sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O Dr. e Prof. Luis A. R. Branco de Lisboa – Portugal
É o convidado da Sala de Protheus -


“Hedonismo”
- Necessidade ou Desejo? –




Em primeiro lugar acredito que devido às diferentes ideias sobre o real significado da palavra hedonismoseja-nos necessário esclarecer nossa perspectiva epistemológica da palavrapara assim estabelecer um plano comum do pensamento que conduzirá este breve texto. Portanto, hedonismo é a concepção de que de que o prazer (incluindo a ausência da dor) seja o único bem intrínseco da vida. A palavra tem sua origem no grego hedonikos, que quer dizer prazeroso. A filosofia hedonista teve por pais Epicuro e Aristipo de Cirene, surgindo na Grécia antiga por volta do Séc. IV a.C.

O hedonismo é a busca excessiva do prazer, o que não significa o mero prazer físico, mas envolve todas as esferas da vida. A filosofia classificou três tipos de hedonismo: O hedonismo psicológico, que tem como base a ideia de que em todas as ações o ser humano tem a intenção de obter mais prazer e menos sofrimento. O hedonismo ético, que tem como princípio o fato do homem contemplar o prazer e os bens materiais como as coisas mais importantes da vida. E o hedonismo psicológico empírico, que tem por princípio a busca pelo prazer como a atitude mais importante na conquista e realização pessoal. 

De certa forma o hedonismo como proposto nas escolas cirenaicas e epicuristas tem como fator negativo a super valorização do desejo, da vontade, do egoísmo e individualismo, sendo portanto, contrário a muitos valores humanos e principalmente religiosos. Mario Vargas Llosa explica em seu livro “La civilización del espectáculo”[1] que o problema dos nossos dias tem sido o desenvolvimento de uma cultura disposta a sacrificar tudo pelo mero prazer e diversão. Isto significa que para a sociedade atual as coisas mais importantes são as prazerosas e divertidas e sendo o prazer e a diversão os mais importantes bens da vida, nada mais importa, a não ser uma espécie de carnaval eterno que absorve desde a vida privada, à todas as áreas que compõe uma sociedade, envolvendo as questões relativas à teologia, filosofia, ética, biologia, psicologia, sociologia, leis, política, economia e história. Portanto, vivemos numa sociedade disposta a sacrificar seus valores em cada uma das áreas supra citadas, por mero prazer, satisfação e realização pessoal. O grande problema desta forma de vida é que ela nos transforma em presas e predadores.

Num texto mais exaustivo poderíamos discorrer sobre cada uma destas áreas, mas num texto condensado, apenas à título de exemplo, podemos falar da ética, cada vez mais relativizada, desvalorizada e desrespeitada de forma grotesca por indivíduos comuns como por governantes, tornando a sociedade em um caos moral de desrespeito aos bens públicos e privados, ao indivíduo e a sociedade como um todo. É importante entender que de forma prática, a busca excessiva pelo prazer individual é sem dúvida o motor propulsor da corrupção coletiva que assistimos hoje descaradamente no Brasil. Sendo assim, faz todo sentido o discurso da Deputada Estadual Cidinha Campos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro no dia 24 de Março de 2010 quando disse que a corrupção no Brasil já faz parte do DNA do brasileiro[2]. Obviamente, que o sentido usado pela deputada é figurativo e não biológico, mas certamente já o é culturalmente. Outro exemplo de hedonismo exacerbado é o que diz respeito ao sexo e a sensualidade, hoje áreas da vida sem quaisquer limites na sociedade, ao ponto de educação sexual que deveria ser uma prerrogativa familiar, passou a ser do Estado, e um estado corrompido moralmente.

Como contra proposta a este hedonismo vigente, o teólogo protestante John Piper apresenta-nos em seu livro “Brothers, We Are Not Professionals: a Plea to Pastors for Radical Ministry”[3] aquilo que ele chama dehedonismo cristão: “Por hedonismo cristão, eu não quero dizer que a nossa felicidade é o bem maior. Quero dizer que a busca do bem maior sempre resultará em nossa maior felicidade no final. Mas quase todos os cristãos acreditam nisso. Hedonismo cristão diz que devemos buscar a felicidade, e persegui-la com todas as nossas forças. O desejo de ser feliz é um motivo adequado para toda boa obra, e se você abandonar a busca de sua própria alegria, você não pode amar o homem ou agradar a Deus.”

Em resumo John Piper diz: “O hedonismo cristão visa substituir uma moral kantiana por uma  moral bíblica.”Isto porque Kant foi sem dúvida um dos filósofos mais recentes a escrever sobre este hedonismo exacerbado e imoral. 

