quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Da Sabedoria do Escritor
Antônio Figueiredo para
a Sala de Protheus

 
Dez Dias Para Refletir...!

 “...Uma Sociedade só é democrática quando ninguém for
tão rico que possa comprar alguém e ninguém seja
tão pobre que tenha de se vender a alguém...!”
Jean-Jacques Rousseau

                               Pela primeira vez em 25 anos marchamos para uma Eleição Geral na qual a “emoção” com certeza não influenciará o voto. Nenhum dos três mais importantes postulantes é “carismático” e muito menos representa um “pai/mãe dos pobres”, a Economia vai cambaleando e “nuncadantesnahistóriadestepais” o tema “corrupção” tem sido apresentado tão pútrido.
                               Desta vez o “senhor eleitor” não só deverá, como terá de votar com a razão e com isso não terá o escudo da “esperança” ou do “medo” e é nisto que reside e saúdo o ineditismo deste certame.
                              Quem espera que eu enverede pela análise das candidaturas, com certeza se verá frustrado, pois o único comentário que farei, é que vote no seu “candidato favorito”, pois será a única forma de conhecermos o “cacife eleitoral” dos “partidos cabeça”, principalmente PT e PSDB. O “voto útil” terá sua vez e lugar no “segundo turno”, que creio que ninguém duvide que venha a ocorrer.
                                Ainda que indiretamente é a oportunidade do eleitor demonstrar o seu amadurecimento, principalmente no tocante a se posicionar quanto à necessária e urgente Reforma Política, pois é a votação, que cada candidato receber, que certamente refletirá às formações de bancadas para as próximas legislaturas.
Explico-me melhor: Não resta a menor dúvida, que o atual sistema de representatividade esgotou seus recursos e isso ficou explícito no último debate promovido pela CNBB. A candidata Marina Silva (PSB) respondeu genericamente e apenas mencionando as manifestações de Junho 2013, repercutiu esses políticos não nos representam das ruas, ponderando que o atual “sistema político” não nos representa mais.
                                 Já o candidato Aécio Neves (PSDB) fez a defesa do “voto distrital misto”, sendo endossado por Eduardo Jorge (PV), mas lembrando, que Aécio omitiu uma bandeira histórica do PSDB, o Parlamentarismo. O Pastor Everaldo (PSC) defendeu o voto distrital puro. Entretanto, a surpresa da noite foi a afirmação de Dilma Rousseff (PT), que em “ato falho” defendeu a extinção do “voto proporcional”, para em seguida se corrigir e dizer, que se tinha que acabar com as “coligações proporcionais”.
                                Falou-se também, “au passant”, da multiplicidade partidária produtora de “partidos nanicos”, que tornam as “decisões políticas” um “balcão de negócios”, evidentemente não comentada pelos “minoritários presentes”. Aliás, é das “minorias”, que mais se trata neste país e evidentemente é porque nelas é que é mais fácil serem aplicados os “golpes e promessas utópicas”.
                               O mais interessante de tudo é que essas “minorias organizadas” têm “lideranças representativas”, que em vez de se apresentarem, como sempre tradicionalmente o fizeram como “opositoras”, hoje se alinham com o “governo”, que seria o responsável pela atenção às reivindicações. Os “excluídos das ações governamentais” tornaram-se “excluídos governistas profissionais”. Ou alguém consegue ver os MST, MTST e qualquer “M” organizado, como saídos das “reivindicações populares”?
                                 Hoje se constata, 50 anos depois, o que Zé Kéti clamando contra as “injustiças sociais”, (protesto contra as condições de vida nas favelas cariocas) da época, já profetizava: “Acender as velas, já é profissão...”. Hoje todas as grandes metrópoles do Brasil, de Manaus ao Chuí, se cobriram de favelas onde vivem alguns de milhões de brasileiros sob as mesmas ou até piores condições de 50 anos atrás, (não havia o domínio do tráfico de drogas, então), mas o movimento que repercute é o dos “Sem Teto”, que não congrega no Brasil todo mais de 10 mil pessoas.
                                  O MST, uma reedição grotesca e mais ousada das Ligas Camponesas, através de seu dirigente João Pedro Stédile ameaçou “com o inferno” a sociedade brasileira, caso a atual Presidente Dilma Rousseff não seja reeleita. É um “democrata de esquerda a la 1964”.
                                  E a luta pela Reforma Agrária? Bem..., é complicado o “assentamento” no campo sem a infraestrutura de shopping centers, smartphones, notebooks, supermercados sortidos e praças de alimentação. Em 2014 ninguém mais quer ser “Jeca Tatu”, (aquele do Biotônico Fontoura, cheio de “bicho de pé”), no Brasil, tomando-se por base a “assistência técnica” aos pequenos agricultores.
                                  Os tempos de “períodos de exceção” já estão muito distantes e a grande maioria dos eleitores brasileiros, se mal é capaz de se lembrar dos tempos de inflação, quanto mais do “tempo dos governos militares”. Como comentei recentemente, temos a comemorar pela primeira vez na História do Brasil 30 anos de “estabilidade e liberdades democráticas” e principalmente de “alternância democrática no Poder”.
                                     Isso é totalmente inédito em toda nossa história desde o início da República, que conta já 125 anos. Isso não é pouco e demonstra amadurecimento político. Portanto a “ameaça não tão velada” do Sr. Stédile não é aceitável e principalmente deveria ser severamente punida, por tratar-se de um “atentado expresso” aos princípios democráticos, utilizando-se das liberdades democráticas facultadas.
                                  
