quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

#Sofá de Convidados Especiais


Amor seco!

 


“...Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado:
pensava que, somando as compreensões, eu amava.
Não sabia que, somando as incompreensões
é que se ama verdadeiramente...!”

Clarice Lispector


Li um fragmento do livro “Água Viva” de Clarice Lispector, depois o reencontrei em forma de crônica no livro “A descoberta do mundo”. Sinceramente, foi a coisa mais tocante que já tive o privilégio de ler. Em “A descoberta do mundo”, a autora dá o título da crônica de “Calor Humano”, ao que me parece mais um conto, que uma crônica.

Rico em efeitos e recursos metafóricos e sinestésicos, esse conto de Clarice Lispector, parece levar ao auge sua engenharia peculiar de reconstruir a linguagem! Luz e cor, calor e cheiro, úmido e seco são imagens e sinestesias, representadas por uma alegorias externas, figuras de elefantes, pátio vazio de escola nas férias, entre outras. Aliás, os animais são figuras recorrentes na literatura de Clarice Lispector. Calor vermelho, secura parada, a secura da pele dos elefantes!

Imagino a mulher, de “Calor humano”, na tarde longa, de calor escaldante. Não o calor vibrante e vermelho do fogo. “Não fazia vermelho”. Era um calor de luz sem cor e parada. E a mulher não transpirava. Ela pensava: se esse calor fosse vermelho como ela o sentia, mas não, era um calor sem vibração e sem cor. Tudo em sua volta era seco. A vida lhe escapava. Ela própria estava esquálida e seca. Se pelo menos ela transpirasse, mas não. “Nada escorria, nada escoava naquele fim de tarde ensolarada”.

Lá fora, somente pássaros de penas empalhados. Tudo tinha cheiro de morte e seus sentidos ficaram embaraçados: Ela estava aturdida, a ponto do calor tornar-se visível. Então ela apertava os olhos para não ver o calor! Mas vinha apesar do esforço inútil a alucinação. Via elefantes grossos e lentos se aproximarem. Eram grossos e secos, de couro ressequido. Eram lentos porque eram pesados. Contudo, úmidos por dentro, de uma ternura quente insuportável. Os elefantes eram difíceis de suportarem a si mesmos, o que os tornava ainda mais lentos e pesados.

Ela pensou: e se eu acender as lâmpadas? Quem sabe assim, precipitaria uma noite que não vinha, não vinha, nunca chegava, parecia impossível. Por falar em impossível, e o amor de sua vida? Amor sem ópio nem morfina, farpa incrustada na parte mais grossa da sola do pé! Farpa que não podia ser retirada com pinça!

A única presença era daquele calor causticante. O resto era somente faltas e ausências. Nem ao menos havia a sede.. Calor com sede seria suportável se houvesse água... Mas só havia a falta de sede. Nem ao menos a vontade de água! “Nada escorria naquele fim de tarde eternizada”. Além do calor, as farpas, sem pontas por onde pudessem ser extirpadas.

Na boca, somente os dentes eram úmidos. Boca voraz, sobretudo de “nada”. Seus olhos abertos e diamantes. No telhado, pardais secos entoavam: - eu vos amo pessoas. A frase impossível! Para a mulher a humanidade era uma morte eterna, sem, no entanto, o alívio de enfim morrer!

Nada, nada morria naquela tarde seca, nada apodrecia.. E as seis horas da tarde, fazia meio dia. Fazia meio dia com o som insistente da máquina de bombear água. Bomba que trabalhava a tempos, pois não havia água na cidade. Nada jamais era tão acordado como o corpo daquela mulher sem transpiração e seus olhos diamantes, parados. E Deus? Não. Nem ao menos a angústia. Não havia grito!

Enquanto isso lá fora, verão extenso como pátio de escola vazio nas férias. Dor? Também não, a não ser a farpa que a incomodava. Nenhum sinal de lágrima. Sal nenhum. Somente a alucinação com os elefantes doces e lentos de couro ressequido, doçura pesada. A secura quente e límpida.

Pensar em seu homem? Não, novamente a farpa sem ponta saliente por onde ser retirada lhe doía o calcanhar! Filhos? Dez filhos dependurados sem se balançar a ausência de vento.

