quinta-feira, 11 de abril de 2013


“Fala & Linguagem!” – III -
- As aventuras de little John na Comunicação –
#SOSEducação





“O Amor é o encontro que tudo espera
Todos os sentimentos
Sinto o Onipresente, que conduz o homem,
Ao longo do caminho
Encontrar amor e paz
Acordar para seu interior
Gritar pelo Amor
Sabendo que a vida não existe sem
Você, P A L A V R A,
Linda e forte, capaz,
De mudar a diretriz de uma vida
Sangrenta e Cruel....”.

 Kristhel Byancco – As Facetas de uma Mulher


O Outono prosseguia, neste ano, em sua “cruzada” diferençada de anos anteriores. Algum frio, a noite, por dias de sol brilhante que aquecia o tempo diferente. Já se encaminhava a metade do mês, em pleno outono.. Eram nestes dias que little John (1) preferia, aos de chuva, acinzentados em que não podia brincar visitar o papagaio da vizinha e não via o “chato” do doutor Gumercindo. 

Ele se divertia com a rabugice do velho advogado. Estava extasiado e contava para todos os colegas da escola suas novas descobertas. Adorava dizer, o que para ele, eram palavras novas e difíceis de serem pronunciadas: “fonoaudiologia”, Aparelho fonoarticulatório – tinha predileção por este nome que explicava seu “aparelhinho”, foi uma das primeiras grandes palavras e difíceis de serem pronunciadas que tinha aprendido com a fadinha. Impressionava a professora que lhe perguntava com quem tinha aprendido tudo aquilo.

Ele simplesmente dizia que estava “lendo” muito, e que sua irmã mais velha tinha deixado uns livros da faculdade, e que ele bisbilhotava. Satisfazendo assim a velha professora que nunca tinha ouvido falar de Broca (2), Wernicke (3) e outros nomes que little John trazia para a sala de aula e se tornava o centro das atenções. A velha professora não ligava pois  julgava ser a televisão que mostra tudo em todos os horários. Mas estava satisfeita, pois o menino estava aprendendo algo diferençado e isso auxiliava no aprendizado e em suas matérias do dia-a-dia. Ele estava mais concentrado, sua linguagem era mais pausada, seus pensamentos mais direcionados. Enfim mostrava-se outra criança. Mesmo que ficasse pensativa de como aquele menino estava aprendendo tantas coisas, consideradas técnicas demais para ele, e tinha capacidade para guardar.

Quando ouvia isso little John simplesmente “viajava” em seus pensamentos:
- Ah, se a professora conhecesse a fadinha! Acho que ela ia perder o emprego aqui na escola.
Saia da escola, e já imaginava um local onde encontrar a fadinha. Estava esperto. Sabia que a fadinha nunca ia para o mesmo lugar e pensava.
- Acho que ela não gosta muito de ser vista. E hoje vou para um lugar novo, garanto que ela vai estar lá.

A tarde estava em seu curso normal, little John saiu de casa dizendo para sua mãe que ia brincar com seus amigos da escola, ao que sua mãe respondeu:
- Não volta tarde, e cuidado por onde anda, amo você!
Little John já acrescentou a frase aos seus novos conhecimentos:

- Hummm... Minha mãe ta usando só o seu “automático”, sua área de Broca.... Por que ela sempre diz isso quando eu saio. Se eu disser que vou sair e não for, ela diz igual. Engraçado, acho que falta alguma coisa. A fadinha deve saber.

Little John encaminhou-se a um pequeno riacho, aos fundos de um bosque que fazia às vezes de “praça natural”, em seu bairro.
Chegando, procurou seu lugar preferido. Uma pequena queda d´água, em que apareciam as pedras e a água correndo cristalina. Ali, naquele lugar, little John costumava banhar-se nas tardes quentes do verão. Mas hoje escolheu, pois, sabia que a fadinha iria gostar muito daquele lugar.
Recostou-se em uma árvore e adormeceu.

Um clarão luminoso foi o sinal de que a Fadinha Andréa (4) estava chegando.
E hoje ela estava mais bonita do que nunca. Estava com aquele lenço verde, grande, sobre o pescoço e os ombros. Little John achava que o lugar de onde ela vinha também era frio. Toda de branco, parecia uma “doutora”, realçava ainda mais sua pele, seus olhos negros e grandes e seu cabelo bem preto. Little John tinha preferência sempre em olhar as mãos da fadinha. Quando ela chegava tocava-lhe a face. O menino ficava encantado com o gesto.

- Olá little John, como está você.
- Muito bem fadinha, eu já estou “craque” no “aparelhinho”. 
- Então vamos ver o que você já aprendeu Você lembra?
-Sim, fadinha, até a professora queria saber como eu aprendi.
- Ela me perguntou e eu disse que nossa voz, que é o som da fala, é por causa que nós, humanos, temos um aparelho fonoarticulatório, e que graças a nossa boca, lábios, dentes, céu-da-boca, língua, “piso” da boca...
Ao que a fadinha interrompe:

- Assoalho da boca, little John, é apenas um nome para se referir a parte inferior de nossa boca e ficar melhor na explicação.
Ao que little John interrompe:
- Mas não é a mesma coisa fadinha?
- Não, meu menino, “piso” vem de pisar, de utilizar os pés, por isso que aprendemos e hoje você vai saber mais sobre as palavras. Cada uma delas tem uma significação, e quando a usamos elas tem que ter uma direção correta. Assim todos sempre vão saber o que realmente estamos falando. Compreendeu?

