sexta-feira, 11 de julho de 2014


O Professor, Historiador e Pesquisador
Marlon Adami de Brasília – DF –
É o convidado da Sala de Protheus

 

DECRETO 8243... Ditadura?
 
“...Na ditadura, o Poder é o monstro do povo.
Já na democracia, o povo é o monstro do Poder...!”

Juahrez Alves
 
                 O Decreto nº 8.243, de 23 de maio deste ano, que cria a “Política Nacional de Participação Social” e o “Sistema Nacional de Participação Social” tem por finalidades: 1) manter o PT, indiretamente, como protagonista dentro do governo federal (no caso de uma eventual derrota do partido nas urnas); 2) corroer a democracia representativa; 3) enfraquecer o Congresso; 4) acelerar a criação de uma nova Constituição.

                 O art. 1º do Decreto nº 8.243/2014 institui a Política Nacional de Participação Social (PNPS) estabelecendo o objetivo de “fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil”. E o art. 4º, I, estabelece, dentre outros objetivos da PNPS, o de “consolidar a participação social como método de governo”. Em princípio não há nada de muito estranho nisso, pois existem outras normas vigentes no Brasil que valorizam a participação social no âmbito da Administração Pública (v.g. artigos 32 e 33 da Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999 e art. 2º, art. 4º, III, “f”, e § 1o do art. 32 da Lei no 10.257, de 10 de julho de 2001).
Ocorre, no entanto, que ao contrário do que acontece com outras normas que enfatizam a participação, colocando-a como uma possibilidade ou como ferramenta de planejamento a ser ou não concretizada pelos administradores públicos, o Decreto nº 8.243 enfatiza a promoção da participação como um dever da Administração Pública Federal e, logo, acaba transformando a participação social em um “direito”. O art. 3º do referido decreto concebe a participação como um direito e o art. 5º do mesmo decreto diz que “os órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta deverão, respeitadas as especificidades de cada caso, considerar as instâncias e os mecanismos de participação social, previstos neste Decreto, para a formulação, a execução, o monitoramento e a avaliação de seus programas e políticas públicas”, ou seja, o decreto amarra a atuação do governo federal à participação dos movimentos sociais, coletivos e ONGs, colocando-os como juízes do agir estatal.

 
O art. 2º, I, do Decreto nº 8.243 diz que a sociedade civil abrange “o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”. Para compreender o alcance das pretensões desse decreto é preciso refletir sobre o que se entende usualmente por “movimentos sociais”, “coletivos” e sobre a temática da participação.
Há quem diga que os movimentos sociais abrangem atores coletivos de diferentes classes e com interesses distintos, entretanto, convém lembrar que além da noção de movimento social estar historicamente relacionada com movimentos que lutam por transformações sociais – amiúde mediante expedientes revolucionários -, o conceito corrente de movimentos sociais está muito longe da leitura que Gohn faz dos mesmos. A noção contemporânea de movimentos sociais não é pluralista, pois exclui grupos que procuram influenciar os governos de forma desalinhada da agenda socialista. Assim, para todos os efeitos, as associações de empresários, os grupos pró-vida, as associações religiosas cristãs não progressistas, as organizações que lutam contra o desarmamento civil, entre outras, não são considerados “movimentos sociais”. Nada que cause espécie, haja vista que a atual conceituação de movimento social é um upgrade do conceito de classes marxista.
Se em Marx existia uma classe opressora e outra oprimida, para a new left existem - dentro do vasto portfólio dos maniqueísmos que produzem - de um lado as forças “antidemocráticas”, “antipopulares” e “fascistas” e de outro os “movimentos sociais”.
                              Os coletivos, por sua vez, seguem a mesma lógica. Em verdade, pode-se afirmar que são desdobramentos ou nós dentro da rede dos movimentos sociais. Não existem “coletivos” fora da esfera de influência das esquerdas.
Os movimentos sociais e os coletivos, portanto, são aqueles que as forças de esquerda classificam como tal.
Embora o decreto coloque o cidadão dentro do conceito de “sociedade civil”, a “participação” se dará por meio dos movimentos sociais e coletivos.
                             Os regimes totalitários caracterizam-se, dentre outras coisas, pela pretensão de colocar a política no centro da vida das pessoas. Não se quer dizer com isso que os totalitarismos estão abertos a uma espécie de controle “social”, “popular” ou “cidadão”, e nem se está aqui sugerindo que tais regimes são “participativos”; longe disso. Os Estados totalitários requerem uma aparência de cidadania total.
Norberto Bobbio, ao analisar a democracia direta grega e o modelo rousseauniano de democracia, observou que “o cidadão total e o estado total são as duas faces da mesma moeda”, tendo em comum o princípio de que “tudo é política”, o que implica “a redução de todos os interesses humanos aos interesses da polis, a politização integral do homem, a resolução do homem no cidadão, a completa eliminação da esfera privada na esfera pública”.