                           Talvez esse senhor, que prega abertamente a “luta armada”, cujo tipo de manifestação deveria merecer prisão com base na Lei de Segurança Nacional, pois se trata de ameaça ao “regime vigente”. Respalda-se na ojeriza à política pelo cidadão comum, mas se esquece de que existe uma instituição, que é a responsável pela garantia da lei, da ordem e dos poderes constitucionais, que certamente não faltará às suas obrigações constitucionais. Somos cidadãos relapsos e frouxos na preservação das instituições maiores e mais ainda, em defende-las ao não reconhecer as ameaças e chantagens feitas.
                                     Nunca em todos os tempos, toda e qualquer ideologia gozou de tanta liberdade de manifestação e organização. Até mesmo os Partidos Comunistas desde sempre proscritos estão legalizados duradouramente pela primeira vez na História. A Democracia Brasileira perdeu o medo de conviver e confrontar qualquer viés ideológico e muitos de nós gozamos do privilégio da convivência com muitos de seus seguidores, democraticamente.
                                    Isso só ocorreu porque a “via democrática” escolhida é unânime e por isso não há mais espaço para extremismos de qualquer coloração e o eleitor deve atentar neste momento de disputa eleitoral, quais “discursos” se prestam ao “interesse nacional” e quais aos “interesses particulares”.
                                        O importante neste momento é analisar com frieza quais candidatos, que não apenas prometem, mas que efetivamente tem a capacidade e autoridade para enfrentar os desafios imediatos da: I) redução das mortes por crimes e acidentes de trânsito, II) redução das mortes hospitalares, III) combater eficazmente o crime organizado das drogas, das polícias e da política e IV) reestabelecer a lei e a ordem com mão firme e usando todo o rigor da lei.
                                          É inaceitável, que a lei seja “pesada” apenas para os cidadãos “comuns e ocasionais” para os “criminosos oficiais”, pois a vida e a saúde dos cidadãos são os bens maiores de uma Nação, que se propõe a ser “justa e igualitária” segundo o mando constitucional.
                                          Não são 87 milhões de beneficiados por programas assistencialistas e isso afirmo a partir da Bahia, que tem 4 milhões de famílias incluídas, nem tampouco os noticiários denunciadores de escândalos dos jornais e muito menos “promessas incumpridas e requentadas”, que decidirão a sétima eleição consecutivamente “democrática e livre”. E que já afirmei ser motivo de grande celebração por estes últimos 25 anos, pois aí estão os números nas pesquisas a confirma-lo.
                                          O “Muda”, slogan de Campanha dos principais candidatos, não é uma concessão, mas sim uma exigência da sociedade iniciada nos protestos de Junho de 2013. As promessas de Dilma de um “novo Ministério”, de Aécio de “Mudança com Segurança” e de Marina de “Mudança com Nova Política”, independente do vencedor, deverá ser uma prática e não “mais uma promessa”.
                                         Estamos terminando com certeza um ciclo de 25 anos, uma “quarentena” compensatória aos 21 anos de Ditadura, de reaprendizado da “prática política” e assim como o último Governo Militar foi de “transição”, também agora “repetimos esse ano” nesse “pré-primário civil”, mas certamente nos “diplomaremos com louvor”.
                                       Não sei se “o tempo é o senhor da razão”, sei simplesmente que “é tempo de mudar”, pois assim o exige a Nação, ainda que alguns teimem em “ressuscitar mortos”, “recriar fantasmas” e “blefar”. A Revolução de 64 fez-se “pelo medo” aos “Grupos dos Onze” de Leonel Brizola, que presumivelmente reunia 1 milhão de ativistas. Deu no que deu.
                                       Leia a História, Sr. Stédile, pois usando um jargão tão usado por vocês, repetimos: No pasarón y no pasarán...
 
