domingo, 24 de agosto de 2014

A análise política do Brasil atual
por Antônio Figueiredo
na Sala de Protheus:

“... Com Que Roupa...!”

 “...Há duas categorias de seres inteligentes:
aqueles cujo espírito irradia e os que brilham:
os primeiros iluminam à sua volta, os segundos
mergulham-nos nas trevas...!”

Marie Eschenbach
 

                                         O genial Noel Rosa em 1929, então com 19 anos, compôs o samba “Com que roupa”.  Noel foi um crítico mordaz dos costumes e do quotidiano da sua época, como, aliás, todos os artistas populares daquele tempo, o eram. Uma das poucas formas de informação disponível, visto que só a elite possuía receptores de rádio, era através da música, que se tocava nas lojas pelas calçadas das ruas.
                                         Pois bem, por alguma razão inusitada fui conduzido ao debate eleitoral do nosso tempo e a indagação proposta por Noel levou-me a pensar na governabilidade do Brasil após as eleições. Com que “roupa política” se vestirá o próximo Governo?
                                         Uma lição política que o brasileiro não aprendeu ainda e incrivelmente recusa-se a assimilar é a de que o Presidencialismo ainda que quase imperial, pois ao Executivo é permitido dispor dos recursos do Orçamento a seu bel prazer e sem compromisso algum em cumpri-lo e principalmente de prestar contas, (uma peça de ficção), depende do Legislativo para toda e qualquer Reforma com uma pauta de demandas imensas.
                                         Desta maneira e com base nas coligações, que agora se apresentam, vou projetar como se preencheriam as cadeiras do Congresso Nacional e ver como se disporiam as forças políticas. A candidatura Dilma senta-se sobre a Coligação com a Força do Povo composta de PT (88), PMDB (73), PCdoB (15), PDT (18), PP/PROS (60), PR (25), PSD 44) e PRB (10) com 333 dos atuais deputados federais.
                                         A de Aécio Neves da Muda Brasil Coligação sobre o PSDB (44), Democratas (28), PEN (1), PMN (3), PTB (18), PTC (0), PTN (0), PT do B (3) e Solidariedade (21) totalizando 118 dos atuais deputados federais. E Marina Silva da Coligação Unidos pelo Brasil composta de PSB (24), PPS (6), PPL (0), PHS (0), PRP (2) e PSL (0) totalizando 32 dos atuais deputados federais.
                                        Sabemos, entretanto que a “coligação de hoje” é a “traição de amanhã” e por isso vamos considerar apenas os “casamentos estáveis”, onde teríamos PT/PC do B/PDT com 121 deputados, PSDB/DEM com 72 deputados e PSB com 24 deputados, num total de 217 deputados que seguem “orientação partidária”.
                                     Deste modo os restantes 17 partidos, autênticos “bebês políticos”, pois sempre estão no colo de “partidos adultos” e seus 287 deputados são antigos e experientes “mascates da política”. Exclui dessa contabilidade o PSOL (3) e o PPS (6) por “respeito” ao passado ideológico do primeiro e político do segundo.
                                       A análise simplista dessa condição, mais do que corrobora que nenhuma das três chapas terá “condições de governabilidade” sem se utilizar do hábito político tradicional de socorrer-se do grande balcão de “negócios políticos” do Congresso. O PT que tem a maior bancada da Câmara não ultrapassa 17% das cadeiras e no Senado o PMDB com 19 cadeiras representa meras 20%.
                                     Na Câmara a maioria só se fará se o PT “cooptar” o dobro da sua bancada e no Senado o PMDB pouco mais que outro tanto da atual. Ou seja, qualquer que seja a opção terá “governo de minoria”, isso sem a certeza que após a eleição PT e PMDB estarão ainda coligados.
                                   Outro ponto que chama a atenção é a quantidade de partidos representados no CN num total de vinte e cinco, coincidentemente o mesmo número dos “grupos do jogo do bicho”. Afinal a política é para todos e a brasileira, na sua prática, bem que se enquadra entre a leve “contravenção penal” e os “crimes qualificados”.