E se chovesse? Mas não. Por puro ódio nem que houvesse água ela tomaria banho. Por ódio, não havia água, nada fluía. Tudo era difícil! A dificuldade é assim, uma coisa parada. Uma espécie de joia-diamante. Lá fora a cigarra maldita não parava de rosnar. E Deus, se compadeceu? Liquefez-se enfim em chuva? Nada.

A mulher pensou nesse momento: - Nem quero. Por puro, seco e calmo ódio, quero é isso mesmo! Quero que não chova. É nessas horas que o bem e o mal não existem. Ocorre uma espécie de perdão inesperado, nós que nos alimentamos de punição, de súbito, o perdão. Não um perdão com julgamento, não confundam com um perdão pós julgamento. É a ausência de juiz e de condenado  E assim, a morte que era para ser uma boa e única vez, continua sendo, sem parar

Enquanto isso não chove, não chove, nada escorre, nada flui. Não existe nem ao menos a menstruação! Os ovários, duas pérolas secas. E ela pensa: -Vou vos dizer a verdade; por seco,  puro e calmo ódio, quero é isso mesmo, quero que não chova!



Nesse momento ela ouve uma coisa. È uma coisa também enxuta, que a deixa ainda mais seca de curiosidade. É um trovão seco. Que vem de onde?  No céu absolutamente azul, nenhuma nuvem de amor.  - Deve mesmo vir de muito longe o trovão. Pensa a mulher.

E é nesse instante que sente um cheiro adocicado de elefantes grandes, ou será do jardim da casa ao lado? È a Índia, invadindo com suas mulheres adocicadas. Veio ao mesmo tempo, um cheiro de cravo de cemitério. Irá tudo mudar de repente? Para quem tinha senão faltas e ausências, de repente veio o cheiro de madeira apodrecendo, veio a noite, cravo vindo de chuva de cemitério? Chuva que vem da  Malásia? A urgência é uma coisa ainda imóvel, mas já tem um tremor por dentro.

Ela não percebe, que o tremor era o seu! Como também não havia percebido que aquilo que a fustigava não era a tarde ensolarada e sim, seu calor humano. Ela percebe que algo, enfim vai mudar, que vai chover, que a noite virá. Mas não suporta a espera de uma passagem e antes que a chuva caísse, o diamante dos olhos se liquefaz em duas lágrimas.
E então o céu enfim se abranda.



Das Leituras, Pensamentos & Entendimentos de minha amiga
Professora Cláudia Ezídgia de Carvalho
Mestrado em Teoria da Literatura e Literatura Comparada pelo IEL UNICAMP
Belo Horizonte – Minas Gerais -




terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Passividade Brasilesa!




“... Uma vida de reação é uma vida de escravidão,
intelectual e espiritual. É preciso lutar
por uma vida de ação... Não reação...!”

Rita Mae Brown



De onde vem nossa passividade. Sim, o Brasiles é extremamente passivo. Quase parando. Até fala. Mas é assim, um pouco automático. Fica “por isso mesmo”.

Senão vejamos:
Tem a voz e o verbo passivo, mas isso faz parte da gramática, uma das partes da Língua Portuguesa Brasilesa: veja bem já está na língua a passividade. Mas também temos os articuladores (alguns até se dizem jornalistas) que são passivos. A corrupção já é mais que passiva, tornou-se passivante. Nossas dívidas, na contabilidade vão todas para o passivo. Se formos fumantes ou temos algum outro vício também somos passivos.

Nossos ditos “políticos” sem ofender aqueles que realmente o são – de outros países é claro – são completamente passivos. A dita “Oposição política” se existe, é completamente passiva. Se fizer o faz por ela somente.

Temos compradores, pois nossos vendedores são passivos. O máximo que conseguem articular em um início de diálogo é o velho: “Pois não”... Ou “As suas ordens”!
Nosso Judiciário não poderia ser mais passivo. Aliás, nunca foi reativo mesmo. Então é uma redundância.

Os eleitores... Ah, os eleitores, estes sim se tornam super-reativos até receberem uma “bolsa-qualquer-coisa” e lá se vão eles, entregues a passividade para a reação de quem vai receber seu voto.

Somos inertes, inativos, completamente sob (sim, abaixo de) ação de quem reage primeiro.

O antropólogo Roberto DaMatta afirma que a sociedade “brasileira” (a citação é dele não vou corrigir) não é proativa – no sentido de exigir seus direitos e defender as causas públicas. Define-a como “reativa”, age de forma solidária e emocionada quando sobrevém a destruição, a dor  ou  o luto.
— Deixa que chegue ao pior para tomar uma medida, as quais são sempre insatisfatórias — lamenta.

