quinta-feira, 6 de março de 2014

A Consciência e o Ser!



“... O mundo fica mais perto de cada qual, não importa onde esteja. Cria-se, para toda a certeza e a consciência de ser mundo e de estar no mundo, mesmo se ainda não o alcançamos em plenitude material ou intelectual. O próprio mundo se instala nos lugares, sobretudo nas grandes cidades, pela presença maciça de uma humanidade misturada, vinda de todos os quadrantes e trazendo consigo interpretações variadas e múltiplas que ao mesmo tempo se chocam e colaboram na produção renovada do entendimento e da crítica da existência. Assim, o cotidiano de cada qual se enriquece, pela experiência própria e pela do vizinho, tanto pelas realizações atuais como pelas perspectivas de futuro..."

 - SANTOS, Milton O recomeço da história.
In: Folha de S. Paulo,  São Paulo,2000

                                     
                                    Dentre os vários conceitos que os pensadores nos deixaram, não existe nenhum outro tão especial quanto os relativos à consciência de ser, e ainda, à maneira como o indivíduo se revela no mundo (estar-no-mundo).  Um está diretamente ligado ao seguinte, pois somos qualificados como homo sapiens, ou seja, o ser que sabe que sabe ou o ser que tem consciência da sua presença dentro do próprio mundo.

                                      Sabedor desses fatos, o filósofo Nietzsche, levantou quatro questões fundamentais atinentes à consciência de ser no mundo em seu livro "Crepúsculo dos Ídolos", fazendo com que nós, seus interlocutores, possamos ter um momento de meditação e aprofundamento de vida. 

                                       A primeira questão fundamental que Nietzsche coloca é a seguinte: "Você corre à frente? – Como pastor ou como exceção? Ou (terceira possibilidade) como fugitivo?".

 Talvez, possa parecer que não haja muito sentido nessas palavras, porém, se dermos asas à nossa imaginação, com certeza poderemos contemplar o que estas indagações  querem nos dizer.

A nossa existência é bem curta, logo os sabores da juventude passam e, para que não olhemos para trás e sejamos pegos de surpresa pelo tempo, faz-se necessário que sempre estejamos à frente da nossa própria história, contemplando-a com firmeza e coragem, podendo vê-la como ela realmente é, sem máscaras ou maquiagem.
                                         Contudo, para se dar conta disso (ter consciência de),  é necessário ao ser humano,  compreender e perceber como é o seu modo básico de ser no mundo, que segundo podemos ver  em Nietzsche são três: o modo de ser como pastor, o modo de ser como exceção ou o modo de ser como fugitivo.  
                                         O modo de ser pastor é daquele que se dirige a si próprio (provisão é o seu nome), que sabe se conduzir, que tem a capacidade de guiar a sua vida aos pastos verdejantes e às águas tranqüilas; o modo de ser exceção é daquele que se coloca à margem da sua própria existência, aquele que procura sempre viver na dependência do outro (a história e o modo de ser do outro é sempre melhor do que o seu), aquele que não consegue se vir como autor e ator do roteiro da sua vida, aquele cuja palavra chave para o seu viver é a exclusão; finalmente, o modo de ser fugitivo, é daquele que apesar de se conhecer e saber o que pode fazer, opta em abraçar os medos e temores que o assaltam, com isso passa a correr, não à frente, mas correr da vida, fugir dela, buscar aquilo que muitos chamam de suicídio (evasão é a sua senha). 
                                        Na medida em que se entende isso, somos levados à segunda questão fundamental colocada por Nietzsche, qual seja: "És sincero ou só comediante? Representas algo ou és a própria coisa representada? – Por fim, talvez sejas apenas a imitação de um comediante...".

  Aqui o filósofo alemão, procura tornar mais clara à percepção de si cada pessoa pode ter na sua existência.  Se a pessoa é sincera consigo mesma, se ela não tenta se enganar, se ela não representa, se ela consegue esclarecer para si e viajar no seu próprio interior. Com certeza, esse indivíduo terá grandes possibilidades de ter consciência como é o seu modo de ser no mundo (pastor, exceção ou fugitivo) e, com isso, mudar e progredir.  Contudo, se a opção do sujeito for fazer de si mesmo uma grande piada, buscando com isso abafar os seus desafetos e desilusões, a tendência é prosseguir na cegueira e não resolver as suas pendências existenciais.

