domingo, 13 de julho de 2014


O mestre Antônio Figueiredo
traz mais uma aula de história
para o Brasilês na Sala de Protheus:

 
Gigante Dorminhoco...

 
“...Temo que tudo o que fizemos foi
acordar um gigante adormecido
e enchê-lo com uma terrível determinação...!”
 
Isoroku Yamamoto

                                     Sempre me intrigou o fato do “gigante” ter o comportamento de um “anão” e foi na História do Brasil e é evidente que não na Oficial, que fui encontrar algumas pistas.
                                    Duas coleções foram muito esclarecedoras para isso: A História do Brasil Nação, (Lilia Moritz Schwarcz - Objetiva) e Getúlio Vargas, (Lira Neto – Cia das Letras). Como ambas as obras se dedicam à História pós 1808, fui buscar em outras leituras sobre o Período Colonial, (1532 – 1808), o complemento do cenário completo.
                                   As perguntas mais constantes que recordo da minha infância são: O que você vai ser quando crescer? E Qual a sua vocação? Pois muita gente confunde as duas coisas, como se fossem o mesmo. O “que ser quando crescer” significa a “ação” a que se pretende dedicar e especializar, já a “vocação” significa que tipo de contribuição se pretende dar através da “ação”, que escolhemos.
                                 Quando crescer você pode escolher ser um engenheiro civil vocacionado tanto a “ganhar muito dinheiro”, como a “contribuir/inovar para o avanço da tecnologia”. É uma escolha funcional pessoal motivada por um “objetivo maior” eleito.
                                 Pois bem, tirando as escolhas infantis mutantes que bailavam ao sabor de qualquer fato novo relevante e da figura dele emergente e me concentrando nas que realmente fiz já a partir da adolescência, pela ordem, eu queria ser quando crescesse: a) um missionário na Ásia, b) um oficial da Marinha de Guerra, c) um físico nuclear e por fim, d) economista, no que realmente me tornei por exclusão e possibilidades.
                               Meus objetivos, pela ordem eram: a) salvar almas pagãs nas Ilhas do Pacífico Sul; b) defender minha Pátria; c) construir a primeira bomba atômica brasileira e d) ajudar o Brasil a se desenvolver e neste “Brasil Potência” fazer que houvesse plena satisfação social e “vida digna” a todos os brasileiros”.



                               O objetivo da “ação” está sempre diretamente ligado a um “benefício”, que muitas vezes não é apenas pessoal ou econômico, mas de todo um “entorno”, (coletividade), que pode visar a própria família ou à comunidade pertencedora. Não pode ser também de acumulação exclusiva, pois a “riqueza individual egoísta” não “faz crescer”.
                             Ação e vocação unidas geram riquezas, mas dissociadas só fracassos. Como diz uma linda parábola do Mestre: a cada um dos seus “empregados” o Senhor deu um “talento” e de cada um deles um dia tomará as “contas”. Dos que recebem mais talentos e recursos, mais será exigido.
Neste ponto se impõe uma pergunta: No que isso se aplica a um país?
                            Desde o descobrimento o Brasil é descrito como um país de riquezas imensuráveis. “Em se plantando, tudo dá”, como já proclamava Pero Vaz e Caminha na sua “carta de descobrimento”, contudo, por ser uma colônia portuguesa jamais pode fazer valer suas escolhas e mais principalmente teve muitas atividades proibidas para não concorrer ou quebrar privilégios portugueses.
                            Por isso a atividade extrativista inicial, (pau-brasil), assim que esgotada, foi seguida da atividade agrícola, (cana de açúcar) e por se ter tornado uma atividade geradora de muita riqueza, chegando a atrair a cobiça da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, tanto na Bahia como em Pernambuco, com o crescimento da concorrência antilhana, passou a dar ênfase à mineração, (ouro e diamantes).
                              Foi somente após a elevação a Reino Unido, que se começou a tomar decisões de geopolítica no país, todavia até 07/Abril/1831, que muitos dizem ser a efetiva data da Independência, (abdicação ao trono brasileiro por D. Pedro I), todas as decisões eram do exclusivo interesse estratégico de Portugal. Mesmo as lutas para a preservação da unidade territorial contra as muitas revoltas regionais obedeceram a esses interesses.
                               A rigor, somente após a ascensão ao trono por D. Pedro II, (27/Julho/1840) efetivamente o Brasil começou a “pensar” como uma Nação, mas a “nacionalidade fragmentada” e “mal curada” pelas disparidades entre o Sul, o Sudeste e o Norte/Nordeste já prediziam o fracasso dessas “primeiras tentativas” de Federalismo. Coube ao Imperador servir de “cimento” a essa “integração nacional”, pois que o “endividamento histórico” da Nação com a Inglaterra e a Guerra do Paraguai consumiu a maior parte dos recursos, que poderiam se destinar ao desenvolvimento integrado nacional.
                              Sobreveio a República e nos 124 anos seguintes, tivemos 45 anos de “ditaduras de ideias”, (1930/54 e 1964/85), 25 anos de “normalidade”, (JK e desde 1994 até hoje) e 54 anos de “crises” pela absoluta incapacidade de um “diálogo de união nacional” entre as frentes políticas protagonistas. As “caudatárias” de Pernambuco, Bahia, e Rio Grande do Sul e as “hegemônicas” de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. O brasileiro não é um “bicho político”, é um “verme hegemônico”.
 