                                    Comprova-o a quantidade de deputados federais, estaduais, senadores, vereadores, prefeitos e governadores indiciados. Até um presidente escapou de investigação e indiciamento para o “bem da governabilidade”. Toda a “mulher de César” por aqui sempre tem um dos pés no Bataclan e pratica sua “tabela de serviços”. Se não copula, faz ao menos “sexo oral”.
                                    Começamos esta crônica falando de Noel Rosa, mas gostaria de retroceder a 1916 e falar de Ernesto dos Santos, (Donga), que compôs “Pelo Telefone”, a primeira gravação do Brasil segundo registros da Biblioteca Nacional, onde cantava “pelo telefone, o Chefe da Polícia manda me avisar. Que na Carioca tem uma roleta para se jogar”.
                                 Data da Carta do Descobrimento a prática de sinecuras na política brasileira e a escolha do sistema de Capitanias Hereditárias só veio aumentar esta prática. Passou pelos Vices Reinados e até o Reino Unido com a presença de Dom João VI por aqui e com Dom Pedro I e sua “corte portuguesa” consolidou-se.
                                 Tanto o IIº Império, como a República Velha dependia da “oligarquia rural” e da dos “brasis distantes” para governar e com Getúlio Vargas não foi diferente. Tivemos 21 anos de “período de exceção” e por isso temos hoje escassos de 39 anos de práticas políticas mais democráticas, porém mantendo a “velha forma política” da Organização Partidária e o Voto Proporcional.
                                 A capacidade crítica política sarcástica do brasileiro sempre foi notável em todos os tempos e isso não passava “em branco” e a ela eram sensíveis para os políticos, contudo após os Governos Militares, que censurava a Esquerda e agora que “governos democráticos” praticamente censuram a Direita, o brasileiro acomodou-se, (acovardou-se).
                                   O que se pratica hoje não é a sátira de usos e costumes, mas apenas um denuncismo vazio, que coloca em pé de igualdade “todos os lados” sem resultados moralizantes práticos e principalmente “não indutores” de mudança, nem da parte dos políticos e principalmente do cidadão. Tornamo-nos a “pátria do eu sozinho” e o resto, que se “exploda”.
                                   O Brasil que nunca teve uma “identidade nacional” e por isso jamais chegou a uma “vocação nacional” precisa urgentemente investiga-la, descobri-la e adota-la sob pena de esfacelar-se como “território uno”, ideologicamente falando, e então mantendo esse distanciamento de aspirações das muitas regiões desiguais, aceitar como imutáveis as atuais práticas políticas.
                                   A oligarquia política sabe muito bem, que sua manutenção depende da sua capacidade de manter as “aspirações nacionais” diversas e desunidas e que o povo não se reconheça como que participando da mesma nacionalidade. Ser brasileiro hoje é um acidente genético de nascimento e não a convicção de contribuir para o sucesso de um mesmo Brasil.
                                      Das três grandes agremiações políticas fortemente organizadas no Brasil, só PT e PSDB optam pela “luta hegemônica” pelo Poder, enquanto o PMDB simplesmente aguarda a “rodada final” para “solidarizar-se” ao vencedor. Temos ainda nesse páreo o PSB, (Marina Silva, pois Eduardo Campos não era tão competitivo), que certamente por sua “base de apoio” e força da estrutura organizacional será o que terá mais dificuldades de “reunir uma maioria”.
                                   Contudo, o “ideário partidário” brasileiro é sempre muito flexível e sua bandeira pode muito bem ter de um lado uma estátua de Lenin e do outro a Estátua da Liberdade.
                                  Volto a Noel para finalizar e com ele volto com a pergunta: Com que roupa? O manequim que nos tem sido imposto e que usamos disciplinada e estoicamente, (ou cinicamente), teremos que decidir algum dia, se nos serve e é nele que nos sentimos “elegantemente democratas”.
                                  Se a ele nos conformamos, sugiro que pelo menos o troquemos por um mais moderno, como cantava Miltinho nos anos 60, na inspiração de Haroldo Barbosa e Luiz Reis na sua PALHAÇADA “Cara de palhaço, pinta de palhaço, roupa de palhaço até o fim”.
 