                                     Por essa razão, Nietzsche prossegue na sua explanação, dizendo: "É alguém que olha? Ou estende a mão? - Ou desvia o olhar e se afasta?...".  Nesta terceira questão fundamental, é enfatizado que a pessoa consciente de si, que tem bem explícito o seu modo de ser na existência e, que procura sinceramente, ver a sua própria vida, pode olhar e, em olhando, estender sua mão, mudar o seu ambiente, construir novas relações, manter-se firme nos seus propósitos e ser solidária nas suas ações.

   Quem não consegue se ver, segundo esta linha de raciocínio, não pode ver o outro ou, quando muito, caso veja, imediatamente, desvia o olhar e se afasta.   Esse redirecionamento do olhar, essa atitude de repelir o que está sendo contemplado, é uma reação de pavor.



 Quando uma pessoa desvia o seu olhar, é porque vê na imagem alheia, os fantasmas horripilantes que aterrorizam a sua existência.  Como resolver isso?  Através da luz da consciência.  Dar-se conta de quem se é, buscando uma constante mudança, vendo e percebendo o seu modo de ser no mundo, eis a resposta.
                                               Finalmente, Nietzsche conclui a sua ponderação, estabelecendo a quarta questão fundamental, quando fala: "Queres ir com os outros? Ou mais adiante? Ou caminhar só?... Importa saber o que se quer e quê se quer." Não obstante a troca e o intercâmbio com as outras pessoas ser muito importante, é primordial ter em mente que só a própria pessoa tem o poder para modificar a sua existência. 

Podemos ir com os outros, podemos seguir mais adiante, mas ninguém, nem mesmo os nossos seres mais próximos e queridos, podem tomar a resolução mais acertada para a nossa vida individual.  O conselho do outro é importante, ajuda graciosa dos amigos é relevante. Contudo, somente a própria pessoa pode saber o que se quer e quê se quer, ou seja, qual é o objeto do seu desejo e como fazer para alcançá-lo. 
                                               Deste modo, importa que tenhamos a cada dia, uma consciência clara e nítida de quem estamos sendo na nossa existência individual, para que com isso, possamos a partir desta consciência de si, modificar a nossa maneira de ser no mundo, a fim de que em fazendo assim, tenhamos uma perspectiva mais real e nítida de como são as pessoas e as coisas à nossa volta.  Certamente, essa postura diante da vida, poderá enriquecer o nosso cotidiano, tornando-nos pessoas realizadas e plenamente satisfeitas em existir.

Afinal pensar ainda não dói...!





Transpirado das Pesquisas de
 Marco A. N. Sales e
Crepúsculo dos ídolos – Friedrich Nietzsche
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES –
www.konvenios.com.br/articulista

Jornais do RS, SC e PR


sábado, 1 de março de 2014


A Mestra em Língua Portuguesa Brasilesa
e Mineira Claudia Carvalho – É a convidada
da Sala Protheus



Descaminhos da Providência!




“...Quando houver desacertos nas relações,
faça um diálogo, uma ponte para transpor
os descaminhos. Entenda que ceder não é fraquejar;
e agredir não é fortalecer-se. A tolerância mútua
 é o principio que norteia a boa convivência...!”

Inácio Dantas
  
  
Em um extremo da cidade, um jovem músico treina seus acordes. No  outro extremo, uma jovem escritora, traduz um livro de romance trágico. No íntimo de cada um, uma certeza: Um dia, glorioso dia, os uniria em uma linda, súbita e mítica paixão.

Tal intuição era bela e vinha na forma do pensamento que trazia a certeza de que algo de bom iria enfim acontecer. Porém ainda mais instigante de que essa certeza era a incerteza, a aventura do desconhecido.

Naquele ano, o inverno parecia extraordinariamente mais frio, para a nossa jovem escritora, com seus arroubos românticos e sentimentais. O céu, sempre cinza, sem raio de sol algum, causava-lhe uma inexplicável angústia, a ponto de sentir vontade de chorar ao caminhar pelas ruas.

Mas o que ainda não contei é que por uma grande ironia, ou capricho do destino, apenas uma parede de apartamento separava aquelas dois corações prontos para receber o amor. Ambos, cada um no seu canto, com seus sonhos. Eles não se conheciam

Seus caminhos nunca se cruzavam. Se ela andava para direita, ele ia pela esquerda. Um sempre na contramão do outro. Sol encoberto por passageiras nuvens e nada, os dois não se encontravam.