                              O Decreto nº 8.243 acabará por criar uma identificação artificial entre a sociedade civil e os movimentos sociais, os coletivos e as ONGs. Destarte, quando movimentos sociais e coletivos, institucionalizados ou não, participarem na formulação, na execução, no monitoramento e na avaliação de programas e políticas públicas do governo federal entender-se-á que foi a sociedade civil que participou.
                              A sociedade civil - ou simplesmente a sociedade - é “a esfera das relações entre indivíduos, entre grupos, entre classes sociais, que se desenvolvem à margem das relações de poder que caracterizam as instituições estatais”. O conceito de sociedade civil não é o mesmo de movimento social ou de coletivo. Movimentos sociais e coletivos fazem parte da sociedade civil, mas não a representam em sua totalidade e complexidade.

                              Gramsci cunhou a expressão aparelhos privados de hegemonia para designar as instituições da sociedade civil voltadas a estabelecer uma visão de mundo hegemônica sobre as outras visões mediante a ocupação de espaços. Apesar de o conceito de aparelho privado de hegemonia poder, em princípio, ser aplicado a organizações que representam diferentes correntes ideológicas, seu uso está umbilicalmente atrelado aos discursos e projetos socialistas orientados para a conquista da hegemonia.
                              Quando Gramsci fala em aparelhos privados ele está, em princípio, pensando especificamente em cooptar o empresariado, os proprietários, enfim, a "classe dominante", com vistas a atrelar a sociedade civil ao Estado. Com o tempo, aparelhos de outras configurações, ou seja, não necessariamente "privados" no sentido preciso do termo, foram sendo inseridos na dinâmica da luta pela hegemonia. O termo "privado" aproximou-se cada vez mais da ideia de não estatal. Dizer "privado" não quer mais necessariamente dizer "empresarial" ou algo relacionado com a classe que Gramsci considerava dominante. O crescimento vertiginoso das ONGs e o fortalecimento dos movimentos sociais trouxeram novos subsídios para uma teorização estratégica sobre os aparelhos de hegemonia.
                               Gramsci trabalha estrategicamente com o conceito genérico de “sociedade civil” (ou “sociedade civil organizada”), camuflando por meio dele a orientação para ação (que pode ou não se restringir ao campo do discurso) direcionada a movimentos específicos comprometidos com a imposição da hegemonia socialista.
No caso de o PT ser derrotado nas urnas, o Decreto nº 8.243/2014 garantirá ao partido a permanência nas estruturas do Estado por meio das organizações e movimentos a ele atrelados.


É preciso compreender que o Decreto nº 8.243/2014 é fruto de uma longa trajetória de consolidação da hegemonia socialista.
Durante todo o tempo em que esteve no comando do Estado, o PT empenhou-se em ampliá-lo, criando e fortalecendo seus aparelhos de conquista da hegemonia: os movimentos sociais, os coletivos e as ONGs.
                                As forças políticas que conduzem o Estado ampliado procuram justificá-lo e legitimá-lo por meio do expediente retórico que sugere que quem na verdade se amplia é a sociedade. Diz-se então que é a sociedade ampliada (movimentos sociais, coletivos e ONGs) que controla o Estado e não o contrário.
Se o PT fracassar nas eleições, o partido não mais conduzirá o Estado ampliado, mas subsistirá, no governo de qualquer partido, por meio da sociedade ampliada que o partido mesmo criou.
O Decreto nº 8.243/2014 rateia preventivamente a condução do governo federal entre o PT e qualquer outro grupo político que venha a assumir o poder. Não obstante, o decreto permitirá ao PT obstar e prejudicar a atuação de outro partido que eventualmente.
Como cidadão, digo eu... Pense... Não dói!

  

Baseado totalmente nas interpretações do Prof. Marlon Adami
Graduado em História - Pós Graduado em Filosofia Política -  Pesquisador – Brasília – DF –
Colaborador do Programa #RadarNews da Rádio Beto Mous em  http://www.betomous.com/p/radio-mous.html
Mais materiais inclusive em vídeos no blog do Prof. Marlon Adami - Em http://bunkerdacultura.blogspot.com.br/ 

 

 

 

segunda-feira, 7 de julho de 2014


Antônio Figueiredo Suas
Histórias Vividas e Seu amor
Pelo Brasil na Sala de Protheus:

 
ESPELHO MEU...