 
Foi sempre o “gigantismo territorial”, as “disparidades regionais” e a falta de um “projeto geopolítico nacionalista”, que retardaram o projeto “Brasil Nação”. Coube exclusivamente aos Governos Militares, na figura do Gal. Golbery do Couto e Silva esta tarefa e que deu ao Brasil o protagonismo de que passou a gozar no cenário internacional até os dias de hoje, apesar dos muitos erros estratégicos cometidos, principalmente a Reserva de Mercado da Informática nos anos 70 por interesses militares. (Dec. 70.370-1972).      
                       Desde os tempos coloniais e ainda baseados no sistema de capitanias hereditárias o Brasil sempre foi incapaz de se enxergar como um “todo”, tanto que as relações de cada parte sempre foram diretamente com a Metrópole. Os governadores gerais e vice-reis sempre tiveram mais papel fiscalizador do que administrativo na colônia. Consequências disso, nossos políticos sempre foram ensinados a olhar a “freguesia” e a dirigir-se ao Poder Central, exclusivamente para reclamar em prol dela.
                             Num sistema federativo real seria a somatória das capacidades políticas e de organização do Estado, que estruturariam uma “matriz de nação”, considerando seus recursos, (materiais e humanos), a infraestrutura necessária e os “objetivos nacionais permanentes” a serem perseguidos e alcançados. Como as riquezas são territorial e desigualmente distribuídas, aplicaria às regiões menos favorecidas políticas de “incentivo” ao desenvolvimento equilibrado em relação ao todo nacional, maximizando suas “vantagens competitivas”, para não cair em uma política assistencialista permanente. Isto é, no “coronelismo clientelista”.
                                Os “objetivos nacionais permanentes” deveriam contemplar a população com políticas de Saúde, Educação, Segurança e Ocupação Territorial e mais, “montar um arcabouço legal” competente a proteger os direitos e cobrar os deveres do cidadão e do Estado no sentido de que a força da “união dos recursos” atinja os objetivos da Nação como Estado Nacional e do “bem estar” da “sociedade” em particular. Este é o único pressuposto aceitável de uma “sociedade justa e igualitária”.
                                  Estamos nos aproximando de mais uma eleição geral e a verdade é que nenhum dos aspirantes apresenta quaisquer propostas, que resgatem o Brasil dessa “improvisação histórica”. Falta a qualquer candidato, muito mais que competência intelectual a “coragem estadista” de mostrar essa nossa “face necrosada” de Nação e propor os “remédios amargos” para sua cura definitiva. Falta aos “políticos do Congresso” e de todos os Legislativos o “espírito público” verdadeiro e enfim aos juízes de todas as instâncias o real desejo de “praticar justiça”. São oligarquias que não pretendem ou querem “mudanças”.
                                    O Brasil tem se transformado ao longo da sua história mais recente numa “fábrica de excluídos” e é isso o que interessa aos políticos. Getúlio Vargas cuidou do “excluído trabalhador” e começava seus discursos com o famoso: Trabalhadores do Brasil. Hoje por terem crescido de uma maneira exponencial os “excluídos genéricos” ou os “sem alguma coisa”, não me admiraria se algum deles começar a discursar: Excluídos do Brasil. Seria eleito, como tem sido nos últimos mandatos. Sucedeu-se à “fase do acumular para distribuir” a “fase do distribuir sem ter”.
 