- Puxa fadinha, ta bom, acho que sim.... e continua.
- Bem, depois vêm aquelas duas partezinhas que eu não esqueço as cordas-vocais, as duas irmãs laringe e faringe, traquéia, esôfago.... acho que não esqueci nada né?
- Muito bom, little John, para seu aprendizado está ótimo, não se preocupe.
- mas fadinha o papagaio não tem isso tudo?
- Não meu menino, a ave tem o bico, que é a sua “boca”, mas bem diferente de nós, aquilo que você enxerga e parece ser a “língua” da ave, tem outras funções diferentes do que para vocês. E elas não têm o restante tudo. Por isso não falam.

- Ah, ta entendi.
- Bem fadinha depois disso tudo, ai vem o tio Broca, que é aquela partezinha aqui em cima da cabeça, lá dentro, que a parte responsável pelos sons da nossa fala. É como se fosse um automático, não é fadinha?
-Mais ou menos, little John, nós dizemos “automático”, pois esta ligada a uma parte do cérebro....
Ao que o menino interrompe, para mostrar que tinha aprendido....
- No lobo Frontal, né fadinha?

- Sim, little John isso mesmo, mas por sua vez, esta ligada a outras partezinhas, do cérebro de vocês, mas é isso sim.
- E quem tem problemas no Broca é afaaa..... esta parte eu não lembro fadinha.
-Afásico, meu menino, mas isso está mais ligado à outra parte que vamos aprender hoje, a região da linguagem no cérebro, que é também chamado de área de Wernicke, que foi aquele tio que descobriu, logo depois de Broca, que a linguagem em tudo aquilo que ela significa era correspondente à outra ligação em nosso cérebro.
- Como assim fadinha, interrompe o menino.

- Veja bem, logo atrás de Broca – colocando seus dedinhos na cabeça de little John, acima da orelha, um pouquinho mais para trás, aqui de seu lado esquerdo, tem outra área no cérebro de vocês, humanos, é aqui que se localiza a área da linguagem ou de Werneck.
- Na ultima vez que nos encontramos, você disse que aprendeu isso na escola, linguagem. Não deixa de estar certo, little John, pois a área de Wernicke é a responsável pela compreensão das palavras e todos os significados, a estruturação inclusive da sua língua portuguesa, esta diretamente ligado a esta capacidade. A semântica.

Ao que o menino interrompe:
- O que é isso fadinha!
-Semântica, little John, é a parte da gramática que estuda o sentido e a aplicação das palavras em um contexto.
- Você ainda vai aprender isso na escola, mas é a significação das palavras quando você as coloca em uma frase, é desta forma que você utiliza a área da linguagem ou de Wernicke.

- Por exemplo, little John, quando eu digo manga, o que você entende?
- A manga de molhar o jardim lá de casa.... Mas também tem a manga que eu gosto de chupar...!
- Viu little John, exatamente isso, quando eu disser para você uma palavra, solta, sozinha, ela não pode ter significado, mas quando eu a colocar em um “lugarzinho na frase”, em um contexto, quando ela faz parte de algo, ela encontra o seu significado. Muito bom!. Exatamente isso.

- Outro exemplo, bom menino, em nosso primeiro encontro, você disse que o doutor Gumercindo te chamou de “loiro”.... (5) o que você quis dizer com isso?
- É uma gozação, fadinha. Quando os outros não entendem o que queremos dizer.
- Viu! Não significa que seu cabelo tivesse outra cor, não é mesmo, foi apenas um contexto, utilizado pela colocação das palavras, para dizer a você outra coisa. Isso faz parte da semântica. O poder das palavras, a linguagem que vocês utilizam.

- Outro exemplo, quando você cumprimenta o doutor Gumercindo, como ele responde?
- Fadinha, ele nem olha pra gente, só diz bom dia e continua andando?
- Mas tem outra forma de dizer isso? – pergunta a fadinha.

Little John enrubesce, encolhe-se um pouco, e deixa sair, quase sem querer.
-Tem... fadinha!
Fadinha Andréa percebe o tom de timidez do menino e pergunta.
-Hummmm... isso esta me parecendo outra coisa! Por acaso você tem uma namoradinha na escola?

Little John surpreso com a percepção da Fadinha responde.
- Ta bem fadinha, tem uma menina que eu gosto muito, o nome dela é Isadora.
- Muito bem little John, que bom... Mas, então, o que tem de diferente no que eu lhe perguntei sobre o cumprimento?

-Bem fadinha, quando o doutor Gumercindo diz bom dia, é como se não dissesse, acho que ele usa só o Broca...
E continua:
- Mas quando Isadora diz bom dia... parece que até os barulhos somem.... parece que vem lá do coração, seus olhos brilham, e é diferente sim fadinha.
- Muito bom little John, exatamente isso. Quando, como você diz, o dr. Gumercindo lhe cumprimenta, é apenas por fazer, uma espécie de gesto de boa-educação, mas quando Isadora lhe cumprimenta, ela mostra sensibilidade, ela mostra suas emoções, seus sentimentos...
Ao que little John interrompe:

 – Quer dizer que ela gosta de mim:
- Pode ser little John, pode ser. Mas esta é uma tarefa da linguagem, de como colocamos nossas palavras em cada frase, o quanto de sentimento elas possuem, de nossa paixão ao dizer tudo aquilo que realmente queremos dizer e sentimos.