 
Das percepções e pesquisas de
Antônio Figueiredo – Entre Algum Lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania

 

 

sábado, 20 de setembro de 2014


Amor e uma Ilha!
- Você Acredita Nisso?

 
“... A loucura é uma ilha perdida no oceano da razão...!”
Machado de Assis.

                                        O amor nasce subitamente, sem qualquer reflexão, por temperamento ou por fraqueza: um traço de beleza o provoca, o desencadeia. Pelo contrário, a amizade se forma aos poucos, com o tempo, com o hábito, com uma longa convivência. Quanta inteligência, bondade, dedicação, quantos serviços prestados, quanta condescendência são necessários para conseguir em muitos anos do que às vezes num momento se consegue um rosto lindo ou uma bela mão.
É assim que Jean De La Bruyére, em Caracteres, inicia a descrição sobre o coração.
                                      Em Ecce Homo, Por Que Sou Tão Esperto, no parágrafo 10, meu pensador preferido Nietzsche diz: Minha fórmula para a grandeza no homem é amor fati: não querer nada de outro modo, nem para diante nem para trás, nem em toda eternidade. Não meramente suportar o necessário, e menos ainda dissimulá-lo – todo idealismo é mendacidade diante do necessário -, mas amá-lo”. Ou o amor ágape, dos gregos. Você escolhe.
                                      Desde os pré-socráticos até os pensadores e filósofos modernos... Todos... Sim todos, de uma forma ou outra, tentaram definir o amor.
Shakespeare foi um dos que enfatizaram que o amor ideal é dois seres em uma ilha.
E nós... Pobres ignorantes das coisas do coração... Levamos ao pé da letra, de que teríamos que achar uma ilha e lá com nosso ser adorado viveríamos a perfeição de uma vida a dois.
Pobres mortais modernos que julgarem ser significantes ao pensarem terem achado significado. Enganamo-nos com uma “perfeição” que beira a uma “loucura impensada”.
                                         A metáfora tão necessária dos pensadores antigos... Sim hoje parece que para todos... Pensar Dói... Continuamos a: primeiro encontrarmos o ser perfeito... E, em seguida, procurar uma ilha... Para lá viver, de fato, o grande amor... Uma vida inteira de perfeito amor a dois.
Como nos tornamos pequenos com o tempo... Como confundimos a razão com as coisas do coração...
                                         O que os pensadores quiseram deixar, ao pensarem, idealizarem desta forma, uma espécie de “fórmula” para que não errássemos tanto na vida a dois... Que pudéssemos colocar para fora tudo o que existe em nosso coração lotado de tanto amor... E na maioria das vezes não sabemos o que fazer com ele. E desta forma, o transferimos para o primeiro ser “bonito” que aparece na nossa frente... Mesmo que depois venhamos a descobrir que aquela beleza é somente exterior... Nada foi descoberto naquele interior... E nos decepcionamos conosco mesmo... Como erramos tanto ao amar alguém? Por que não consigo ter “sorte” no amor? O que há de errado comigo.
                                           Nas entrelinhas vejo e sinto isso todos os dias, na vida real e nas redes sociais – este método moderno - de tentativa de erro e acertos na procura de alguém... Que logo achamos atrás de um perfil “bonito”, não importa o que está do outro lado... Há uma tendência natural de aceitarmos tudo o que vier daquele “rostinho bonito”.
                                       Quanta ignorância criamos quando deveríamos apenas ter sentido cada palavra... Cada reticência do que nos foi ensinado direta ou indiretamente. O amor e uma ilha nada mais é do que você passar as fases necessárias do seu coração como descreveu o próprio Nietzsche, depois de ter se apaixonado por Lou Salomé... E morrido em consequência de não ter visto uma conclusão... Logo ele que tinha tanta definição... Tanto conceito... Mas, nada de prática, de uma busca, de uma virtude que estivesse além do simples “olhar o belo”.