                                   Já houve tempo em que o título de eleitor era a “declaração de bens”, todavia pelo menos neste aspecto evoluímos e muito já mudou no país. Certamente, se hoje ainda apresentamos tantos problemas, o eleitor é o grande responsável pela manutenção de um quadro político tão despreparado e descompromissado. Ainda que a Democracia Brasileira tenha sido construída “sem povo” por vontade exclusiva “de cima para baixo” conta hoje com uma classe média muito grande, mesmo sem contarmos a “recém-promovida”, que compartilha os mesmos problemas dos direitos, que lhe são negados.
                                Reza a Constituição: O Governo será exercido do povo, pelo povo e para o povo..., portanto cabe ao “povo” fazer valer esse princípio pela manifestação objetiva da sua vontade.
                            Não se vota por partidos e/ou salvadores da pátria... Vota-se por direitos.

 

Das percepções e pesquisas de
Antônio Figueiredo – Entre Algum Lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania
 
 
 

sexta-feira, 11 de julho de 2014


O Professor, Historiador e Pesquisador
Marlon Adami de Brasília – DF –
É o convidado da Sala de Protheus

 

DECRETO 8243... Ditadura?
 
“...Na ditadura, o Poder é o monstro do povo.
Já na democracia, o povo é o monstro do Poder...!”

Juahrez Alves
 
                 O Decreto nº 8.243, de 23 de maio deste ano, que cria a “Política Nacional de Participação Social” e o “Sistema Nacional de Participação Social” tem por finalidades: 1) manter o PT, indiretamente, como protagonista dentro do governo federal (no caso de uma eventual derrota do partido nas urnas); 2) corroer a democracia representativa; 3) enfraquecer o Congresso; 4) acelerar a criação de uma nova Constituição.

                 O art. 1º do Decreto nº 8.243/2014 institui a Política Nacional de Participação Social (PNPS) estabelecendo o objetivo de “fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil”. E o art. 4º, I, estabelece, dentre outros objetivos da PNPS, o de “consolidar a participação social como método de governo”. Em princípio não há nada de muito estranho nisso, pois existem outras normas vigentes no Brasil que valorizam a participação social no âmbito da Administração Pública (v.g. artigos 32 e 33 da Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999 e art. 2º, art. 4º, III, “f”, e § 1o do art. 32 da Lei no 10.257, de 10 de julho de 2001).
Ocorre, no entanto, que ao contrário do que acontece com outras normas que enfatizam a participação, colocando-a como uma possibilidade ou como ferramenta de planejamento a ser ou não concretizada pelos administradores públicos, o Decreto nº 8.243 enfatiza a promoção da participação como um dever da Administração Pública Federal e, logo, acaba transformando a participação social em um “direito”. O art. 3º do referido decreto concebe a participação como um direito e o art. 5º do mesmo decreto diz que “os órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta deverão, respeitadas as especificidades de cada caso, considerar as instâncias e os mecanismos de participação social, previstos neste Decreto, para a formulação, a execução, o monitoramento e a avaliação de seus programas e políticas públicas”, ou seja, o decreto amarra a atuação do governo federal à participação dos movimentos sociais, coletivos e ONGs, colocando-os como juízes do agir estatal.

