quinta-feira, 12 de março de 2015

Cidadania na Sala de Protheus:
 
Se Grita Pega...!

Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão, não fica um
Você me chamou para esse pagode,
e me avisou: "Aqui não tem pobre!"
Até me pediu pra pisar de mansinho, porque sou da cor,
eu sou escurinho ...
Aqui realmente está toda a nata: doutores, senhores,
até magnata
Com a bebedeira e a discussão, tirei a minha
conclusão:
Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão, não fica um
Lugar meu amigo é a minha Baixada, 
que ando tranquilo e ninguém me diz nada
E lá camburão não vai com a justiça, pois não há
ladrão e é boa a polícia
Lá até parece a Suécia, bacana, se leva o bagulho e se
deixa a grana,
Não é como esse ambiente pesado, que você me trouxe
para ser roubado ...


Bezerra da Silva – Se gritar pega ladrão
 
                                  Quanta falta nos fazem esses “malandros do samba”! Bezerra da Silva, Moreira da Silva, Cyro Monteiro e Germano Mathias, (o único paulista). Enquanto Chico, Caetano e os demais cantavam as “desgraças nacionais” através de “hieróglifos musicais” incendiários destinados à “burguesia rosée” de Zona Sul e Jardins e “esquerdistas de festival”, os “malandros” falavam “na lata” aquilo que ia na “cabeça do povão”. Vinha diretamente da favela para o asfalto em “português das vielas”.
                                  “Vou apertar, mas não vou acender agora” cantava Bezerra e com isso entrou definitivamente no “gosto geral”, principalmente da “classe média fumante” ... Subversão pura. Infelizmente, não estão mais por aí para “cantar” os tempos atuais e nem é possível imaginar como se expressariam em sua linguagem “de breque” e com isso empobrecemos na “coligação topo/fundo” da pirâmide social.
                       Tenho uma imensa curiosidade de como o momentoso tema PETROBRÁS seria cantado? Não vou imputar ao PT, exclusivamente, a atual crise de valores e de moralidade no trato do dinheiro público e principalmente da sua relação com os mercados e mais principalmente por tratar o “dinheiro alheio”, (dos investidores externos), com o mesmo “caradurismo”, que tratam o do “público interno”.
                                        Em 12 de agosto de 2000 as ações da Petrobrás começaram a ser negociadas na Bolsa de Nova Iorque, um importantíssimo passo na internacionalização da empresa, juntando-a às grandes petroleiras internacionais. Foi também em 2000, que se abriu a opção aos mutuários do FGTS, de investir parte de seus recursos no fundo, (30%), em suas ações, uma iniciativa destinada a incluir “investidores não tradicionais” nas Bolsas de Valores. A ela aderiram 320 mil novos acionistas e até 2010 esses recursos ganharam uma valorização de 770%, contra uma valorização máxima de 60% do FGTS.
                                       Entretanto, foi em 2008, que o Presidente Lula reincentivou essa opção mais fortemente ao mudar a Lei do FGTS, permitindo a aplicação de até 50% dos recursos individuais no Fundo. Em 2010 ocorreu uma maciça corrida ao papeis da empresa pelos optantes, marcando os tempos áureos da empresa, que chegou a se constituir na segunda maior petroleira do mundo, também pelo fato de em Setembro de 2010 ter sido realizada na BOVESPA e em WALL STREET a maior oferta conjunta de ações ocorrida em todos os tempos no mundo.

                                    Nesse entretanto temos hoje notícias de um ainda imensurável esquema de corrupção, que tomou de assalto à PETROBRÁS e isso evidentemente veio a impactar os negócios da petroleira. Um outro recorde foi batido em WALL STREET em 15 de fevereiro último. As ações da Petrobrás tiveram o mais alto volume negociado na Bolsa Americana de todos os tempos num único pregão, só que em “movimento inverso”. Muitos livrando-se do ativo.
                                 Como consequência um número incalculável de “ações judiciais” está correndo nos USA, pois lá mais sagrado que o “In God we trust” é o papel onde a frase está escrita, ou seja, no “dinheiro alheio”, uma coisa que no Brasil é tratado como o mais “sarnento dos cães” desde os tempos do Império. Ainda hoje muitos títulos públicos do Império, ainda são “moeda podre”, ou melhor, “moeda apodrecida” pelo descumprimento dos compromissos financeiros da União, com seus investidores.
                              Desde criança ouço a justificativa de que o “capital imperialista” deva ser “confiscado” pelos “subdesenvolvidos explorados”, mas juro que não consigo entender, que tipo de “imperialista” é o pequeno investidor, seja brasileiro ou estrangeiro, que “aplica” suas economias, como garantia da sua “velhice aposentada”.
                              Ainda que fosse em benefício do “desenvolvimento nacional”, ainda assim isso para mim tem o nome de “roubo oficial”, mormente quando esses recursos são “oficialmente roubados”, seja em forma de investimentos ou de “impostos” pagos pelo contribuinte.
                            Quem suporta limites éticos tão frouxos, por não respeitar o “bem alheio”, não pode exigir respeito ao que é seu, principalmente pela Lei do Talião, não a do olho por olho, mas a do “ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão”.
                            Em 1965 o General De Gaulle colocou um porta aviões francês nas costas brasileiras como garantia do direito à pesca da lagosta e milhares e milhares de vezes as frotas britânicas e americanas bombardearam países, que haviam “sequestrado” bens de seus cidadãos. Nesta fase atual da Globalização esse “ataque” é feito pela ação conjunta dos países estruturados sobre leis e respeito aos direitos, negando “recursos” a “países piratas”.
                           O pior de tudo é, que nós “cidadãos brasileiros”, como uma coletividade, levamos a fama pelas bananas, que os “macacos oficiais” comem, enquanto para nós só sobra o “talo”.
                           Um país no qual a Presidente da República, os Presidentes da Câmara e do Senado e o Presidente do Supremo Tribunal Federal estão sob suspeição é um país no qual os Três Poderes são ilegítimos aos olhos da cidadania. É isso que precisamos “clamar” alto e forte no próximo Domingo.
                           É passada a hora da Nação começar a cassar os incompetentes e trancafiar os “ladrões e suas quadrilhas organizadas”, não só pelo deboche e vergonha a que nos submetem, mas principalmente, para que nossos filhos tenham: saúde, educação, segurança e transporte dignos e mais principalmente ...
                          VERGONHA CIDADÃ para exigir os seus mais legítimos direitos ... Aqueles que “eles” dizem que temos, mas nos “negam cinicamente” todos os dias.

 

Antônio Figueiredo
@ToniFigo1945 
Escritor & Articulista
São Paulo - SP