Deixou dito ele: Paixão é uma tempestade... Vem... E logo termina. Se sobrar algo é amor... O amor é uma estação... Vem, tira-se o máximo daquele tempo... Mas também passa... Se sobrar algo é apenas sentimento... Este por sua vez poderá durar vários meses... Mas estes também passam e querem mais... Se sobrar algo então é afinidade... Esta também pode ter seu tempo finito... Mas se sobrar algo então você encontrou a Incondicionalidade. E somente a partir daqui dois seres podem utilizar a grande convivência a dois para tirar o máximo que cada um pode ofertar ao outro. Mas somente até uma tênue linha. Esta é a linha da preservação do próprio eu. Desta linha não há necessidade de passar.
                              Esta ilha é qualquer lugar que você vá viver com seu amor... Um local, uma casa... Um quarto... Não importa a descrição... Em meio a uma grande capital, ou então no campo. Se você conseguir manter este amor dentro da sua “ilha” particular, não deixar nada, nem ninguém penetrar então você conseguirá sobreviver com o amor de sua vida.
                            Em um pequeno livreto chamado Assim Falava Zaratustra, Nietzsche achou a maneira de colocar tudo o que sabia e sentia com uma sabedoria iluminada e poder deixar registrado. Pois a sua época se falasse daquela maneira, seria tranquilamente tachado de louco.
                           Neste pequeno livreto, no capítulo da Redenção disse ele: Aprender a amar nosso destino, encontrar beleza no necessário. Dizer sim à vida, porque só ela que existe e somente ela traz valor em si mesma. Esta lição serve tanto para momentos de felicidade como para momentos de desespero. Transformar o “foi assim” em “eu quis assim” dá um sentido próprio ao que aconteceu”.
                               Então significa que existe e você pode encontrar e viver um amor em uma ilha?
                                                                     Sim existe, basta você construir a ilha ideal que sirva aos dois... Em qualquer lugar e nunca... Mas, nunca mesmo, deixar ninguém penetrar, entrar, passear, utilizar esta “ilha”, este local onde o amor jorra é somente de dois seres.. Se houver mais seres não será amor... Transformar-se-á em amizade... E existe amizade no amor, pois existe confiabilidade, honestidade, retidão, lealdade... Exatamente como na amizade. Mas existe aquele algo mais que somente um olhar conhece... Então há necessidade de nada dizer... Só de estar... Ficar... Permanecer... Muitos momentos... Juntos.
                                  O jovem padre Fábio de Mello, com sua sabedoria de uma beleza infinita deixou dito em sua Liturgia do tempo: “Se você quiser saber se o outro te ama de verdade, é só identificar se ele seria cabaz de tolerar a sua inutilidade...”.
                            Ah, mas você poderá dizer: O que um padre sabe sobre o amor se ele tem que ser casto?
Talvez eles, os sacerdotes, saibam muito mais do amor, exatamente por serem castos... Por usarem a razão para buscar as verdadeiras coisas do coração e não do corpo físico. Esta separação, quem sabe, não seja uma das razões para eles, os sacerdotes (de todas as religiões) pensarem, falarem e praticarem tanto o amor Fati, como disse Nietzsche no trecho acima... Ou o amor incondicional, também dele.
                        Não deixe o tempo que fortalece as amizades enfraquecerem o amor.  Não deixe ninguém intrometer-se naquilo que é conquistado e reservado somente a dois.
Pensar não dói... Mas se você não usar o coração com a razão para amar... Bem, tenha certeza aí sim vai doer muito.
Existe amor e uma ilha? Sim. Existe. Cabe a você encontrar ambos.
Somente você.  Por que todos os acontecimentos se inserem numa ordem causal da natureza, assim como você, portanto, nada poderia ter acontecido de outra forma, nada poderia ter sido diferente, não adianta lamentar-se. 
Faça um favor a si mesmo... Ame mais...
Simples assim...