Financeiramente as coisas não iam nada bem para nosso jovem músico. Então, vez ou outra ele tocava seu violino em algum lugar bem frequentado para ganhar um extra! Este, quando não estava praticando em seu violino, passeava pelos parques, pelas ruas, observava as pessoas, acariciava a cabeça de algum cão vira-latas. Às vezes ele se sentia vazio e sem forças.

A vaga sensação de melancolia tomava o coração das pessoas na tarde cinzenta. E ambos trilhavam seus caminhos sempre em lados opostos! Às vezes observavam as mesmas pessoas, acariciavam o mesmo vira-lata. Eles também tinham o costumar de jogar milho aos pombos! Os mesmos pombos! Porém sem se notar! Eles são como a maior parte das pessoas nas grandes cidades que não se conhecem! E apenas uma parede de apartamento os separava.

Mas existem acasos tristes e acasos felizes nessa vida! E naquela tarde de fim de semana, por providência divina, diriam alguns, ou simples coincidência, diriam outros menos românticos, duas linhas paralelas, podem enfim se cruzar.

O dia de glória chegara para ambos. Passeavam no mesmo parque sem nunca se encontrar, mas, naquele dia, naquele inesquecível e lindo dia, eles se encontraram na fonte dos desejos! Ambos pediam a mesma coisa que já podemos imaginar. A atração e afinidade entre os jovens foram fortes e recíprocas. Os dois se olham e naquele instante o sol brilhou para o jovem casal. Ao se olharem foi como se se reconhecessem de algum lugar, parecia que se conheciam a anos, a séculos, a vidas!



Eles passam uma tarde doce e feliz. Suas almas eram com de duas crianças bailando em ciranda de roda. Roda da felicidade, roda do amor, roda da fortuna, roda da providência. No entanto, os dois novamente se perdem. Meses se passam e ele chega ela sai, ela vai, ele vem nunca se encontram!

Os dias ficam cinza em pleno verão, mas queria os céus que aquelas almas se unissem para sempre e vivessem aquele amor latente a gerações e mais gerações. Parecia tudo perdido quando, a cidade passa por uma reforma.
Bendita reforma.

Casas e terrenos, apartamentos são desapropriados! Outros apenas passaram por ligeiras reformas. E foi numa só marretada, quando uma brecha se abre na parede de apartamento que os separava, que ambos veem através  do buraco que se fez, a face da felicidade!

Às vezes o que parece longe está ao nosso lado. Os sinais são sublimes.
O amor é sublime.

Portanto Ame... Muito!




Entendimentos & Compreensões
Dos pensamentos de minha amiga
Cláudia Ezídgia de Carvalho  - Minas Gerais -
Licenciatura em Língua Portuguesa Brasilesa
 Universidade Federal de Ouro Preto
Mestrado em Literatura Comparada
Unicamp – SP




terça-feira, 25 de fevereiro de 2014


Que Seja Eterno... E Não à Toa! 





“...Que seja eterno enquanto dure, e que dure para
sempre mesmo que o para sempre não exista...!”.

Dayane Aparecida



                                   Que seja eterno enquanto durar. Durar o quê? Se não for amor, não vai durar a vida toda, pois o destino se encaminhará de que as direções sigam diferentes caminhos. Eu mudaria essa frase para: “Que seja delicioso enquanto tem gosto. Assim é bem mais degustável, não é mesmo?”.

            Eterno para durar. Durar enquanto for eterno, soa meio à toa. Coisas palpáveis têm mais apreço e pés no chão. Seria bom que tudo que amamos, deliciamos, durassem o tempo que fosse necessário, e nos deixariam quando estivéssemos prontos para recomeçar. E quem está pronto para recomeçar?

            O passado tem a magia de nos encantar com seus pensamentos em pessoas e coisas que não voltarão. E para viver uma nova história, outro amor, é preciso vencer a infelicidade de nos prender a memórias inesquecíveis.
            O beijo tem que ser eterno sempre. O abraço amigo, aconchegante tem que ser todos os dias até que meus braços não se possam mais curvar. O diálogo tem que ser constante nas relações, ou morrerá para sempre o amar. O perdão tem que ser mais do que pedir desculpas, tem que ser súplica verdadeira de reconhecimento do erro. Os segredos tem que ser guardados a sete chaves que foram perdidas. Receita básica para se viver eternamente e não à toa.