Em suma, respondendo nossa pergunta inicial, o hedonismo é uma necessidade, que deve obedecer princípios éticos e morais, para que seja legitimado e produza resultados positivos não apenas para um indivíduo mas para toda a sociedade. E para concluir, acrescento a este texto um excerto do livro Verdade na Prática: Textos Selecionados[4]: 

“A felicidade no cristianismo é considerado um marco fundamental da salvação. Pressupõe-se que todo aquele que é cristão é feliz. Numa metáfora para nos ajudar em nosso pensamento, desejo explicar de forma simples como podemos entender a diferença entre a felicidade e a alegria. A alegria é um contentamento esporádico na vida, enquanto que a felicidade é o estado em que se vive. Se comparássemos a alegria e a felicidade com uma árvore, diríamos que a felicidade é a árvore e a alegria os frutos da árvore. Os frutos dependem das estações do ano, dependem de uma boa terra e de um bom jardineiro para surgir no momento certo, já a árvore, esta existe o ano inteiro.

Semelhantemente, a alegria pode estar a espera da estação certa para aparecer, mas a felicidade segue todo o ano, e em todas as estações. A ausência desta felicidade é vista pela maioria como o fim da vida. Nietzsche escreveu que: “A ideia do suicídio é um potente meio de conforto: com ela superamos muitas noites más.”(1]) Portanto, não é de se admirar que aquele que se vê infeliz, veja o final da vida, muitas vezes pelo suicídio, como algo razoável. E Nietzsche disse ainda: “O suicídio é admitir a morte no tempo certo.”(2)

O teólogo católico espanhol José Maria Arnaiz escreveu algumas observações sobre a felicidade(3):

É importante evitar o risco de confundir o bem-estar material com a felicidade; isso seria como confundir a fantasia com a realidade, os meios com os fins, a embalagem com o conteúdo, o prazer com a alegria, a aparência com a existência.

Todas as pessoas que foram à Jesus com um desejo genuíno de encontrarem a felicidade e se deixaram conduzir pelos padrões de Deus foram satisfeitas nas suas buscas. No entanto a Bíblia nos fala de um jovem rico, que pensava que sua felicidade estava condicionada às suas posses. Quando Jesus lhe mostra que o mais importante é dar do que receber (At 20:35), ele fica desapontado e o Evangelista Marcos registrou: “Mas ele, pesaroso desta palavra, retirou-se triste; porque possuía muitas propriedades” (Mc 10:22).

Semelhante, muitos estão a viver infelizes pois sua felicidade esta condicionada ao bem-estar material.

José Maria Arnaiz continua:

A felicidade é o bom depósito que deixam nossos anos, é o que nos devolve a vida como reação a tudo o que vivemos e demos de liberdade, de verdade, de justiça e amor; há vidas que deixam um sabor de insatisfação, de infelicidade e de tarefa não cumprida… Isso ocorre quando nelas há algo que não funcionou.

O viver irresponsável, seja em que área for, nos trará resultados negativos. O texto Sagrado fala de algo chamado pelos teólogos de “A lei da semeadura”, pois diz: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6:7). Se você só semeou tolices, arrogância, rejeição, inimizades, imoralidades, e coisas semelhantes a esta, o que espera colher? Mas, ainda há tempo para mudar as sementes, e semear as coisas certas, para colher coisas boas.

José Maria Arnaiz diz ainda:

A felicidade não se apresenta como uma diversão continua… nem sequer como um estar contentes e alegres todo o dia, nem mesmo como um sonho colorido do futuro… Está claro que (a felicidade) não se trata de pedir uma carga leve para andar pelo mundo, e sim, bons ombros para carregá-la com facilidade. A felicidade está em algo mais profundo. Algo que subsiste sob os sofrimentos e alegrias de cada dia, do ter ou não ter, do mandar ou não mandar, da saúde ou da doença… Tem relação com o saber que estamos onde queremos estar e queremos estar onde temos de estar.
Sempre ouvimos a seguinte frase: “Ah, se o você soubesse da minha vida!” Com esta frase parece que temos todas as razões do mundo para sermos infelizes. O escritor português Miguel Esteves Cardoso escreveu que: “Em Portugal dizer «Eu sou feliz» é como dizer «Eu sou rico»… é como confessar uma anormalidade”.(4) Isto nos mostra que há aqueles que tem tornado a infelicidade uma cultura. Cardoso diz ainda que: “Em Portugal, o que convém é andar mais ou menos”.
Se esperamos um viver feliz, o cristianismo nos convida fazer alterações na nossa maneira de ver a felicidade. Na cultura bíblica da felicidade, Deus é a sua essência, ele é a sua razão, ele é o seu motivo e sua causa. A Bíblia nos diz que: “…Cristo em vós, esperança da glória” (Cl 1:27).
Isaías 53:5 diz: “…o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”. A palavra paz usada neste texto é “shalom”, cujo significado é muito além de simplesmente paz, mas compreende todos os aspectos necessários para uma vida feliz. Shalom também não significa a ausência da guerra, mas sim, a presença do Príncipe da Paz (Is 9:6).
Em Efésios 2:14 diz: “Porque ele é a nossa paz…” – Ele quem? Jesus, ele é o “shalom”. Terminaremos com uma citação de John Piper: “Na conversão encontramos o tesouro oculto do reino de Deus. Arriscamos tudo nele. E, ano após ano, nas lutas da vida, comprovamos repetidamente o valor do tesouro e descobrimos novas profundidades de riquezas que não conhecíamos. Assim a alegria da fé cresce. Quando Cristo nos chama para um novo ato de obediência que nos custe algum prazer temporal, lembramo-nos do valor insuperável que é segui-lo e, pela fé no seu valor insuperável que é segui-lo e, pela fé no seu valor provado, esquecemos o prazer mundano. Qual é o resultado? Mais alegria! Mais fé! Mais profunda que antes. E assim avançamos de alegria em alegria, de fé em fé.”