 
Espelho, meu! Espelho, meu!
 Por que a imagem que refletes não sou eu?

                                           Sou do tempo em que o Brasil era, tão somente, o maior produtor mundial de café e o no futebol ainda conservávamos o “complexo de vira-latas”, como assim nos definia Nelson Rodrigues e que ultimamente vem sendo usado para uma grande quantidade de outros grandes temas nacionais. Já Ary Barroso preferia classificar-nos como “mulato inzoneiro” por nossa “preguiça malemolente” a sermos cantados em versos na sua Aquarela do Brasil.
                                         Há muito deixamos de ser uma sociedade de cafuzos, mamelucos, mulatos, negros e brancos, para nos tornarmos ao lado dos EUA na segunda maior democracia racial do planeta, assim como desmentimos a acaciana profecia europeia, de que nos trópicos jamais haveria uma nação desenvolvida e rica. Por fim, nos tornarmos pentacampeões mundiais de futebol, ganhando cinco das dezesseis Copas do Mundo disputadas e com a possibilidade de ganhar o sexto caneco.
                                         Fui um privilegiado nascituro do ano de 1945, a cuja existência foi dada ver uma transformação econômica e social fenomenal a ser decantada no futuro histórico, como aconteceu com as grandes nações nos séculos de XXVIII a XX. Ainda que paulistano de nascimento, a vida me tornou “cidadão brasileiro” por minhas escolhas pessoais e profissionais, que me levaram a viver fora. Dos sessenta e nove anos de vida por trinta e seis vivi fora da “minha Paulicéia Desvairada”.
                                        Ainda aos dez anos idade, (em 1956, onze anos após o fim da II Guerra Mundial), fui estudar por três anos em um Seminário de padres alemães em Santa Catarina e ali aprendi a disciplina germânica. Aos vinte e oito anos mudei-me para Belo Horizonte e ali por cinco anos aprendi a amar a “cozinha mineira”, as mineiras e o sertão mineiro. Conheci o Serrado, o Vale do Rio Doce e as nascentes do Rio Grande. Pesquei por todo o Rio Urucuia, Jequitai, São Francisco e das Velhas e neles dormi “embarcado muitas noites sertanejas”. Enfim, inundei minha alma de Minas Gerais e contemplei “febril” as “esmeraldas” na Serra do Cabral desde a foz do Guaicui como um Fernão Dias moderno.
                                         De novo aos trinta e oito anos voltei às Minas e por onze anos me tornei “fazendeiro peão” na divisa de Minas Gerais com o Rio de Janeiro entre os trabalhadores rurais, meus empregados. Por fim desde os cinquenta e dois anos e até hoje me tornei baiano e da Bahia fui “bandeirante” por todo o Nordeste. (Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará). Caçador de almas.
 

                                        De que me serviu essa “hégira brasiliana”? Vim aprender a “ser brasileiro” fora do Sul/Sudeste. Não como um turista, que vem para “explorar” maravilhas e encantos, mas como conterrâneo. De cada um desses lugares fiz minha “terra natal”, procurando entender seus regionalismos, aspirações e angústias.
                                      Comi das suas comidas, dancei nas suas festas, mas também compartilhei das suas dificuldades e misérias e ainda que tenha nascido falando “porra meu”, aprendi o dialeto do “uai” e hoje sou “poliglota nacional” falando “oxê” e “vice”.
                                        Minha profissão levou-me a ser um viajante frequente e daí conheci Mato Grosso, Amazonas, Pará, Goiás, Brasília, Paraná e Rio Grande do Sul, sempre tomado da mesma curiosidade. A de saber o que pensam os “diferentes brasileiros”. Minha paixão particular por História me fez entender do “misticismo” de um Antônio Conselheiro em Canudos, da luta na construção da Nação em Guararapes e da Independência da Bahia um ano após a do Brasil.
                                     Já dizia o Maestro Antônio Carlos Brasileiro Jobim, que “o Brasil não conhece o Brasil” e é isso o que nos enfraquece como povo e Nação. Não juntamos as diferentes sinergias regionais, para transformá-las na “força vital da brasilidade” e da cidadania. Poucos leram ou leem Ariano Suassuna, Graciliano Ramos, João Cabral de Mello Neto, Catulo da Paixão Cearense, Guimarães Rosa e tantos outros cronistas, que tão ricamente falam da “alma brasileira”.
 