- Esta é a área da linguagem, de Wernicke, que funciona em sua cabecinha, entendeu?
- Puxa, gostei deste tal de Wernicke, ele sabia das coisas né?
E continua
– Então o que aprendemos na escola é mais ou menos isso, sobre linguagem.
-Sim little John, mais ou menos isso, sim. O restante, não se preocupe você vai ter muito tempo para aprender. Agora você tem que se preocupar com as coisas que são importantes para você, como brincar, cuidar de você, se divertir.... Você terá muito tempo ainda para estas coisas.
Ao que little John responde:

- Mas eu gostei desta parte sobre como falar, assim quando eu falar com Isadora, eu não vou usar o Broca, vou preferir o Wernicke.
A fadinha sorrindo com a doçura e a inocência de little John, deixa-lhe um beijo na face, e desaparece entre os raios de sol.
Little John acorda. Meio tonto ainda com tantas informações recebidas da fadinha. Mas fica contente. Sabe que agora vai poder dizer para sua mãe:

 - Eu te amo, e olhar bem nos olhos dela, assim ela saberá que ele esta dizendo por ser verdade, por ele sentir e não só dizer, por dizer.
Ele entendeu que quando cumprimentar Isadora, será diferente e ele entendera todos os olhares, assim como a fadinha fazia, mas ele sabia que ainda não tinha coragem para dizer para Isadora que amava ela. Isso ia ter que esperar.

- Puxa...!  - lembrou little John: - ele esqueceu de perguntar onde ficava a coragem, no seu cérebro, pois ele ia precisar disso para falar com Isadora.

Bem mas isso é uma parte da linguagem para outro encontro de Fadinha Andréa, suas lições de língua, Linguagem e Sensibilidade, e little John terá que esperar.

O tempo que dedicamos ao aprendizado de alguém esta diretamente ligado à sensibilidade que “construímos” em nosso coração, proveniente da parte mais essencial de nosso ser, para que possamos repassar, a outros seres, com a mesma paixão com que colocamos nossa própria vida. Esta é a diferença entre repassar conhecimento e ensinar a pensar.

Little John descobriu cedo, que cada palavra bem articulada, com os sentimentos mais puros de seu pequeno ser, encontrarão respostas positivas, sorridentes do outro lado. Se conseguíssemos sempre, como little John falar para o outro lado, como se à frente tivéssemos uma Isadora, certamente construiríamos um mundo melhor. Das palavras e pelas palavras o som mais puro de nossa alma.

“Homenagem a todos aos profissionais da fonoaudiologia e todos aqueles que utilizam a palavra com sensibilidade e que descobriram que Pensar não dói !”.


Notas explicativas do glossário da bibliografia do rodapé –


1 - little John – Americanização para fugir dos tempestios primitivos de ongs e  tribos do politicamente correto, combatentes de pseudas-pré-concepções.

2 - Paul Pierre Broca – 1861 – Medico e Antropologo francês descobriu a área motora da fala.

3 - Carl Wernicke – 1876 -  Neurologista e Psiquiatra alemão -  descobre a
      área de compreensão, da inteligencia, do agrupamento e da classificação das diferentes emoções, tambem chamada de área da linguagem, em continuação ao trabalho de Broca.

4 - Fada Andréa – Homenagem a fonoaudióloga e especialista em   Educação
       Especial, Supervisão e Orientação escolar e Psicopedagogia,  Professora Andréa Schiavetto de Campo Mourão – PR. Uma das mais inteligentes e dedicadas profissionais da área que o autor conhece.

5 - Loiro – Criação americana, abrasileirado como neologismo explicativo das
      pessoas que tem preguiça de pensar por sí próprias, sinonimia de “antas”,
      “bizonhos”, ou comportamentos nao pensados, etc. Nem sempre possue a
       coloração loura nos cabelos.



Inspírado e transpirado do conhecimento
da  professora  Andréa Schiavetto - Psicopedagoga Clínica e Educacional,
Coaching Educacional, Fonoaudióloga Clínica e Educacional, Administradora Educacional, Orientadora Educacional,
Educação Especial e Assessora Educacional do Colégio
Adventista de Campo Mourão, Palestras e  Capacitações sobre Educação.

terça-feira, 9 de abril de 2013


 A Fala – II !
#SOSEducação
- A ação do cérebro na fala do homem –





“...O sorriso é a manifestação dos lábios, 
quando os olhos encontram o que o coração procura...!”

by Protheus – Entendimentos & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada.


- Diga loro... fa-di-nha! Vamos... Assim ó: ... fa-di-nha!
E o papagaio, acostumado à presença de little John,(1) e já condicionado a repetir o que os humanos lhe dirigiam, tentava imitar a criança.
Com alguns “sons estranhos” saindo de seu bico, a ave tentava repetir o que o menino dizia.

Insatisfeito, little John encaminhou-se para um bosque muito bonito, no final de sua rua... E falava com ele mesmo.
- Puxa, a fadinha prometeu que ia voltar, e já faz três dias que durmo, durmo, durmo... E nada dela aparecer...
E continuavam seus pensamentos solitários:

- Vou ensinar o papagaio da vizinha, e a fadinha vai ver como o papagaio fala. Ela não me acreditou. Vai ver que antes dela virar fadinha, e ser aquilo... Como é mesmo... Fonoau... Nao-sei-o-quê, não existia papagaio...!
Após longa caminhada, na tarde tranquila e ensolarada, little John recostou-se a uma árvore e lá ficou tentando “desatar os nós” que tinha conseguido de tanto pensar.

Terminou por adormecer, ali mesmo ao sol, no meio do bosque.
De repente sorriu. E lá estava a Fadinha Andréa, (2) vinda do alto, por meio dos raios de sol, tão brilhante quanto eles, e agora estava mais linda ainda. Resplandecente. Sorria e seu sorriso contagiava.
Chegou, aproximando-se de little John, e passou suas lindas mãos de fada, por sobre os cabelos dizendo:

- Olá meu bom menino, estava me procurando.
Little John respondeu-lhe:
- Puxa! Faz um tempão que eu chamo você e você não aparece.
A fadinha graciosamente sorri, mostrando seus dentes brancos contrastando com seus cabelos pretos e sua pele bronzeada.