Como filosofo cristão não posso conceber a possibilidade de uma felicidade sem Deus e sem limites. 



Luis A R Branco é  Teólogo, Poeta, Filósofo, Escritor, Proessor, 
Licenciado em Teologia – Mestre em Admnistração Eclesiática – 
Doutor em Ministério – Doutorando em Filosofia – Brasilês, atualmente residindo em Lisboa Portugal.






[1] Mario Vargas Llosa, La Civilización Del Espectáculo, 1a. ed. (México, D.F.: Alfaguara/Santillana, 2012).
[2] Cidinha Campos, “Revolta da dep. Cidinha Campos com 'os que mamam', principalmente dep. José Nader” (video), Março, 24, 2010, 4:18, accessed February 5, 2014, http://www.youtube.com/watch?v=q21rM03_R18.
[3] John Piper. Brothers, We Are Not Professionals: a Plea to Pastors for Radical Ministry. Nashville, TN: Broadman & Holman Publishers, 2002.
[4] Luis Alexandre Ribeiro Branco. Verdade na Prática: Textos Selecionados, Petrópolis, Clube de Autores, 2014.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

#AcordaBrasil

Patrulhamento de Covardes!
- Atentando contra Reputações -


  

“... Quem poupa a vida do lobo
 condena à morte as ovelhas”...!”.

Victor Hugo
(uma das citações, introdutórias, do livro
Assassinato de Reputações do Dr. Tuma Jr.).


“Quando a flauta desafinar, a cobra vai picar o faquir”.  - Citado na página 15, do Livro Assassinato de Reputações, do Dr. Tuma Junior e do jornalista Claudio Tognolli -.

Mais uma tentativa de fazerem outra vítima. Não me comparo, nem teria condições para isso ao Dr. Tuma Junior. Mas posso fazer a comparação ao Prof. Ossami Sakamori, a escritora Danka Maia e muitíssimos outros que utilizam as Redes ditas “sociais”, os blogs ou sítios onde escrevem. Em sua grande maioria Jornalistas – com J maiúsculo-, professores, universitário, grandes escritores.

Há uma espécie de “patrulhamento covarde” sendo efetuado, não em nível de Dr. Tuma Junior, mas começando a atingir mais e mais brasileses inocentes que nada tem a ver com politicagem, com as máquinas públicas, sejam elas em que nível for.

Os hackers - o termo é importado da língua inglesa, e tem sido traduzido por decifrador (embora esta palavra tenha outro sentido bem distinto) ou aportuguesado para ráquer. Os verbos "hackear" e "raquear" costumam ser usados para descrever modificações e manipulações não triviais ou não autorizadas em sistemas de computação, estão agindo a mando de alguém.
Nas ultimas duas semanas, eu fui uma das vítimas: Através do Twitter, e mandando mensagens a pessoas, que considero amigos, de fato, não usuais.

Sim, ao menos poderiam ser mais inteligentes e utilizarem a língua portuguesa brasilesa como utilizo, ficaria um pouco melhor. Mas foram pobres, esdrúxulos, pois o que tem de inteligência na informática falta-lhes em moral e valores de seres humanos e, principalmente, de cidadãos.

Sou o mesmo Profe Borto desde que comecei a utilizar a internet em 2005, mais profundamente. Escrevo para vários sítios, jornais, blogs e tenho o nome e fotografia originais em tudo o que escrevo além da localização de onde me situo.