 
                                       Enquanto o privilégio de um idioma pátrio comum foi forte o suficiente para manter coesa a Geografia, a vastidão territorial continental separa e principalmente os “orgulhos regionais” perversamente dividiram e muitas vezes depreciaram um sentimento de brasilidade comum, fato que tem tido uso político para manutenção de hegemonias até nossos dias.
                                       Não é o discurso torto, que divide uma sociedade e sim o desconhecimento e a compreensão da realidade alheia subestimando-a inferior, que a condena muitos ao assistencialismo. Durante os Governos Militares foi feita uma renúncia fiscal de vários bilhões de dólares para Programas de Desenvolvimento do Norte e Nordeste, (Fundo 157, Finam, Finor e muitos outros), para implantação de projetos industriais. No final serviram para reequipar fábricas do Sul/Sudeste, que para lá mandavam em troca seus equipamentos obsoletos. Todos esses projetos faliram e caíram nas costas dos contribuintes. Coisas do Brasil de todos os tempos.
                                      O capital não tem ideologia, tem taxa de retorno e esse acordo entre as oligarquias econômicas e políticas nunca teve a vergonha de divorciar-se da “filosofia motora”, para “se casar” na divisão dos resultados. Como dizia um mestre na faculdade: O Capitalismo é a exploração do “homem pelo homem”, já o Comunismo é exatamente o inverso, no que tange ao “homem pelo homem”. O pragmatismo sempre vence a utopia e por isso Socialista, Comunista, Esquerdista, Direitista e Centrista sempre frequentaram a mesma “boca do caixa”. A do Tesouro Nacional.
                                      Já vivi o suficiente para descrer da “democracia justa, igualitária e fraterna”, que dita nossa Constituição e a decantam nossos políticos. Isso é demagogia estúpida, pois não existe uma “organização humana de iguais real” sob quaisquer dos aspectos. Apenas a garantia do alcance aos “direitos” à Educação, Saúde e Justiça, como objetivo mínimo e como o conseguiram muitas nações, já seria um passo sólido. Já na Economia, que as distâncias não sejam tão grandes. Justiça social não se impõe por lei, mas por luta diária DE TODOS, ricos e pobres. É a “lei do equilíbrio dinâmico”.
                                     É apenas isso, que um “bolsista nordestino” almeja. Falar em “justiça social” de um salário mínimo é o mesmo que assumir que um estômago da caatinga acostumado à carestia precisa de menos comida, que o pé se conforta com um calçado apertado, ou que “mais vale um rico cheio de saúde, que um pobre tuberculoso”. O Nordeste apenas apela por respeito e o reconhecimento de seu potencial e carências. Os últimos 20 anos mudaram radicalmente o perfil de Bahia, Pernambuco e Ceará, principalmente, mas ainda mantem em muito sua desigualdade de vida.
 
 
                                 Já segui e pensei todas as “ideologias” possíveis, mas a que hoje me move é a da “cidadania pragmática”, que depende exclusivamente de nós e não precisamos pedir licença aos políticos para praticá-la. Eles têm a protegê-los seu “corporativismo fraterno” e nós logo ali na esquina o tráfico de drogas “adotando” nossos filhos, os ditos “movimentos sociais” exigindo direitos pelos quais não trabalharam e apenas o exigem porque outros já o conquistaram.
                                   Somos os que têm que batalhar pela autossobrevivência e isso não se constitui em “vergonha”. A “classe média” é sempre a referência e o “alvo” imediato, principalmente do fisco e em uma convulsão sociais tomadas as propriedades dos “ricos”, imediatamente após a normalização eles serão ressarcidos regiamente, mas será a classe média quem pagará a conta e terá seus bens e direitos mais violentamente subtraídos. Estigmatizada atualmente como “elite”, ou se envolve diretamente na mudança dos costumes e organização política, ou certamente terá a “cabeça” recolhida em cestos para delírio da turba.
A História e Barrabás ensinam... Nem Ele se salvou...

 

Das percepções e pesquisas de
Antonio Figueiredo – Entre Algum Lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania



 

quinta-feira, 3 de julho de 2014


#Serie Pensar:

 “A Sociedade Consegue Mudar?”