Fonte:
Das vivências, percepções e pesquisas de
Antônio Figueiredo – De algum lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania

 


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

"Um Dia Que Parece Mentira!


#Cidadania:

Uma das pessoas mais admiradas
E respeitada do Twitter
Marisa Cruz é a convidada
Especial da Sala de Protheus:

Um Dia Que Parece Uma Mentira!

 “... Não existe sucesso ou felicidade
sem o exercício pleno da cidadania e da ética global...!”

Carlos R. Sabbi

               Como boa “conversadeira”, resolvi, no dia da eleição, puxar “prosa” com os eleitores que estavam na fila e me inteirar sobre o que significava este dia e o que esperavam dos candidatos escolhidos para prefeito e vereador. Usarei nomes fictícios, pois o que lerão a seguir é quase que unanimidade.
Baseada nesses encontros classifiquei os tipos de eleitores:
Eleitor Tipo 1:  MARIA VAI COM AS OUTRAS!
               Dona Maricota: Uma senhora na faixa etária de 30 e poucos anos. Perguntei-lhe se havia escolhido os candidatos ao que me respondeu:
               -Meus vizinhos lá do meu bairro falaram para votar no “Pafúncio” para prefeito porque ele vai asfaltar as ruas, fazer o saneamento básico porque pisamos em esgoto a céu aberto até o ponto de ônibus, fazer uma escola e posto de saúde e também segurança com viatura porque aqui tem muito assalto.
Indaguei se ela sabia alguma coisa sobre a vida política dele. E qual não foi à resposta:
               - Não, nem sei quem ele é, mas meus vizinhos dizem que ele é bom então vou votar nele.
               - E vereador?
               -Ah, vou votar num morador lá do bairro que também promete que vai trazer tudo que falta para nós.
               – E a senhora acredita? 
               - Claro!
               - E se eles forem eleitos, durante os quatro anos a senhora irá à Câmara e na Prefeitura cobrar?
               - Eu não!  Tenho mais o que fazer que seja trabalhar fora, cuidar da minha casa, do marido e dos filhos!

Eleitor Tipo 2:  DESINFORMADO!
                Sr. Godofredo: Um senhor na faixa etária de 50 anos. Novamente a mesma pergunta sobre em quem iria votar. Ouço que escolheu pelas promessas e principalmente porque o candidato comprometeu-se em lutar por melhor aposentadoria.  Aproveitei para explicar-lhe que nem prefeito e nem vereador tem qualquer interferência neste assunto porque isto é decisão do governo federal e aprovado ou não pelo Congresso. Ele me olhava com cara de desconfiado achando que eu deveria ser cabo eleitoral do outro candidato. 

Eleitor Tipo 3:  ALIENADO!
                Serginho: Observo este rapaz de 18 anos, com ar de seriedade e vou puxar conversa.  Qual não foi minha surpresa ao descobrir que a tal seriedade não passava de cara feia mesmo porque iria perder a “pelada” com churrasco e cerveja no bairro vizinho.  Mesmo assim perguntei se ele tinha escolhido os candidatos a prefeito e vereador
              - Vou votar em qualquer um porque todos são ladrões mesmo.
              - E você, votando em qualquer um não está alimentando isso?
              - Até pode ser, mas sozinho não vou mudar o Mundo. 
              - Mas quem disse a você que está sozinho? Será que não está na hora de conhecer mais sobre política e de quantos brasileiros estão lutando para uma mudança? Se você tem PC basta entrar no Google que encontrará grupos que estão discutindo sobre isto e verá que existe jeito sim para melhorarmos. Só passeando pelas redes sociais e participando constatará que não é uma andorinha a fazer verão.                                                                 
              - Este país não tem jeito não e também quero arrumar uma boquinha dessa e botar o burro na sombra. 
              - Mesmo que você arrume sua vida, já fez a conta da quanto paga pela roubalheira de todos os outros aproveitadores?
              – Hum, nunca pensei nisso!
              – Pois comece a pensar e verás que esta não é a melhor saída.
                             Muitos outros tipos poderiam ser classificados como Eleitor Interesseiro esperando o cargo público ou ascensão prometida pelo candidato; Eleitor Imediatista que assim que seus candidatos tomam posse já quer solução de todos os problemas; Eleitor Peixe Fora D’Água que detesta Política e assim por diante. 

