domingo, 20 de abril de 2014


O Escritor e Amigo Toni Figueiredo
É o Convidado especial da Sala de Protheus!

 
Geração 1960 no  Brasil!
– A Verdade de Quem?
 

 

 
“... Ao Professor Capella de História do Brasil do SENAC – SP nos idos de 1959, que só dava notas 10 para Deus, 9 para professores e 8 para os alunos e assim me desafiava a ombreá-lo...!”

O autor.

  
Ainda era muito pequeno e já me interessava em saber das origens e sagas dos meus antepassados. Os Figueiredo do lado paterno e os Souza do lado materno. Da parte de meu pai e na figura de meu avô, que era um “bon vivant” profissional, pouca coisa se nos deu a conhecer, além de umas poucas vezes em que o “álcool contava histórias” e que de imediato meu pai, prudente e celeremente nos afastava da sala, pois não eram histórias apropriadas aos ouvidos da nossa tão tenra infância. Já da de minha avó materna foram muitas as noites, em que sentado aos seus pés enquanto tricotava “tapetes de meias velha”, aquelas de fio Escócia, “viajava” com as suas histórias de infância e juventude no início do Sec. XX em seu Trás os Montes quase selvagem, extremamente pobre e de sobrevivência litigiosa entre homens e lobos.

Como toda história de camponeses e suas terras, ambos muito pobres, do Norte de Portugal, eram despossuída de grandes heroísmos e ambições, mas farta em tenacidade e teimosia frente à dura realidade quotidiana. Foi assim que a história de minha família projetou-se na minha história e caráter pessoal, ensinando-me com seu exemplo de luta e abnegação, persistência e estoicismo, fracassos e sucessos, esperanças e objetivos traçados para a “Nova América”. Idêntica é a história de milhões de imigrantes italianos, alemães, japoneses, espanhóis e de muitos outros países em menor escala projetada sobre a de seus descendentes aqui no Brasil e isso sem deixar de contar os milhões de “imigrantes forçados”, negros, oriundos das múltiplas tribos africanas. Esse “povo” escreveu a “parte obreira” da História do Brasil, que não está nos livros.

Sabemos muito bem que são as classes mais abastadas e oligarcas os que escreveram e ainda hoje escrevem a nossa História Oficial transmitida nos ciclos básicos e que “deforma” a construção do “cidadão mirim”, não desafia à pesquisa e evolução do conhecimento ao jovem no “ciclo médio” e acaba sendo escrita de acordo com conveniências de professores no “ciclo universitário”. Não existe uma “responsabilidade educacional” para que todos apreendam a “mesma História”, ainda que em níveis de detalhes distintos à capacidade de absorção do educando.

Mas vamos aos fatos e falo de São Paulo. A década de 1960 introduziu no mercado de trabalho uma grande quantidade de “menores aprendizes” oriundos de famílias de “baixa renda” das periferias metropolitanas de então, que começaram uma verdadeira revolução tecnológica nos costumes, no comportamento social, no Mercado, na Indústria e no Comércio no Brasil. Em sua grande maioria eram jovens na faixa dos 13 para admissão e de 16 anos os que saiam das instituições técnicas básicas “plenamente profissionalizadas”. Do SENAI e de algumas Escolas Técnicas, (Getúlio Vargas e Escola Técnica Federal) em menor volume, formaram-se Torneiros Mecânicos, Fresadores, Ajustadores Mecânicos, Ferramenteiros, Gráficos e Tecelões, entre outras profissões e do SENAC, Auxiliares de Escritório, já com excelentes conhecimentos de datilografia e Contabilidade.

Hoje é totalmente incompreensível o porquê de sofrermos com a “falta de mão de obra qualificada” e porque este modelo foi abandonado por tantos anos, mormente constatando-se que a ascensão social de um ex-presidente é dele originária. Foi nessa mesma época, que muitos profissionais de nível médio foram agraciados com um “diploma de mérito prático” pela experiência adquirida no exercício das suas profissões. Assim Contadores, Boticários, Boticões, Jornalistas e muitas outras profissões obtiveram seu registro em Conselhos Regionais Profissionais, agraciamento este que não atingiu profissões como Médicos Engenheiros e Advogados. Não pelo menos nos grandes centros.