"... De nada serve acreditar que algo está certo se isso não contribui para ajudar uma pessoa em aflição...!".
.Jostein Gaarder
 
                                                  Conversando com um amigo do Paraná, muito sábio e admirado, estes dias que mostra o inverno frio e chuvoso no sul, discorríamos sobre os acontecimentos no Brasil. De toda sorte sobre tudo... Mas principalmente sobre o individuo enquanto parte da sociedade e seu papel para que nos transformemos, definitivamente, em uma sociedade moderna, democrática, com valores que aprendemos na infância – em nosso caso -.
Brian Weiss, em uma de suas obras cita Albert Einstein assim:
O ser humano é parte de um todo que chamamos de universo, uma parte limitada no tempo e no espaço. A pessoa experimenta a si mesma, seus pensamentos e sensações como algo separado do restante - trata-se de uma espécie de ilusão de ótica de sua consciência. Essa ilusão nos aprisiona, limitando-nos a nossos desejos individuais e a sentirmos afeto apenas pelas pessoas mais próximas. Nossa tarefa deve ser libertar a nós mesmos dessa prisão, alargando nosso círculo de compaixão para podermos abarcar todos os seres viventes e a natureza inteira."
Mas o que queremos dizer com isso tudo?
Faço de meus aprendizados uma forma, sem a pretensão de ser exemplo, muito pelo contrário. Utilizo apenas como forma dos valores aprendidos com meus pais.
Diga-se de passagem, pobres com quase nenhum estudo. Mas com suas vivências adquiriram certa cultura. Esta vinda, por sua vez, de seus pais, ou ainda, de suas descendências europeias.
Meu pai era “grosseiramente” afirmativo:
Meus filhos: Vocês nunca podem ser: Ladrões, viciados (neste caso e à época em drogas como maconha e outros) e, principalmente, serem homens honrados e cavalheiros.
Mesmo em sua ignorância (ausência de estudo formal) ele tinha a o cavalheirismo com uma forma de gentileza para tudo. Principalmente no tocante às mulheres.
Com meu amigo paranaense tocamos nestes assuntos e ele me sai com uma pérola: Um verdadeiro aforismo moderno.
Disse-me ele:
- “A sociedade (Brasil) vai mudar quando se arrepender de seus “pecados” – erros -...!”.
 Aquilo me soou de uma profundidade de sua essência.
Mas aonde queremos chegar com todo este “discurso”.
Simples.
O Brasil está acordando. Sim. Tenho convicção disso acompanhando os últimos acontecimentos.
Com tantos “erros” para não utilizar outros adjetivos de nossas instituições (leia-se homens brasileses à sua frente) como Presidência, Justiça e Congresso Nacional – com isso repercutindo, nos mesmos poderes, nos Estados e  Munícipios e nossa imensa nação.
Um exemplo natural e considerado normal?
Com prazer.


                                       Quando cometemos um erro, seja ele do tipo e da dimensão que for, darmo-nos conta disso, sofrer conosco mesmo por isso, arrependermo-nos e com isso corrigirmo-nos e tentar, desta forma, auxiliar outros para que não “caiam” no mesmo erro, estaremos além de generosos sendo partícipes de uma grande família que chamamos de irmãos e sociedade.
Assim este arrependimento fica como exemplo para os que virão. Não como regra geral, é claro. Mas como inicio de pensamentos do que somos e o que queremos para o outro. Este outro que está próximo de nós e que precisamos dele.
Se adentrarmos no sistema político, vale lembrar que atualmente no mundo ocidental impera o Capitalismo.
É o melhor que existe?
Não sei. Sinceramente, não sei. Mas é o melhor que existe atualmente.
 
Socialismo?
Eis uma mentira pregada, defendida e tentada ser colocada e prática há mais de um século. E em todos os lugares em que foi tentado... Houve sofrimento geral.
Somente poucos se “locupletaram” como estamos assistindo e sentindo no Brasil atual.  Alguns com nenhuma sensibilidade dita “social”, literalmente, “enchem” seus bolsos e através e, exclusivamente, de mentira  enganam a todos.
A sociedade atual está quebrada?
Não. Mas está em uma fase que precisa ser repensada. E nosso amado povo brasilês está acordando... Está se informando... Está ficando inconformado com o que está vendo... Com o que está sentindo... Como seus filhos “não estão” sendo educados; nem na família e, muito menos, instruído nas que deveriam ser escolas.
Estas, por sua vez, estão funcionando mais como uma “indústria” de produção de massa, de “não conhecedores de coisa nenhuma” do que servindo de padrão de conhecimento adquirido. Triste isso, mas é verdade.
Mas aonde se quer chegar com isso tudo.
Simples!
A sociedade, de modo geral, como esta grande família brasilesa precisa pensar e entender que ela é que tem o poder e não as instituições.
Estas, as instituições, são apenas suas representações.
Se as instituições não estão funcionando, muda-se quem está em seu comando. Simples.
 