Eleitor Tipo 4:  CIDADÃO PLENO!
                                  Caminhando mais um pouco vejo um senhor de seus 65 a 70 anos que me chamou muito a atenção pelo traje de vestia: Terno, sapatos engraxados, barba feita, pronto para ir a uma festa.  Puxei a conversa elogiando seu traje e ele, Sr. Benedito me respondeu:
                             - Para eu votar. É um dever cívico que merece minha melhor roupa. Fiquei admirada com a resposta e não me contive em perguntar-lhe sobre este momento da eleição. Recebi uma aula de patriotismo, civismo e cidadania. 
                           - Na minha idade já vi muita coisa na política brasileira. Do Getulismo, com ações boas para o povo, de um Juscelino com sua mania de grandeza construindo Brasília e colaborando para o aumento da dívida pública e tornando a Capital Federal distante dos olhares de todos nós e uma “Ilha da Fantasia”, presa fácil para negociatas. Tão fácil que até um grupo queria implantar o comunismo que a maioria dos brasileiros não queria. E ouvindo o clamor do povo os militares tomaram o poder e até hoje me pergunto por que, depois de 6 meses, a ordem estabelecida, eles não devolveram ao eleitor o direito de escolha do presidente, senadores e governadores. Será que gostaram do poder? Ou temiam a força comunista da União Soviética na América Latina, que acabaram permanecendo no Poder por 21 anos?
                      E veio a Constituinte para elaborar uma Nova Constituição e as eleições indiretas para presidente. Tancredo eleito morre e assume o Vice-presidente. Outra coisa que não entendo: Se o presidente não tomou posse por que o vice toma? Deveria ter tido outra eleição no Colégio Eleitoral. Este período foi de inflação galopante. A gente não dava conta de ganhar e pagar para comer. Tinha que estocar tudo. A maquininha da remarcação passava a noite inteira trabalhando... – E mostrou um risinho de constrangimento e resignação.
                      Nós brasileiros fomos para as ruas pedir Diretas Já e vencemos com o primeiro presidente eleito na República Democrática Brasileira depois do Regime Militar. Um jovem candidato bonito, elegante, que prometia acabar com os marajás.  Eleito, confiscou o nosso dinheiro da poupança por 1 ano e abriu o mercado para os importados obrigando os industriais a aperfeiçoarem suas fábricas para concorrer com o que vinha de fora do país.  Mas o moço quis ser o único marajá e os deputados e senadores inflamaram o povo para pedir o impeachment e o mesmo renunciou ao cargo, assumindo o vice, novamente. Resolveu pôr um fim na inflação e lançou junto com o ministro do Planejamento o Plano Real, que  foi uma benção para nós.
                     Tivemos um presidente sociólogo, um metalúrgico aposentado e hoje uma presidente “gerente”, com diz seu criador. Todos trouxeram muitas coisas reais para o povo, mas nenhum deles conseguiu amenizar a corrupção em todos os níveis da máquina pública e muito menos cobrar dos juízes a punição aos ladrões do nosso dinheiro.
                     Ai está outra coisa que me deixa encafifado: Será que o povo brasileiro não sabe que qualquer governo, federal, estadual ou municipal não tem nada além dos impostos arrecadados em tudo que compramos (de uma caixa de fósforos a uma casa, carro) ou consumimos (água encanada, luz, telefone, gás, combustível) e que nós deveríamos cuidar de cada centavo que gastam? Não é assim que fazemos em nossa casa? E outra coisa que me espanta nestes meus 70 anos é ver que muitos brasileiros, quando perguntados se pagam imposto, dizem que são isentos! Vivo numa cidade grande e fico imaginando com é nos fundões do Brasil.
                   Disse-me também que investigou a ficha dos candidatos escolhidos e pesando as promessas e o que realmente cada um iria fazer nos 4 anos seguintes seguindo de perto caso fossem eleitos.
Despedi-me encantada com este senhorzinho que com sua sabedoria de vida merecia ser um professor de cidadania dando aulas ao eleitor brasileiro por todo Brasil.
                  Quantos benditos Beneditos precisamos para mudar o rumo deste País...
                 Encontrei poucos na fila que tinham consciência política, que examinaram a ficha corrida dos escolhidos e muitos com raiva deste ou daquele partido.
                 Depois desta aula de história, política e cidadania, resolvi caminhar na fila dos que justificam o voto.