DaMatta diz mais: O Brasil contraiu um pacto com o ente apelidado de Sobrenatural  e Almeida, segundo o qual “não vai dar nada”, “nada acontecerá de ruim” e pequenas transgressões serão perdoadas. É por isso que se dirige acima do limite de velocidade, não se é cordial nas filas, se solta “sputniks” em uma boate superlotada com arquitetura de gaiola. Fala-se ao celular dirigindo, não se usa o cinto de segurança, entre muitas outras transgressões, que digamos, vamos considerar leves. Até no futebol que é uma paixão nacional... Bem ai reagimos... Contra a outra torcida e os mandamos ao hospital. Só! E voltam para casa... Passivos!

Mas reagimos contra os mensaleiros. Mas só no papo,
Reagimos contra os ladrões que infestaram Governos, União e Estados, para não dizer na grande maioria dos municípios. Ou seja, entra-se na política e tudo pode, ninguém faz nada.

Ate falam. Mas é assim, “tipo” automático, só falam... Balbuciam ou então repetem o que ouviram, mesmo que nada tenha entendido de coisa alguma.

Parece que precisamos de uma revolução cultural. Esta somente acontecerá quando a Educação for levada a serio. Sim muito a sério. Quando professores começarem a serem respeitados em todos os sentidos. Principalmente por eles saberem mais daqueles que o procuram ou estão sentados à sua frente.

Por isso são chamados de mestres. Eles dirigem a “orquestra” do saber daqueles que nada sabem. Ou seja, a grande maioria dos brasileses.

No ano que vem teremos dois grandes eventos. E estamos pensando somente em um, enquanto os políticos estão pensando em outro.

Nossa passividade esta felicíssima: Teremos Copa do Mundo de Futebol. Pronto. Pão e Circo. E o povo ficará feliz. E passivos...

E os políticos bem reativos... Farão politicagem... Pois em seguida tem eleição, e os eleitores saídos dos campos da copa, passivos, votarão passivamente, em qualquer um, afinal para que sair desta passividade se “alguém” poderá fazer por eles.

O filósofo Baruch Espinoza já afirmou no século dezesseis, em Ética, parte 3, prop.9: “Não é por julgarmos uma coisa boa que nos esforçamos por ela, que a queremos, que a apetecemos, que a desejamos, mas, ao contrário, é por nos esforçarmos por ela, por querê-la, por apetecê-la, por desejá-la, que a julgamos boa".

Será que é assim?





Está mais do que hora de acordar. De mostrar para nossos filhos e futuras gerações que não passamos por uma vida inteira, passivamente, e deixamos um passivo incrível para que eles paguem, depois... No futuro.
                                
Que tal pensarmos um pouco mais... Afinal não dói!

Já a passividade... Bem esta traz consequências doloridas, desagradáveis, incompreensíveis e não recicláveis.

Vamos Brasileses...  Mais paixão... Mais reação... Menos passividade!


Entendimentos & Compreensões

Leituras & Pensamentos da Madrugada

sábado, 7 de dezembro de 2013

#Lema da Sala de Protheus:



A Vida Verdadeira!


“... Vida verdadeira é como a água:
em silêncio se adapta ao nível inferior,
que os homens desprezam...!”

Lão Tse






Em 2003, ganhei o livro Vento Geral, e um dos poemas se tornou meu lema, meu tema, meu caminho, minhas palavras , meus sentimentos mais puros,...para pensar sempre.
Thiago de Mello Poeta e Escritor amazonense (ou Amazonino, como ele adorava se declarar) é um dos nomes imortais de escritos poéticos do norte do Brasil.
Ele é meu herói das palavras. Estas, que me ajudaram quando precisava pensar mais nos que precisavam do que em mim.
Eis o Lema da Sala de Protheus, da criação deste ser divino chamado Thiago de Mello.


Pois aqui está a minha vida. Pronta para ser usada.
Vida que não guarda nem se esquiva, assustada.
Vida sempre a serviço da vida.
Para servir ao que vale a pena e o preço do amor
Ainda que o gesto me doa, não encolho a mão:
Avanço levando um ramo de sol.
Mesmo enrolada de pó, dentro da noite mais fria,
a vida que vai comigo é fogo: está sempre acesa.