            Não precisam serem eternos: os rancores, as caras feias, as meias palavras, as discussões, as brigas, as ofensas, e muitos outros sentimentos de abandono, que estes sejam levados para sempre do nosso viver, ou que sejam eternos enquanto durem, aí sim, que seja à toa!
            Até a eternidade de existir, deveriam prevalecer, os bons dias dos vizinhos que sempre nos sorriem; o muito obrigado verdadeiro das pessoas; as compreensões sem qualquer favor em troca; os elogios, sem mentiras; as ajudas mútuas sem preço.

            Que seja eterno enquanto dura... Dura o quê? Uma relação que já começou se desmoronando? O amor unilateral em uma relação de anos? As conversas por obrigação? O carinho apenas por causa da excitação? O mendigar de sentimentos do outro? O beijo longo que nunca mais foi dado nos últimos dois anos? Não, não tem que durar! Precisam de recomeços! É preciso que se migre para outro gostar, verdadeiro.




            Sim, que seja eterno, para sempre, enquanto existirem as belezas do que é bom e nos fazem felizes. Que seja eterno, o amanhecer calmo com céu de esperança, o estar ao lado de pessoas que transmitem sorrisos e alegrias, amar incondicional a vida, fazer a diferença onde existe um pardo viver, olhar para as pessoas com amizade e apreço, existir para fazer histórias.

            A vida é um constante palco de espetáculos, e eu não quero soar à toa nas minhas cenas do cotidiano. Quero ser a atriz principal em todas as apresentações de amor, felicidade, existência, luta, seguir em frente, recomeçar. Quero estar no palco, e sentir a minha plateia feliz pelo simples de eu existir, fazer parte da vida deles, isto sim é viver eternamente, e não enquanto durar.

            Eu não sou à toa, logo, sou para durar uma vida longa, a vida toda.



Da minha amiga Mineira Simone Guerra – Professora,

Amante da Literatura, Poesias e Escritora.

Sua obra mais recente e premiada é Para Cruzar o Atlântico,
Ganhadora do 6° Concurso Literário Mário Quintana em 2010, Categoria: Crônica.
Mais em  http://paracruzaroatlantico.blogspot.com.br/

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sábado, 22 de fevereiro de 2014


Quem São Esses Tais Professores?




“...O verdadeiro professor defende os
seus alunos contra a sua própria influência...!”
Amos Alcott


  
                         Essa pergunta me despertou o desejo de buscar respostas, pesquisei diferentes fontes orais, bibliográficas, virtuais, reais lendárias e até imaginárias.
                        Vou publicar alguns dos resultados encontrados. Entre estes figuram as mais diferentes e possíveis definições e determinações. Confesso que para mim causaram as mais diferentes sensações e impressões.
Às vezes, me admirava das atribuições dadas, até me fascinava com tão belas e respeitosas considerações. Às vezes, tornava-se penoso ouvir as lamúrias de certas terminologias, entre elas desfilavam os coitados e sofridos a esses tais professores atribuídos. Confesso que em alguns momentos, também causaram admiração, por determinados conceitos que variavam entre os tais super competentes, super necessários viventes.

                         Por vezes, causavam-me indignação algumas referencias feitas, ou melhor, desfeitas, de tamanhas tornavam-se pequenas, pela pequenez, pejorativa aos tais professoras proferidas.
                         Algumas das deduções mais interessantes foram selecionadas e aqui registradas e por ordem destacadas.

   Primeira: As origens desses tais professores. Algumas teses indicam que esses seres foram criados pelo próprio homem. E assim se materializou, conforme a sua vontade.
   Segunda: Deram-lhe vida, mas monitorada, constantemente vigiada, deram-lhe formas, mas inacabadas, deram-lhe também habilidades, mas pré-definidas e potencialidades, mas previamente estipuladas.
   Terceira: Sua importância usos e convenções são criteriosamente determinadas, pelos planos e projetos especificados.