Podem buscar informações em sítios sérios, que possuem todos os meus dados e estão disponíveis como em www.konvenios.com.br/articulistas do Grupo Kasal, de Vitória, ES.
Podem buscar no grande sítio de Educação www.cadernodeeducacao.com.br em São Paulo. As editorias terão o maior prazer em fornecer informações e dados sobre os colaboradores.
Podem ainda buscar em www.pintoresfamosos.com.br de São Paulo.
Podem buscar no Portal Gazeta www.gazeta670.com.br, no RS.
Podem acessar meu blog www.epensarnaodoi.blogspot.com.br
Podem acessar https://www.linkedin.com e lá terão todos meus dados, inclusive currículo completo, localização, endereço.
Poderão buscar informações também, em  http://www.betomous.com . Mais revistas e jornais do RS, SC e PR.

Em todos estes lugares sou colaborador, sou voluntário, nada recebo para isso. Portanto não sou comprável, não tenho preço.
Minha honra e minha dignidade não estão a venda e nunca estarão.

Mas podem deixar de serem tão covardes e me mandarem e-mail, e pedirem o que não sabem, ele está em todos estes locais a disposição.

Mas podem também deixarem de serem cobras mandadas, amebas comandadas por inescrupulosos indivíduos que se não tiverem seus “chefes” politiqueiros por trás, morrerão de fome, pois não terão capacidade para mais nada, Somente servem para atentarem contra as reputações.

 Em Genealogia da Moral, Nietzsche afirma: "Nós, homens do conhecimento, não nos conhecemos; de nós mesmo somos desconhecidos." - Prólogo - § 01- "Perguntemo-nos quem é propriamente 'mau', no sentido da moral do ressentimento. A resposta, com todo o rigor: precisamente o 'bom' da outra moral." - Primeira dissertação - § 11.

Li, e reli o livro do Dr. Tuma Jr e do Jornalista Tognolli. Estou esperando a Parte II, que foi lançado nesta  semana, se não me engano no Rio de Janeiro.
E o que Ele – Dr. Tuma – respondeu no Roda Vida, programa de Televisão a alguns pseudos-jornalistas, que para mim são escrevinhadores pagos para terem feito perguntas que algum chefete (sim, subjetividade) de quinta categoria mandou, pois não está na personalidade visível de cada um que tenham tanta inteligência para fazerem perguntas com tantas burricias assim, concordo integralmente. Não deixaram terminar as respostas. Esta prática se aprendia na faculdade, no Jornalismo antigamente para fazer para suspeitos, bandidos e não para pessoas íntegras.

Diz mais o Dr. Tuma, na página 18: (...) Diz Niemöller, que esteve preso nos campos de concentração de Sachsenhausen e Dachau:

“Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar”.(...)




Portanto aos covardes e psicopatas (sim, sem consciência) que estão promovendo tais asnices com pessoas de bem, façam-no ao vivo.
Peguem meu endereço e venham dizer na minha cara. Enfrentem-me.
Sou Gaúcho, fui criado e educado segundo valores de tradições fundamentadas no respeito ao ser humano, ao outro e ao que ele representa.
Mas também fui ensinado que não se leva “desaforos para casa”.

Portanto chega de tolerância com quem não tem cérebro, com amebas manipuladas por seres mesquinhos, hipócritas, medíocres em tal nível que quando perderem os “carguinhos” ou as “famosas tetas do estado” morrerão de fome, pois não tem capacidade para mais nada a não ser obedecer à ordem de seres maléficos.

Poderão continuar difamando, atentando contra minha reputação.
Afirmo-lhes: Não vão conseguir. Nada tenho a perder.
Tenham um pouquinho só de caráter, de hombridade, de dignidade, sejam homens ou mulheres se comuniquem comigo, enfrentem-me.
Mas cobras corta-se a cabeça, sem elas o resto não tem serventia,

Poupem os cérebros privilegiados que este Brasil ainda tem ou aguentem as consequências.

Não vou procurar na justiça. O pior algoz que pode existir são suas próprias consciências.
Anotem: Fizeram aqui... Pagarão aqui!

Pensar não dói... Já fofocas são em nível baixo e de involução comprovada.

Por respeito aos meus amigos e em homenagem a honra e coragem do Dr. Tuma Jr, do Professor Ossami Sakamori, da escritora Danka Maia e tantos outros seres de cérebros privilegiados que tiveram suas reputações atentadas.


Entendimentos & Compreensões

O Brasil que não Conhece o Brasil

sábado, 1 de fevereiro de 2014

#SOSEducação!


Reinventando o Humano!




