quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Da mente genial
do escritor Antônio Figueiredo:
 
 
                Começou o Fim...!

Garantidos pela lei
Aquelles malvados estão;
Nós temos a lei de Deus
Eles têm a lei do cão;

Bem desgraçados são elles
Pra fazerem a eleição;
Abatendo a lei de Deus
Suspendendo a lei do cão!

Casamento vão fazendo
Só para o povo iludir;
Vão casar o povo todo
No casamento civil!

D. Sebastião já chegou 
E traz muito regimento
Acabando com o civil
E fazendo o casamento.

O anticristo nasceu
Para o Brasil governar;
Mas ahi está o Conselheiro
Para deles nos livrar!

Visita vem nos fazer
Nosso rei D. Sebastião.
Coitado daquele pobre
Que estiver na lei do cão.
Poesias de Canudos – Euclydes da Cunha

                                        Era assim que se via a República logo no seu nascedouro pelos habitantes do semiárido de Canudos no Sertão Baiano, graças à imposição do Registro Civil, (casamento), considerada uma usurpação pelo Estado de um “direito divino”. Hoje decorridos 125 anos ainda gera um sentimento igual de imbecilidade e idiotia em todo cidadão, por não ser capaz de entender de que princípios ela se compõe e a que fins se propõem. A República nunca passou de um “protocolo de intenções”. Más intenções.
                                         Nos dias de hoje é a “onipresença do Estado” em todas as atividades e em especial na Economia, que nos dá a sensação de só podermos ser “serviçais”, trabalhadores ou empresários, mas é o Estado quem determina o nosso sucesso ou fracasso. Não somos os “donos” da nossa “capacidade empreendedora”. É o “garrote vil” na cidadania.
                                        Gostaria de entender no que nos representa um “Estado perdulário”, que provoca a inflação para custear seu projeto de poder, fazendo nulo o esforço comum do trabalho e menos digna a vida das famílias e que com isto esgota a capacidade nacional de poupança tomando para si todos os recursos disponíveis e remunerando regiamente o já nenhum “suor do capital”?
                                      Que não corrige a tabela do Imposto de Renda, arrancando um pouco mais do nosso suor digno e que lança um programa, (o Super Simples), que simplifica sua burocracia interna, mas sobrecarrega mais ainda o contribuinte.
                                     Tentei enquadrar minha empresa, que até então era uma atividade não admitida, mas desisti ao ver acrescidos outros 5% ao montante dos impostos, que já pago atualmente. Isso sem contar que nada reverterá em benefício particular ou de qualquer outro cidadão brasileiro esse meu esforço adicional.
                                     Que a guisa de “sustentação política” e “manutenção do poder” tem permitido os maiores escândalos de corrupção já registrados na História do Brasil, dilapidando não somente o “esforço tributário” nacional, hoje já na casa dos 40% e já ensejando o aumento da carga tributária para cobrir toda sua incompetência e imoralidade gerencial e ainda vem “exigir” da população mais este sacrifício.
                                     A grande verdade é que muito mais do que o nosso dinheiro, os Governos dos 12 últimos anos vêm destruindo os mais básicos e caros valores morais da cidadania e da nacionalidade. Impondo-nos um novo padrão de moralidade pessoal e política, onde tudo é permitido a quem está no Poder e nada aos cidadãos, que consciente e obrigatoriamente cumprem com suas obrigações constitucionais. A lei é rígida, para quem está fora das “muralhas do castelo”.
                                  Nossos pais nos ensinaram desde a mais tenra infância é: em qualquer relacionamento deve haver respeito para que essa relação seja saudável e mutuamente aceitável, mas o que se constata no Brasil de hoje é que não só compromissos assumidos publicamente por candidatos e Governo e o dinheiro do contribuinte recebe esse tratamento, bem como não temos acesso à “verdade” de como está à situação do país.
                                  O que nos resta então, quando um relacionamento se torna insatisfatório e principalmente desrespeitoso?
                                 Não me lembro de em toda minha vida, havermos gozado de tantas liberdades democráticas, sem que pairassem quaisquer ameaças golpistas sobre a nossa Democracia, mas ao mesmo tempo não me lembro de havermos chegado a uma encruzilhada tão crítica de não sabermos que caminho tomar para mantê-las. Faltam-nos meios ou vontade e coragem?