Essa geração de adolescentes foi certamente a que sofreu o “processo de passagem” mais traumático de todos os tempos no Brasil. Recém saída das escolas primárias públicas periféricas e totalmente ignorante do mundo real, dado ao precário acesso à informação jornalística, (fora de seu poder aquisitivo), rádio, (privilégio da classe média) e televisão (privilégio da classe rica) e em sua grande maioria “castrados” pela rígida influência religiosa, não é difícil de imaginar o choque já na subida de nível para essas escolas mais cosmopolitas e globalizadas em contraste com o provincianismo bairrista. Existia, além do mais uma escala de importância de acordo com a periferia de origem. Os bairros mais tradicionais e próximos do centro das metrópoles buscavam impor uma precedência e ascendência sobre os da periferia mais distante.

Um posterior “choque de gerações” ocorria dentro das empresas, que contavam exclusivamente com “profissionais adultos” formados em grande parte dentro dessas empresas segundo as exigências das tarefas específicas e que se esforçavam em manter sob seu controle essa nova “força laboriosa” mais preparada tecnicamente, pregando a supremacia do tempo e da prática no trabalho, como prevalecentes à qualquer teoria. O parque de máquinas do Brasil da época era extremamente obsoleto e no geral tanto o SENAI quanto as Escolas Técnicas treinavam esses “aprendizes” em equipamentos muito mais modernos tecnologicamente. O SENAC já começava a introduzir conceitos de processos contábeis já da melhor tecnologia de ponta de então.

Entretanto os “práticos” pregavam pelo “senso comum” de que os jovens deveriam pagar um “preço de admissão” e integração ”nesse mundo adulto” e por isso a eles destinavam “tarefas menos nobres (tecnicamente)”, além de depreciar sua “opinião técnica” na discussão de soluções, ainda que embasada e desta maneira a integração do jovem era condicionada a que ele se submetesse às “regras do jogo” e a subordinação aos “grupos adultos”. Esta era uma marca muito forte nessa geração, fruto da educação e disciplina rígidas de obediência às opiniões e valores transmitidos pelos “antepassados”.

Outra novidade apareceu nessa época, quando esses “jovens profissionais” constituíram-se num novo grupo de consumidores no mercado, até então composto exclusivamente de adultos. A onda de rebeldia gerada pelo “rock ‘n roll” incentivava o uso de jeans e adereços e mudava comportamentos, como uma forma de pressão reivindicatória por um “espaço social” e isso não passou despercebido às instituições políticas e religiosas, (é desse tempo o enraizamento mais profundo no Brasil das Juventudes Católicas – Estudantil (JEC), Operária (JOC) e Universitária (JUC) com “ideário ajustado à realidade social” do Padre Cardjin). Participei da JOC nos anos 60. O aproveitamento dessa força inovadora se fez mostrar também na constituição de inúmeros clubes de futebol de campo amador pela várzea paulistana, clubes de futebol de salão e de tênis de mesa, todos em regime de “vaquinha” entre jovens.

Nos sindicatos da classe operária a influência e força arrigimentadora sobre esta geração também se fez sentir. Em rebelião contra os “sindicatos controlados” desde a Era Vargas começou a se fazer presente a “orientação proletária” nos grandes sindicatos da época e assim Metalúrgicos, Bancários, Gráficos e Portuários, seguiram a tendência europeia da década anterior e deles apossaram-se próceres oriundos do PCB, que habilmente, através dos “práticos” de dentro das fábricas e locais de trabalho, engajaram essa “força emergente”, utilizando-a como “massa”, da qual fiz parte em 1961 como bancário e 1964 como metalúrgicos e pude “ver de dentro” esses procedimentos.

Outra falácia fartamente acreditada nos dias de hoje é a de que o DOPS foi ativo apenas nesse período histórico. Na verdade foi criado em 1927 e sua atuação mais marcante foi durante o Estado Novo, (1930-1937), quando se acredita que mais de 20.000 detenções foram feitas e cujos procedimentos de “controle social”, (torturas e assassinatos) levaram o prestigioso jornalista David Nasser da revista O Cruzeiro a escrever o livro: Falta alguém em Nuremberg. (Rio de Janeiro: Edições O Cruzeiro, 1966) sobre o período de Felinto Muller à frente da Delegacia Especial de Segurança Pública e Social. O uso de veículos blindados de controle de “tumultos sociais” também era de larga aplicação desde então. Os Governos Militares pós 64 também se utilizaram dessa estrutura e seus métodos, de eficácia comprovada. Não por acaso Felinto Muller alinhou-se à Revolução desde as primeiras horas.

