha veneração, mas até do quem a esta recebendo.
Meu grande amor pelas pessoas, pelas coisas é o meu talismã sagrado.

Amor incondicional, que não pede nada em troca, porque se pedisse seria impossível de ser devidamente correspondido!



A essas alturas, quem me lê deve imaginar: Egoísmo, defesa, fraqueza!

Pois então que seja! E o que você ama afinal? Alguém deve se perguntar. Amo meu estado de solidão, amo meus defeitos. Porque não ter fraquezas? Porque não querer me defender do que o mundo teria para me dar se não tenho certeza do que seria?

E o tudo para mim é a minha paz, é um sono profundo, sem pesadelos.

E os meus desejos?

Ah! Esse é outro assunto!

PS: Para minha amiga Claudia, pensar sobre seus próprios sentimentos não dói... Afirmo Eu!





Entendimentos & Compreensões
Dos pensamentos de minha amiga
Cláudia Ezídgia de Carvalho - Minas Gerais -
Licenciatura em Língua Portuguesa Brasilesa
 Universidade Federal de Ouro Preto
Mestrado em Literatura Comparada
Unicamp - SP