sábado, 4 de fevereiro de 2017

E Os Dias Bons...!


 #PensarNaoDoi:

E Os Dias Bons...!
                                            
“Os bons vi sempre passar

No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.”

Luis de Camões


                                    Óbvio que você deve ter lido uma infinidade de livros que asseguram ter descoberto a fórmula mágica para encontrar senão a felicidade, dias mais felizes.

Não se preocupe, eu próprio já li vários deles desde minha adolescência. Confesso que tirei muito pouca coisa de aproveitamento... O resto páginas lotadas de lixo de autoajuda barata.
O motivo é simples. Para ser distante e até um pouco antipático é preciso estar, de certa forma, com algumas amarguras não resolvidas. Estar amargurado, é na realidade que trará a felicidade.... Ou alguns dias melhores. Você poderá me dizer que é uma “desculpa” dos melancólicos. Pode até ser, mas, o êxito de uma vida não é a busca da própria felicidade que me levará a algum lugar e sim os momentos que fico feliz comigo mesmo. 
O restante: mera transferência.
                                          
                              É lógico que você pode pensar que o seu objetivo na vida é ser feliz. Centenas de contos e fábulas infantis, tradições milenares, escritos filosóficos e preconceitos culturais podem tê-lo orientado para a busca da felicidade, ainda que ela possa se parecer com o “Santo Graal” (Santo Graal é uma expressão medieval que designa normalmente o cálice usado por Jesus Cristo na Última Ceia, e onde, na literatura, José de Arimateia colheu o sangue de Jesus durante a crucificação, entretanto a origem do Santo Graal é muito anterior ao cristianismo, o Graal já existia entre os Celtas. Milhares de anos antes de Cristo). Ainda que esteja etiquetado com a palavra utopia, e, além de tudo, saiba que milhões de pessoas na história a procuraram antes de você e não obtiveram sucesso.

A felicidade é supervalorizada em detrimento de uma certa amargura, ou se preferir, melancolia.
                                  A busca da felicidade não nos leva a conseguir sermos felizes. Na realidade, precisamos de infortúnios, desgraças, tragédias, catástrofes, crimes, pecados, delírios e perigos nas nossas vidas. E senão os tivermos, nós os inventamos. Por quê?
Porque, no fundo, a felicidade é chata. Imagine um coro de anjos sorridentes pousando numa nuvem e logo estará bocejando; observe então, esses mesmos anjos, discutindo, traindo e sofrendo uns com os outros, e perceberá que está comovido.
                                            
                           Faça, se puder e estiver próximo, uma visita ao jardim zoológico. Observe os animais e repare como todas as suas necessidades estão garantidas: São alimentados sem que peçam, estão protegidos contra as doenças e não tem de temer predadores, pois as suas vidas já não se resumem a uma questão de sobrevivência. Podem se relacionar com outros de sua espécie e passear livremente por um espaço (limitado, isso sim) adaptado às suas necessidades.

Será que esses animais são felizes?

Não é verdade que estão num estado de tédio e de hipnose infinitos? Imaginem agora, o efeito da felicidade em um ser humano.
Você se sente assim dentro de sua própria casa?
Encher um humano de felicidade é o caminho mais rápido para aborrecê-lo, para afundá-lo no tédio e para deixa-lo em um asfixiante estado de depressão. Não há nada mais difícil de suportar do que uma serie consecutiva de dias bons. Sem dificuldades não podemos ser felizes. A verdadeira felicidade, o autêntico êxito que os livros de autoajuda tanto perseguem e a realização pessoal residem, então, na arte de viver uma vida amargurada. 
Você pode levar tudo isso meio na brincadeira, meio a sério, mas com certeza tem muito de você no que foi dito até agora.
É uma espécie de "sindrome de dr. House"? (já escrito em crônicas anteriores - Série americana para a televisão com o ator  Sir Hug Laurie).
Talvez.. Mas, apenas talvez!

Pode pensar.... Não dói!




Entendimentos & Compreensões

Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado originalmente no 
Grupo Kasal - Vitória – ES.
http://www.konvenios.com.br/info/Artigos.aspx?codAutor=117
Arquivos da Sala de Protheus
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