Não tenho aqui a pretensão de “lançar luzes” e “escrever (reescrever)” os eventos deste período, mas tão somente a de “detalhar” o terreno e clima, que fizeram germinar mais uma das múltiplas “intervenções militares”, que permearam o Século XX na política brasileira. O que a História nos ensina é que todos esses acontecimentos foram “degraus democráticos”, que nos trouxeram até os dias de hoje e é essa lição que deve ser “entendida”.

Só existe uma Comissão da Verdade. A que nos fará a todos conscientes da “verdade histórica única”, que “unirá” a todos os brasileiros pelo aprendizado das vitórias e fracassos que tivemos na “construção da Nação e da Cidadania”.

P.S: Aos muitos Barões de Munchhausen
ainda sobreviventes no Brasil. Que me contradigam!

 
Das percepções e pesquisas de
Antonio Figueiredo – Entre Algum Lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania
 

 

quinta-feira, 17 de abril de 2014


#Série Fatos Inusitados:

 

“Um Seio Me Ligou”!

 

  
 
“... Hoje aconteceu uma coisa engraçada, que atestou
mais uma vez a minha incoerência comigo mesmo.
Vivo imaginando que de repente vão aparecer fadas
ou gênios na minha frente para perguntar o que eu desejo.
Hoje pensei sério: se me perguntassem o que mais
desejo na vida, não saberia responder. Quero tudo...!”

Caio .F. Abreu

 
Ainda em viagem por outro estado, o que me alegra e revigora meu espírito “cigano”. Gosto de estar aqui e acolá. Raízes? Ora, isso é para plantas, para árvores frondosas. Barcos não foram feitos para estarem no porto, diria o poeta.
Concordo com ele. Novos lugares. Novas pessoas. Hábitos, costumes e uma de minhas paixões: estar próximo dos regionalismos. Das formas orais de manifestação da linguagem que cada estado deste pais tem como característica e é riquíssimo.

Assim onde passei a semana tem uma mistura genial, contagiante em que impera o paulista do interior que puxa a consoante R com mais força. Assim quando sou chamado é como se tivesse um R com Til pois soa .. Borrrtoo! Vou ao Merrrcado!
É muito bonito.

Enfim o dia tinha se tornado cansativo. Um seminário em três turnos que esgotaria qualquer um. Sem os frios das noites outonais de meu estado, contudo estava feliz.  Igual a um cão feliz com o calor que o sol tinha trazido e deixado na noite.

Nada que um banho revigorante para esquecermos qualquer cansaço.  Ainda deu tempo para falar com uma amiga muito amada de um outro estado, mais longe ainda, neste país continental. O que me deixa sempre muito feliz Virginia (nome fictício para proteger minha amiga) é tremendamente alegre ela consegue falar rindo. Anima qualquer um.

Ele deveria conversar com depressivos. Iria ficar rica. Enfim, após falar com minha amiga, liguei e falei com as três pessoas que mais amo (em todos os sentidos) neste planeta. E lá fui eu para os braços de Morfeu (Deus da mitologia grega do sono e dos sonhos).

 Utilizei como pré-título uma classificação morfossintática: Um adjetivo, masculino singular e também uma flexão que significa algo que não surge com frequência, raro, inabitual pelo que aconteceu no final da madrugada.


Exatamente às cinco e trinta toca o telefone: Meio dormindo, meio acordado, o braço procura tal qual busca o despertador para que deixe de tocar.

Olho no visor e  somente consigo enxergar o código de área que de longe e não identifico mais nada.
E o resto é automático.

Fone no ouvido, olhos fechados e a boca balbuciava:
-Alô!

Do outro lado somente uns ruídos estranhos.
Torno a dizer sonolento:

-Alô! Alô!
Eis que após mais uns ruídos ouço uma voz do outro lado:

-Alô!
- Reconheço até dormindo aquela voz sorridente e um pouco assustado pelo ineditismo da hora simplesmente sai-me:

-Virginia?
Do outro lado vem:

-Profe?
-Sim, o que houve amada!

A resposta: Uma gargalhada sonora e longa.
Pronto lá se foi meu sono. Sento-me na cama com dúvidas: Não sabia se ria junto ou se ficava preocupado que algo tivesse acontecido.