“...A melhor maneira que a gente tem de fazer possível amanhã alguma coisa que não é possível de ser feita hoje, é fazer hoje aquilo que hoje pode ser feito. Mas se eu não fizer hoje o que hoje pode ser feito e tentar fazer hoje o que hoje não pode ser feito, dificilmente eu faço amanhã o que hoje também não pude fazer...!“.

Paulo Freire




Desatai o futuro, bradou furioso, o russo e poeta universal Maiakóvski. Poderíamos acrescentar, presunçosamente, um - preservai o passado! -, como forma de dar sustentação sólida a esse futuro em invenção constante.

Mas, o que preservar do passado? Nem tudo, é claro; afinal, o passado não é nem o lugar do imutável (pois depende de como o continuamos), nem um mero depositário temporal do, agora, inútil. É preciso, antes de qualquer coisa, quando pensamos em passado, fazer uma distinção entre o tradicional e o arcaico. O tradicional é o que deve ser protegido, guardado, levado adiante; é a tradição, uma espécie de promontório, a partir do qual o futuro pode ser vislumbrado naquilo que carrega de mais próximo à qualidade positiva. Já o arcaico, por sua vez, é o que deve ser descartado, por ter-se provado insuficiente, precário, anacrônico.

Para pensarmos um pouco sobre essa relação entre passado, presente e futuro, vale à pena recontar uma historinha (infelizmente) real.

Em meados dos anos 70, dois caciques da nação xavante foram de avião, visitar a cidade de São Paulo; a visão aérea noturna de uma megalópole (com sua “floresta” de prédios”) os impressionou sobremaneira (tal como, para nós, é inesquecível e confusa a paisagem amazônica). Foram dormir em um hotel e, no dia seguinte, levados para passear.

Aonde levá-los, senão para ver o diferente, o exótico, o inédito? Andaram no metrô (recém-inaugurado), caminharam pela Av. Paulista (com suas catedrais financeiras altíssimas), visitaram um shopping center (só havia 2 naquele tempo) e, por fim, foram conhecer um dos prédios históricos paulistanos na região central que abriga um imenso mercado municipal (entreposto de frutas, legumes e cereais).

A ida ao mercado tinha a finalidade de surpreendê-los com um cenário paradisíaco: alimentos acumulados em grande quantidade. Como, naquela época, eles quase não usassem o dinheiro como mediação para qualidade de vida, o alimento farto representava uma riqueza incomensurável. Entraram, deram dois passos no interior do prédio e, subitamente, estancaram boquiabertos com o cenário: pilhas e pilhas de alface, de cenoura, de tomate, de laranja... Começaram a andar por entre as pilhas e caixas, em meio aquele ruído de vozes, folhas e frutos esmagados e caídos no piso, um movimento incessante.

De repente, um deles viu algo que nenhum e nenhuma de nós teriam visto, pois não chamaria nossa atenção. Ele apontou e disse:

O que ele está fazendo? “Ele” era um menino de uns 10 anos de idade, negro, pobre (nós o saberíamos, pelas vestimentas), que no chão catava verduras e frutas amassadas, estragadas e sujas, e as colocava em um saquinho plástico. A resposta foi a “óbvia”: Ele está pegando comida.

O cacique continuou passeando, calado (provavelmente tentando compreender a resposta dada); depois de uns 10 minutos voltaram à carga:
Não entendi. Por que o menino está pegando aquela comida podre se tem tanta coisa boa nas pilhas e caixas?
Outra resposta evidente: Porque para pegar nas pilhas precisa ter dinheiro. Insiste o xavante (já irritante, pois está escavando onde a injustiça sangra): E por que ele não tem dinheiro?
Réplica enfadonha do civilizado: Porque ele é criança!
Torna o índio: E o pai dele? Tem dinheiro?
Outra obviedade: Não, não tem.

Questão final: Então, não entendi de novo. Por que você que é grande tem dinheiro e o pai do menino, que também é não tem?

A única saída possível foi responder: Porque aqui é assim!
Os índios pediram para ir embora, não apenas do mercado, mas da cidade.

Não tiveram uma revolta ética, mas cultural; não captaram um dos modos de organização de nossa cultura. Não conseguiram compreender essa situação tão “normal”: se uma criança tem fome e não tem dinheiro, come comida estragada. Para que pudessem aceitar mais tranquilamente o “porque aqui é assim” teriam que ter sido formados e formadores da nossa sociedade, frequentado nossas instituições sociais; teriam que ter sido “civilizado”.

A intenção do relato acima não é moralista e nem deseja propor um “modelo indígena de existência”; é ressaltar aquela que é nossa maior tarefa: o esforço de destruição do “porque aqui é assim”.

A ruptura do “porque aqui é assim” principia pela recusa à ditadura dos fatos consumados e à ditadura fatalista de um presente que aparenta serem invencíveis tamanhos são os obstáculos cotidianos com os quais nos deparamos.