                                  Fala-se muito, hoje, de uma “ameaça totalitária” originária das forças que suportam o atual poder constituído. Isso é puro alarmismo fantástico, pois não existe no Brasil de hoje nenhum suporte político, social ou nas casernas para que realize uma improvável tentativa, a não ser pela presunção do próprio poder mandante, que julga ter uma hipotética base política, mas que é artificial e camaleônica e por isso não a domina. Essa base irá para onde se encaminhar o Poder, seja o atual ou o que sobrevier. É da Política Brasileira de todos os tempos.
                                    Contudo, é esta “paralisia social nacional” o que mais assusta e que torna tudo mais nebuloso e incerto. Estamos à espera por tudo e ao mesmo tempo por nada. Esperamos a Justiça decidir os rumos do processo da Operação Lava a Jato, a eleição da Câmara dos Deputados e do Senado e até mesmo à espera de um milagre... Aquele que as urnas não realizaram.
                                    Não podemos nos permitir entrar em “depressão letárgica” institucional e com isso impassivelmente assistir ao desmonte econômico executado pelo Mercado todo o dia, depreciando todo um esforço coletivo de décadas e vê-lo rolar para baixo nos seus balcões de negócio. O valor e o orgulho de uma Nação não podem se deixar representar por “cotações de Bolsas”. O que as cotam são as atitudes, que tomamos como “Nação”. E hoje o Governo não faz absolutamente nada, por não ter a mínima ideia do que fazer. Só sabem desconstruir. Essa Esquerda nunca construiu nada.
                                  O que o Brasil necessita neste momento não são “palavras inflamadas” de discursos oposicionistas, mas de que as lideranças se perfilem e se posicionem para esta batalha de resgate, pois afinal são “capitalistas” de 48% de corajosos votos válidos, que patrioticamente se manifestaram identicamente aos outros 52% dos votantes na Situação. Aos demais 21% de omissos, que impatriótica, egoística e comodamente se abstiveram de opinar caberá exclusivamente “comer do prato”, que lhes for servido.
                                    É assim que funciona a Democracia, ou pelo menos deveria funcionar, pela voz dos que se manifestam aberta e claramente. O que não se pode aceitar é que 30 milhões omissos “concedam” que 4,5 milhões de votos se sobreponham em poder de decisão. Afinal, em que “balaio” está?
                                     Outra discussão importante é sobre o papel das Forças Armadas. Dizer que sua eventual ação seria um “golpe” é dizer que a Constituição é “golpista”, pois lá está claramente posto quanto ao seu papel.
Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e
pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares,
organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade
suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria,
à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer
destes, da lei e da ordem”.
                                   A questão agora não é preservar um “nicho de poder”, (o Executivo, um dos três poderes constitucionais), que antidemocraticamente afronta a Democracia e sim a “integridade da cidadania”. A restauração do “orgulho da brasilidade” alvo de escárnio em todo o mundo, vítima da ação nefasta e covarde dos nossos políticos, que sempre foram os primeiros a escarnecer-nos na nossa face, é imperiosa.
                               Que o Legislativo e suas lideranças políticas se revistam da sua responsabilidade ante a gravidade do momento e que cumpram a “missão delegada” pelo povo através do voto, pois é da sua obrigação fazer soar ante as instâncias do Judiciário tanta indignação represada.
                                 Caso contrário as Forças Armadas, constituídas de povo que são ao “povo deverão servir”. Os políticos passam e as Forças Armadas e o Povo, as únicas “instituições nacionais permanentes e regulares” continuam.
“Não existe servidão mais degradante, que a servidão voluntária”...
Que não seja apenas letra morta: Ou ficar a Pátria livre ou...

 
Entendimentos & Compreensões
Antônio Figueiredo –
Escritor & Articulista –
São Paulo – SP