- Bom menino, eu estava atendendo outros meninos que também tem dúvidas. Mas agora estou aqui.
Little John, antes que ela sumisse novamente, iniciou seus questionamentos.
- Fadinha eu entendi e quase decorei tudo o que você me disse. Mas eu estou ensinando e o papagaio da vizinha quase esta falando “f a d i n h a”. E você disse que papagaio não falava?
A fadinha Andréa, rindo disse ao menino:

- Calma, little John, hoje eu te explico esta parte. Vamos lá. Acompanhe-me.
Ao que little John se levanta e diz rapidamente:
- Mas fadinha, eu não sei voar?
Divertindo-se com a ingenuidade do menino, a fadinha responde:
- Não little John, não iremos a lugar algum. O que eu disse foi para você me acompanhar no pensamento que eu vou te explicar agora sobre a fala, sua origem e o que controla ela no cérebro, está bem?

Little John aproveitando a deixa lasca, imediatamente.
-Então eu vou poder ensinar o papagaio da vizinha também, e o doutor Gumercindo eu não conto!!!
Rindo com toda aquela inocência, a fadinha Andréa, senta-se ao lado do menino, passando suas mãos de fada na cabeça do menino, e diz:
- Bom menino, sabe por que o papagaio nunca vai falar?
E continua, antes que little John a interrompa novamente com uma pergunta desconcertante:

- Aqui... – e colocando sua mão de fada sobre a cabeça do menino, aponta:
-Bem aqui, - colocando o dedo no inicio dos cabelos do menino, -
 No final de sua testinha, onde começam seus cabelos, deste seu lado esquerdo, dentro da sua cabecinha, no seu cérebro, tem uma pequena área chamada de Broca.
Ao que o menino interrompe dizendo.
- Mas fadinha, este “troço” ai tem no milho da vovó. Ela sempre diz que tem que ficar bem guardado por causa da tal da broca.
A fadinha rindo, emenda ao garoto.

- Little John, o nome que você ta dizendo de “broca do milho” é um inseto minúsculo que se alimenta daquele cereal.
- O que eu estou te dizendo, é que esta partezinha, bem minúscula do seu cérebro se chama B R O C À. Como se tivesse um acento no ultimo “a”.
-Ah, entendi, Broca.  Responde o garoto.
- Isso mesmo Little John, Broca, é a origem da fala, e foi descoberto por um homem muito estudioso, um cientista chamado Paul Pierre Broca (3) e viveu no século 18, na França.

Encantado com a conversa, little John dispara.
- Puxa, esse tal de “Broca” era mais inteligente que o doutor Gumercindo...?
-Bem continuando little John:
- Este tio, ficou famoso e se destacou muito como médico, como pesquisador nas neurociências – ou o estudo das regiões neuroniais do cérebro.
- Ele foi quem descobriu o centro da fala, que é uma pequena parte, aqui dentro, no seu cérebro, que os profissionais, como as fonoaudiólogas... Chamam de terceira circunvolução do lobo frontal.

- Lembra little John que eu te falei das fonoaudiólogas? Não é mesmo?
Sim, mas que “negócio” é este de “lobo..” fadinha!
- Não se preocupe com isso – responde a fadinha. É apenas um nome que os médicos e pesquisadores dão para algumas partes do corpo, neste caso da sua cabecinha. Mas vamos adiante, isso não é importante, esta bem?
- Tá bom fadinha, - responde little John.
-O Dr. Brocá...
Interrompe novamente little John, a explicação da fadinha:
- Puxa! Este sim é doutor e não aquela porcaria do Gumercindo...?

A fadinha sorri e continua:
- Little John, o Dr. Broca, descobriu tudo isso, quando estudava os cérebros de pacientes afásicos, que é o nome das pessoas que não conseguem falar.
Little John dispara novamente:
- Então quem é mudo é este tal de afásico ai?
A fadinha pacientemente e sorridente responde:
- Pode ser meu menino, pode ser. Mas existem outros casos em que as pessoas são ou se tornam incapazes de falar.

 - Mas continuando meu bom menino. Presta atenção, esta bem?
- Sim, fadinha... Vou prestar você é melhor que a minha professora que nunca tem paciência... - Responde Little John.
Fadinha Andréa não se importando com o comentário continua...
- O Lobo Frontal, esta partezinha aqui – apontando para a cabeça do menino – é muito importante, pois é ela que determina tudo o que você faz, por impulso, automaticamente... Como por exemplo, tomar água, correr, cantar, falar com o seu amigo o “papagaio” da vizinha.... É como se fosse um processador...

Ao que o menino interrompe novamente:
- igual “aquilo” que tem nos computadores que eu jogo?
- Parecido, - Responde a Fadinha.
- Continuando... little John, assim quando você fala, esta partezinha aqui, - apontando com seus dedinhos para a área de Broca, na cabeça, a fadinha responde.... No seu Lobo Frontal, esta uma pequena área do cérebro chamada de Brocá, ela que dá os impulsos para que todo o seu aparelho fonoarticulatório funcione.

- E o papagaio, Little John, não tem isso que vocês humanos tem.
 - Assim quando você esta falando, é esta área, de Brocá que impulsiona toda a linguagem falada. Entendeu litle John.
Ao que o menino responde:
- Entendi sim, Fadinha.  Eu já tive esta tal de linguagem na escola.
Ao que a fadinha interrompe.

