sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Indignação!

Indignação!

“... A esperança tem duas filhas lindas,
a indignação e a coragem; a indignação
nos ensina a não aceitar as coisas como
estão; a coragem, a mudá-las...!”

Santo Agostinho

Creio que o doutor da Igreja católica tenha colocado a solução, na frase em epígrafe, para os problemas do Brasilês, na atualidade deste novo ano, porém ainda vivendo as consequências do que passou.

Indiscutível é a completa incompetência da administração de presídios no Brasil. Fato. Não nos cabe discutir.
Mas muito pior do que isso é “jornalecos e escrevinhadores” extremamente “preocupados” com a violência no Oriente Médio.
Sim, são, literalmente, criadores de “cortinas de fumaça” ao pensamento e discernimento do Brasilês, enquanto seus problemas são gigantescos em termos de segurança. 
Temos uma verdadeira “guerra” nas ruas todos os anos. Cerca de 60 mil homicídios (59,5 mil mortes violentas foram registradas pelo tal de “mapa da violência no Brasil”, somente no ano de 2014) a centena que colocamos a mais, dá e sobra se colocarmos a violência dos presídios.
Mas aonde está o problema?
                                                  
Bem, melhor seria dizer os problemas. Mas confesso, e afirmo: Continuam no mesmo lugar de origem de todos os outros: Congresso Nacional – Leia-se Câmara dos Deputados e Senado Federal -.
Lá, onde deveriam estar os representantes de toda a população, fiscalizando, acompanhando cada ação de governantes e as consequências para a cidadania brasilesa.
É "fogo" utilizar futuro do pretérito, no verbo acima...
Mas, indignação vem do latim Indignari, “estar irritado ou desagradado com alguém, considerar uma pessoa sem valor; de in – negativo, mais dignus, “de valor, apropriado, adequado”.
Em seguida à Discurso do Método, René Descartes, traz as Paixões da Alma, no século dezesseis. Na terceira parte, Das Paixões Particulares, o filósofo, traz em um subitem, ou em seu art. 195, exatamente: Da Indignação:
Diz o filósofo:
                                                             
A indignação é uma espécie de ódio ou de aversão que se nutre naturalmente contra os que praticam algum mal, de qualquer natureza que seja; e muitas vezes esta misturado com a inveja ou com a compaixão; mas seu objeto é totalmente diferente, pois só ficamos indignados contra os que fazem o bem ou o mal às pessoas que não o merecem, mas temos inveja dos que recém esse bem, e sentimos compaixão pelos que recebem esse mal. É verdade que de alguma maneira representa praticar o mal possuir um bem de que não se é digno; o que foi talvez a causa pela qual Aristóteles e seus seguidores, supondo que a inveja é sempre um vício, deram o nome de indignação à que não é viciosa.
Parece que precisamos contrapor o filósofo, ao menos em termos de Brasil.
Estamos tão acostumados à indignação que ela já é parte, já compõe o cenário nacional... Está acima do vício.
Digladiamos em redes, fazemos hangouts, (vídeo conferências virtuais) manifestações ao vivo no YouTube... E em 15 dias tudo está esquecido.
Eis o que os políticos sabem mais do que nós. Eles nos usam exatamente neste sentido. Sabem que somos fracos, omissos e esquecemos com facilidade todo e qualquer assunto.
Um ônibus no estado do Paraná, capotar e morrer 20, dá um rodapé de página e fica por isso mesmo... 100 morrerem em presidio, bem aí é diferente, STF aparece, todo mundo fala em indenização... E por aí vai.
Sim já se tem valores para uma vida. Seja de um bandido preso ou de um inocente que morre por falta de atendimento no SUS.
Esta é a justiçinha brasilesa, somente comparada à países de quarto mundo.
Enquanto isso, como diz um amigo catarinense em seu diário virtual.... Assim caminha a mediocridade....
Cada vez me conscientizo mais que para o Brasilês.... Pensar dói!



Entendimentos & Compreensões

Leituras & Pensamentos da Madrugada
Publicado originalmente no Grupo Kasal –
Vitória – ES.
http://www.konvenios.com.br/info/verArtigo.aspx?a-id=28505#.WItL5hsrKyI
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