domingo, 26 de fevereiro de 2017

Perfeições Imperfeitas...

 #Sentimentos:

Perfeições Imperfeitas...
                               
“... Homem, imperfeição passageira.
Terra, símbolo pálido de seu criador.
Alma, coisa intangível a debater-se
fadigada em busca de libertação nos
braços acolhedores de Deus.

Morris West

Festejos parecem não ter fim.... Arruma-se motivos variados para que haja festas. Em meio a elas tristeza, mágoas guardadas, sentimentos variados de pessoas, como qualquer um de nós, imperfeito..., mas em uma ânsia de buscar a tal perfeição.
Quem inventou a perfeição? Fora Ele, em sua perfeita criação? Seriamos nós as criaturas feitas à Sua perfeição?
Sinto-me arrogante pensando assim. Não consigo ver nada perfeito que não seja da natureza.... Dos animais... Até mesmos dos insetos.
Mas nós, os ditos “humanos”, somos tão pretensiosamente arrogantes que queremos uma perfeição inexistente e por isso imperfeita...
Por que tudo isso? Por que precisamos estar correndo atrás de uma felicidade constante? Por que não nos satisfazemos com pequenas coisas.... Com simples acontecimentos.... Como as crianças sentem-se perfeitas em um simples balanço em uma arvore.... Ou em uma cantiga de roda. Elas não se preocupam com nada... Não buscam está tal de “perfeição”... Elas estão na perfeição da infância.
                                       
Mas daí surge alguém que nos diz: Você precisa ser adulto; você não é mais criança; agora você tem responsabilidades...
E esta resposta às nossas verdadeiras habilidades parecem sumir.... Serem esquecidas em algum lugar do tempo.
Nos encantávamos com o simples voo de um pássaro, acompanhando as famosas térmicas.... Simplesmente planavam... E quando não os enxergávamos mais, ficávamos vendo imagens, centenas delas nas nuvens se formando.... Ora pareciam um cavalo.... Ora pareciam uma casa.... Ora pareciam um rosto de menino brincando... E perdemos isso. E perdemos as perfeições das coisas simples.
Nos tornamos perfeitas imperfeições em um mundo adulto que quer explicação para tudo. Principalmente o que não entende.... Isso fica de lado, afinal não é importante e perde-se tempo.
                                                
Crescemos? Não sei.... Creio que fomos colecionando idade, tempo passando, marcando-o como se fosse um placar da vida...
Eu tenho fome do tempo...
A divina escritora mineira Adélia Prado, costumava definir que (...) o amor, cai na simplicidade bela de definir que o amor é miudezas(...) “ o amor é feito de miudezas, e ele é tão miúdo, que se não tomarmos cuidado, vamos pisando nele pela vida afora…”
Quem sabe em nossas perfeitas imperfeições é disso que vamos nos esquecendo com o tempo. Aliás sobre o tempo a escritora disse:
“A mim que desde a infância venho vindo como se o meu destino fosse o exato destino de uma estrela apelam incríveis coisas: pintar as unhas, descobrir a nuca, piscar os olhos, beber. Tomo o nome de Deus num vão. Descobri que a seu tempo vão me chorar e esquecer. Vinte anos mais vinte é o que tenho, mulher ocidental que se fosse homem
amaria chamar-se Eliud Jonathan. Neste exato momento do dia vinte de julho de mil novecentos e setenta e seis, o céu é bruma, está frio, estou feia, acabo de receber um beijo pelo correio. Quarenta anos: não quero faca nem queijo. Quero a fome”.
Fernando Pessoa disse: “Tenho fome e extensão de tempo, e quero seu eu sem condições...! ”.
                                  
Na eterna tentativa e busca de perfeições que acabam se tornando todas imperfeitas, assim como esta amada mineira.... Eu só quero fome.... Muita fome.... De vida.... De alegrias incontidas.... De crianças correndo.... De amor sendo derramado pelos poros dos seres...
Acho que minha fome já é uma gula... E se a for, é um pecado.
Não gosto de pecados.... Prefiro a pureza da minha criança que ainda está dentro de mim....
Ela sabe que pensar não dói.... Ser feliz em alguns momentos.... Já estou satisfeito...
Já bastam...



Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Citação de parte do Poema O Tempo.
Adélia Prado – Minas Gerais.
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