- Não, bom menino, esta é outra linguagem, que os profissionais se referem.
 - É a linguagem falada, que faz parte da comunicação. Mas daí tem outro tio.  Wernicke, (4) que viveu também na mesma época de Broca que descobriu esta outra partezinha do cérebro. Mas isso eu te explico outra hora, ta legal?
O menino responde:

- Puxa como tem gente no nosso cérebro. Brocá eu vou lembrar, mas este tal de vernique, este eu não sei fadinha.
A fadinha sorrindo, afaga os cabelos de little John novamente e diz.
- Isso é para outro encontro, combinado. É fácil, basta você lembrar-se das lições, sobre todo o seu “aparelhinho” e agora, aqui em cima, na sua cabecinha, a área de Broca, que é o centro da fala, esta bem?

- Ta bem, fadinha, vou pensar sobre este tio Brocá.... Pode deixar... Mas não demora pra voltar ta?
Sorridente a fadinha beija a face de little John e simplesmente, como por encanto, desaparece em meio aos raios de sol.
Little John retorna para casa. No caminho, lembra-se de como o doutor Gumercindo o tratou mal.

Ao passar por sua casa vê o advogado chegando. Little John corre até ele, enquanto desce do carro e diz:
- doutor Gumercindo o Sr. sabe o que é Brocá.
Ao que o advogado responde.
- Sei sim meu vizinho, é um inseto que tem no milho, por quê?
Satisfeito com suas novas descobertas o menino responde:
- Não é não, é algo que o Sr. tem na cabeça e não sabe. Por isso o Senhor Não é medico, é advogado. Tchau!

O advogado não entendendo o que o menino queria dizer, apenas acompanha sua silhueta afastando-se, na rua, em direção a sua casa.


Notas explicativas do glossário da bibliografia do rodapé –


1 - little John – Americanização para fugir dos tempestios primitivos de ongs e tribos do politicamente correto, combatentes de pseudas-pré-concepções.

2 - Fada Andréa – Homenagem a fonoaudióloga e especialista em   Educação
       Especial, Supervisão e Orientação escolar e Psicopedagogia,  Professora Andréa Schiavetto de Campo Mourão – PR. Uma das mais inteligentes e dedicadas  profissionais da área que o autor conhece.

3 - Paul Pierre Broca – 1861 – Medico e Antropologo francês descobriu a área motora da fala.

4 - Carl Wernicke – 1876 -  Neurologista e Psiquiatra alemão -  descobre a
      área de compreensão, da inteligencia, do agrupamento e da classificação das diferentes emoções, também chamada de área da linguagem, em continuação ao trabalho de Broca.


Inspírado e transpirado do conhecimento
da  professora  Andréa Schiavetto - Psicopedagoga Clínica e Educacional,
Coaching Educacional, Fonoaudióloga Clínica e Educacional, Administradora Educacional, Orientadora Educacional,
Educação Especial e Assessora Educacional do Colégio
Adventista de Campo Mourão, Palestras e  Capacitações sobre Educação.

domingo, 7 de abril de 2013

" A Fala - I ! #SOSEducação!"




- Ou como falamos e nunca ninguém
 teve paciência para nos explicar!




“... O Homem é o animal que fala!...”!
“... A voz (fala) empresta a linguagem o que ela tem de mais belo...!”

 by Aristóteles (1) and Protheus (2) –
 Leituras & Pensamentos da Madrugada-


O Sol do meio-dia trazia a trégua, tão necessária, depois da manhã gelada de Outono. little John (3) caminhava, com uma dúvida, aproveitando o calor e os raios do astro-rei. Queria falar com seu vizinho Gumercindo, que era advogado (4). O pequeno menino tinha certeza que, por ter estudado, lhe ajudaria em algumas dúvidas. Encontrou-o recostado em uma cadeira, também aproveitando o sol.

- Olá Doutor (5) Gumercindo, o senhor pode me explicar uma coisa?
Ao que o vizinho retrucou:
- Claro meu vizinho, eu te cedo à palavra!
E little John, tascou a queima-roupa:
- Doutor como falamos?

E o vizinho julgando ser alguma nova piada, continua:
- Ora menino, com a boca... Rindo, na sequência, sorrateiramente.
little John, não satisfeito, continua:
-Não, Doutor como fazemos para falar?
Ao que o advogado, sem muita paciência responde:
- Você é loiro (6)? Dãããããã... (7) e continua a gargalhar.

O menino cabisbaixo se afasta reticente, tristonho e retorna à sua casa.
Pensa consigo mesmo, em uma espécie de filosofia chavesca (8):
- Ninguém tem paciência comigo... Ninguém me explica nada.
Deita-se sobre um velho estofado que sua mãe retirou da sala e colocou em uma área, ao lado de fora da casa.

Com o sol fazendo às vezes de cobertor, little John, se aconchega em si mesmo com seus pensamentos cheios de interrogações e adormece.
Em instantes, little John visualiza uma luz muito brilhante, cheia de cores se aproximando. Exalta-se mediante aquela visão linda. Vê se aproximar uma fadinha. Seus olhos arregalados verificam cada detalhe.

A fadinha se aproxima e little John, estupefato e curioso pergunta:
- Quem é você?
Ao que a bela imagem lhe responde:
- Sou a Fada Andréa (9), e tiro as dúvidas de meninos curiosos através de suas próprias dúvidas e vivências.
Little John, sem saber se respondia ou admirava a beleza das cores, das luzes e da fadinha, continuava surpreso.