Virginia simplesmente, entre risos me diz,
-Profe, você não vai acreditar (ahahahahhahaha) eu coloquei o fone no sutiã enquanto me maquilava.

- ahahahahhahahahaha (sim a risada continuava a penetrar nos meus tímpanos) enquanto eu tentava fazer uma conexão, entre: Sutiã – Maquilagem – Ligação e Eu?
 
 

Ela continua.
-Profe, como tu foi a ultima ligação que fiz ontem, coloquei o celular no meu sutiã enquanto me maquilava e deve ter acionado a tecla discar...

- Mais risadas (ahahahahahahah) eu senti meu seio vibrar e depois um vozeirão dizendo alô, a principio me assustei,
E continuou ela:

- Engraçado, quando coloquei o celular no sutiã e fui pentear meu cabelo, eu mexia com o braço... Escutava um som, mas não  entendia... De novo....
- Depois escutei, saindo de dentro d0 meu sutiã... (ahahahahahah) um vozeirão.... Desculpe ter acordado você... Mas achei muito engraçado (ahahahahah) Beijos profe e tenha um bom dia.

 Virginia começa o horário de quem mora em capitais: seis horas

Recostado na cama, fiquei com o celular na mão, agora acordado, tentando imaginar a cena. E tudo o que me veio foi:
- Puxa... Um Seio me ligou...

Depois? Bem... Tentei dormir mais um pouco... Eu disse: Tentei!

 

Dos fatos do dia a dia para contar ao meu neto.
Entendimentos & Compreensões
 
 

sábado, 12 de abril de 2014


A Mestra em Língua Portuguesa Brasilesa
e Literatura a Mineira Claudia Carvalho
É a convidada da Sala Protheus:

 
 

Intacta Flor!

 

 

 
“... Só sei que somos jardim...
Ao se sentir cuidado, até o capim
nasce bonito... Imagine então seres humanos...!”.
 
R. Miranda

  

Em toda sua plenitude, formosa e exótica, a misteriosa flor, em sua profusão de cores e formas, permanece intacta. Acessível somente aos olhos, espelho d'alma, portal mágico do desejo! O que as torna ainda mais belas e preciosas

 O fato de permanecer intocável a torna majestosa. Só se pode sentir seu esplendor com o olhar. O desejo aflora os sentidos, torna-se a flor da pele, mas há uma angústia: ninguém tocará sem se ferir a intacta flor do sertão! A Flor de Cacto!

Existem amores de orquídeas, amores de lírios, amores de rosas, de todas as cores, amores de flores do campo e o ininteligível amor da flor de cacto. È um amor tão sincero e legítimo quanto os outros. Porém, é um amor que resiste que se protege que se defende. Para ele só serve a delicadeza, a sabedoria e a sutileza! Mãos indelicadas jamais colheram esse amor!

 Esse amor flor de cacto é sui generis, perspicaz como só ele pode ser. Chama a atenção com sua beleza  multicor e multiforme. Despertam seu desejo, mas só aquele desejo vindo da alma, fruto da delicadeza consegue se aproximar, pois esse amor é espinhoso e fere quem inadvertidamente o tocar de forma abrupta ou sem cuidado. Esse amor jamais será esmagado por mãos ávidas de qualquer tipo de amor, para apenas satisfazer o desejo do olhar!

Contudo, há quem com mãos zelosas e gentis, toquem, colham e até cultivem, a selvagem beleza  da intocável e por isso, intacta flor de cacto. Por traz de sua beleza exótica e de seus espinhos, a intacta flor possui um enigma que só o silêncio, com sua musicalidade oculta, conseguem penetrar.

 Um ser especial e sábio, encosta seu ouvido ao chão para perceber o silêncio misterioso da intacta flor. E o que ouve é um majestoso tropel de cavalos selvagens, selvagens como os cactos, que desde  sempre lhe atravessam os sonhos de amor! E então, no final da tarde, o céu azul escuro, recolhe a flor, no silêncio da rotação da terra que em seu interior é o próprio galopar de cavalos, pescador do tempo, pescador de ilusões, pescador do amor da intacta flor!

