segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

De Nossas Dúvidas!

#PensarNaoDoi:

De Nossas Eternas Dúvidas!
                                 
“...É preciso ter dúvidas. Só os estúpidos
têm uma confiança absoluta em si mesmos...!”

Orson Welles

                                  O ano apenas começou, mas já saltam, à olhos vistos, as dúvidas sobre os destinos de um povo inteiro: o Brasilês!
                                       O que nos está reservado, pouco sabemos, e não confiamos em mais ninguém; e na grande maioria das vezes nem, ao menos, em nós. As informações recebidas são tão desencontradas que acabamos nos perdendo até mesmo em nossas análises e nos enchendo de dúvidas, até daquilo que já tínhamos uma opinião formada.

Descartes, já disse no século 16: 
                          “Há já algum tempo eu me apercebi de que, desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em princípios tão mal assegurados não podia ser senão muito duvidoso e incerto; de modo que me era necessário tentar, seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões a que até então dera crédito, e começar tudo novamente desde os fundamentos , se quisesse estabelecer algo de firme e de constante nas análises das coisas séria. Mas, parecendo-me ser muito grande essa empresa, aguardei atingir um período mais propício que não pudesse esperar outra a não ser ela, na qual eu estivesse, talvez mais apto para executar novos procedimentos nas ideias analíticas; o que me fez diferi-la por tão longo tempo que doravante acreditaria cometer uma falta se empregasse ainda em delibera o tempo que me resta par agir. ”
                                         
                                      Agora, que meu espirito sente-se mais livre de todo os cuidados, e que se consegue um repouso assegurado numa pacifica e quase solidão, aplicar-me-ei seriamente e com liberdade em destruir em geral todas as minhas antigas opiniões.
Ora, não será necessário, para alcançar esse desígnio, provar que todas elas são falsas, o que talvez nunca levasse a cabo; mas, uma vez que a razão já me persuade de que não devo menos cuidadosamente impedir-me de dar crédito às coisas que não são inteiramente certas indubitáveis, do que às que nos parecem manifestamente ser falsas, o menor motivo de dúvida que eu nelas encontrar para me levar a rejeitar todas. E, para isso, não é necessário, que examine cada uma em particular, o que seria um trabalho infinito; mas, visto que a ruina dos alicerces carrega necessariamente consigo todo o resto do edifício dedicar-me-ei inicialmente, de agora em diante, aos princípios sobre os quais todas as minhas antigas opiniões sempre estiveram apoiadas.

Tudo o que recebi, até o presente momento, em todas as áreas as quais me dediquei, com o mais verdadeiro e seguro, aprendi-o dos sentidos ou pelos sentidos: ora, experimentei algumas vezes que esses sentidos eram enganosos, e, é de prudência nunca se fiar inteiramente em que já nos enganou uma vez. (argumento do erro do sentido, primeiro grau da dúvida. É insuficiente para nos fazer duvidar sistematicamente de nossas percepções sensíveis, na analítica de Descartes).
                                     
                                      Destas opiniões enganosas, remetidas como verdade, tirei o sentido e sentimento de que poucas fontes noticiosas, atualmente, são dignas e merecedoras de confiança para dar-lhes como sérias e com isso manifestar, através delas, quaisquer opiniões sobre os acontecimentos gerais
Assim como decisão de novo ano, fico somente com o que considero verdadeiros segundo meus sentidos de apuração e da mora, educação e ensino que tive, principalmente, no estudo dos filósofos, desde os pré-socráticos até os modernos.

Não errei em nenhuma avaliação feita, porem pequei por ter difundido outras que depois, em nova avaliação vi que me era totalmente desencontrada de propósitos sérios e que continham segundas intenções para os propagadores e não para nós leitores e intérpretes.
Volto à minha crítica pura da razão (parodiando Kant) sobre todos os fatos para torná-los público, conforme meus mestres ensinaram-me. Analiticamente, como Descartes faria de qualquer pensamento, para todas as ações de todos os veículos e propagandeados de pensamentos esquisitos, ainda espalhados por nosso lindo e amado Brasil.
Sim entrei o ano pensando mais ainda, visto que não dói.
Créditos? Somente a seriedade de quem a proferir.
Ao resto meu escárnio.
Pensar não dói... Já ouvir asneiras de ditos “profissionais” dói... Muito... Na alma!
Para a frente Brasil.


Entendimentos & Compreensões

Leituras & Pensamentos da Madrugada

Citação de: As Meditações de Descartes
Da primeira edição, Paris, 1641
Tradução de J. Guinsburg e Bento Prado Junior
São Paulo – 1991
Publicado Originalmente no Grupo Kasal-
Konvenios – Vitória – ES.
http://www.konvenios.com.br/info/verArtigo.aspx?a-id=28479#.WIUQdxsrKyI
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