Um pequeno ser, com mãos realmente de fada. Little John nunca tinha visto, mas sabia, em seu intimo, que fadas teriam mãos assim. Pareciam mãos de princesas, pequenas, pele rosada escura, lindas. A fada tinha grandes olhos negros brilhantes, cabelos negros, longos e lisos que lhe emprestavam o ar de uma atriz, que o menino já tinha visto em filmes na televisão. Para adornar ainda mais suas vestes, trazia um lenço atirado entre os ombros e o pescoço, de cores bonitas, aumentando-lhe a moldura de sua beleza. Falava terna e delicadamente e sua voz era mais bonita ainda.

Mesmo não acreditando o menino pergunta:
- fadinha, como nós falamos?
Ao que a fada Andréa responde:
- Esta bem meu menino eu explico: O ser humano é o único animal que fala.
Ao que little John interrompe dizendo:
- Não é não fadinha, o papagaio da vizinha também fala.

Sorrindo a fadinha continua:
- Não pequeno John, papagaio não fala. O bichinho apenas repete aquilo que vocês repetem. Vocês o treinam para fazer isso. Sozinho ele não pode.
- Little John não se aguentando diz:
- Mas fadinha, minha mãe, assim como a vizinha fez com o papagaio, me ensinou a falar.

 A fadinha paciente como toda fada deve ser, reinicia.
- Pequeno John, presta atenção. Somente os humanos têm um aparelho, no seu corpo chamado de fonoarticulatório.
O menino curioso, por natureza, emenda:
- fono... o que?

A fadinha, como se o menino nada tivesse dito continua:
Veja... Antes de virar fadinha eu fui humana, como você, e trabalhava como fonoaudióloga. As pessoas que trabalham com isso são profissionais que utilizam a ciência, que estuda todas as formas de comunicação humana. E o aparelho que vocês, humanos, têm, e tudo o que você tem na boca, na garganta e mais ainda, com a ajuda de seus pulmõezinhos.

Presta atenção little John:
- A voz que é o som da fala, é a capacidade ou o uso dessa capacidade de emitir sons. Para falar ou cantar, movimentamos cerca de uma dúzia de músculos da laringe que é um órgão que voce tem no fundo, bem no fundinho de sua boca, no inicio do seu pescocinho, e muito importante, e na frente da faringe, que é um tubo, como se fosse um pequeno músculo, afunilado, que é ligado, em cima com seu narizinho, que é chamado de  fossas nazais e a boca, e mais para baixo, um pouco, com a laringe e o esófago, uma outra partezinha, antes do começo do seu estómago. A laringe e a faringe formam uma espécie de terminal, um pouco acima da traquéia. Que é um “caninho” aéreo,  pois inicia na parte inferior da laringe e termina onde começam os brónquios. Este sim é o órgao essencial da fonação, do som, da emissão da fala.

Está me acompanhando Little John? Pergunta a fadinha.
Ao que o menino responde:
-Sim fadinha! Puxa, e o papagaio nao tem tudo isso?
A fadinha gentil e passivamente responde:
-Nao meu bom menino, não tem, só o homem tem isso.
Little John interrompe novamente, tascando:
- E as meninas tem tudo isso!

A  fadinha sorridente e estupefata com a pureza do menino, responde:
- Claro, Little John, os meninos e as meninas. Mas vamos continuar:
- Assim quando voce fala, o ar que sai de seus pulmões,  percorre os brônquios e a traquéia, chegando a laringe. A partir disso os músculos se contraem, regulando a passagem do ar. Os movimentos que vocês fazem, por sua vez, fazem as cordas vocais...

Ao que o menino interrompe novamente:
- Nós temos cordas na boca?
 A Fadinha, sorrindo continua:
 - Já chego lá, acalme-se bom menino. Eu sei que é muita coisa para um primeiro encontro, mas prometo retornar até voce nao ter mais dúvidas, esta bem assim?
Satisfeito, little John apenas acena com a cabeça sorrindo e a fadinha continua:

- As cordas vocais são duas membranas finas e delicadas que possuimos bem no inicio do pescocinho.... -  Aproveitando, a fadinha localiza com suas maos lindas tocando o pescoço do menino... -  Assim as cordas vocais vibram e produzem sons. Depois estes sons chegam a boca. E este som que vem da laringe, se tornam os sons que voce chama de fala, graças a ação, da lingua, dos dentes, do véu palatino, ou o seu céu-da-boca, e do assoalho da boca, embaixo da lingua.

 - Todos estes detalhezinhos que possuimos são para que possamos falar.
 - Assim o ar que sai de seus pulmões quando voce os enche, retorna, passa por todos estes “aparelhinhos” e produz o som, que é sua voz, que é a fala.
Entendeu bom menino.
Ao que little John responde:
- Puxa, fadinha, muito obrigado, a senhora é mais inteligente que o Doutor Comercindo.

A ultima imagem é o sorriso iluminado da fadinha, que Little John lembra ao acordar.
Vai até a torneira, toma um gole de água, e acompanha a água entrando por sua boca e percorrendo todos os “aparelhinhos” que a fadinha tinha falado.
E diz para sí mesmo:
- Puxa, vou ter que “lubrificar” mais vezes minha fala.

E continua seu pensamento em voz alta:
-Eu acho que já tive esta coisa de “linguagem” na escola?
Bem, mas isso é assunto para outro sonho com a fadinha.

Agora até little John descobriu que Pensar não dói...nadinha!