É preciso ter a audácia de reinventar, em conjunto, o humano, e, com ele, uma ética da rebeldia, uma ética que reafirme nossa possibilidade de dizer não e que valorize a inconformidade.

Não é mero acaso que a primeira palavra, de fato, que um ser humano aprende a dizer e a entender é o não.

 Seja oral ou gestualmente, o não é a fundação a partir da qual se constrói nossa principal característica: a liberdade, a capacidade de ultrapassar as determinações da natureza e das situações presumidamente limitantes. Só quem é capaz de dizer o não pode dizer o sim, isto é, pode escolher e acatar deliberadamente o curso das circunstâncias e das exigências externas e internas.

Ser humano é ser junto. É necessário negar a afirmação liberticida de que “a minha liberdade acaba quando começa a do outro”. A minha liberdade acaba quando acaba a do outro; se algum humano, ou humana, não é livre, ninguém é livre.

Se alguém não for livre da fome, ninguém é livre da fome. Se algum homem ou mulher não for livre da discriminação, ninguém é livre da discriminação. Se alguma criança não for livre da falta de escola, de família, de lazer, ninguém é livre.

É preciso resgatar a paixão por uma idéia irrecusável: gente foi feita para ser feliz! E esse é nosso trabalho; não só nosso, mas também nosso. Paixão pela inconformidade de as coisas serem como são; paixão pela derrota da desesperança; paixão pela idéia de, procurando tornar as pessoas melhores, melhorar a si mesmo ou mesma; paixão, em suma, pelo futuro.



Nosso tempo é este hoje em que já se encontra, em gestação, o amanhã. Não qualquer, mas um amanhã intencional, planejado, provocado agora. Um amanhã sobre o qual não possuímos certezas, mas que sabemos possibilidade.

Pode parecer romântico (até piegas); no entanto, é dessa utopia que não nos podemos apartar, sob a pena de perdermos o sentido de humanidade.

Há um ditado chinês que diz que: “... se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um carregando um pão, e, ao se encontrarem, eles trocam os pães, cada homem vai embora com um; porém, se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um carregando uma idéia, e, ao se encontrarem, eles trocam as idéias, cada homem vai embora com duas...”!

Quem sabe é esse mesmo o sentido do nosso fazer: repartir idéias, para todos terem pão...

Afinal, “pensar ainda não dói...”!  (afirmo eu...)




Este texto é resultante de excertos de CORTELLA, M.S.
A Escola e o Conhecimento (fundamentos epistemológicos e políticos),
São Paulo, Cortez/Instituto Paulo Freire,1998.
Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado no Site Kasal – Vitória – ES
www.konvenios.com.br/articulistas
Jornais e Revistas do RS,SC e PR







segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

#SOSBrasil

 “Atavismo Patriótico!”


  
“...Olho mas não vejo..
Porque o meu ver está cercado de passividade
E o meu olhar deve ser ativo
Tornando-se vivo a cada reflexão
De observar o mundo
Para viver o mundo...!”

Laura Noéli



Por que estamos tão inertes? Por que estamos tão indiferentes?
Em quê?
Eu tudo. Parece que não entendemos quando Manoel Osório Duque Estrada tentou definir nosso país e, consequentemente, nosso povo, como um paraíso, um lugar abençoado por Ele e que pudéssemos estar TERNAMENTE, (e não eternamente) deitados em berço esplêndido...

Parece que esse atavismo se perpetuou entre gerações. Chegou a nossos dias e simplesmente se tornou inerte, frugal, hostil e ao mesmo tempo passivo.

Jean-Paul Sartre costumava afirmar: “... Ainda que fôssemos surdos e mudos como uma pedra, a nossa própria passividade seria uma forma de ação...”.
Mas não está acontecendo conosco.

Peritos do INSS tratam os segurados (aqueles que pagara a seguridade) como se fossem idiotizados (animais em pet-shops são melhores tratados que por peritos e pelo SUS).

Políticos se transformaram em sinônimo de ladrões, gatunos, larápios, verdadeiras aves de rapina, vigaristas da pior espécie e, ainda por cima “legalizados” pelo nosso voto. Se é que se pode confiar nesta dita “contagem eletrônica”.

Sindicatos que antes faziam greve contra empresas privadas e que elegeram tudo o que está aí, hoje fazem greve contra aqueles que eles mesmos colocaram lá.

Empresas, em nível mundial, como a Petrobrás estão em estado lastimável de quase insolvência em uma área multimilionária.
Má gestão? Ou mau caratismo
.
Homens que se diziam líderes populares se transformaram em reles marginais e estão sendo presos (ou melhor, estão sendo acomodados em prisões de luxo, no lago sul de Brasília, como se estivessem presos).