Vem da terra dos barrancos o jeito doce e violento da minha vida:
esse gosto da água negra transparente.
A vida vai no meu peito, mas é quem vai me levando:
tição ardente velando, girassol na escuridão.
Carrego um grito que cresce Cada vez mais na garganta,
cravando seu travo triste na verdade do meu canto.
Canto molhado e barrento de menino do Amazonas
que viu a vida crescer nos centro da terra firme.
Que sabe a vinda da chuva pelo estremecer dos verdes
e sabe ler os recados que chegam na asa do vento.
Mas sabe também o tempo da febre e o gosto da fome.

Nas águas da minha infância perdi o medo entre os rebojos.
Por isso avanço cantando Estou no centro do rio estou no meio da praça.
Piso firme no meu chão sei que estou no meu lugar, como a panela no fogo e a estrela na escuridão.

O que passou não conta? Indagarão as bocas desprovidas.
Não deixa de valer nunca que passou ensina com sua garra e seu mel.

Por isso é que, agora, vou assim no meu caminho. Publicamente andando
Não, não tenho caminho novo. O que tenho de novo é o jeito de caminhar. Aprendi (o que o caminho me ensinou) a caminhar cantando como convém
a mim e aos vão comigo. Pois já não vou mais sozinho.
Aqui tenho a minha vida: feita à imagem do menino que continua varando os campos gerais e que reparte o seu canto como o seu avô repartia o cacau e fazia da colheita uma ilha do bom socorro.



Feita à imagem do menino, mas a semelhança do homem: com tudo que ele tem de primavera de valente esperança e rebeldia.
Vida, casa encantada, onde eu moro e mora em mim, te quero assim verdadeira cheirando a manga e jasmim. Que me sejas deslumbrada como ternura de moça rolando sobre o capim.

Vida, toalha limpa vida posta na mesa, vida brasa vigilante vida pedra e espuma alçapão de amapolas, sol dentro do mar, estrume e rosa do amor: a vida.

 Há que merecê-la!

Pensar Não Dói... As palavras de Thiago de Mello trazem sentimentos!
E tambem não doem...



Das Leituras, Pensamentos & Sentimentos  da Madrugada
E das  palavras divinas de Thiago de Mello
Vida Verdadeira – Vento Geral –

Editora Civilização Brasileira -

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

#SOSEducação!


Despautério Linguístico!”




“... O ouvido é feminino, vazio que espera e acolhe,
que permite ser penetrado.  A fala é masculina,
algo que cresce e penetra nos vazios da alma...!”.

Rubem Alves


                       Junto com o grande Professor Nelson Valente, divulgamos uma 'hashtag', chamada #SOSEducação. Sim, com a verdadeira preocupação de valorizar, discutir, buscar formas e conceitos que ajudem a aumentar a valoração da Educação no Brasil.
 E tudo a partir dos professores estes heróis que consideramos da mais alta importância e estão sendo tratados como meros “funcionariozinhos públicos” pelo tal de MEC. Uma Afronta gigantesca.

Como se não precisássemos de Educação e sim somente de “pão e circo” (alusão a famosa frase românica), para que o povo ficasse feliz.
E ai está a realidade, Estádios de futebol gigantescos e milionários e a mais cara de todas as copas do mundo desse esporte. Enquanto isso, escolas estão se deteriorando, professores fazendo “vaquinhas” para comprar lanche ou para as passagens para não deixar crianças desemparadas.

Nesta semana, Beto Mous, da Radio Mous, colocou em seu Radar News, o #SOSEducação, infelizmente na primeira semana não podemos contar com a valiosa presença do Prof. Nelson Valente, mas estará na próxima quarta-feira.

E o que tivemos:
Reportagens dos quatro cantos do Brasil mostrando a realidade das escolas, dos professores e dos alunos. Uma miserabilidade completa. Um genocídio educacional.

Enquanto isso no ABC paulista, o ex-presidente recebia o titulo “doutor honoris causa” da UFABC, e no final um acadêmico (se é que se pode chamar o distinto assim) pronunciou que agora o Sr. Lula poderia ser professor universitário.

Mesmo depois de ele ter, vomitanticamente,  proferido esta pérola em seu “discurso” – sem ofender as fases de um verdadeiro discurso -: (...)"E eu já estou pensando no Brasil de 2022 quando a gente completar 200 anos de Independência. A gente fazer uma comparação do que era esse Brasil, aí vai ser duro, Dilminha", disse o petista, em direção à presidente.