Eleitor Tipo 5: PREGUIÇOSO!
                Encontrei o Sr. Raimundo, na faixa dos 35 anos, preenchendo a ficha e perguntei-lhe há quanto tempo morava na cidade.
              - Moro aqui há 15 anos.
Perguntei por que ainda não tinha transferido o título eleitoral para o novo domicílio. Respondeu-me que era mais cômodo justificar do que ir ao TRE fazer a transferência. Indaguei que o prazo para a transferência era bem longo, geralmente 5 meses antes da eleição.  Aí justificou que sempre esquecia e só lembrava no dia da eleição.  Desta feita fui eu a dar uma de cidadã e expliquei que não votar é não participar da vida política e como iria cobrar dos eleitos se ele mesmo não havia feito a sua parte? Parou, pensou um pouco e respondeu-me: É verdade! 
                           Nesta fila de justificativas se encontra de tudo: do que nunca lembra, daquele que ainda pensa em voltar para sua terra natal, mesmo estando aqui há 20 anos... Outros diziam que tinham programado ir para sua cidade e não deu certo.
                          E vejam a incoerência: Povo foi para as ruas pedir eleições diretas (direito ao voto). Conseguiu e vota como se fosse para um convescote obrigatório e agora pede fim da obrigatoriedade. Por que ao lutar pelo voto não pediu também a desobrigação do mesmo?
                          Nas andanças não só no dia da eleição, mas diariamente, vemos um povo desinformado sobre o que é dever e compromisso de um parlamentar ou governante. Mistura obrigações em nível federal com governo estadual e prefeitura. Não conhece os caminhos para exigir os direitos constitucionais como também não reconhece seus deveres.
                          Será que a saída é confeccionar uma Cartilha com o BÊ-A-BÁ e letrinhas de caderno de caligrafia para todo brasileiro poder entender o que é Cidadania e Cidadão Pleno?
A receita do Bolo está pronta só falta colocar no Forno!
Mãos a Obra!

"Mesmo com diploma Universitário, me tornei um Cidadã Observadora através dos ensinamentos de meu Pai: Um homem que deixou como legado a sabedoria de Vida mesmo tendo diploma de primário, CPEOR, um autodidata que lia os Jornais de “cabo a rabo”, ouvia notícias nos rádios, assistia na TV Programas de debates políticos e econômicos e se tornou um conselheiro da Família e dos Amigos. Não só diplomas nos fazem cidadãos plenos, mas sim o nosso interesse em sê-lo." 

  

Das percepções, entendimentos e
da sabedoria compartilhada
da Mestra Marisa Cruz –“Cidadã Brasileira” –
Como Ela mesma gosta de afirmar:
 Formada na Escola da Vida
São Paulo - Sp - 
Arquivos da Sala de Protheus


Obs.:

Todas as PUBLICAÇÕES e OPINIÕES
Sala de Protheus, são de INTEIRA
RESPONSABILIDADE de seus autoes.

O Editor!  

segunda-feira, 18 de agosto de 2014


O Escritor Antônio Figueiredo
Faz uma análise dos Valores do 
Brasil na Sala de Protheus:

 
"Diz-me O Que Pregas
E saberei do Teu Deus...!"
 
“...Dizem que Deus escreve reto por linhas tortas,
mas, penso eu, as linhas é Deus quem as traça retas
e o ser humano é quem põe sua escrita torta sobre elas....!”

