terça-feira, 21 de janeiro de 2014


“Amizade!”
- A Partilha do Melhor de Nosso Ser –





“... A amizade, às vezes, tem um valor incalculável
para umas pessoas, mas para outras, tem apenas um valor.
 Valor este que só existe quando se precisa desse amigo...!

Eça de Queiroz



No século IV a C, em Siracusa, na Sicília, havia dois amigos inseparáveis. Nada havia que um não fizesse pelo outro. Certo dia o rei de Siracusa, Dionísio, aborreceu-se ao tomar conhecimento de certos discursos que Pítias vinha fazendo.

O jovem pensador andava dizendo ao público que nenhum homem devia ter poder ilimitado sobre outro. E que os tiranos absolutos eram reis injustos. Presos ambos os amigos, Pítias reafirmou perante a autoridade real as suas ideias. O que dizia ao povo era a verdade e, portanto a sustentaria, custasse o que custasse.

Acusado de traição, Pítias foi condenado à morte. Como seu último desejo, pediu ao rei que o deixasse dizer adeus à sua mulher e filhos e por os assuntos domésticos em ordem. Dionísio riu do desejo do condenado.

"Vejo que além de injusto e tirano, você também me considera um tolo. Se sair de Siracusa, tenho certeza que nunca mais voltará", disse o rei.

Foi nesse momento que Damon adiantou-se e ofereceu-se como garantia.
Ficaria em Siracusa como prisioneiro, até o retorno do amigo. "Pode ter certeza de que Pítias voltará. Nossa amizade é bem conhecida. Eu ficarei aqui."

Ainda um tanto desconfiado, Dionísio examinou os dois amigos. Alertando Damon que, se Pítias não voltasse, ele morreria em seu lugar, aceitou a oferta. Pítias partiu e Damon foi atirado na prisão.

 Muitos dias se passaram. Pítias não voltava e o rei foi verificar como estava o ânimo do prisioneiro. Estaria arrependido de ter feito o acordo?
"Seu tempo está chegando ao fim", sentenciou o rei de Siracusa. “será inútil implorar misericórdia”. Você foi um tolo em confiar em seu amigo.
Achou mesmo que ele voltaria para morrer?".

Com firmeza, Damon respondeu: "É um mero atraso. Talvez os ventos não lhe tenham permitido navegar. Talvez tenha tido um imprevisto na estrada. Guardo a certeza que, se for humanamente possível, ele chegará a tempo." Dionísio admirou-se da confiança do prisioneiro.
Chegou o dia fatal. Damon foi retirado da prisão e levado à presença do carrasco.

Lá estava o rei, sarcástico, gozando sua vitória.
"Parece que seu amigo não apareceu. Que acha dele agora?" Perguntou.

"É meu amigo. Confio nele", foi à resposta de Damon. Nem terminara de falar e as portas se abriram, deixando entrar Pítias cambaleante. Estava pálido, ferido e a exaustão lhe tirava o fôlego. Atirou-se nos braços do amigo.

"Graças aos céus, você está vivo!" - falou soluçando. "... parece que tudo conspirava contra nós. Meu navio naufragou numa tempestade. Depois, bandidos me atacaram na estrada. Recusei-me, contudo, a perder a esperança e aqui estou. Estou pronto para cumprir a minha sentença de morte."

Dionísio ouviu com espanto as palavras. Era-lhe impossível resistir ao poder de tal lealdade. Emocionado, declarou: "a sentença está revogada”.




“Jamais acreditei que pudessem existir tamanha fé e lealdade na amizade.
Vocês mostraram como eu estava errado. É justo que ganhem a liberdade.
Em troca, porém, peço um grande auxílio."

"Que auxílio?" Perguntaram os amigos.
"Ensinem-me a ter parte em tão sólida amizade."

Pensar não dói... A amizade também não...




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Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES –
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