quarta-feira, 28 de janeiro de 2015


 
 
Quando Deus Quiser...
Tá contada a minha estória
Verdade e imaginação
Espero que o sinhô
Tenha tirado uma lição
Que assim mal dividido
Esse mundo anda errado
Que a terra é do homem
Num é de Deus nem do Diabo

Sérgio Ricardo- Deus e o Diabo na Terra do Sol

                                 Muitos vão julgar minha afirmação inicial parecer apostasia, mas acredito sinceramente que foi um “excesso de religião”, que nos condenou à dependência permanente da “vontade de Deus” a marcar nossa história e o que é o pior, a índole do brasileiro de delegar ao “divino” soluções exclusivas do “humano”. Não podemos nos esquecer que na Península Ibérica vigorava a “Idade das Trevas” sob a égide da Santa Inquisição e a “hipocrisia religiosa” acobertava as “piores intenções” do ser humano e sempre em “nome de Deus”.
                               O mais intrigante é que a Primeira Missa em 1500 foi rezada por um frei franciscano, Frei Henrique de Coimbra, mas a Primeira Missão Religiosa foi encabeçada pelos Jesuítas, Padre Manoel da Nóbrega, em 1549, apenas 9 anos após a fundação dessa ordem religiosa, que se dispunha ao acompanhamento hospitalar e missionário em Jerusalém, ou “para onde o Papa os enviasse, sem questionamentos”.
                            Essa negociação ocorreu sob o reinado de Dom João III, filho de Dom Manuel, conhecido como “O Pio” e visava à catequese dos índios, porém antes em 1536 o rei havia permitido, por fortíssima pressão da Santa Sé, a instalação da Santa Inquisição em Portugal, para contrabalançar o crescente movimento luterano na Europa, (1517-1521). Em 1548 promoveu a divisão do Brasil em Capitanias Hereditárias, que marcou o efetivo início da “ocupação da terra”. Nesse cenário surgiu o Brasil.
                         Pois bem, uma coisa de que sempre duvidei, é da boca, que diz falar em nome do “senhor”, seja esse senhor o “Ser Celestial”, ou aquela que é a “senhora da verdade” ou da “voz de um povo” e é dessas “bocas charlatãs messiânicas”, que a História do Brasil está povoada desde sempre e ainda está.
                          Fala-se muito de que só com Educação conseguiremos mudar o atual paradigma, do que discordo veementemente, pois ainda que o nível educacional do povo brasileiro fique muito a dever, não se pode classifica-lo de “inocente ingênuo”. A “idade da inocência” já ficou lá para trás no retrovisor histórico.
                           Não podemos dizer também, que o povo brasileiro seja um “esperto aproveitador”, que jamais vai cuspir na mão que o afaga e aquinhoa, pois não jogará no “lixo” um benefício mensalmente garantido.
                          O resultado das últimas eleições presidenciais, com uma vitória tão apertada da candidata situacionista, vem demonstrar que o Bolsa Família não foi tão decisivo assim e no final das contas a decisão deu-se pelos votos dos que “não votavam PT”, contra os que “não votavam PSDB”.
                            A realidade é que os dois partidos, que mal completaram 30 anos de existência, são “mortos vivos”, que jamais representarão uma maioria expressiva do eleitorado para as próximas eleições, assim como vem acontecendo às várias anteriores.
                            E a explicação é muito simples. Faltam-lhes “quadros expressivos”. “Nomes”. E a razão para isso também é facilmente explicável historicamente. Político brasileiro, que se preza, não deixa “nada crescer” na sua sombra e nem “cobra para picá-lo” no seu “quintal”. Partidos políticos brasileiros nascem, crescem e morrem junto com seus fundadores e é o que está acontecendo com PT e PSDB, como já aconteceu com o PTB de Vargas, o PDT de Brizola, o PSB de Arraes e Eduardo. E é assim que nascerá, crescerá e morrerá o partido de Marina Silva, porque ele é Marina e só.
                              O brasileiro que viu suas maiores conquistas e hegemonia esportivas serem fruto do “trabalho em equipe” em esportes coletivos, como o futebol e o voleibol, é incapaz de fazer seus “times vencedores” politicamente. E é nisso, que continuaremos a patinar. Entre PT e PSDB.
                                Na verdade é a “força conjunta” com seus valores e expressões, que deveria prevalecer na formação de um partido político, onde pessoas proeminentes e respeitadas nos mais diferentes segmentos das necessidades nacionais passassem a população à ideia de um “time comprometido” na solução dessas necessidades. É evidente, que nessa equipe uma liderança maior se destaque e certamente será em face da necessidade “mais emergencial”.
                               O que realmente ocorre é que a “um homem”, o iluminado, se entrega toda essa responsabilidade, exclusivamente por sua capacidade de “falar ao coração do povo”. Na realidade histórica temos mais exemplos de “coveiros da pátria”, que de “salvadores da pátria”, quando assim se decide por uma liderança nacional. Sir Winston Churchill e Franklin Delano Roosevelt, para mencionar líderes da II Guerra, eram líderes de Partidos Políticos, com uma ideologia e objetivos muito bem traçados.
                               Já Adolf Hitler, que devolveu à Alemanha o seu orgulho nacional e fez dela uma potência em poucos anos, só conseguiu isso pela força e estrutura sociais, que a Alemanha já possuía, mas levou-a à ruína, quando colocou seus objetivos pessoais de poder em uma direção, que não era a pretendida por seu povo. E o povo alemão pagou por toda essa “loucura”.
                              Alguns líderes brasileiros recentes em muito se assemelham a ele, pois usam a “massa descamisada” em delírio para ascender e manter o poder, mas que o próprio tempo se encarrega de provar, que são “muito pequenos” para a missão, que se propuseram. E é este o momento nacional, que se vive.
                               Aqui os judeus são os “sulistas de olhos azuis” e o “inimigo a destruir” é toda uma massa de eleitores, que não se alinha às suas pretensões. Por incrível que possa parecer, essa massa é a mais produtiva e a maior pagadora de impostos. Cabe aqui uma pergunta: se essa massa efetivamente for alijada, do que se comporá a Nação?
                               A resposta já está dada. É só olhar à que situação interna e à imagem externa que o país foi levado em nome desse “projeto de poder” e o mais incrível: ninguém é responsável por nada e mais uma vez a “receita amarga” será bebida de um só folego não só por votantes na oposição, mas também para os da situação.
E agora, José?
                            Vamos mais uma vez pedir: Pai, afasta de mim esse cálice ..., ou vamos traga-lo, como seremos obrigados a fazê-lo para manter a “pátria em pé”, mas vamos atirá-lo vazio na cara de quem mais uma vez o colocou em nossas mãos, sem que o pedíssemos, mas que consentimos.
Brava gente brasileira, como diz o ditado: Quanto mais nos abaixamos mais aparece a nossa bunda...
Vamos mais uma vez consentir: Cuecas fora, brasileiros?

 
Entendimentos & Compreensões de
Antônio Figueiredo
Escritor e cronista
São Paulo – SP -