Notas explicativas do glossário da bibliografia do rodapé –

(  ) – Sinais de Chaves – Necessidade de explicação para continuidade e
         entendimento do  texto. Compreensibilidade do ser humano
Itálico – Itálico na comunicação escrita, refere-se a termo não-usual, principalmente estrangeirização. Ou a metáforas utilizando outra simbologia escrita para explicação de termos e assimilação.
1 – Aristóteles – Filósofo grego, pós-socrático, integrante da escola Platônica que viveu em 367 a.C., em Atenas, Grécia.
2 – Protheus – Pseudônimo do autor, batizado por uma bruxa, baseado na mitologia grega.
3 – little John – Americanização para fugir dos tempestios primitivos de ongs e tribos do politicamente correto, combatentes de pseudas-pré-concepções.
4 – Advogado – Expécie que inventou a verdade, baseado na premissa de que é uma mentira repetida muitas vezes. E o ser que mais fala entre a espécie.
5 – dr. Desingnação, no brasil, para todo advogado que já tiver prestado exame à ordem. Arrogância ensinada na academia que eles gostam e perpetuam.  Não confundir nunca com quem tem doutorado.
6. Loiro – Criação americana, abrasileirado como neologismo explicativo das  pessoas que tem preguiça de pensar por sí próprias, sinonimia de “antas”, “bizonhos”, ou comportamentos nao pensados, etc. Nem sempre possue a coloração loura nos cabelos.
7 – Dãããã..... Neologismo  giriesco brasileiro, com conotação de respostas de “loiros”, onde nao haveria a necessidade de pensar para respostas óbvias.
8 – Filosofia chavesca – designação ao personagem Chaves (série cómica
      mexicana) e anterior aos seus desenhos animados, em que uma emissora   de TV brasilesa, literalmente gastou a série e os personagens.
9  – Fada Andréa – Homenagem a fonoaudióloga e especialista em   Educação Especial, Supervisão e Orientação escolar e Psicopedagogia,  Professora  Andréa Schiavetto de Campo Mourão – PR. Uma das mais inteligentes e dedicadas profissionais da área que o autor conhece.



Inspírado e transpirado do conhecimento
da  professora  Andréa Schiavetto - Psicopedagoga Clínica e Educacional,
Coaching Educacional, Fonoaudióloga Clínica e Educacional, Administradora Educacional, Orientadora Educacional,
Educação Especial e Assessora Educacional do Colégio
Adventista de Campo Mourão, Palestras e  Capacitações sobre Educação.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Sociedade dos Poetas Mortos




 #SOSEducação -   






“... O amor é o objetivo último de quase toda preocupação humana;é por isso que ele influencia nos assuntos mais relevantes,interrompe as tarefas mais sérias e por vezes desorienta as cabeças mais geniais...!”

Dos pensamentos de Schopenhauer


Tenho sido abençoado com alguns privilégios; Dentre eles, está em ter uma “coleção especialíssima”: amigos sábios. Sim àqueles, principalmente, que sabem que Pensar Não Dói!

Dentre estes, está o Escritor, como é conhecido no Twitter, Professor Nelson Valente, jornalista, escritor, professor, pesquisador e um currículo de busca e disseminação incomparável para o conhecimento humano.

E em humano sendo dissemina, compartilha com o coração o que pesquisa e escreve. Está fazendo uma série de crônicas sobre o que está por trás de cada imagem e palavra de uma novela. Nesse Caso Salve Jorge, e seus escritos estão indo, por partes sendo divulgados em http://www.gibanet.com/2013/03/27/salve-jorge-a-invasao-dos-signos-1a-parte/.

Na ultima semana me brindou, afetuosamente, através de nossas discussões no Twitter com uma pérola que transcrevo abaixo com todo meu afeto.
 A escola está preocupada em ensinar, e não em fazer o aluno aprender a pensar.

A chegada do professor Keating ao internato mexeu com as estruturas da instituição, baseada nos princípios da tradição-honra-disciplina-excelência. Embora ex-aluno da Welton School, Keating professava um estilo dito revolucionário, nas suas aulas de literatura inglesa e no relacionamento proposto aos seus discípulos.

O resultado é fácil de imaginar. Esta é a trama central do filme Sociedade dos Poetas Mortos, dirigido por Peter Weir, e que foi um dos premiados com o Oscar da Academia de Cinema de Hollywood.

As cenas se passam em 1959 e colocam em evidência os conflitos entre o conservadorismo expresso pela direção exercida pelo anglicano Nolan e o jovem mestre, que entra na sala de aula assoviando a 1812, para espanto dos seus engravatados alunos.

Logo depois, manda arrancar as folhas de Introdução à Poesia, de Pritchard, sob a alegação de que era um texto superado. Keating, interpretado pelo excelente Robin Willians, permite que os seus alunos subam nas mesas, joga futebol, com eles, incentiva Neil a ser ator, contrariando o pai autoritário, que o retira da escola, ameaçando-o com uma academia militar:

- Você não tem nada que pensar, deixe que o faça por você! Pressionado e angustiado, Neil se suicida, com o revólver do pai. Foi uma das cenas mais fortes desse filme de altíssima qualidade.

Questiona-se até onde deve ir a autoridade paterna, chocando-se com a vocação do filho, este amparado pelo professor compreensivo e amigo. Após o suicídio, a família de Neil processa a escola, responsabilizando-a pelo desvio do jovem adolescente. E é claro que a culpa recai sobre Keating, para quem a verdadeira educação é a que induz o indivíduo a escolher o que gosta, o que está dentro de si, e não o que lhe é imposto.

Por isso mesmo, faz da legenda latina carpe diem (aproveite o dia) o seu lema permanente. Quando preciso, as aulas eram dadas no pátio da escola, com forte sensibilização do aluno para o objeto do estudo, sem passar pela teorização. Histórias sobre educação e métodos pedagógicos, em geral, produzem trabalhos de pouco apelo popular. Não foi o que aconteceu com Dead Poets Society.