Os ditos três poderes, que nada tem de independentes, fora da forma da lei, são todos subjugados pelo dinheiro do executivo, que é o nosso dinheiro pago na maior quantidade mundial de impostos. Apenas aproximadamente 1 trilhão e 700 bilhões em 2013. E onde está?

E nós estamos aqui, esperando uma “fada madrinha” que resolva todos os nossos problemas.
Parece que esse atavismo, próprio da escravidão, (até ela se revoltou e se libertou) além de uma hereditariedade tem também uma compulsão da espécie:

“.. ah, alguém vai fazer alguma coisa, mais dia, menos dia...” e ficamos assim inertes, passivos, idiotizados.

A famosa “grande imprensa” hoje, com raríssimas exceções ofende a profissão de jornalismo, sendo comprada e divulgando somente o que, aqueles que lhes pagam, querem. As opiniões hoje de fundamento, de caráter, de justiça, de retidão, estão vindas das chamadas “mídias alternativas”. Aqueles que têm compromisso com sua consciência e com seus filhos.

Atavismo é algo que não se desenvolve. Ele é hereditário. É uma reaparição, em um descendente, de certos caracteres vindos de um antepassado, e que não se haviam manifestado nas gerações intermediárias.

Esquecemos que estamos em uma democracia? Bem isso que aí está é tudo menos democracia.
Democracia é o estado em que o povo é soberano. Não estamos sendo soberanos. Estamos sendo soberanizados
.
Como na velha Roma, estamos felizes com pão e circo.
O “pão” das bolsas tudo", que nós pagamos. O circo dos estádios para a copa, que nós pagamos, enquanto obras tão necessárias como a transposição do velho Chico, transformaria o sertão nordestino em um novo eldorado.

O que estamos fazendo? Nada.
O que vamos fazer neste ano?



Isso vai depender ou ficar na consciência de cada um. SE você for uma espécie de egoísta autômato, ao menos pense nos seus filhos, SE não os tiver, pense nos seus irmãos brasileses. Mas SE não puder pensar, nem nisso. Por favor, não merece estar entre nós.

Pensar e ser patriota não dói... é um dever cívico, de berço, de cidadão consciente. De ser humano evoluído.

Pense e ajude-se nos ajudando... Por favor!

Poderá não haver depois...



Entendimentos & Compreensões de um
Brasil Sofrido e muito mal gerido
Publicado no Grupo kasal – Vitória – ES
www.konvenios.com.br/articulistas
em www.cadernodeeducacao.com.br/dialogosdocaderno  - SP




sábado, 25 de janeiro de 2014

    #SOSAmizade!               

  
Amizade Ultra Dimensional!




“... Amizade é quando duas pessoas
se unem em busca de alguma
verdade mais elevada..!".

Nietzsche


Tenho amigos que não sabem, exatamente o quanto são meus amigos. Eles quase se tornaram parte de mim. São necessários. É o oxigênio da alma. A leveza do coração. A harmonia dos dias. A coragem para enfrentar as diversidades. A alegria mais incontida que podemos exigir.

Em sua grande maioria meus ditos “alunos”, pois foram mais professores para mim que ao contrário, se manifestam, em sua maioria das vezes de forma que nos deixa desconcertados.

Uma destas amigas, hoje longe, em algum canto deste Brasilzão – que gostaria de saber aonde – chamada Isane Johan foi uma destas personalidades incríveis. Com um poder de utilizar o verbo de forma tão incrível que sempre que recebia algo ficava boquiaberto.

Em uma destas vezes veio como homenagem.
Confesso, fiquei ruborizado. Não me julguei merecedor.
Mas eis o que ela deixou com exclusividade que guardo com carinho e afeto.



As complexas complexidades dessa imensidão
Tão fascinantes pelas suas diversidades são
Elas materialmente nos aproximaram,
Porque assim de nós necessitaram.

Você para mim não era um desconhecido
Já era sabido, um grande amigo.
Enigmaticamente já estivemos presentes
Em diversas situações, em outras dimensões.

Sabemos quais são as nossas missões
A cumplicidade e a serenidade
Nos une e preserva nossa amizade.

Independente da vida material, do tempo e do lugar
Estaremos próximos e amigos
Servindo as complexas complexidades
Por elas fomos escolhidos
Para outros seres dar abrigo.

E a cada chamado, a cada pedido,
nos reencontramos e juntos vamos
Ajudar as dores humanas abrandar
E sincronicamente nos aperfeiçoar.

Sabemos que somos seres especiais
Para além da vida corpórea e material
Vivemos também uma vida imaterial.