 
Dos entendimentos & compreensões da vida
Das observações diárias dos seres
Das perguntas diárias que recebo
Apenas um eterno aprendiz
 

 

 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A visão Profunda
do escritor Antônio Figueiredo:

 
30 Anos de Democracia!

 
“...Marx formulou a “filosofia marxista”.
Lula deu-lhe um “choque de capitalismo”.
Marx morreu na miséria.Lula tornou-se um “camarada milionário”.Socialismo de resultados..1”.

O Autor

                                   No próximo ano de 2015 temos uma enorme conquista a celebrar. Pela primeira vez na história da República gozamos de verdadeiras “garantias constitucionais democráticas” no exercício da política. Talvez não sejam pelas quais muitos lutaram e morreram para conseguir, mas são a que nós brasileiros merecemos pelo esforço, que fizemos em tê-las.
                                  Comecei a escrever esta crônica ainda sob o impacto das denúncias de Paulo Roberto Costa, ex-Diretor de Abastecimento da Petrobrás e fui levado a questionar nosso conceito de “República Democrática” e seus valores em relação a um passado histórico recente dos últimos 60 anos e evidentemente vamos falar de “corrupção” e da “interface Poder e Justiça”.
                                   Além de gozar de excelente memória, sempre me socorri da leitura histórica e da minha experiência pessoal para entender e interpretar os diferentes tempos. A memória por vezes falha, mas a História e as experiências vividas são registros, que não se apagam e evidentemente as memórias são crivadas pela consciência política atual.
                                    Vamos às memórias e à História: Nos anos 50/60, adotando-se a técnica moderna de “nuvem”, os maiores questionamentos políticos aconteciam com as palavras: escassez de alimentos, fila de alimentos, cota de importação, crise cambial, salário mínimo desvalorizado, falta d’água, transporte e postos de saúde na periferia, nepotismo e favorecimento de aliados.
                                    Os casos de corrupção no Congresso noticiados eram praticamente nulos e no Executivo, pontuais. Lembro-me das grilagens de terra de Moyses Lupion (PR) e Adhemar de Barros e sua famosa renovação da frota policial com “Chevrolets”. Eram mais comuns os casos de “favorecimento”, fosse às políticas do café ou à “imprensa amiga”. Havia-o também nas “cotas de importação” de trigo, outros alimentos e insumos com uma atenção especial aos “empresários alinhados”. A questão era se os empresários se “alinhavavam” ao Governo ou vice versa.
                                     Outro fator crítico sempre foi a “política de câmbio”, visto que o Brasil sempre andou “de joelhos” perante o Sistema Financeiro Internacional desde o Reino Unido. Apesar do “forte controle” cambial exercido pela SUMOC, (Superintendência da Moeda e do Crédito – DL 7293/1945), criada por exigência do FMI e Banco Mundial e do monopólio do Banco do Brasil quanto às “divisas estrangeiras” muitas foram a denúncias de favorecimento aos “bancos aliados”.
                                A palavra “corrupção” não fazia parte dessa “nuvem”, visto que as “práticas de governabilidade” entendiam inclusos todos esses favores do Poder Público em troca de “apoio”, fosse da oligarquia agrária ou da econômica. Somente mais tarde apareceram os chamados “casos de corrupção” como os classificamos hoje, (malversação de recursos públicos) “abafados” na construção de Brasília e cometidos por Israel Pinheiro, que foi cassado pela Revolução especificamente por isso.
                                  O sistema político brasileiro nunca aceitou a “premissa democrática”, de que só é saudável o regime que admite a importância de uma Oposição legislativa livre e respeitada e um judiciário com autoridade e independência. Esta é uma constatação permanente desde os tempos do Reino Unido, quando falavam mais alto as Cortes em Lisboa, passando pelo Império e a República até os dias atuais.
                                    O brasileiro pensa futebolisticamente, que juiz bom é o que marca “pênaltis” para o “nosso time” e que só os “jogadores adversários” cometem infrações graves. Apesar de esta ser uma “alegoria futebolística” tão ao gosto do ex-presidente Lula, não deixa de encerrar uma verdade aplicável não só à CBF, mas a todas as instituições nacionais.