 
Nós, os cidadãos, temos o poder... Não elas.
Como bem diz o nome elas são apenas “representativas”.
E atualmente elas estão representando nossa pior parte... Nosso lado mau.
E não somos maus. Talvez passivos. Mas não maus.
A ganância é um “pecado” para as religiões. Todas elas.
Mas ela é a pior das atitudes do homem sobre o próprio homem.
Aquele que só quer ganância não tem sentimentos. Se não tem sentimentos é um psicopata.
Não podemos ter psicopatas em nossas instituições... Não podemos ter ladrões... Não podemos ter seres sem caráter... Sem valores... Sem dignidade natural.
E se não os temos, precisamos urgentemente mudar os homens e manter nossas instituições representativas.
Assim nos mantemos. Caso contrário corremos o risco de sermos extintos como sociedade, como família e como seres que herdamos maravilhas de nossos antepassados.
Eles deveriam ser o que somos. Não são.
Então está na hora de pensarmos em nós mesmos, para começar, em seguidinha em nossos filhos. Caso contrário ficará uma “amarga” herança da qual não se orgulharão nunca.
Vamos pensar juntos? Outubro está ai...
E em janeiro de 2015 começarmos a fiscalizar tudo... Desde o primeiro dia e não deixarmos mais acontecer o que ocorre atualmente em nosso amado Brasil.
Juntos somos fortes. Mas somente juntos.
Afinal pensar não dói...
 

Entendimentos & Compreensões
Dos diálogos com Ary Kara
Publicado em www.konvenios.com.br/articulistas
www.cadernodeeducacao.com.br
www.pintoresfamosos.com.br
 
 
 

 

 

segunda-feira, 30 de junho de 2014


Escritor e Amigo Toni Figueiredo
continua suas histórias dos anos 60
na Sala de Protheus!

 
Românticos Virginais...!
 
 
"...Desculpa se eu prezo o romantismo e o cavalheirismo, mas para mim isso é fundamental...!"
Alef Roberto
                                                    Tem baile do “Pick-up e seus Negritos” no domingo. Onde? Na casa do Eliseo. Era o programa obrigatório da “Vesperal Domingueira” e já no sábado começávamos a “gozar” o Nicão, pois sabíamos que a Lindaura, uma mulata farta de quadris e seios desenhada em violão por uma “cinturinha de pilão”, o estaria esperando na porta para dançar muito provocadoramente “colada de corpo inteiro” e afagando o cangote dele. Isso bastava para ele sair esgueirar-se pela porta e ir correndo para casa para trocar calça e cueca. Dois boleros eram mais que o suficiente.
                                                  Naquelas tardes de Miguel Calmon, Elvis Presley, Bienvenido Granda, Trio los Panchos, Roberto Yanez e é claro de Românticos de Cuba e Ray Conniff também, assim compartilhávamos o romantismo da época, bem como as namoradas com os “amigos pagãos” e os excessivamente tímidos na dança, pois era absolutamente proibido ficar “colado na parede” e para as moças “dar taboa” nas “tiradas para dançar”, mesmo para aqueles que dançavam “em cima dos pés alheios”.
                                                As “princesas” com seus “coques” com muito laquê e algum “bom bril” trajavam vestidos rodados e suas muitas anáguas, (um símbolo de status inspirado em Doris Day), as unhas delicadamente pintadas com Peggy Sage, os lábios fartos de Max Factor e o rosto empalidecido com pó Angel Face. Perfume feminino eram Horas Intimas. Já os “príncipes encantados” exibiam seus jaquetões Caravelle e camisas “Volta ao Mundo” da Valisére, calças de tropical e sapatos Vulcabrás. No cabelo muita Glostora ou Gumex.
 