 
O art. 2º, I, do Decreto nº 8.243 diz que a sociedade civil abrange “o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”. Para compreender o alcance das pretensões desse decreto é preciso refletir sobre o que se entende usualmente por “movimentos sociais”, “coletivos” e sobre a temática da participação.
Há quem diga que os movimentos sociais abrangem atores coletivos de diferentes classes e com interesses distintos, entretanto, convém lembrar que além da noção de movimento social estar historicamente relacionada com movimentos que lutam por transformações sociais – amiúde mediante expedientes revolucionários -, o conceito corrente de movimentos sociais está muito longe da leitura que Gohn faz dos mesmos. A noção contemporânea de movimentos sociais não é pluralista, pois exclui grupos que procuram influenciar os governos de forma desalinhada da agenda socialista. Assim, para todos os efeitos, as associações de empresários, os grupos pró-vida, as associações religiosas cristãs não progressistas, as organizações que lutam contra o desarmamento civil, entre outras, não são considerados “movimentos sociais”. Nada que cause espécie, haja vista que a atual conceituação de movimento social é um upgrade do conceito de classes marxista.
Se em Marx existia uma classe opressora e outra oprimida, para a new left existem - dentro do vasto portfólio dos maniqueísmos que produzem - de um lado as forças “antidemocráticas”, “antipopulares” e “fascistas” e de outro os “movimentos sociais”.
                              Os coletivos, por sua vez, seguem a mesma lógica. Em verdade, pode-se afirmar que são desdobramentos ou nós dentro da rede dos movimentos sociais. Não existem “coletivos” fora da esfera de influência das esquerdas.
Os movimentos sociais e os coletivos, portanto, são aqueles que as forças de esquerda classificam como tal.
Embora o decreto coloque o cidadão dentro do conceito de “sociedade civil”, a “participação” se dará por meio dos movimentos sociais e coletivos.
                             Os regimes totalitários caracterizam-se, dentre outras coisas, pela pretensão de colocar a política no centro da vida das pessoas. Não se quer dizer com isso que os totalitarismos estão abertos a uma espécie de controle “social”, “popular” ou “cidadão”, e nem se está aqui sugerindo que tais regimes são “participativos”; longe disso. Os Estados totalitários requerem uma aparência de cidadania total.
Norberto Bobbio, ao analisar a democracia direta grega e o modelo rousseauniano de democracia, observou que “o cidadão total e o estado total são as duas faces da mesma moeda”, tendo em comum o princípio de que “tudo é política”, o que implica “a redução de todos os interesses humanos aos interesses da polis, a politização integral do homem, a resolução do homem no cidadão, a completa eliminação da esfera privada na esfera pública”.

                              O Decreto nº 8.243 acabará por criar uma identificação artificial entre a sociedade civil e os movimentos sociais, os coletivos e as ONGs. Destarte, quando movimentos sociais e coletivos, institucionalizados ou não, participarem na formulação, na execução, no monitoramento e na avaliação de programas e políticas públicas do governo federal entender-se-á que foi a sociedade civil que participou.
                              A sociedade civil - ou simplesmente a sociedade - é “a esfera das relações entre indivíduos, entre grupos, entre classes sociais, que se desenvolvem à margem das relações de poder que caracterizam as instituições estatais”. O conceito de sociedade civil não é o mesmo de movimento social ou de coletivo. Movimentos sociais e coletivos fazem parte da sociedade civil, mas não a representam em sua totalidade e complexidade.

                              Gramsci cunhou a expressão aparelhos privados de hegemonia para designar as instituições da sociedade civil voltadas a estabelecer uma visão de mundo hegemônica sobre as outras visões mediante a ocupação de espaços. Apesar de o conceito de aparelho privado de hegemonia poder, em princípio, ser aplicado a organizações que representam diferentes correntes ideológicas, seu uso está umbilicalmente atrelado aos discursos e projetos socialistas orientados para a conquista da hegemonia.
                              Quando Gramsci fala em aparelhos privados ele está, em princípio, pensando especificamente em cooptar o empresariado, os proprietários, enfim, a "classe dominante", com vistas a atrelar a sociedade civil ao Estado. Com o tempo, aparelhos de outras configurações, ou seja, não necessariamente "privados" no sentido preciso do termo, foram sendo inseridos na dinâmica da luta pela hegemonia. O termo "privado" aproximou-se cada vez mais da ideia de não estatal. Dizer "privado" não quer mais necessariamente dizer "empresarial" ou algo relacionado com a classe que Gramsci considerava dominante. O crescimento vertiginoso das ONGs e o fortalecimento dos movimentos sociais trouxeram novos subsídios para uma teorização estratégica sobre os aparelhos de hegemonia.
                               Gramsci trabalha estrategicamente com o conceito genérico de “sociedade civil” (ou “sociedade civil organizada”), camuflando por meio dele a orientação para ação (que pode ou não se restringir ao campo do discurso) direcionada a movimentos específicos comprometidos com a imposição da hegemonia socialista.
No caso de o PT ser derrotado nas urnas, o Decreto nº 8.243/2014 garantirá ao partido a permanência nas estruturas do Estado por meio das organizações e movimentos a ele atrelados.