A flor respira com avidez a morte ardente, mas seu pulmão se enche de estrelas e seu grito é meu nome ao vento! Reinvento-me, eu, a própria flor de cacto, então me pergunto: - Quem sou eu? Uma tempestade? Um tropel de cavalos? Ou simplesmente uma selvagem flor de cacto. A resposta é imediata: existo dentro de um cacto, em seu oco, sou sua seiva que mata a sede. E meus pés se confundem às raízes e caminham dentro da terra, reconhecem a vibração do som da noite subterrânea. Meus braços são pequenas adjacências que brotam em torno de mim.
 
 

 
Eu cacto, um só pensamento me aflige. Minha imobilidade perdura a séculos! Sinto medo da solidão, medo do meu próprio medo, medo de meus espinhos! Então clamo pelas raízes já apodrecidas na terra e meu grito são notas dissonantes e distorcidas, acordes estridentes de um violino quebrado. A canção fala do medo e a melodia infernal, repete sem parar: “Flor Mortal”.

Em cada beira de abismo me sento e um anjo vem até mim e me sussurra aos ouvidos: - As encruzilhadas, os caminhos desconhecidos, atenta! Então, quero sair da minha estabilidade estática e coloco todos os meus anseios e medos em suas delicadas mãos. Seu hálito me acalma. E ele continua sussurrando, - Durma bela flor, não sinta medo, descansam às sombras de minhas asas, não temas seus sonhos. E em algum lugar no firmamento, enfim repouso! 

 

 
Entendimentos, Compreensões, Sensibilidade
e pensamentos de minha amiga
Cláudia Ezídgia de Carvalho  -  Belo Horizonte – M. G. -
Licenciatura em Língua Portuguesa Brasilesa .
 Universidade Federal de Ouro Preto  - M.G.
Mestrado em Literatura Comparada
Unicamp – SP.
 
 

terça-feira, 8 de abril de 2014


O Escritor e Amigo Toni Figueiredo
É o Convidado especial da Sala de Protheus!

 


“Memórias de Abril!”
– A Mentira Meio Centenária –
 

 

 
Não é por acaso ou coincidência, que retomo os escritos nesta data de 1º de Abril, sempre levada em conta mais como a do “dia da mentira”, mas certamente “portão de entrada” para o Brasil Moderno.

Vou pela via estreita da polêmica embasada em uma discussão honesta e lógica sob as luzes do tempo apropriado, suas normas e consequências esperadas em busca do definitivo “balanço pacificador” de uma discussão meio centenária, ainda que alguns “calos doloridos” se sintam pisados.

Aos muito poucos, aos quais interessa ficar definitivamente “acocorados” e cuja única solução aceita é a que calce perfeitamente “seu manequim ideológico e o dos seus propósitos”, minhas sinceras condolências. São desonestos, tanto os que se baseiam em conceitos contemporâneos de DDHH para julgar os casos de tortura e mortes ocorridas, quanto os que sadicamente torturaram por “dever de ofício” na assessoria aos “herdeiros tenentistas”, a partir do AI-5. Nenhum deles lutava pela Democracia. Uns totalitários de Esquerda, outros totalitários de Direita.

A manutenção desse “Holocausto Revolucionário”, uma “justificativa democrática esquerdista” de hoje para a atuação extremista de ontem, atribui uma falsa relevância e importância para a construção do Moderno Estado Brasileiro e objetiva somente impor à sociedade uma “dívida de guerra” em pensões e indenizações em quantidade nada desprezível e moralmente desonesta, pois não faz jus à memória dos muitos idealistas, que se envolveram e morreram na luta armada gratuitamente.

Respeitem-se os mortos dos dois lados, pois uma “escolha ideológica” não se julga. É foro íntimo. Daí meus respeitos à considerada última geração da “juventude idealista, inflamada e transformadora dos anos 60/70, em todo o mundo, expressa na rebeldia do rock’n’roll e ideologia”. A troca desta por sexo e drogas foi das gerações seguintes, que dormiram sobre os louros e tumbas gloriosas daquelas gerações e agora cobram um “aluguel”.

Ao contrário do que se tenta fazer crer hoje a repressão a partir de 1967 não foi aceita com mutismo social. Muitas foram às vozes que se levantaram pelas vítimas, uma grande maioria imbuída do “espírito nacionalista” de então, contra os muitos casos de selvageria sarcástica explícita e com motivação pessoal, tanto da parte da oficialidade militar, quanto do “famigerado” Delegado Sérgio Fernando Paranhos Fleury.