                                                                                                                         @ToniFigo1945

                                      Em tempos em que apenas as virtudes da beleza juvenil são valorizadas, exclusivamente induzindo os jovens ao consumo de grifes de roupas, energéticos, produtos eletrônicos e “points” da balada, rio-me dos tempos atuais e seu vazio existencial. Parece que do jovem nada mais é esperado, de que ande nos “trinques” e com isso perde-se aquela onda de “energia renovadora”, que deveria preencher a sociedade e suas estruturas.
                                     Se admirarmos as pinturas e esculturas épicas de todos os tempos veremos que ali sempre pontilha um jovem, quer empunhando uma bandeira de luta ou uma espada ou fuzil, como a afirmar que é dos jovens a responsabilidade e o preço a pagar por todo e qualquer processo de mudança. Aos velhos, normalmente representados com longas barbas e cabeleira brancas, cabe a “voz da experiência” a guiar tão bravos combatentes.
                                     Falamos da importância dos símbolos místicos, sejam dos ideais políticos de liberdade e democracia, futebolísticos ou religiosos e dessa necessidade humana de se ater a eles para suportar a sua miserável e frágil estrutura de carne com uma energia além das suas baterias. Ainda que a ciência há muito venha tratando com muita convicção a Teoria da Evolução das Espécies, para a raça humana sempre foi vital a “crença” do boneco de barro tornado vivente por um sopro divino a nos distinguir do resto da criação e que a Bíblia não especifica de que materiais seriam feitos.
                                    Também a crença num Deus Vingador do Velho Testamento, (Torah), era muito adequada ao comportamento guerreiro hegemônico vigente e sempre foi mais conveniente crer numa “vingança divina” a punir os erros humanos. Era a proteção e justiçamento celestiais a determinar rumos e destinos. O Deus Misericordioso do Cristianismo veio reafirmar o “livre arbítrio” e devolver ao homem a responsabilidade pelas suas “escolhas pessoais”, ainda que influenciando a vida de muitos.
                                  Creio que a raça humana nos dias atuais afasta-se paulatinamente dos símbolos e assume o caráter evolucionista da “lei do mais apto à sobrevivência” e isso se reflete na busca por “vantagens competitivas” nos mais diferentes campos, como Educação, Saúde, Habitação, Segurança e Justiça. Os mais aptos são os que tem a capacidade de pagar por esses benefícios, sem contar com a “ajuda” do Estado e desta forma a sociedade se estratifica cada vez mais, alargando as diferenças sociais.
                                  No campo social existe uma verdadeira “cadeia alimentar” onde os mais fracos são “consumidos” pelos mais aptos dos patamares superiores até o topo da pirâmide social e por isso se vê um processo de concentração de renda cada vez mais exacerbado, que torna os mais possuídos mais acumuladores e os demais abaixo como contribuintes caudatários, a começar pela própria classe média.
                                  No campo federativo se produz o mesmo fenômeno com a centralização do Poder fundada nos Estados mais fortes economicamente e que por isso influem mais politicamente e a adoção de “políticas compensatórias” acaba por dar importância e peso ao assistencialismo ao cidadão e por consequência ao seu Estado, o que é a prova dessa falha tanto no equilíbrio de um Pacto Social, como no Federativo.
                                   Em um Estado Federativo cabe ao Governo a adoção de políticas de desenvolvimento equilibrado tanto do cidadão em particular, como dos estados membros e esse equilíbrio se reflete na equivalência do “padrão social” individual entre os diferentes e para todos os membros federados. Um Governo Democrático é aquele que aquinhoa igualmente classes sociais e Estados da Federação.
                                   Por outro lado, nem mesmo a participação do Estado na Economia tem limites definidos. Graças à concentração da arrecadação tributária no âmbito federal a capacidade de intervenção põe de joelhos a iniciativa privada, viciando-a e prostituindo-a num conluio de interesses mútuos e escusos. Este é o “teorema político” a ser solucionado no Brasil e seu veículo é uma Constituição Federal séria e pragmática.
                                  O Sistema Político e sua Representatividade, equilibrados e justos, são um desafio à característica humana de “domínio interessado e interesseiro”, posto que partidos classistas, (ruralista, evangélicos, sindicalistas e etc.), se propõem à defesa de interesses específicos em detrimento dos interesses globais nacionais.
                                  Num regime democrático, em comum, todos os Partidos devem defender basilarmente esse regime, contudo sua visão e foco da resolução macro dos problemas nacionais devem ser diferentes, visto que a unanimidade de objetivos partidários levaria ao monopartidarismo, ou a um regime de coligações espúrias e oligárquicas. Ideias e ideais não são diferenciados por virgulas e reticências.
                                   A Justiça, da base do tripé democrático, deve representar a defesa da sociedade, não somente relativamente a crimes cometidos contra ela, sejam contra as pessoas ou patrimoniais, mas mais principalmente moderar os interesses de forças desiguais: a sociedade e o poder do Estado. Cabe-lhe o equilíbrio entre os interesses do cidadão e o do Estado, contudo, hoje, talvez seja o de acesso menos democrático dos Três Poderes.
                                      Desde sempre a Justiça tem sido o mais oligárquico dos poderes e de mais difícil acesso a quem “não pode pagá-la” e é consenso que se aplica somente aos três Ps. De pouco ou de nada adiantará, que enquadremos o Executivo e Legislativo, se o Judiciário continuar a ser “cego e distante”.
                                     Entretanto o conceito de Justiça para as classes mais desprotegidas não se restringe exclusivamente à Justiça propriamente dita, mas à garantia do conjunto de direitos constitucionais como um todo, pois são os mais vulneráveis ao mal emprego ou à corrupção do uso do dinheiro público por menor que seja, visto que é dos programas essenciais básicos, que esse dinheiro é retirado.
                                     Os juros e os pagamentos das contas estatais sempre têm seu empenho garantido e satisfeito, ainda que aconteçam atrasos nesses pagamentos. Já as aplicações em Educação, Saúde, Habitação, Mobilidade Urbana e Segurança acabam por depender da sua disponibilidade de caixa.
                                    O conceito pleno de justiça social jamais deve ser encarado como um programa partidário de governo ou de manutenção de poder, visto que se trata de um “direito constitucional” estabelecido e a sua execução não merece propaganda, pois advém da “obrigação constitucional” de ofertá-lo ao cidadão, além do fato de ser uma “obrigação política” de qualquer partido político no exercício de um governo.
 