   Quarta: A sua parte material, constituída de substancias, flexíveis, possíveis de serem maleáveis as necessidades adequadas.
   Quinta: Quanto a parte intelectual, sem dúvidas foi composta de muitas capacidades de absorção, para atender as demandas administrativas, de modo satisfatório. Paralelamente constituído de uma admirável capacidade deletiva e adaptativa. Para ser possível reciclar e reaproveitar o mesmo material humano, tantas vezes conveniente se achar.
   Sexta: Convencionou-se limitar suas capacidades mentais, comportamentais, sociais e culturais. Para se evitar acidentes ou desequilíbrios nos sistemas de comando ou de execução.

Sétima: Apesar de único cada um é incumbido de atender a todos, com todas as diferenças possíveis e imaginárias. Sua formação profissional exige formação específica em uma área do conhecimento. Mas em suas práticas são exigidas amplas e diversas competências e inteligências, mesmo as que não são de sua preferência.

   Oitava: Esse professorado em sua totalidade é permanentemente avaliado, elogiado ou criticado, ofendido ou defendido, em suas capacidades, responsabilidades e afinidades.  Em seu potencial profissional, quanto em seu ser individual, moral e emocional. São tantos, e apesar dos padrões e patrões, todos têm suas particularidades e defeitos, dependem dos momentos, das necessidades e das vontades.
   Nona: É o seu espaço, está convidado a dar o seu aval a tal categoria professoral. Em especial aos que participaram da sua vida pessoal e profissional.




   Décima: São exaustivas as hipóteses, deduções, experimentações e conclusões, nas tentativas de responder a tal pergunta: Quem são esses tais professores?

   Conclusões e atribuiçõesCada um tem a sua própria resposta, cada grupo também convencionou a sua e está, em constante se redefinindo e se modificando, conforme os anseios e necessidades.

   Se os tais professores foram criados pelo próprio homem, ao próprio homem, foi designado. E assim permanecerá por tempo indeterminado.
    Um dia esses tais profes serão chegando, se não forem importantes nem serão lembrados.
   São eles super, mega ou midi profes... O que importa as homenagens, quando houver, que sejam a todas as categorias de profes.
      
Buscando Rubem Alves afirmo eu: “...Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma. Daí a dificuldade...!”.




Dos Diálogos e Entendimentos com professores
como minha amada amiga  Isane Johann -  
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES
www.konvenios.com.br/articulistas
Em São Paulo  no
www.cadernodeeducacao.com.br
Diálogos do Caderno
E em www.pintoresfamosos.com.br

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A Mestra em Língua Portuguesa Brasilesa
e Mineira Claudia Carvalho – é a convidada de hoje
da Sala Protheus




No Limiar do Ser!


"... A lucidez só deve chegar ao limiar da alma.
 Nas próprias antecâmeras do sentimento 
é proibido ser explícito...!"

Fernando Pessoa


Estava olhando alguns livros que havia muito não lia. Quando de repente um deles cai ao chão e a frase em destaque é a seguinte: “Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”, era uma tese de Oscar Wilde.

Aquele pequena frase me levou a uma espécie de tempestade de pensamentos. Coloquei-me como objeto daquela frase. Será que minha existência pode ser considerada uma vida, no seu sentido mais pleno e profundo!

Meus pensamentos vagam e sinto que estou sempre no limiar entre o existir e o viver! Sou aquela que vai embora antes do melhor da festa. Bem no instante em que algo mágico poderia acontecer.
 Algo me diz: vá embora, saia daqui!

Como se corresse risco de morte e não chance de vida. E sem pestanejar, nem ao menos refletir vou-me embora. Assim, eu driblo qualquer expectativa e aquele tudo que poderia acontecer, mas que de repente poderia se frustrar, continua existindo como uma possibilidade para quando eu quiser!

E não é uma escolha da qual eu me arrependa!
Ao mesmo tempo em que me poupo me abstenho de que poderia ter sido!
È como se eu me poupasse do mundo e ao mesmo livrasse o mundo de mim.
Distração? Egoísmo?
Não sei que nome dar a isso. Só sei que as vezes me encuca.
Porque sou assim?

Assusta-me a rapidez com que me canso e me desfaço das coisas, das pessoas, das pessoas coisificadas. Não tenho muitos amigos e nem possuo objetos de que goste e me orgulhe. Só gosto e cultivo amor por coisas e pessoas das quais não espero nada!
Assim não me decepciono.