Amigo, na vida material, nossos sentimentos,
Atitudes e limitações nos escravizam e impõem
Um misto de sofrimentos e realizações
Amores e dissabores, alegrias e frustrações.

Serenamente sabemos, na vida imaterial
Somos absolutamente livres, completos.
E repletos de confortos, dos mais nobres
Que as complexas complexidades
E sua grandiosa diversidade tem a nos ofertar
E ali próxima de você sempre vou estar.


Poetizar é para poucos gênios.
Já pensar nos amigos não dói... Mas deixa uma saudade...

 


Do carinho e afeto de minha
amada amiga e Professora Isane Johan
Em algum lugar do Brasil.
Manifestação de amigos




quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

#SOSFobias

“Homens Com Medo de Baratas?”


“...Dizem que a sobrevivência; Está em sua vida curta;
Como a barata existe a perseverança; Por mais que tenha vícios;
O exemplo está além de suas visitas; Invasão de privacidade;
É sua façanha de viver; E não sai barato; Aprendermos com alguns;
Que ainda insistem em ser; E ter um caráter; Que até as baratas;
Precisam aprender; Não seja uma barata pela vida;
Abisme em crescer; Pise na barata que insiste em você...!”

Do poeta e amigo do TT Zé Américo


Nestes dias de verão em alguns lugares fazendo temperaturas mais altas que outros, neste nosso Brasil varonil, são o clima ideal para a proliferação de muitos insetos e algumas “ditas” pragas. Entre elas as baratas.

Mas em uma conversa com amigos, um deles (sim, um homem) revelou certo “medinho” de este ser rastejante. Sim, a pequenina barata. Pronto... Foi tudo o que os amigos precisavam para dar boas risadas.

Mas porque este medo de baratas?

A psicologia dá outras explicações. Quando a memória registra um episódio ruim na infância, você não vai necessariamente se lembrar dele na fase adulta, mas um medo irracional pode permanecer. Esse pavor também pode vir de outros - por exemplo, de sua mãe subindo no sofá, gritando para o homem da casa se livrar do bichano. 
As fobias são aversão ou medo psiconeurótico a objetos ou situações particulares. Katsaridafobia ou Catsaridafobia é o medo de baratas.


Não deixa de ser certo preconceito. O habitat de animais influencia no julgamento do ser humano, e, como as baratas vivem em locais como esgotos, ralos e lixos, onde se alimentam de detritos, elas não poderiam deixar de ser odiadas. Cupim e besouro, por exemplo, são insetos como esta criatura repugnante ao lado. Mas não temos medo deles. E ainda tem os fofinhos.

"Algumas espécies de borboletas têm cores similares às das baratas, porém moram em árvores e em flores. Logo, nós as consideramos ‘graciosas’", diz José Albertino Rafael, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Vale a mesma coisa para os ratos de esgoto e os hamsters. São roedores, mas um é odiado e o outro é bicho de estimação. 

Agora vamos para um pouco da história entre o homem e as ditas “baratinhas”:

Elas vivem cinco meses. São divididas em quatro mil espécies espalhadas pelo mundo. Botam ovos oito vezes na vida, com 40 filhotes por vez. Aguentam uma semana sem cabeça ou sem beber e até um mês sem comer. Têm 300 milhões de anos. 200 mil anos - Surgimento do Homo sapiens. 60 milhões de anos - Primeiros primatas e 65 milhões de anos - Meteoro que eliminou os dinossauros.

Minha amiga cientista Laís Martins, do Caderno de Educação, teria certamente outra explicação para isso. Mais cientifico é claro. Meu amigo Zé Américo fez um poema, reproduzido acima e certamente a poetisa Mônica Bayef faria uma poesia mais doce para nosso amigo. Mas...

As mulheres, por serem muito mais delicadas e sensíveis do que nós, os ditos “machos” tem nojo, asco e outras coisas e realmente não gostam de baratas. Mas ver um “homem” subir em uma cadeira por causa de uma barata deve ser algo muito interessante de ser visto. Para não dizer hilário.



Mas é claro, cada um com seus medinhos, fantasminhas, monstrinhos que os afrontam de todas as maneiras de enfrentar suas vidas.

Quanto ao meu amigo que tem um medo terrível de baratas, vamos fazer assim: Você convida os amigos, deixa um bom vinho na temperatura ideal e nós nos livramos das baratas para você ficar feliz.

Pensar não dói... Mas baratas... Bem, estas poderão incomodar um pouquinho.
Mas só um pouquinho. É claro que este assunto vai render muito ainda...


Transpirado de meu amigo Amex Gamboa.
Entendimentos & Compreensões.