 
                                                 O baile familiar sempre foi a forma mais popular de diversão da periferia, a exemplo do que são hoje em dia os “bailes funk”, porém com a diferença de que anteriormente sua organização era coletiva pelos participantes. Cada um levava sua coleção de “78 rotações”, (eu era especializado em Neil Sedaka) e alguns com melhores condições levavam seus “LP’ s”, principalmente Elvis Presley, Ray Conniff, Românticos de Cuba e outros mais dançantes.
                                                 Tempos de um romantismo de versos, (eu me inspirava em Humberto de Campos) e rosas roubadas dos jardins das casas pelo caminho, que mandávamos às namoradas na esperança de um beijo consentido. Era o máximo a que nos atrevíamos, pois nos advertiam que fazer “mal” a uma menina, condenaria nossas irmãs ao mesmo castigo. Além do mais, como diziam os mais velhos, carregávamos ainda o “cheiro de cueiros” e isso nos inibia de falar de “coisas do amor” como homens.
                                                 Essa geração da “liberação masculina” encontrava do lado das meninas a resistência ensinada nos valores aprendidos em casa. Como recomendava uma tia às minhas irmãs e primas: Não deixe colocar a mão dentro do soutien e principalmente dentro da calcinha... Tudo estará perdido. Isso nos deixava mudos de lábios e principalmente de mãos, onde se concentravam todos os nossos hormônios e deste modo tudo para nós ficava “além da imaginação” e da “solidão do chuveiro”.
                                                  Ainda que fosse uma “geração audaciosa” em termos sexuais, assim era mais no aspecto do pensar e do falar do que no agir e por isso a quantidade de casais que chegaram virgens ao casamento era muito grande. Apesar do açodamento de tios, padrinhos e amigos do pai que queriam “fazer a primeira noite” do adolescente, a opção das Ruas Aurora e Timbiras e da Praça Julio Mesquita não era atraente, principalmente pelos casos de DST, que se viam entre os amigos mais afoitos.
                                                     Não seria o primeiro a comparar a vida às estradas, mas ao fazê-lo invocando as Estradas de Santos, a Graciosa e a de Petrópolis, com certeza estarei tocando as lembranças de uma grande maioria. A primeira está para os paulistas, a segunda para os paranaenses e a última está para cariocas e mineiros. Em comum, todas, estão na mesma serra e tem a mesma Mata Atlântica, (a Serra dos Órgãos no Rio é o prolongamento da Serra do Mar).
                                                 
 Foi pilotando nosso destino, que fomos por essas curtas retas, ora em aclive e ora descendo na expectativa da próxima curva, que podia ser suave ou as vezes inesperadamente abrupta sem qualquer sinalização. Era a nossa capacidade, ou melhor, atrevimento, em assumir riscos, que fez essa pilotagem mais emocionante, o que nos fez nos concentrarmos na emoção de correr a pista, ou então, caso tenhamos sido mais prudentes, dirigir mais pacientemente e nos deliciarmos com a paisagem.
                                                  De qualquer maneira a curva contornada sempre ficou para trás e tornou-se incontornável novamente e o nosso retrovisor guardou apenas uma imagem esfumaçada, como se uma densa neblina tão comum desses caminhos encobrisse memórias e imagens. Todavia, na maioria das vezes, foi o novo amor que encontramos na curva seguinte, que tornaram pálidos e inexpressivos os amores de poucos metros antes.
                                                       Mas minha memória se insurge, pois como olvidar tantas meninas, que foram minhas bicas de repouso nessas serras, marcando momentos de mãos geladas e trêmulas e de lábios sedentos e saciados. A visão do passado está perdida, não consigo me lembrar de seus rostos, seios e pernas, mas elas ainda estão lá teimosamente em minha história. São vultos congelados benfazejos em seu espaço e tempo, que ainda transmitem um pouco do seu calor à minha energia vital.
                                                     Como esquecer os Bailes de Formatura no Palácio Mauá, Clube Homs e Aeroporto, quando a periferia lotava de trajes de gala os ônibus suburbanos rumando para o Centro e a Zona Sul, disputando com igualdade de beleza e charme e matando de inveja às “filhinhas de papai”. Não posso esquecer a Valquíria uma linda flor de 15 anos de idade, meu par na formatura e irmã de um colega que esqueci o nome, formando como eu no Comercial Básico no SENAC de 1961.

 
                                                   Eu a encontrava todos os sábados à noite em um bailinho na casa de uma amiga. Lembro-me que era baixinha e sempre usava um vestido tubinho e cabelos “rabo de cavalo”. Não lembro seu rosto e nem tampouco do seu nome, mas um pouco do aroma de Miss France dela, que era o ar que eu respirava durante todo o baile, até hoje um pouco dele reside no fundo dos meus pulmões.
                                                Não me interesso em reencontrá-las e saber o que o tempo, essa “máquina de entortar pessoas”, como dizia Saint Exupéry em “Terra dos Homens”, as transformou. Fico com as que guardo em minha memória e apenas sei, que ainda amo muito a todas, pois trago um pouco delas comigo até hoje, 50 anos depois.
Lembro-me delas, para não me esquecer de mim...
  