E não foi somente isso, repito: Tem mais em quase 40 minutos de verdadeira falácia (“Falácia é a idoneidade fazendo crer que é aquilo que não é, mediante alguma visão fantástica, ou seja, aparência sem existência”.). Disse o Sr. Lula: "E eu já estou pensando no Brasil de 2022 quando a gente completar 200 anos de Independência. A gente fazer uma comparação do que era esse Brasil, aí vai ser duro, Dilminha", disse o petista, em direção à presidente.” (Fonte – G1).

Mas o que vimos e ouvimos no #SOSEducação do  Radar News, na noite de quarta-feira, foi exatamente ao contrário.
De regiões ricas como o Vale do Itajaí, em SC, em Joinville e uma estatística de como estão as 1100 escolas públicas do Estado – que nunca veem o dinheiro que o MEC lhes manda -, enquanto dois senadores e ex-governadores do Estado acumulam três salários tudo como ex-alguma-coisa chegando à casa dos 27 mil reais mensais, do nada para nada.

E os exemplos continuaram, no Nordeste, em Minas Gerais, no Para, e outros estados. Reportagens feitas nas escolas, com vizinhos, com professores desesperados com os rumos que a educação está e não é aquela que a Administração Pública Nacional “vende” na chamada “grande imprensa”.

Sofrimento de professores que ganham uma miséria, (nem perto do piso nacional) que não tem como ir até a escola, que não tem materiais mínimos possíveis para uma educação básica e nossos alunos. Ao mesmo tempo em que ouvimos despautérios como os pronunciados pelo Sr. Lula, que ainda recebe títulos acadêmicos. Ridiculariza nossa educação e manda a cultura para a lama.

Eis outra pérola do discurso deste ser, e, por favor, observem a linguagem em uma universidade: (...) “Então em vez de a gente achar que a gente fez um favor para ele, nós fizemos uma obrigação. Ele só chegou  por lá por causa da vontade dele, do esforço dele, da disposição dele, ou seja, ele se matou pra chegar lá. E nós precisamos continuar nos matando pra garantir que depois de formado ele possa aperfeiçoar seus estudos e se forme sim pelo o emprego do sonho dele. E aí sim, quando ele tiver o emprego do sonho dele, pode ficar certo que ele não vai mais pra rua fazer passeata", (...) (fonte G1).
E ele foi presidente do Brasil; E ele esta recebendo títulos honoríficos de Universidades.

Enquanto isso vamos a gastança dos estádios com a Copa do Mundo, parece ser tudo o que interessa.
Mas não vamos nos aquietar. Ás quartas-feiras, as 22h 30min estaremos com gente de alto gabarito que sabe o que fala com provas, no Radar News, da Radio Mos, neste endereço: http://www.blogmous.com/p/radio-mous-e-mural-de-recados.html, mostrando o Brasil que o Brasil não conhece.



De nossas tristezas e celeumas causadas com o que vimos e ouvimos fica a mensagem linda do grande escritor e poeta nordestino Rubem Alves: “... Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. ..!”.

Para o Radar News da Rádio Mous, Pensar e Educação não dói...
Já a administração federal... Ninguém aí?

P.S.: despautério - disparateasneira, despropósito, absurdo.


Entendimentos & Compreensões
de um Brasil descuidado...E sofrido!


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Da Série #PensarNãoDói!


Amor & Amizade!




“... Não é a intensidade dos sentimentos elevados
que faz os homens superiores, mas a sua duração...!”.

Friedrich Nietzsche


Quantas vezes já você já foi questionado sobre a diferença entre o amor e a amizade. Amor tem tantas definições quantas às estrelas. Amizade também.

E quando você tem que optar entre o amor e a amizade?
Com qual delas você fica?

Meu pensador favorito, acima, costumava dizer que:
Paixão é uma tempestade. Vem furiosa... Mas logo passa!
Se sobrar algo... É amor!
E este amor é uma estação.
Ao terminar, se sobrar algo... E afinidade!
Esta, dura muitas luas... Se sobrar algo é incondicionalidade.

As relações não são quantitativas. Não dependem de experienciações. Elas são qualitativas.
Todo cerimonial para um chá japonês tem um simbologia muito profunda.
Significa que: Todo encontro humano é uma ocasião singular que não ocorrerá de novo, exatamente, da mesma maneira.