                                   A única coisa a celebrar é que os políticos estarão cumprindo com suas promessas e principalmente, sua obrigação, por pura obediência aos “princípios constitucionais” estabelecidos e por isso não merecem nossa gratidão. 
                                   Como podemos constatar o Brasil não cumpre com nenhum desses pontos num “check list” institucional e essa é uma amostra da tarefa hercúlea a que a cidadania deve se dedicar e exigir. Uma Democracia só se constrói no dia a dia e pela vontade comum e assim é conquistada plenamente. A “amostra grátis” que tem sido oferecida pelos políticos sempre se revelou um “cavalo de Tróia” a posteriori. Uma falácia embutida em uma verdade aparente.

 
Fonte:
Das vivências, percepções e pesquisas de
Antônio Figueiredo – De algum lugar entre a Bahia e São Paulo
Economista, Escritor, Empresário, Militante Apartidário Parlamentarismo e Voto Distrital Puro. Ex - Ativista Movimentos Sociais Católicos/ Metalúrgico/ Estudantil (1961/73). Operário da Cidadania
 
 

 

 

 

sexta-feira, 15 de agosto de 2014


#SOSEducacão – URGENTE -

 
Por Favor... Não Matem Nossa Língua Pátria...!
- Eu Imploro... –

 

“... Minha pátria é a língua portuguesa...!”
Fernando Pessoa
                           Em Literatura Brasilesa denomina-se Modernismo o movimento literário iniciado a partir de 1922, época da realização da Semana de Arte Moderna.
                          Se for verdade que todo movimento literário traz inovações e desafios àqueles que o precedem, nenhum provocou maiores choques ou hostilidades que o Modernismo, principalmente na Poesia.
                         Pode-se dizer que a literatura do Modernismo procurou correr em paralelo com as inovações e os avanços ditos tecnológicos de uma era que caminhou velozmente e iniciou em 1922 á 1928.
                        Tinham um ideário: “Declaramos que o esplendor do mundo se enriqueceu com uma beleza nova: a beleza da velocidade. Uma baratinha de corrida é mais linda que  a “Vitória” de Semotrácia. Não há obra prima sem caráter agressivo. Queremos demolir os museus, as bibliotecas o moralismo, o feminismo e todas as covardias oportunistas e utilitárias....!”.
                        Desta primeira fase, como já citei o joseense (São José dos Campos-SP) Cassiano Ricardo, participavam Oswald e Mário de Andrade, Menotti del Picchia e muitos outros, em artigos anteriores.
                         Deste primeiro movimento pego emprestado uma pequena estrofe de Oswald de Andrade. Deixou dito este grande brasilês:

Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

Mas o que pretendo aqui? Dar uma pretensa aula de literatura?
Não. Muito pelo contrário.
                       Nesta semana, extremamente gelada no Sul, esquentou-me “ás ventas”, como diria o poeta regional do amado Nordeste com uma barbaridade publicada, esta sim em primeira página da dita “imprensa” que infelizmente ainda possuímos neste país, ainda amado por Deus:
Dizia a manchete a seguinte barbaridade:

Nova reforma ortográfica propõe
que “omens” comam “qeijos”.