Quando me apaixono sinto certo frenesi, uma espécie de culto pela minha própria paixão! Acho belo meu amor, minha entrega, minha veneração, mas até do quem a esta recebendo.
Meu grande amor pelas pessoas, pelas coisas é o meu talismã sagrado.

Amor incondicional, que não pede nada em troca, porque se pedisse seria impossível de ser devidamente correspondido!



A essas alturas, quem me lê deve imaginar: Egoísmo, defesa, fraqueza!

Pois então que seja! E o que você ama afinal? Alguém deve se perguntar. Amo meu estado de solidão, amo meus defeitos. Porque não ter fraquezas? Porque não querer me defender do que o mundo teria para me dar se não tenho certeza do que seria?

E o tudo para mim é a minha paz, é um sono profundo, sem pesadelos.

E os meus desejos?

Ah! Esse é outro assunto!

PS: Para minha amiga Claudia, pensar sobre seus próprios sentimentos não dói... Afirmo Eu!





Entendimentos & Compreensões
Dos pensamentos de minha amiga
Cláudia Ezídgia de Carvalho - Minas Gerais -
Licenciatura em Língua Portuguesa Brasilesa
 Universidade Federal de Ouro Preto
Mestrado em Literatura Comparada
Unicamp - SP

domingo, 16 de fevereiro de 2014


Oh, Dó...!




Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa

Tá com dozinha de alguém? Oh, Dó!

Ah, isso me lembra de um dos versos de Willian Shakespeare quando diz: “... Ó doçura da vida: Agonizar a toda a hora sob a pena da morte, em vez de morrer de um só golpe...!”.

Ter dó; Estar com pena de alguém por alguma razão, estar penalizado; (mesmo que esse ultimo o utilizemos erradamente, quando diz que um jogador foi penalizado ou o juiz proferiu uma sentença penalizando alguém – nestes casos eles receberam pena, então foram apenados), assim não agredimos tanto nossa tão bela, mesmo que inculta e ultima flor do lácio.

Literalmente sentir pelo outro, colocar-se no lugar de alguém que sofreu ou sofre, ou dor pela perda ou por doença. Este sentimento altruísta vem do coração porque o espirito manifesta-se através do coração. Por isso Fernando Pessoa afirma tanto, que (...) tudo vale a pena quando a alma não é pequena (...).
Mas o que é Dó!

Ora, basta procurar no dicionário, diria você, mas não esqueça que além de saber o que procurar, você precisa saber exatamente onde aplicar este substantivo masculino. Afinal, hoje está mais fácil: Joga na Rede Mundial e lá está o significado. Porem não esqueça que dicionaristas são buscadores, pescadores, pesquisadores de palavras, com todo respeito a alguns poucos filólogos de respeito que ainda temos em nosso País. O restante tem uma equipe que sai por ai “garimpando” novas palavras e jogando em um maço de paginas para quem não faz ideia alguma do que significa. A língua Portuguesa é uma das únicas que aceita neologismos e regionalismos e acaba se tornando parte integrante do discurso, seja ele oral ou escrito,

Assim este sentimento que denota pena em relação a outra pessoa; comiseração, esta por sua vez, pode ou não ser aplicado como sinônimo, pois é um sentimento de piedade para com a infelicidade alheia, é ter compaixão.
Comiseração vem do latim, nossa origem linguística, de commiseratiône – que é um apelo a piedade.
Diz-se em um estado de sofrimento que o ser passa por uma profunda autopiedade, (pela nova reforma, que ainda não virou lei, perdeu o hífen), ou seja, tem dó de si mesmo, logo em seguida para a comiseração, ou uma tristeza muito grande por ele mesmo ou pelo que está sentindo.

Terapeutas já trataria como “depressão” mesmo que não concorde com o termo utilizado, pois deprimir-se significa ter perda de fluxos elétricos no cérebro e ao mesmo tempo perda neuronal, transtorno bipolar, distimia, dislexia, hipomania e outras classificações e isso seria neurológico e afetaria o psicológico.
Mas sentir dó, os poetas já utilizaram de todas as formas possíveis, exatamente para mostrar tudo isso.

Dó vem do latim dolus.  Mas estamos falando de um sentimento exclusivamente humano, e nenhuma denotação para a primeira nota musical na escala maior.