Das percepções e pesquisas de
Antônio Figueiredo – Entre Algum Lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania
 
 
 

sexta-feira, 27 de junho de 2014


Das Minas Gerais vem este
miniconto da Mestra em Língua
Portuguesa Brasilesa
e Literatura Claudia Carvalho
para a Sala Protheus:

 
Felicidade “Quase” Verdadeira!

 
 
“... A felicidade na vida é já uma coisa
tão restrita e quase convencional que tirar da
vida uma parcela mínima desse luzente tesouro, tão ambicionado e  tão quimérico,
é a maior das loucuras humanas...!”

 Florbela Espanca –
Correspondências – Portugal – 1920 -

 
                                Sempre recatada, a mulher, esposa perfeita, recebia os amigos da família como ninguém, mesmo que não lhe parecessem muito simpáticos. Com seu vestido bege, como a própria sobriedade deve ser gola de renda francesa, a imagem da delicadeza. Aliás, ela parecia não saber ser outra coisa na vida senão delicada.

                                  Sentada na elegante cadeira de Carvalho maciço, da varanda de sua casa perfeita como as de comerciais de TV, ela observa a beleza de seu jardim, o que, diga-se de passagem, vem sendo ao longo de anos seu único entretenimento. Qualquer pessoa que a vice ali, confortavelmente sentada, julgaria ser ela uma mulher tranquila e feliz na sua aparente paz de espírito.

                                  O véu das aparências é ao mesmo tempo ilusório e ilusionista.  Dentro de si, aquela mulher ali parada, pacata, conformada, trazia um desejo nauseante daquela felicidade que parecia “quase verdadeira.” Sua ânsia só fazia aumentar diante do vazio de suas lembranças.

                                 Algo queria sair, fluir de dentro da mulher, ou melhor, explodir, em forma de uma cascata indomável. Ali sentada, ela sentia uma pontada aguda no peito. Era um sentimento que ela não saberia descrever, a consciência angustiante de seu presente inconsistente e de seu passado cheio de momentos “felizes”, absolutamente falsos. Aquilo era algo pesado demais para ela.
 
 
                                    Então, como o borboletear de asas mágicas, sua mente foge daquele cenário e de repente, o mundo se torna um lugar lindo e seu, sua imaginação vaga. Seu olhar se fixa em um vaso de orquídeas que ela, com todo cuidado, plantou e viu florescer. - Que lindas minhas orquídeas!

                                     Contudo, seu marido havia feito a ela um pedido: que presenteasse um casal de amigos, justo com seu vaso de orquídeas predileto. Pedido ao qual, a mulher, sempre delicada, não soube, ou não pode se opor. Seu silêncio não queria dizer sim, como o marido pensou apenas ela não tinha dentro de si o grito “Não”, que a salvaria. Seu silêncio bradava aos quatro ventos:

- Porque devo dar de presente meu vaso que cultivei com tanto amor, só porque é belo? Porque eu não tenho direito de ser dona dessa beleza? Não, essa beleza pertence a mim!

                                    Quanto mais seus olhos se fixavam no belo vaso, mas a consciência de que ele lhe pertencia causava vertigem à mulher. Então, nesse momento, a consciência daquela realidade tacanha, vai aos poucos se perdendo, se tornando embaçada, até não mais existir. Tudo em volta desaparece e passa a ser, ela mesma, a orquídea. Aquela alucinação a absorve inteira. Seus cabelos, braços, pernas, tronco, são agora raiz, caule, pequenos brotos, folhas e flores. Seu sangue quente, a própria seiva que dá vida, saída do âmago da terra.
 
 
                              A mulher, agora orquídea, é bela, exuberante, enfim, é livre! Seus ramos e flores se insinuam em uma dança envolvente e sensual. Parte daquele lugar, em busca de campos desconhecidos, onde juntamente com outras espécies, baila e rodopia em uma dança cada vez mais vibrante, a ponto de aquela alma que outrora, morava naquele corpo inerte na cadeira, agora totalmente absorta naquela dança enlouquecedora e estonteante perder-se em um caminho sem volta. O rodopiar incessante de suas folhas e pétalas a levam além de qualquer consciência e juntamente com as de outras flores voam como unicórnios e se transformam em estrelas, em constelações! E eis que universo, enfim, se abre num intenso e sonoro “Sim”.

 

Entendimentos & Compreensões
Dos pensamentos de minha amiga
Cláudia Ezídgia de Carvalho  - Minas Gerais -
Licenciatura em Língua Portuguesa Brasilesa
 Universidade Federal de Ouro Preto
Mestrado em Literatura Comparada
Unicamp – SP