Atuante inicialmente no Esquadrão da Morte que dominou São Paulo nos anos 70 justiçando bandidos convenientemente foi requisitado pelos Órgãos da Repressão, (DOPS-SP), pela extrema eficácia dos seus métodos no trato de bandidos comuns, quem foram transferidos aos presos políticos. Acabou “convenientemente afogado” nas águas de Ilhabela-SP em 1979 e especula-se que por “ordens superiores” por seu enriquecimento e corrupção oportunistas.

É dessa época a destemida atuação dos Promotores Públicos Dirceu de Mello e Hélio Bicudo, este um verdadeiro campeão e paladino dos DDHH.

No “lado golpista” foram muitos também os “especialistas” e seus excessos que foram punidos dentro do próprio Código Militar, como o ocorrido na morte de Manoel Fiel Filho no DOI-CODI-SP e que custou a “cabeça” do Comandante do II Exército, Gal. Ednardo D’Ávila Melo, responsável também pelas mortes de Wladimir Herzog e outros, (1976), para mencionar os mais conhecidos, por ordem do Presidente Ernesto Geisel, reconhecidamente o mentor da Abertura Política Gradual, mas que mostrou-se impotente em combater o “corporativismo dos porões da ditadura”.

 Imputar à Revolução a invenção do pau de arara, sessões de choque e afogamentos é desconhecer os procedimentos policiais, que sempre foram corriqueiros nas delegacias de Polícia, desde os tempos de Vargas e Felinto Muller no Estado Novo.

Pois bem, quem se metia em um “processo de insurgência” sabia perfeitamente dos seus códigos e o “custo da fatura” vigente e que foram largamente utilizados tanto pelo Capitalismo como pelo Comunismo. A Convenção de Genebra nunca reconheceu os direitos dos “Exército sem Uniformes”, assim como, por essa mesma razão, nunca se manifestou sobre as execuções sumárias de prisioneiros por “exércitos não regulares” e por Regimes Revolucionários, que se instalaram no Poder.

Era a chamada “guerra suja” e por isso “suja” para todos. Não existiu qualquer diferença de tratamento entre as masmorras do Estado Novo de Getúlio Vargas, na Intentona Comunista, no Regime Militar do Brasil. Idênticos procedimentos foram utilizados no Uruguai, Argentina, Chile e Peru, bem como na Revolução Cultural de Mao na China, na Castrista em Cuba.

 E na Guerra do Vietnã. Che Guevara é hoje chamado de criminoso, contudo pelas “regras” da época, jogava com o regulamento embaixo do braço, como dizemos no futebol. A guerra de guerrilhas não mantinha campos de prisioneiros e nem tampouco hospitais, assistência da Cruz Vermelha e observadora da ONU. A tecnologia e experiência dos métodos da Inquisição prevaleceram desde a Idade Média.

No século XX, a princípio foi o Nazi/Fascismo e depois a Guerra Fria quem definiu territórios e influências, mas foi nos anos 60, após o “descuido cubano”, que os USA estabeleceram que fosse inaceitável que o Comunismo fizesse novas “cabeças de ponte”, no Continente e que “via Cuba” exportasse sua Revolução financiada pela URSS, que financiava Cuba.

 Enquanto a CIA teve fortíssima atuação junto aos Governos Latino Americanos, da mesma forma que KGB teve fortíssima influência no Leste Europeu, absorvendo países satélites de cultura “não Eslava” e internamente com mão de ferro sob Stalin. A China, ainda que fora dessa “rivalidade”, também estendeu seus “tentáculos de influência” ao Laos, Camboja e Vietnã.

Cada qual cuidava do seu “terreiro” e foi assim no “affair”, que a tentativa de instalação dos foguetes soviéticos em Cuba em 1961 foi obstada pelos USA forte e militarmente, mas que nas invasões de Hungria e Checoslováquia pela URSS, passivamente condescendentemente mantiveram-se à distância. Era o poderio nuclear dissuasório e intimidadores mútuos.

Para melhor entender o Golpe de 1964 é importante entender o equilíbrio das forças políticas de então. Nas Eleições de 1960, Jânio Quadros saiu vencedor por 48% dos votos impondo uma derrota esmagadora a Adhemar de Barros e ao Marechal Lott. Contudo, o Vice Presidente João Goulart (PTB) foi eleito com apenas 36,1% dos votos, contra 33,7% de Milton Campos (UDN). A eleição foi garantida pela diferença de votos no Rio Grande do Sul, que teve como vencedor Fernando Ferrari (MTR), que já havia derrotado Jango Goulart e Leonel Brizola em pleitos anteriores.