É preciso compreender que o Decreto nº 8.243/2014 é fruto de uma longa trajetória de consolidação da hegemonia socialista.
Durante todo o tempo em que esteve no comando do Estado, o PT empenhou-se em ampliá-lo, criando e fortalecendo seus aparelhos de conquista da hegemonia: os movimentos sociais, os coletivos e as ONGs.
                                As forças políticas que conduzem o Estado ampliado procuram justificá-lo e legitimá-lo por meio do expediente retórico que sugere que quem na verdade se amplia é a sociedade. Diz-se então que é a sociedade ampliada (movimentos sociais, coletivos e ONGs) que controla o Estado e não o contrário.
Se o PT fracassar nas eleições, o partido não mais conduzirá o Estado ampliado, mas subsistirá, no governo de qualquer partido, por meio da sociedade ampliada que o partido mesmo criou.
O Decreto nº 8.243/2014 rateia preventivamente a condução do governo federal entre o PT e qualquer outro grupo político que venha a assumir o poder. Não obstante, o decreto permitirá ao PT obstar e prejudicar a atuação de outro partido que eventualmente.
Como cidadão, digo eu... Pense... Não dói!

  

Baseado totalmente nas interpretações do Prof. Marlon Adami
Graduado em História - Pós Graduado em Filosofia Política -  Pesquisador – Brasília – DF –
Colaborador do Programa #RadarNews da Rádio Beto Mous em  http://www.betomous.com/p/radio-mous.html
Mais materiais inclusive em vídeos no blog do Prof. Marlon Adami - Em http://bunkerdacultura.blogspot.com.br/ 

 

 

 

segunda-feira, 7 de julho de 2014


Antônio Figueiredo Suas
Histórias Vividas e Seu amor
Pelo Brasil na Sala de Protheus:

 
ESPELHO MEU...

 
Espelho, meu! Espelho, meu!
 Por que a imagem que refletes não sou eu?

                                           Sou do tempo em que o Brasil era, tão somente, o maior produtor mundial de café e o no futebol ainda conservávamos o “complexo de vira-latas”, como assim nos definia Nelson Rodrigues e que ultimamente vem sendo usado para uma grande quantidade de outros grandes temas nacionais. Já Ary Barroso preferia classificar-nos como “mulato inzoneiro” por nossa “preguiça malemolente” a sermos cantados em versos na sua Aquarela do Brasil.
                                         Há muito deixamos de ser uma sociedade de cafuzos, mamelucos, mulatos, negros e brancos, para nos tornarmos ao lado dos EUA na segunda maior democracia racial do planeta, assim como desmentimos a acaciana profecia europeia, de que nos trópicos jamais haveria uma nação desenvolvida e rica. Por fim, nos tornarmos pentacampeões mundiais de futebol, ganhando cinco das dezesseis Copas do Mundo disputadas e com a possibilidade de ganhar o sexto caneco.
                                         Fui um privilegiado nascituro do ano de 1945, a cuja existência foi dada ver uma transformação econômica e social fenomenal a ser decantada no futuro histórico, como aconteceu com as grandes nações nos séculos de XXVIII a XX. Ainda que paulistano de nascimento, a vida me tornou “cidadão brasileiro” por minhas escolhas pessoais e profissionais, que me levaram a viver fora. Dos sessenta e nove anos de vida por trinta e seis vivi fora da “minha Paulicéia Desvairada”.
                                        Ainda aos dez anos idade, (em 1956, onze anos após o fim da II Guerra Mundial), fui estudar por três anos em um Seminário de padres alemães em Santa Catarina e ali aprendi a disciplina germânica. Aos vinte e oito anos mudei-me para Belo Horizonte e ali por cinco anos aprendi a amar a “cozinha mineira”, as mineiras e o sertão mineiro. Conheci o Serrado, o Vale do Rio Doce e as nascentes do Rio Grande. Pesquei por todo o Rio Urucuia, Jequitai, São Francisco e das Velhas e neles dormi “embarcado muitas noites sertanejas”. Enfim, inundei minha alma de Minas Gerais e contemplei “febril” as “esmeraldas” na Serra do Cabral desde a foz do Guaicui como um Fernão Dias moderno.
                                         De novo aos trinta e oito anos voltei às Minas e por onze anos me tornei “fazendeiro peão” na divisa de Minas Gerais com o Rio de Janeiro entre os trabalhadores rurais, meus empregados. Por fim desde os cinquenta e dois anos e até hoje me tornei baiano e da Bahia fui “bandeirante” por todo o Nordeste. (Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará). Caçador de almas.
 