                                      Somos perversos contra as instituições maiores, que deveriam proteger os nossos “direitos cidadãos”. Não diligenciamos na sua construção, reforço e manutenção, porque isso implicaria que o cidadão criticamente se politizasse e fiscalizasse a “mais valia” do seu voto e o exercício do mandato outorgado.
                                      Ao contrário, por uma danosa “rivalidade provinciana” profundamente enraizada desde tempos imemoriais e sempre “revitalizada” por espúrios interesses políticos, insistimos nos “nós contra eles”, “paulistas contra nordestinos”, “baianos contra sergipanos” e “pernambucanos contra os restantes nordestinos”. Um “desserviço à nacionalidade”, num qualificador mínimo, ou uma “traição ao espírito uno de brasilidade”, se quisermos chamar o “diabo” pelo devido nome.
                                    A maior instituição a preservar deveria ser o “Federalismo”, pois é o que determina a “proporcionalidade de participação” nas decisões nacionais, entretanto o que de mais grave aflige à nacionalidade nos dias atuais é o “divisionismo”, pelo fato de que mal saímos de um período de exceção e justamente quando recomeçávamos a construção de um “projeto político de Nação”, assistimos ao desmonte da confiança em todas as Instituições da República.
Tornamo-nos “velhos” em plena “adolescência democrática”.
                                 Do Governo Sarney herdamos, além da inflação mais desestruturante de todos os tempos, também uma “Constituição Cidadã” medrosa aos tempos de arbítrio e por isso garantista e inadequada à realidade da globalização. De Fernando Collor pelo menos a retirada do “guarda-chuva protetor” do Estado ao empresário, que sacudiu a Economia e nos fez avançar e nos introduzir na Economia Global.
                                  Foram os Governos Itamar Franco e o primeiro de FHC, que com o controle da inflação e neste as privatizações, (que somente a História julgará a adequação) e uma importante “reforma de base” com a Lei de Responsabilidade Fiscal, que o Brasil começou a se enxergar como uma Nação Moderna e com autoestima. Isso rendeu a FHC uma reeleição.
                                   Já o Governo Lula da Silva apostou na necessária e justa inclusão social dando mais dignidade aos até então “excluídos”, o que veio a aquinhoar ao PT três mandatos presidenciais consecutivos. Uma continuidade inédita.
                                   Infelizmente instalou-se uma “polarização”, fruto de “projetos de poder”, (o PSDB falava em 20 anos e o PT não deixou por menos e sapecaram outros seus 20 anos, também) entre as duas maiores “forças políticas progressistas”. Uma militância política exclusivamente de desconstrução de imagens, que começou em 2002. Daí por diante o “projeto de Nação” foi relegado a um segundo plano pela “briga de primos”. São os nossos “judeus e palestinos”.
                                   O Brasil nestes 30 anos mudou agressivamente seu perfil de escolaridade e formação, o tamanho da sua classe empresarial e da classe média e reduziu consideravelmente a pobreza por mérito de todos os Governos, que por lá passaram, mas incrivelmente “nuncadantesnahistóriadestepais” assistimos a uma discussão política tão em nível das famosas “brigas de cortiço” ou “varzeanas”. Só que desta vez é uma “guerra intestina” e assim bem sabemos do material produto final desses “desarranjos internos”.
                                       A explosão de um “ideal político” depende da energia cívica que empenhamos para o seu sucesso. Entretanto, hoje gastamo-la mesquinhamente vivendo e incentivando tempos arrasadores de desconstrução, apequenando ainda mais as já “micro instituições”. Para construir necessitamos de “caros” materiais sólidos e ligantes. Já para demolir dependemos só do gratuito “ódio divisor” e das “marretas da má intenção”.
                                        Ou seja, 30 anos decorridos, nada aprendemos e nada temos a transmitir aos “jovens de Junho de 2013”. Pode começar a tocar a Marcha Fúnebre e circular as filas de visitação ao Esquife da Democracia Representativa. E vai rolar a festa...
 

Das percepções e pesquisas de
Antônio Figueiredo – Entre Algum Lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania


 

 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

#Memória:
Brasília!  
- Da “Ordem e Progresso” ou do Comunismo de Niemayer?