O seu sucesso internacional mostra, acima e tudo, um incrível interesse pelas relações entre autoritarismo e liberdade, pais e filhos, colegas entre si. Aliás, o filho focaliza, em fortes contornos, a figura do dedo-duro Cameron, um lourinho subserviente, que criticava o professor querido da turma, pelos seus excessos de liberalidade. Foi ele que contou à diretoria o que se passava em classe. Keating é expulso de Welton , Nolan retoma as suas aulas e o faz dentro do estilo conservador de sempre.

Quando Keating entra na sala para apanhar os seus pertences, numa cena valorizada pela música de Maurice Jarre, alguns dos alunos, mais chegados reagem à sua saída. Sobem à mesa, num gesto de solidariedade, enquanto Keating se comove, chegando às lágrimas. O diretor esbraveja, protesta, mas a atitude dos jovens é mais forte – e é o que fica da mensagem embutida nesta obra-prima do cinema contemporâneo. O professor e imortal da Academia Brasileira de Letras, Arnaldo Niskier, diz:

- É um filme que deve ser visto e discutido pelos educadores brasileiros, aos quais se recomenda atenção para o que ele representa em termos de educação moderna.


Das pesquisas, Entendimentos & Compreensões, e,
principalmente, da Generosidade de Nelson Valente –
professor universitário, jornalista e escritor


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Limitelalina! Use e abuse, sem contra indicação.






#SOSEDUCAÇÃO -
 Histórias do Cotidiano Infantil!



“... Uma escola onde os alunos mandassem seria uma escola triste.A luz, a moralidade e a arte serão sempre representadas na humanidade por um conjunto de mestres, uma minoria que guarda a tradição do verdadeiro, do bem e do belo...!”

Dos pensamentos de Ernest Renan

Depois de Siga o Mestre, conversando com Professora Andréa, perguntei-lhe:

- Nesta história de #SOSEDUCAÇÃO, estamos falando do governo, da formação dos professores, mas, e os alunos?
- E estes pequenos “rebeldes sem causa” que vem de um mundo onde tudo podem e tudo fazem? Os chamados hiperativos? Como tratar com eles? Quem está preparado para isso?
Professora Andréa começa dizendo.

Profe: "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come".
 Há momentos em que a situação é tão caótica que o mais sensato é deixar o "bicho comer e não correr".

Pois é! A Hiperatividade é um assunto pertinente na atualidade. Muitas crianças e suas respectivas famílias sofrem até que, o diagnóstico correto da hiperatividade aconteça. Até lá, o desgaste é muito grande!

É no espaço escolar que os comportamentos dos hiperativos tornam-se mais significativos. As trocas sociais e as regras que o ambiente escolar propõe caminham na direção das dificuldades dos mesmos. O diagnóstico correto é o primeiro passo para que os ajustes aconteçam.

O segundo passo é o "processo corretor", ou seja, os novos manejos comportamentais que o hiperativo deverá aprender. Muitas vezes os manejos comportamentais novos, não são suficientes. Drogas específicas são usadas para ajudar a parte neurobioquímica dos cérebros dos hiperativos.

Todo este processo necessita de muita competência profissional e experiências clínicas e pedagógicas. Sobre a hiperatividade com diagnóstico correto e manejos adequados, não precisamos nem correr e muito menos deixar o bicho pegar.

 Na verdade, o bicho pega, é com a falta de educação e de limites. Muitas crianças com falta de educação e limites são confundidas com hiperativas. Isto é um problemão! Os pequenos tiranos tornam a vida dos seus pais, colegas e do amado professor: um inferno!

Viver na dimensão do "não se reprima", que muitos pais acreditaram e acreditam, devolveram a nós, uma geração intolerante à frustração. Viver sem frustrações é tão utópico, quanto viver sem felicidade.

A intolerância as frustrações, também, são evidenciadas no espaço escolar. E começa com a exigência mais "sem fundamentação do planeta": o amado professor é quem deverá educar, melhor, (re) educar o filho que nem dele é.

Chegaremos a um dia em que, não bastará ser professor, terá que ser pai e mãe também. E o pior, ganhando a mesma coisa! Afffff!

Mas, tenho uma esperança, de que alguém, crie uma medicação para falta de limites com extensão para a falta de educação. O laboratório que conseguir tal façanha ficará rico!

O nome mais sugestivo que encontrei para tal medicação é: Limitelalina. A diferença é que, quem fará uso desta medicação será a "família" e não a criança. Para alguns casos mais crônicos a medicação poderá estender a criança.

É... Acho melhor deixar o bicho pegar e comer.
SE ela me respondeu?
Claro que não. Se tivesse a resposta quem estaria “rica” seria a alma iluminada da professora Andréa e não sua poupança.
Significa que estamos, literalmente, em tempos de mudanças significativas.

Professores precisam se preparar mais e pais precisam saber, definitivamente, o significado de serem pais. “Não basta proverem tem que preverem, principalmente, estarem juntos e não simplesmente “entregarem” o filho para a escola e só faltando dizer: “ Toma esta cria agora é tua!”.

Sei que estamos longe de uma fórmula definitiva. Mas por enquanto, pais e mestres, um pouco de LIMITALINA, fazem bem. 

É gratuito. E encontra-se em qualquer bom cérebro.
Afinal, Pensar ainda não precisa pagar... E não dói!


Dos diálogos com a Professora
Andréa Weffort - Psicopedagoga Clínica e Educacional,
Coaching Educacional, Fonoaudióloga Clínica e Educacional, Administradora Educacional, Orientadora Educacional,
Educação Especial e Assessora Educacional do Colégio
Adventista de Campo Mourão, Palestras e  Capacitações sobre Educação.
Publicado no Grupo Kasal – Vitória – ES – em 27.03