Como se pode verificar, o “espólio varguista” sempre teve muita briga de “herdeiros” no Rio Grande do Sul. A maioria do Congresso era composta por PSD/UDN.

Na primeira fase do golpe ocorreu uma Intervenção Militar comemorada em inúmeras manifestações de apoio em todo país e que deveria ter os dias contados até as Eleições Gerais de 1965, por acordo mútuo entre o Gal Castelo Branco e os partidos opositores a Jango Goulart, basicamente PSD, PSP e UDN, ou seja, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Ocorreram apenas cassações de mandatos parlamentares e a repressão foi praticamente nula.

Contudo, pela “quebra do acordo” e a ascensão de Costa e Silva e a edição do AI-5, a intervenção transformou-se em Golpe Militar, que fez recrudescer os protestos por Democracia e a atividade guerrilheira. Com isso o número de baixas começou a crescer: entre os “guerrilheiros de esquerda” 356 mortos e desaparecidos e 6.016 denúncias de torturas. Entre as “forças do Golpe” foram 119 mortos.

Hoje a “Esquerda” se esquece de descontar da sua “cota” uma quantidade muito grande de “vítimas democráticas”, (não esquerdistas/nacionalistas), que estão incluídos nos números acima[AF1] , que pagaram o mesmo preço pela militância, ainda que não violenta. Mas ainda assim, se considerarmos uma população de 75 milhões de brasileiros na época, esses números dão a exata proporção da “força revolucionária” da contrarrevolução de então e demonstra que desde a Intentona de 1935, o Comunismo continuou a ser uma “filosofia estranha” e pouco empolgante do pensamento político brasileiro.

Decorridos 50 anos, hoje temos um arcabouço legal devidamente sedimentado e negociado entre todas as forças e tendências políticas, inclusive as “forças de esquerda”, que gerou o “Pacto Social de Pacificação”, representado pela Lei da Anistia Ampla, Geral e Irrestrita de 1979, para que “judicialmente” se busque a solução de todas essas pendências. O que é inaceitável é que uma minoria tente fazer prevalecer a sua “visão particular da História”, por dispor de maior força política momentânea e queira fazer refém toda a Sociedade, como que imputando-lhe um “complexo de culpa” pelos desmandos de um período autoritário e no qual fracassaram na “tomada do Poder”.
 
 

 Essa “devassa histórica”, que necessitamos, deve ser feita para escrever com “letras limpas” todos os períodos obscuros na nossa História, que são muitos e a sua grande maioria, mitologizada com heróis forjados e outros reais omitidos, conveniente e seletivamente, para sabermos quem efetivamente e que contribuição patriótica deu para a “nossa construção cidadã”.

 Nossos Panteão e História Nacional mudam ao sabor dos modismos ideológicos e pragmáticos.

Uma Comissão da Verdade Verdadeira Ampla, Geral e Irrestrita não pode esquecer que existem dezenas de milhares de torturados e desaparecidos de sempre nas “cadeias e periferias públicas” desde a Abolição da Escravidão. Destes ninguém cuida e lhes oferece uma solução definitiva de inclusão social, econômica e política, apenas “assiste-os a caridade pública” do bolsismo e cotismo, por serem pretos, putas e pobres, militantes históricos do Partido dos Excluídos, que é a maioria nacional.

Essa é a “fatura”, que a República enrola e empurra com a barriga, quem sabe até o dia em que uma “guerra civil” venha resgatá-la... Aliás, não seria isso o que vemos na grande maioria das metrópoles brasileiras?

Atribui-se tudo à “droga” e eu concordo... À “droga da maioria dos políticos”.

POR QUÊ?
 

Das percepções e pesquisas de
Antonio Figueiredo – Entre Algum Lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania.

 

sexta-feira, 4 de abril de 2014


De SC para a Sala de Protheus um convidado
Especialista em Automóveis:

 

O Fim de um Preconceito e
de Uma Grande Injustiça!

