domingo, 12 de fevereiro de 2017

Reforma do Ensino Medio!

#SOSEducacao:


Reforma Do Ensino Médio...

- Medida “precipitada” -
                                                 
“As coisas não são ultrapassadas

tão facilmente, são transformadas...!”

Nise da Silveira – 1905/1999

Médica brasilesa


No ensino público: faltam 400 mil professores no ensino básico (fundamental e médio) no País. A maior carência é para as disciplinas de matemática, química, física e biologia. Há escolas que nem as têm na grade.
O Brasil dá mais ênfase ao topo, o ensino superior, do que à base, o ensino fundamental. O resultado é outra manifestação de instabilidade: a qualidade do ensino superior vem sendo puxada para baixo por causa da má qualidade do ensino médio; e este também vem perdendo qualidade por causa da piora no ensino fundamental.

É necessária cautela na unificação das 13 disciplinas do ensino médio público nacional em quatro grandes áreas do conhecimento - anunciada recentemente pelo Ministério da Educação (MEC). Pela proposta, prevista para vigorar a partir do próximo ano, as disciplinas serão integradas em ciências humanas, ciências da natureza, linguagem e matemática.
É uma medida "precipitada" e sugere a criação de um debate na sociedade a fim de aperfeiçoar o projeto e apresentar solução para os problemas crônicos do ensino médio nacional. O que se teme é que o ensino médio fique mais genérico e prejudique os alunos, principalmente os menos favorecidos que não podem estudar em escolas privadas.
A impressão que se tem é a de que, para evitar o problema de evasão escolar, querem baixar medidas sem enfrentar as causas mais profundas do ensino médio.
Pelo meu entendimento, a iniciativa do MEC contraria as novas diretrizes do ensino médio aprovadas pelo Conselho Nacional da Educação (CNE) em estabelecidas na Resolução nº 2/97. Conforme as normas aprovadas pelo colegiado do CNE, os componentes curriculares devem ser organizados em quatro blocos, garantindo a permanência das 13 disciplinas. Isto é, Linguagens, reunindo as disciplinas de línguas portuguesa, materna para populações indígenas e estrangeira moderna; arte - em suas diferentes linguagens (ciências, plásticas e musical) e educação física. Outro bloco é matemática, sozinha. Há também o bloco ciências da natureza que reúne biologia, física e química. Outro é ciências humanas que abrange as disciplinas de história, geografia, filosofia e sociologia. A proposta do MEC de integração das disciplinas do ensino médio sinaliza uma manobra em uma tentativa de "resolver a falta de profissionais" no País. É "temerário" mudar primeiro o currículo para ajustá-lo depois. Sou favorável à inovação e às novas iniciativas, mas essa decisão, no mínimo, é precipitada.
Livros didáticos articulados - Além de considerar precipitada a unificação das disciplinas do ensino médio, considero também prematuras as metas do Plano Nacional do Livro Didático (PNLD) de 2015 as quais preveem a distribuição de livros e material didáticos articulados com outras áreas do conhecimento.
É impossível atingir a meta. O Brasil não tem escritores para escrever esses livros e não estão explícitos os possíveis escritores e atores que poderão contemplar a interdisciplinaridade de textos para o ensino básico.
Defendemos o decálogo:
                                            
1. Criar cursos técnicos, de acordo com as necessidades do mercado de trabalho e reservar 800 horas para a sua ministração, na 3 ª série, deixando a escolha a cargo dos alunos;
2. Preparar professores para os cursos técnicos;
3. Elevar para 70% o domínio de Matemática e Leitura, num prazo de 5 anos;
4. Ampliar o número de escolas de tempo integral, com professores de dedicação exclusiva e salários compatíveis;
5. Considerar o potencial da educação a distância. O Brasil tem, hoje, 1,1 milhão de alunos frequentando os vários cursos dessa modalidade;
6. Construir bibliotecas e laboratórios, especialmente de informática;
7. Criar, dentre os gestores escolares, o cargo de Inspetor de Qualidade de Ensino (IQE), para acompanhar adequadamente o cumprimento pleno do currículo escolar;
8. Cuidar efetivamente da assistência aos alunos portadores de necessidades especiais, incluindo-se as altas habilidades (superdotados);
9. Oferecer bônus aos professores e especialistas por resultados; 
10. Corrigir a defasagem idade/série. 
Temos também a esperança de que a educação a distância seja também de extrema utilidade no ensino médio. 
Os países desenvolvidos, como a Inglaterra, experimentaram unificar as disciplinas do ensino médio sem sucesso. A sorte é que eles têm mecanismos rápidos para reverter uma decisão dessa magnitude. 
O MEC, ao invés de atacar o problema principal que é a de formação de professores, inventa mais uma moda: "modismo" da integração e das disciplinas. O Brasil não tem uma Pedagogia. Tem várias, sobrepostas, muitas vezes sem conexão umas com as outras. A história da Pedagogia brasileira é uma espécie de colagem de modelos importados, que resulta em um quadro sem sequência bem definida. 
Não existe uma pedagogia “pura”, ou seja sem influência de outras pedagogias ou do contexto social em que se desenvolve. Última moda é o Construtivismo, que nem é método pedagógico, mas sim um conjunto de teorias psicológicas sobre as estratégias utilizadas pelo ser humano para construir o seu conhecimento.
Ainda que o conhecimento seja integrado, o estudo tem de ser dado de forma desintegrada porque em algum momento haverá necessidade de se ter todas as bases para formar o conhecimento integral.
A reforma do ensino médio por meio de Medida Provisória evidencia que o governo de Michel Temer está sem rumo. O que me preocupa é que os mesmos que conduziram a desastrada política do MEC na era do FHC estão por trás dessa nova reforma. 

A Lei de Atualização e Expansão do Ensino de 1º e 2º Graus – Lei n. º 5.692, de 11 de agosto de 1971 - o 2º grau, com três ou quatro séries, apresentando uma terminalidade para permitir o engajamento em atividades profissionais de nível intermediário e o aproveitamento de estudos específicos no curso superior. A Lei n. º 7.044, de 18 de outubro de 1982: altera dispositivos da Lei n. º 5.692, de 11 de agosto de 1971, referentes à profissionalização do ensino de 2º grau. Foram muitas as leis definidoras da educação brasileira. Enfrentando muitos atropelos e uma vida média, em geral, inferior a dez anos, sucederam-se as reformas.

A mudança chamou atenção e provocou discussões no país ao incluir a possibilidade de escolha de diferentes trilhas de formação tradicional e técnica, educação integral e autorizar a contratação de professores sem licenciatura, mas que apresentem "notório saber": sem professor habilitado, só milagre!

O que deve ser considerado prioridade no ensino médio, são investimentos pesados na qualificação de professores que possam preparar os alunos antes do ingresso nas universidades. Hoje o indivíduo que conclui o ensino médio não está habilitado a nada. É apenas um generalista não preparado para o mercado de trabalho.




Dos Diálogos com Nelson Valente – 
Professor universitário, jornalista e escritor
Blumenau – SC = 
Publicado Originalmente no Grupo Kasal
Konvenios – Vitória – ES.
http://www.konvenios.com.br/info/verArtigo.aspx?a-id=28552
Arquivos da Sala de Protheus 
https://salaprotheus.blogspot.com.br/

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