Assim se você se sentir desconfortável em utilizar a palavra “dó”, pode buscar alguns sinônimos de acordo com quem vai ser o receptor de todo este sentimento tão profundo, de colocar-se no lugar do outro, ou seja: quando você está com dó, de você mesmo ou de outro, você está comiserado, está compadecido, está em compaixão, com enternecimento, até se for mais profundo, você até lastima, tem misericórdia, fica com pena, de piedade, de remissão.

Mas independente da semântica que você possa entender ou utilizar, ainda é um sinal de compaixão. E estar piedoso por alguém é como se você quisesse até se redimir por tudo aquilo que esta acontecendo e você fica impotente.
Muitos autores da língua portuguesa Brasilesa não gostam de utilizar este substantivo, mas ai já tem influencia da psicologia. E, bem, dai é outra questão.

Estar compassivo por alguém, ter dozinho por algo ter acontecido é sinal de humanidade.

Mesmo que cause dó, pode sentir já pensar sobre tudo isso, tenha certeza, não dói...

Inspirado na cientista de Diálogos do Caderno
Lais Martins com afagos na alma de sua mãe!
Crônica Publicada:
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Historiadora e Jornalista conversa
com Mônica Bayef na Sala de Protheus:



Um convite à amizade!



“... Quem tem um amigo, mesmo que um só, 
não importa Onde se encontre, jamais sofrerá 
de solidão; poderá morrer de saudades, 
mas não estará só..!”.

Amyr Klink



Hoje voltei aos tempos de infância, de colégio propriamente dito. Lembrei-me das amizades gestadas especialmente neste período e que nos acompanham ao longo de uma vida. De muitos nos separamos, nos reencontramos em outros tempos, outro contexto.
Sei por vivências próprias que a amizade se constrói devagarinho, muitas emoções vivenciadas juntas. No entanto quero voltar ao período escolar, onde sem constrangimento perguntávamos ao coleguinha: Tu queres ser meu amigo. Hoje pergunto a competente psicóloga e escritora Mônica Bayef, queres ser minha amiga?
 Há que bom guria... Se a rejeição dói na infância, na vida adulta mais ainda. Assim fico só com a amiga, mas posso indicar a terapeuta. Precisamos nos ver mais, atualizar o papo. Fico corada, de vergonha, quando me reconheço em tuas crônicas. Vou te pedir: pegas leve, não precisas ser assim tão contundente, por acaso conheces também minha família? Juro... Já vi retratada nelas.
Quero te propor, suspendas à agenda por um dia e vamos organizar um café literário. Sugiro convidarmos também Marina Colasanti, Marília Gabriela e se o céu permitir, também Simone de Beauvoir, confesso minha curiosidade sob o relacionamento aberto que viveu com seu companheiro nos idos do século XX. E o feeling com que realizou abordagens sobre a temática feminina em suas obras. Nossa é muito contemporânea. Se me permitirem levarei uma amiga, do quilate das outras convidadas. A Marina a conhece. É Tânia Rösing, coordenadora das Jornadas Internacionais de Literatura. Evento que se realiza a cada dois anos em Passo Fundo, RS. Além da conversa inteligente, preparem-se meninas para muitas gargalhadas. Tânia tem um senso de humor apurado e muito afiado.
Pensei nisso, porque faço amizade com a bondade das pessoas. Este encontro será a grande reportagem da minha vida. Espero que Marilia me de espaço, quero perguntar muito. Ali seremos todas “lenhas” da mesma fogueira
Mônica, tu sabes, o poder da palavra é imensurável. Palavras e pensamentos estão interconectados. E usar o poder das palavras e dos pensamentos é construir uma vida de paz, alegria e amor.  Imaginem, quantas crônicas serão alimentadas neste dia.  Mal posso esperar.  Um grupo de mulheres desafiadoras, tentando entender o mundo, e ao mesmo tempo dando uma contribuição inestimável.




 Acredito que como os amigos enriquecem nossa vida. Podemos criar uma rede entre nós para nos apoiarmos nas curvas além de sermos pontes que transporão  abismos.
Obrigada guria. Para mim já está marcado.
Vou ali preparar o mate e redigir a pauta... Espero-te!
Não demores...




Rose Santarém –
Historiadora e Jornalista
Passo Fundo – RS –
rosetosanta@gmail.com
Especial para a Sala de Protheus