                                        De que me serviu essa “hégira brasiliana”? Vim aprender a “ser brasileiro” fora do Sul/Sudeste. Não como um turista, que vem para “explorar” maravilhas e encantos, mas como conterrâneo. De cada um desses lugares fiz minha “terra natal”, procurando entender seus regionalismos, aspirações e angústias.
                                      Comi das suas comidas, dancei nas suas festas, mas também compartilhei das suas dificuldades e misérias e ainda que tenha nascido falando “porra meu”, aprendi o dialeto do “uai” e hoje sou “poliglota nacional” falando “oxê” e “vice”.
                                        Minha profissão levou-me a ser um viajante frequente e daí conheci Mato Grosso, Amazonas, Pará, Goiás, Brasília, Paraná e Rio Grande do Sul, sempre tomado da mesma curiosidade. A de saber o que pensam os “diferentes brasileiros”. Minha paixão particular por História me fez entender do “misticismo” de um Antônio Conselheiro em Canudos, da luta na construção da Nação em Guararapes e da Independência da Bahia um ano após a do Brasil.
                                     Já dizia o Maestro Antônio Carlos Brasileiro Jobim, que “o Brasil não conhece o Brasil” e é isso o que nos enfraquece como povo e Nação. Não juntamos as diferentes sinergias regionais, para transformá-las na “força vital da brasilidade” e da cidadania. Poucos leram ou leem Ariano Suassuna, Graciliano Ramos, João Cabral de Mello Neto, Catulo da Paixão Cearense, Guimarães Rosa e tantos outros cronistas, que tão ricamente falam da “alma brasileira”.
 
 
                                       Enquanto o privilégio de um idioma pátrio comum foi forte o suficiente para manter coesa a Geografia, a vastidão territorial continental separa e principalmente os “orgulhos regionais” perversamente dividiram e muitas vezes depreciaram um sentimento de brasilidade comum, fato que tem tido uso político para manutenção de hegemonias até nossos dias.
                                       Não é o discurso torto, que divide uma sociedade e sim o desconhecimento e a compreensão da realidade alheia subestimando-a inferior, que a condena muitos ao assistencialismo. Durante os Governos Militares foi feita uma renúncia fiscal de vários bilhões de dólares para Programas de Desenvolvimento do Norte e Nordeste, (Fundo 157, Finam, Finor e muitos outros), para implantação de projetos industriais. No final serviram para reequipar fábricas do Sul/Sudeste, que para lá mandavam em troca seus equipamentos obsoletos. Todos esses projetos faliram e caíram nas costas dos contribuintes. Coisas do Brasil de todos os tempos.
                                      O capital não tem ideologia, tem taxa de retorno e esse acordo entre as oligarquias econômicas e políticas nunca teve a vergonha de divorciar-se da “filosofia motora”, para “se casar” na divisão dos resultados. Como dizia um mestre na faculdade: O Capitalismo é a exploração do “homem pelo homem”, já o Comunismo é exatamente o inverso, no que tange ao “homem pelo homem”. O pragmatismo sempre vence a utopia e por isso Socialista, Comunista, Esquerdista, Direitista e Centrista sempre frequentaram a mesma “boca do caixa”. A do Tesouro Nacional.
                                      Já vivi o suficiente para descrer da “democracia justa, igualitária e fraterna”, que dita nossa Constituição e a decantam nossos políticos. Isso é demagogia estúpida, pois não existe uma “organização humana de iguais real” sob quaisquer dos aspectos. Apenas a garantia do alcance aos “direitos” à Educação, Saúde e Justiça, como objetivo mínimo e como o conseguiram muitas nações, já seria um passo sólido. Já na Economia, que as distâncias não sejam tão grandes. Justiça social não se impõe por lei, mas por luta diária DE TODOS, ricos e pobres. É a “lei do equilíbrio dinâmico”.
                                     É apenas isso, que um “bolsista nordestino” almeja. Falar em “justiça social” de um salário mínimo é o mesmo que assumir que um estômago da caatinga acostumado à carestia precisa de menos comida, que o pé se conforta com um calçado apertado, ou que “mais vale um rico cheio de saúde, que um pobre tuberculoso”. O Nordeste apenas apela por respeito e o reconhecimento de seu potencial e carências. Os últimos 20 anos mudaram radicalmente o perfil de Bahia, Pernambuco e Ceará, principalmente, mas ainda mantem em muito sua desigualdade de vida.
 