A fonte completa, não se preocupem, está abaixo deste.
                        Sim. Exatamente isso. Nem “engolimos” o ultimo (Des) Acordo (como gosta de citar meu amigo Ricardo Santana) Ortográfico, conforme Decreto de número 6583, e agora um Senador, Cyro Miranda (somente utilizo tal denominação oficial, pois este ser foi eleito) de tal de comissão dita de “Educação” do Congresso Nacional quer uma nova reforma ortográfica nos países falantes da língua portuguesa.
                         Vindo das divergências em  relação ao último acordo ortográfico em 2009 – que alterou 5% do vocabulário brasilês – a Comissão de Educação do Senado conta com a coordenação dos professores Ernani Pimental Pasquale Cipro Neto, que buscam sugestões de profissionais da área da educação através do sitio Simplificando a Ortografia.
                       Sim eu citei (PROFESSORES). Certamente, creiam-me preferia tê-los citados como COMUNISTAS de Práticas Stalinistas.
                       O tal despropositado “projeto” encabeçado pelo Senador Cyro Miranda quer colocar em prática uma nova reforma ortográfica nos países falantes da língua portuguesa. Dentre as mudanças propostas, as que mais chamam atenção é a extinção da letra “h” no início de palavras e a troca do fonema “ch” pela letra “x”.
Estas “criaturas“ ainda tentam justificar afirmando:
 “Quase ninguém sabe a ortografia em nosso País. Encontrar quem saiba usar hífen, j, g, x, ch, s, z, é algo raro. Até professores precisam recorrer a dicionários para confirmar como se escreve uma palavra ou outra, de tão complexo que é o nosso sistema.” (Ernani Pimentel).
                       Entenderam ou preciso desenhar. Sim um dito professor de nossa amada Língua Portuguesa Brasilesa afirmou isso.
E tem mais:
Segundo o senador, serão realizadas videoconferências de professores de Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde antes do projeto entrar em fase de aprovação. As mudanças visam unificar as regras de idioma do Brasil, simplificando e acelerando o aprendizado da gramática, o que renderia ao País a economia de R$ 2 bilhões por ano.(para quem?).
                       A mesma balela do Acordo Ortográfico de 2009 que somente existe aqui no Brasil. Mas na Reforma ortográfica: o que mudaria?
                       Veja alguns exemplos de palavras que sofreriam mudanças com a nova reforma ortográfica proposta, fornecida pelo sitio do Senado:
 (as palavras estão separadas por barras).

Homem – Omem/ Hotel – Otel/ Hoje – Oje/ Humor – Umor /Harpia – Arpia/ Harpa – Arpa/ Guerra – Gerra/ Guitarra – Gitarra
Chá – Xá/ Flecha – Flexa/ Macho – Maxo/ Analisar – Analizar
Blusa – Bluza/  Exemplo – Exemplo/ Exuberante – Ezuberante
Êxito – Êzito/ Exigente – Ezigente/ Exame – Ezame/ Executar – Ezecutar/ Existir – Ezistir/ Amassar – Amasar/ Açúcar – Asúcar
Moço – Moso/ Pescoço – Pescoso/ Auxílio – Ausílio/ Asa – Aza
Brasília – Brazília/ Base – Baze/ Paralisar – Paralizar/ Avisar – Avizar
Música – Múzica/ Meses – Mezes/ Deuses – Deuzes/ Pegajoso – Pegajozo.

 
                          Todo este “assassinato” linguístico tem somente, creiam-me e afirmo aqui: Dinheiro. Muito dinheiro à custa de editoração. De reeditar tudo o que possuímos por escrito no Brasil.
E não esqueçam o seguinte detalhe: Em nosso país a língua pátria é determinada por lei. Portanto escrever erradamente é crime.
                         Mas crime maior é não utilizar toda a “máquina” um gigante, um “elefante” estatal como o MEC para produzir dinheiro à custa de uma população quase ignorante. Sem ofensas, pois já temos segundo o próprio IBGE, cerca de 20% e “alfabetos funcionais” entrando nas Academias. Sim, nas Universidades.
                         Agora mais uma asneira que somente pode ter como objetivo “sovietizar”, utilizando o termo título de um dos grandes artigos escritos pelo grande brasilês Miranda Sá. E isso é involuirmos até a época de Stalin. É comunização do Brasil.
                         Por Favor, não deixem que “matem” nossa amada língua pátria. A Língua Portuguesa Brasilesa.
Cada vez “mais inculta e tentando deixa-la horrível”.
Por Favor... Imploro como Brasilês ajudem que isso não aconteça.
Estamos em época de eleições. Vamos aproveitar e dizer NÃO, a esta barbaridade.
Pensar Não Dói... E você aceitaria isso? 

 
 

Fonte:
http://cabineliteraria.com.br/nova-reforma-ortografica-propoe-que-omens-comam-qeijos/
de 14.08.2014