Mas nossos amores e amizades estão todos eles envoltos em uma espécie de manto de mediocridade. Esta por sua vez filha da hipocrisia.
Ela é muito mais visual do que sentida.
O coração (metafórico) sofre em ambas as maneiras. Seja no amor... Ou na amizade!
Em ambos se espera tudo do outro. Doando-se tudo e o todo.

Na maioria das vezes não chegamos a conhecer a incondicionalidade. Tudo termina antes.
Da amizade já exigimos, naturalmente, esta incondicionalidade.
Do amor... Não! Ele precisa percorrer um caminho. Tortuoso.

Nos romances e na literatura ouvimos e lemos muitas vezes, em tom quase desesperador: - resta-me achar um amor e uma ilha –.
A ilha é metafórica. Significa que precisamos estar os dois em um único mundo. Independente de tudo o que acontece ao nosso redor.
E o que acontece ao nosso redor?

A pior parte do comportamento e pseudo sentimento humano: A inveja.
Esta sim, destrutiva.
Quantos amores e amizades que você conhece que foram destruídos pela inveja. Sim, o outro não possui o que você está sentindo. Não consegue. Assim é lançada aquela energia diabólica e semeia a discórdia.

Tanto no amor como na amizade, lembra-me a definição do pintor italiano Carlotti: Dizia ele, falando sobre o amor, a verdade e a beleza, como se fossem um único sentimento:
A beleza, disse ele, que era a soma das partes atuando juntas de tal forma que nada precisava ser acrescentado, tirado ou alterado.
Gosto, particularmente, deste conceito, desta visão, deste sentimento.
Amor e amizade são exatamente isso. (...) nada precisa ser acrescentado, tirado ou alterado.

Mas Nietzsche também afirmava: (...) Quando se amarra bem o próprio coração e se faz dele um prisioneiro, podem-se permitir ao próprio espírito muitas liberdades (...).
E são estas liberdades que liberamos ao amar. Tanto no amor quanto na amizade.
Exercemos e necessitamos de confiança mútua. Senão não é amor.
Senão não é amizade.

São apenas duas pessoas tentando conviver de uma forma medíocre, pequena, primitiva. Pois ambos desconhecem o que se passa em seus íntimos.
Em suas essências mais profundas. Em seu espírito.
O que há com o amor que nos deixa tão estúpidos?

A razão é a soma equilibrada da mente e das emoções. Se não soubermos medir isso, não saberemos amar, não saberemos ser amigo. Pois não confiaremos. Nem no outro, nem em nós mesmos.

Não é reconfortante este pensamento. Fomos originados através do amor mais puro e sublime. Porque não conseguimos manter isso conosco?
Por que nos entregamos à hipocrisia e sua filha mediocridade.



E esquecemo-nos de amar... E esquecemos de nós... E esquecemo-nos do outro.
A vontade de superar um afeto não é, em última análise, senão vontade de outro ou de vários outros afetos.
Sou uma borboleta que bate asas, sente o vento e chora a indiferença dos humanos... Somos dois! (da minha mestra de Reiki Marisa).

Pensar não dói... Já amar e ser amigo... Bem, pode causar muita dor.
Infelizmente.
Mas creio que no processo de evolução do ser aprendamos.
Um dia... Talvez... Apenas Talvez!


 Das Experiências de vida 
Entendimentos & Compreensões

Leituras & Pensamentos da Madrugada.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

“Volte a ser Borboleta!”
- Uma metáfora da vida –






“...Há três tipos diferentes de mente:
uma compreende as coisas sem ajuda; 
a segunda compreende as coisas demonstradas por outrem; a terceira nada consegue compreender, 
nem só, nem com a assistência dos outros...”.

O Retrato das Coisas – Nicoló Maquiavelli – 1531



Onde está o céu azul? Por que nos “forçaram” a “pousar” sobre um solo escuro? Somos a espécie que faz o caminho reverso?
Nosso “casulo” era perfeito. Não este em que nos encontramos.
O ventre, este era nosso casulo. Lá estava a perfeição.
Lá estava o líquido da vida. O amor idolatrado, incondicional, inquestionável.
Por favor! Não leve a visão do poeta como saudosismo. Seria pequeno demais. Apenas, por um momento, pensemos juntos: Não vai doer.
Obrigado!