 
                                 Já segui e pensei todas as “ideologias” possíveis, mas a que hoje me move é a da “cidadania pragmática”, que depende exclusivamente de nós e não precisamos pedir licença aos políticos para praticá-la. Eles têm a protegê-los seu “corporativismo fraterno” e nós logo ali na esquina o tráfico de drogas “adotando” nossos filhos, os ditos “movimentos sociais” exigindo direitos pelos quais não trabalharam e apenas o exigem porque outros já o conquistaram.
                                   Somos os que têm que batalhar pela autossobrevivência e isso não se constitui em “vergonha”. A “classe média” é sempre a referência e o “alvo” imediato, principalmente do fisco e em uma convulsão sociais tomadas as propriedades dos “ricos”, imediatamente após a normalização eles serão ressarcidos regiamente, mas será a classe média quem pagará a conta e terá seus bens e direitos mais violentamente subtraídos. Estigmatizada atualmente como “elite”, ou se envolve diretamente na mudança dos costumes e organização política, ou certamente terá a “cabeça” recolhida em cestos para delírio da turba.
A História e Barrabás ensinam... Nem Ele se salvou...

 

Das percepções e pesquisas de
Antonio Figueiredo – Entre Algum Lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania



 

quinta-feira, 3 de julho de 2014


#Serie Pensar:

 “A Sociedade Consegue Mudar?”

"... De nada serve acreditar que algo está certo se isso não contribui para ajudar uma pessoa em aflição...!".
.Jostein Gaarder
 
                                                  Conversando com um amigo do Paraná, muito sábio e admirado, estes dias que mostra o inverno frio e chuvoso no sul, discorríamos sobre os acontecimentos no Brasil. De toda sorte sobre tudo... Mas principalmente sobre o individuo enquanto parte da sociedade e seu papel para que nos transformemos, definitivamente, em uma sociedade moderna, democrática, com valores que aprendemos na infância – em nosso caso -.
Brian Weiss, em uma de suas obras cita Albert Einstein assim:
O ser humano é parte de um todo que chamamos de universo, uma parte limitada no tempo e no espaço. A pessoa experimenta a si mesma, seus pensamentos e sensações como algo separado do restante - trata-se de uma espécie de ilusão de ótica de sua consciência. Essa ilusão nos aprisiona, limitando-nos a nossos desejos individuais e a sentirmos afeto apenas pelas pessoas mais próximas. Nossa tarefa deve ser libertar a nós mesmos dessa prisão, alargando nosso círculo de compaixão para podermos abarcar todos os seres viventes e a natureza inteira."
Mas o que queremos dizer com isso tudo?
Faço de meus aprendizados uma forma, sem a pretensão de ser exemplo, muito pelo contrário. Utilizo apenas como forma dos valores aprendidos com meus pais.
Diga-se de passagem, pobres com quase nenhum estudo. Mas com suas vivências adquiriram certa cultura. Esta vinda, por sua vez, de seus pais, ou ainda, de suas descendências europeias.
Meu pai era “grosseiramente” afirmativo:
Meus filhos: Vocês nunca podem ser: Ladrões, viciados (neste caso e à época em drogas como maconha e outros) e, principalmente, serem homens honrados e cavalheiros.
Mesmo em sua ignorância (ausência de estudo formal) ele tinha a o cavalheirismo com uma forma de gentileza para tudo. Principalmente no tocante às mulheres.
Com meu amigo paranaense tocamos nestes assuntos e ele me sai com uma pérola: Um verdadeiro aforismo moderno.
Disse-me ele:
- “A sociedade (Brasil) vai mudar quando se arrepender de seus “pecados” – erros -...!”.
 Aquilo me soou de uma profundidade de sua essência.
Mas aonde queremos chegar com todo este “discurso”.
Simples.
O Brasil está acordando. Sim. Tenho convicção disso acompanhando os últimos acontecimentos.
Com tantos “erros” para não utilizar outros adjetivos de nossas instituições (leia-se homens brasileses à sua frente) como Presidência, Justiça e Congresso Nacional – com isso repercutindo, nos mesmos poderes, nos Estados e  Munícipios e nossa imensa nação.
Um exemplo natural e considerado normal?
Com prazer.