 “...Não admito que digam que Brasília
se parece com um circo...
Circo é coisa séria...!”

Josemar Bosi

                                  O Marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque foi convidado pelo Presidente Café Filho (que assumiu após a morte de Getúlio Vargas), em 1954, para ocupar a presidência da Comissão de Localização da Nova Capital Federal, encarregada de examinar condições gerais de instalação da cidade a ser construída.
                                 Em seguida, Café filho homologou a escolha do sitio da nova capital e delimitou a área do futuro Distrito Federal. A Comissão de Planejamento e Localização da nova Capital, sob a Presidência de José Pessoa foi, assim, o órgão responsável pela escolha do local exato onde hoje se ergue Brasília.
                                A idealização do plano piloto foi obra da mesma comissão que, em relatório redigido pelo Marechal José Pessoa, intitulado “Nova Metrópole do Brasil”, e entregue ao Presidente Café Filho, detalhou os pormenores do arrojado planejamento que se realizou.

                                 Em 15 de março de 1956, o Presidente criou a Companhia Urbanizadora da Nova Capital Federal (Novacap). O engenheiro Israel Pinheiro foi indicado como presidente da companhia e o arquiteto Oscar Niemeyer como diretor técnico. Este, imediatamente, começou a elaborar projetos para os primeiros edifícios, como o Catetinho, o Palácio da Alvorada e o Brasília Palace Hotel,  detalhou  os pormenores  do arrojado planejamento que se realizou.
                               O projeto apresentado pelo arquiteto Lúcio Costa, em 1957, vencedor do concurso para a criação do Projeto Urbanístico do núcleo da cidade – o chamado plano piloto, era muito semelhante ao projeto inicial de José Pessoa - , como se pode ver em imagens e vídeos, hoje completamente disponíveis. O motivo, segundo Cláudio Queiroz, Professor de Arquitetura da Universidade de Brasília poderia ser o fato de ambos terem as mesmas referências e influencias.
                               O Marechal José Pessoa não imaginou o nome da capital como “Brasília”, mas sim Vera Cruz, estabelecendo ligação com o primeiro nome dado pelos descobridores. O plano elaborado respeitava a história e a        não descaracterização às tradições brasilesas. Grandes avenidas chamar-se-iam: “Independência”, “Bandeirantes” e outros, diferente, portanto, das atuais siglas alfanuméricas de Brasília como W-3, SQS, SCS, SMU e outras.
                                  Em 1956, José Pessoa pediu demissão ao presidente JK, por discordar da pressa em se ver sem que o projeto urbanístico estivesse sequer aprovado, antevendo os graves problemas que a cidade passou a enfrentar, como a ocupação urbana desordenada e falta de preocupação com o meio ambiente.
                                       E no contexto de aproveitamento político que JK pretendia tirar da obra gigantesca e ficar para a história do país, foi esquecido a “Ordem e Progresso” da mentalidade militar quanto ao projeto e dado lugar ao pragmatismo socialista da mentalidade de Niemayer que não se importou, em momento algum, se colocaria o país em crise de abastecimento e endividamento por causada vaidade de ter o projeto concretizado.
                                       Infelizmente a história só deu os louros desse projeto para Niemeyer e Lúcio Costa, colocando no esquecimento a competência e inteligência de Getúlio Vargas, Café Filho e do Gal. José Pessoa.
                                       Parece já estar em nosso memória genética a ausência de honradez em não dar os louros e méritos (meritocracia) aos verdadeiros guerreiros e sim aos que, após a “batalha”, aparecem de “uniforme” reluzente para serem condecorados para a posteridade
                                       Esta triste memória, acabou se tornando uma realidade cultural até os dias de hoje.
                                      Ai está o resultado: “políticos e interesseiros”, meramente de vaidade e orgulho pessoal e não de cidadania.
Triste herança repassada a outras gerações.
Perante a história, para o Brasilês pensar dói...
Apenas pensamentos para você ter antes das eleições.
Boa Semana.

 

 
Entendimentos & Compreensões do Povo Brasilês.
Das pesquisas pessoais do Historiador e Pesquisador
Professor Marlon Adami
Brasília – DF