Deste “casulo”, nos apresentaram para um mundo. Estranhamos um pouco, é verdade. Mas somente no início. Depois acostumamos nossos olhos a este “novo mundo”. E gostamos.
E exercemos completamente nossa liberdade. Éramos tudo. Podíamos tudo. “Voávamos” tais quais as borboletas. Tudo poderia ser observado. As cores de todos os ângulos. A perfeição de todas as formas. O tempo existindo, não era importante. Não era mensurável. Era ínfimo demais. Não merecia nossa atenção.
E falando em tempo, isso durou um bom tempo.

Mas... Logo, este tempo de “borboleta” foi minguando. O tempo foi se tornando mais forte. Mais importante. Fomos sendo “moldados” e” condicionados”.
Fomos sendo o que outros seres, da mesma espécie, queriam que fossemos.
Assim nos tornamos de tudo. E ao mesmo tempo fomos nos desfazendo.

Tornamo-nos médicos, advogados, operários, professores, filósofos, padeiros, floristas e uma centena de milhares de outros títulos. Ou rótulos.
E, aos poucos, fomos deixando de ver o céu azul, de admirar nossas próprias cores contrastando com o restante da natureza. Nossos voos se tornaram, cada vez mais, rasantes. Próximos demais do solo. E logo não voamos mais.

Tornamo-nos “terráqueos”. Completamente. O sol, ora esquenta em demasia, ora está fraco. A chuva ora nos leva de “enxurrada”, outras vezes esquece e enrijece o solo. E o barulho aumenta com nossas pisadas.  No frio não nos aproximamos muito, há muitos “espinhos”. Ferem-nos. Nada satisfaz mais ninguém. A natureza “desregulou-se”. E todos só “reclamam”. Todos de “borboletas” se tornaram “pacientes”. Somente reclamam de dores. Da ausência da beleza.

As flores, nosso lar mais bonito, perfumado e gostoso de estar desaparece. Necessitamos andar muito para encontrar outro “lar” florido. O perfume então, simplesmente, some. Nosso sentido mais profundo, nosso olfato, acostumou-se com todo o tipo de odor.  Assim condicionamo-nos a “esperar” que venha uma estação repleta de flores, para que então, somente então, possamos sentir, novamente, um “lar” cheiroso. Com cheiro de vida. Com cores de muita vida. Note como as crianças mudam completamente, mesmo já tão condicionadas, com a chegada da primavera. Lá se vão elas a procurar a natureza. Praças que tenham flores, que tenham cheiros. Se houver um pouco de relva melhor ainda. Assim é como se recebessem um pouco dos “fluidos” mais consistentes da própria vida.

E seguimos o que fomos moldados. O que fomos condicionados. Nos tornamos tudo. Tudo o que é importante para os outros. Deixamos de ser borboleta. E aos poucos vamos nos incrustando cada vez mais. Vamos retornando a um “casulo”. A uma espécie de “caverna”. O caminho da reversão. A única diferença que este “casulo” se movimenta. Mas a vida...

 Ela se tornou automática. Os sonhos são desfeitos, muito rapidamente. Ficaram na liberdade da infância. A beleza: Ah, esta tornou-se quase uma vilã. Poucos a sentem. E pouquíssimos a enxergam. É como se seus matizes fossem modificados também.





No “amor” não nos tocamos, como as borboletas. Elas suavemente se aproximam. Deixam a “energia” contagiar. Um ao outro. Estamos primitivos em demasia.  Até nossos “toques” são “mecânicos”, automáticos. Não sentimos mais os cheiros. A sensação maravilhosa de uma pele. Tudo esta embrutecido.

Assim entregamo-nos ao simples “viver”. Não estamos mais preocupados com a beleza de termos sido feitos em um casulo perfeito, para nos tornar um ser perfeito. A borboleta que voa, suave e livremente. Muitos esqueceram este desejo há muito tempo. E os outros seguem os primeiros. E o casulo vai se fechando.

Retorne a sua condição, a sua naturalidade. Volte a ser borboleta. O céu continua azul. Sinta a beleza, o perfume. Sinta a sensação maravilhosa do toque. Descubra o prazer da suavidade de um beijo. Simples. Sem rótulos. Só com a liberdade que seu coração pede.

Pode pensar sobre isso... Não dói!


Entendimentos & Compreensões

Dos Sentimentos de uma Vida