                                       Quando cometemos um erro, seja ele do tipo e da dimensão que for, darmo-nos conta disso, sofrer conosco mesmo por isso, arrependermo-nos e com isso corrigirmo-nos e tentar, desta forma, auxiliar outros para que não “caiam” no mesmo erro, estaremos além de generosos sendo partícipes de uma grande família que chamamos de irmãos e sociedade.
Assim este arrependimento fica como exemplo para os que virão. Não como regra geral, é claro. Mas como inicio de pensamentos do que somos e o que queremos para o outro. Este outro que está próximo de nós e que precisamos dele.
Se adentrarmos no sistema político, vale lembrar que atualmente no mundo ocidental impera o Capitalismo.
É o melhor que existe?
Não sei. Sinceramente, não sei. Mas é o melhor que existe atualmente.
 
Socialismo?
Eis uma mentira pregada, defendida e tentada ser colocada e prática há mais de um século. E em todos os lugares em que foi tentado... Houve sofrimento geral.
Somente poucos se “locupletaram” como estamos assistindo e sentindo no Brasil atual.  Alguns com nenhuma sensibilidade dita “social”, literalmente, “enchem” seus bolsos e através e, exclusivamente, de mentira  enganam a todos.
A sociedade atual está quebrada?
Não. Mas está em uma fase que precisa ser repensada. E nosso amado povo brasilês está acordando... Está se informando... Está ficando inconformado com o que está vendo... Com o que está sentindo... Como seus filhos “não estão” sendo educados; nem na família e, muito menos, instruído nas que deveriam ser escolas.
Estas, por sua vez, estão funcionando mais como uma “indústria” de produção de massa, de “não conhecedores de coisa nenhuma” do que servindo de padrão de conhecimento adquirido. Triste isso, mas é verdade.
Mas aonde se quer chegar com isso tudo.
Simples!
A sociedade, de modo geral, como esta grande família brasilesa precisa pensar e entender que ela é que tem o poder e não as instituições.
Estas, as instituições, são apenas suas representações.
Se as instituições não estão funcionando, muda-se quem está em seu comando. Simples.
 
 
Nós, os cidadãos, temos o poder... Não elas.
Como bem diz o nome elas são apenas “representativas”.
E atualmente elas estão representando nossa pior parte... Nosso lado mau.
E não somos maus. Talvez passivos. Mas não maus.
A ganância é um “pecado” para as religiões. Todas elas.
Mas ela é a pior das atitudes do homem sobre o próprio homem.
Aquele que só quer ganância não tem sentimentos. Se não tem sentimentos é um psicopata.
Não podemos ter psicopatas em nossas instituições... Não podemos ter ladrões... Não podemos ter seres sem caráter... Sem valores... Sem dignidade natural.
E se não os temos, precisamos urgentemente mudar os homens e manter nossas instituições representativas.
Assim nos mantemos. Caso contrário corremos o risco de sermos extintos como sociedade, como família e como seres que herdamos maravilhas de nossos antepassados.
Eles deveriam ser o que somos. Não são.
Então está na hora de pensarmos em nós mesmos, para começar, em seguidinha em nossos filhos. Caso contrário ficará uma “amarga” herança da qual não se orgulharão nunca.
Vamos pensar juntos? Outubro está ai...
E em janeiro de 2015 começarmos a fiscalizar tudo... Desde o primeiro dia e não deixarmos mais acontecer o que ocorre atualmente em nosso amado Brasil.
Juntos somos fortes. Mas somente juntos.
Afinal pensar não dói...
 

Entendimentos & Compreensões
Dos diálogos com Ary Kara
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