 

                    Resolução CONTRAN 479, de 20 de Março de 2014 pode ser considerada um marco na história automobilística brasileira. Ao liberar e regulamentar as alterações nas suspensões dos veículos, colocou um ponto final na discussão sobre a segurança e o perfil dos proprietários que buscam a exclusividade e a personalização de suas “máquinas”.  A partir de agora, alterar a suspensão de seu automóvel (ou caminhão), não deverá mais torná-lo alvo preferencial na fiscalização de agentes de trânsito, tampouco ser taxado de irresponsável. Defensor incondicional do “rebaixamento” da suspensão, o faço com a autoridade de um Engenheiro Mecânico e adepto da prática desde o meu primeiro automóvel até os dias de hoje, rodando a mais de 30 anos desta forma, sem nunca ter me envolvido em um acidente ou colocado minha vida e a de minha família em risco por causa desta paixão.

 Ao contrário do que os leigos e invejosos apregoam, rebaixar a suspensão com critério e de maneira profissional, não torna o veículo mais perigoso, muito pelo contrário, aumentam a estabilidade e evita às perigosas transferências de peso em curvas e frenagens. Em pisos molhados e escorregadios então, é fantástico o ganho em aderência e segurança. O único senão, é a perda de uma parte do conforto em função da rigidez da suspensão, mas totalmente aceitável quando o motivo é a paixão e a exclusividade...

Se ainda assim duvidam, lanço dois desafios: Que tente me acompanhar, sob chuva, com um veículo com suspensão original ou me apresentem estatísticas com o número de veículos rebaixados envolvidos em acidentes.

Perda de tempo - Não irão conseguir ou encontrar!

               Com a divulgação da nova Resolução, porém, algumas dúvidas surgiram, e novas deverão aparecer, por isso é necessário alguns esclarecimentos:

1)      As alterações nas suspensões podem agora ser de duas formas: a) Fixas, onde o proprietário efetua o rebaixamento e a altura do veículo (com relação ao solo, parado e em ordem de marcha), não varia; b) Com regulagem, através do sistema de rosca ou com a utilização de suspensões a ar, onde o proprietário poderá levantar a suspensão para enfrentar nossas péssimas estradas ou literalmente “raspar” a lataria no chão em eventos tunning ou de demonstração;

2)      Em ambos os casos acima, a altura legalizada e determinada para a circulação dos veículos leves (abaixo de 3.500 kgs.), deverá ser maior ou igual a 100mm (ou 10cm), tomando por base, o vão livre sob o veículo. Esta altura e o tipo de suspensão utilizada serão aferidos e registrada nos Organismos de Inspeção Veicular do INMETRO e constará no campo de observações do CRV do veículo;

 


3)       As alterações não devem ser feitas de forma artesanal e devem ser acompanhadas de Autorização dos DETRAN (onde o veículo está registrado), bem como notas fiscais dos componentes ou kits substituídos, que também não podem ser usados. No caso de suspensões com barras de torção, a alteração deverá ser acompanhada da nota fiscal de mão-de-obra;

4)      Rodas e pneus não são passíveis de legalização, porém, podem ser substituídos desde que o diâmetro do conjunto roda/pneu original não seja alterado, que não exceda o limite dos paralamas e também, que não raspe em ponto algum do veículo durante o esterçamento da direção ou circulação do mesmo;

5)      Veículos acima de 3.500 kgs, também poderão sofrer alterações, porém, somente nas suspensões traseiras e numa medida que não ultrapasse o ângulo de dois graus, medido com base no alinhamento e nivelamento horizontal do veículo. Esta medida também poderá ser calculada com base numa fórmula matemática, constante no anexo 2 da Resolução 479 e o resultado deverá, da mesma forma, constar no campo de observações do CRV do veículo;

 


6)      Caso ainda persistam dúvidas ou necessite de maiores esclarecimentos, procure sempre pelo seu Despachante de confiança, que saberá lhe informar sobre o assunto e encaminhará o processo de regularização do veículo, poupando seu tempo e evitando transtornos. Se desejar, poderá também acessar o site do Denatran (www.denatran.gov.br/resolucoes.htm) e efetuar a leitura da nova Resolução em sua íntegra.

                    É conselho deste Profissional, que as alterações sejam feitas sempre com critério e segurança, por profissionais habilitados e competentes, utilizando componentes novos e de boa procedência. Agora que finalmente está liberada e regulamentada a alteração na suspensão, faça a coisa certa e curta com segurança o prazer de rodar num veículo do jeitinho que você gosta. Bom passeio!

 

Das compreensões  de meu amigo
João Luis Theis
Engenheiro Mecânico e Colunista especializado
São Miguel do Oeste - SC.